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domingo, 17 de maio de 2026

Mitologia suméria- o início de tudo

    A mitologia suméria constitui uma das mais antigas tradições religiosas da humanidade, desenvolvida na Mesopotâmia entre os rios Tigre e Eufrates. Sua cosmogonia buscava explicar a origem do universo por meio de forças divinas primordiais e conflitos entre deuses. No princípio existiam Apsu, associado às águas doces subterrâneas, e Tiamat, ligada às águas salgadas e ao caos primordial. Da união entre ambos nasceram várias gerações divinas que deram origem ao panteão mesopotâmico. 

    Segundo o Enuma Elish, os deuses jovens perturbavam Apsu com seu comportamento barulhento e desordeiro. Irritado, Apsu decidiu destruir os novos deuses, mas foi morto por Ea, também chamado Enki. Tiamat, tomada pela fúria, iniciou uma guerra contra os deuses mais jovens e criou monstros para combatê-los. Nesse conflito aparecem os Anunnaki, divindades superiores ligadas ao destino e à ordem cósmica, enquanto os Igigi, associados aos deuses trabalhadores, rebelaram-se contra os esforços impostos pelos grandes deuses. A tensão entre essas divindades representa simbolicamente os conflitos entre ordem, trabalho e poder no universo. Com o avanço da guerra, surge Marduk, deus da Babilônia, escolhido como campeão dos deuses jovens. Marduk derrota Tiamat em uma batalha grandiosa e divide seu corpo para criar o céu e a terra. Após sua vitória, ele torna-se o soberano do cosmos e organiza o universo segundo leis divinas. 

    O Enuma Elish também descreve a criação da humanidade a partir do sangue do deus Kingu, aliado de Tiamat. Os seres humanos teriam sido criados para servir os deuses e assumir os trabalhos pesados dos Igigi. Já no mito de Atrahasis, os deuses menores se rebelam devido ao excesso de trabalho imposto pelos Anunnaki. Como solução, Enki e a deusa Ninhursag criam os homens misturando barro com a carne e o sangue de um deus sacrificado. A humanidade nasce, portanto, como servidora divina, responsável por manter os templos e oferecer sacrifícios. Entretanto, os homens tornaram-se numerosos e barulhentos, incomodando o deus Enlil, que decidiu destruir a humanidade através de um grande dilúvio. Enki, porém, advertiu Atrahasis secretamente e ordenou que ele construísse uma embarcação para sobreviver. 

    O episódio do dilúvio influenciou diversas tradições posteriores do Oriente Médio. Na Epopeia de Gilgamesh, o sobrevivente do dilúvio aparece como Utnapishtim, que relata a destruição enviada pelos deuses. A obra também aborda temas como mortalidade, amizade e a busca humana pela imortalidade. Assim, os mitos sumérios e babilônicos revelam uma visão complexa do universo, marcada pela criação, pelo conflito divino e pela fragilidade da humanidade diante dos deuses.

Você quer saber mais?

BRANDÃO, Jacyntho Lins. Epopeia de Gilgámesh. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2017.

BRANDÃO, Jacyntho Lins. Epopeia da Criação: Enuma Eliš. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2022.

BOTTERÓ, Jean. No Começo Eram os Deuses. São Paulo: Editora UNESP, 2011.