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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Uma análise psicológica da mente de Adolf Hitler. Parte V.



Chegamos a quinta e última parte de nossa análise da mente de Adolf Hitler, espero que o trabalho possa ter sido de ajuda aos amigos curiosos e pesquisadores da história. Apenas arranhamos a superfície de uma infindável pesquisa, mas mesmo assim fico feliz em saber que posso ter acrescentado uma parte em futuras pesquisas de meus pares.

Propaganda

O rádio foi um meio de comunicação usado em grande escala pelos nazistas para difundirem suas ideias e espalharem a propaganda de que Hitler era o salvador da nação alemã e da “raça ariana”. O rádio por transmitir apenas sons, liberta o imaginário do ouvinte, transformando-o num condutor das imagens que “vestem” os sons. Instigando-o a ser um engenheiro de ideias e não um repetidor delas. Goebbels, o “gênio” do marketing político, tinha um plano. Tal plano previa a utilização mais mapla possível do rádio, uma massificação “que nossos adversários não têm sabido explorar...”, escrevia o chefe da Propaganda. Ele queria que Hitler fizesse seus discursos em todas as cidades dotadas de emissoras de rádio para atingir o maior número possível de alemães. Mas os discursos deveriam romper o cárcere do tecnicismo político e ganhar ares de um artista plástico.
São de Goebbels estas palavras:

“Nós transmitiremos as mensagens radiofônicas para o meio do povo e daremos assim ao ouvinte uma imagem plástica do que acontece durante nossas manifestações. Eu mesmo farei uma introdução para cada discurso do Führer, na qual tentarei transmitir aos ouvintes o fascínio e o clima geral de nossas manifestações coletivas.”

            Albert Speer, o arquiteto e amigo de Hitler, confirma em suas memórias:

“Por meio de recursos técnicos como o rádio e o megafone 80 milhões de pessoas foram privadas da sua liberdade de opinião. Por conseguinte, foi possível submetê-las à vontade de um único homem.”

            Uns tem habilidade para adestrar animais, outros, mentes humanas, Adolf Hitler tinha habilidade para adestrar homens que antes eram mentes independentes.

Características do marketing político e dos discursos eletrizantes de Hitler, que alicerçava seu magnetismo social:

1) Tonalidade imponente e teatral a voz.
2) Utilização de frases de efeito.
3) Supervalorização da crise social.
4) Propaganda contínua da ameaça comunista, o que causava pânico nos empresários e causava uma adesão histérica ao Führer.
5) Lembrança constante  da humilhação sofrida na Primeira Guerra Mundial.
6) Excitação até o ódio aos inimigos da Alemanha, em especial marxistas e judeus.
7) Promoção exaustiva da raça ariana e da autoestima do povo alemão.
8) Exaltação do nacionalismo e de sua postura como o alemão dos alemães.
9) Utilização exagerada das suas origens humildes.
10) Verborreia – necessidade neurótica de falar, expressa por monólogos intermináveis.

            Antes de devorar os judeus, Hitler canibalizou a emoção dos alemães.

            O ponto alto das exibições do regime eram as Honras Fúnebres, quando Hitler atravessava fileiras gigantescas de milhares de soldados rigorosamente organizados. A portentosa homenagem aos que tombaram excitava o cérebro de quem os comtempla, gerando uma comoção fortíssima, provocando o instinto de lutar. A debilitada Alemanha despertava para o seu gigantismo. Os shows militares tornaram-se grandes peças de marketing. Feitos ao ar livre, em horários tais que combinavam um jogo de luz e sombra, objetivavam dar contornos messiânicos à imagem do Führer.

            O melhor desempenho de Hitler era como ator, pois, como ser humano, era ególatra, radical, instável, parcial, agressivo, explosivo, exclusivista, amante de bajuladores, avesso a críticas e ao diálogo. Queria inscrever seu nome no concerto das nações e gravar com chamas seu nome na história.

O homem do fogo

            Segundo Albert Speer, amigo e arquiteto pessoal de Hitler, o fogo era o elemento adequado para o Führer, ele apreciava seu aspecto destruidor. Dizer que ele incendiou o mundo e fez o continente sentir o poder do fogo e da espada talvez seja uma figura forte demais. Mas no sentido mais literal do termo, o fogo sempre o afetou profundamente. Speer relata que Hitler mandava passa na Chancelaria filmes mostrando Londres me chamas, o incêndios gigantesco que consumia Varsóvia, comboios explodindo, e o seu verdadeiro êxtase ao assistir tais cenas. Jamais o vi tão excitado como na ocasião em que, já no fim da guerra e quase num delírio, ele pintou verbalmente para si mesmo e para nós o quadro de Nova Iorque em chamas. Descreveu os arranha-céus se transformando em tochas monumentais, tombando uns sobre os outros, e as chamas gigantescas a iluminar o céu escuro.

            Em breve trarei aos amigos do Construindo História Hoje um trabalho voltando para as informações que Albert Speer nos passa em suas memórias sobre Adolf Hitler, Speer foi arquiteto no Terceiro Reich e ministro do armamento durante da guerra.

Você quer saber mais?

CURY, Augusto. O colecionador de lágrimas. São Paulo: Editora Planeta, 2012.

SPEER, Albert. Spandau: o diário secreto. Rio de Janeiro: Arte Nova, 1977.









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