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domingo, 20 de setembro de 2026

Os cinco generais que governaram o Brasil entre 1964 e 1985

 Entre 1964 e 1985, o Brasil viveu um período de governo autoritário iniciado após o movimento civil-militar que derrubou o presidente João Goulart. Durante esses 21 anos, cinco militares ocuparam a Presidência da República: Humberto de Alencar Castelo Branco, Artur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo. O primeiro deles foi Castelo Branco, que governou de 1964 a 1967 e promoveu mudanças na organização política e econômica do país, ao mesmo tempo em que foram adotadas medidas que limitaram direitos políticos e fortaleceram o controle do governo. Em seu governo foram publicados atos institucionais, entre eles o AI-2, que extinguiu os partidos políticos existentes e estabeleceu novas regras para a organização partidária. Em 1967, Costa e Silva assumiu a Presidência e seu governo foi marcado pelo aumento das manifestações de oposição e pela crescente tensão política. Em dezembro de 1968, foi decretado o AI-5, que ampliou os poderes do governo e aprofundou a repressão política. 

Após Costa e Silva deixar o cargo por problemas de saúde, uma junta militar governou provisoriamente até a escolha de Emílio Garrastazu Médici, que presidiu o país entre 1969 e 1974. Seu governo ficou marcado pelo forte crescimento econômico conhecido como “Milagre Econômico”, mas também por intensa repressão política, censura e perseguição aos opositores do regime. O período também foi marcado pela atuação de órgãos de informação e repressão, que acompanhavam estudantes, políticos, trabalhadores, religiosos e outras pessoas consideradas adversárias do governo. Em 1974, Ernesto Geisel assumiu a Presidência e iniciou um processo de abertura política apresentado como lento, gradual e seguro. Durante seu governo, algumas medidas de distensão foram adotadas, embora a repressão e as disputas políticas ainda continuassem. 

Em 1979, João Baptista Figueiredo assumiu o governo e deu continuidade ao processo de abertura, período em que foi aprovada a Lei da Anistia e ocorreram mudanças que contribuíram para a retomada da vida política democrática. O regime militar chegou ao fim em 1985, quando José Sarney assumiu a Presidência após a eleição indireta de Tancredo Neves, que não chegou a tomar posse. Esse período deixou marcas profundas na história brasileira, envolvendo mudanças econômicas, transformações sociais, censura, restrições políticas e graves violações de direitos humanos, posteriormente investigadas pela Comissão Nacional da Verdade. Conhecer os governos desses cinco militares ajuda a compreender as diferentes fases do período, desde a instalação do regime até o processo de abertura política que levou à redemocratização do Brasil.

Você quer saber mais?

FICO, Carlos. O golpe de 1964: momentos decisivos. Rio de Janeiro: FGV, 2014.

BRASIL. Comissão Nacional da Verdade. Relatório da Comissão Nacional da Verdade. Brasília: CNV, 2014.

GASPARI, Elio. A ditadura envergonhada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

NAPOLITANO, Marcos. 1964: História do regime militar brasileiro. São Paulo: Contexto, 2014.

SKIDMORE, Thomas E. Brasil: de Castelo a Tancredo, 1964-1985. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

Valores Farroupilhas e as Escolhas para o Futuro

A Revolução Farroupilha, ocorrida entre 1835 e 1845, faz parte da história do Rio Grande do Sul e deixou marcas importantes na cultura e na memória dos gaúchos. Durante o conflito, homens e mulheres enfrentaram um período de muitas dificuldades, defendendo diferentes ideias sobre os caminhos que o Rio Grande do Sul deveria seguir. Entre os personagens desse período estavam Bento Gonçalves, Antônio de Souza Netto, Giuseppe Garibaldi e Anita Garibaldi, que tiveram diferentes participações nos acontecimentos farroupilhas. Ao conhecer suas histórias, podemos perceber valores como coragem, determinação, responsabilidade, união e capacidade de tomar decisões diante de situações difíceis. Bento Gonçalves, por exemplo, tornou-se uma das principais lideranças do movimento e precisou tomar decisões importantes em um período marcado por conflitos. 

Giuseppe e Anita Garibaldi também ficaram conhecidos pela participação nos acontecimentos da Revolução Farroupilha e pela disposição para enfrentar os desafios daquele período. Isso não significa que os jovens de hoje devam repetir as escolhas feitas pelos farroupilhas, mas que podem aprender com a história e refletir sobre suas próprias atitudes. Ter coragem pode significar enfrentar uma dificuldade na escola, persistir diante de um problema ou acreditar na própria capacidade de aprender. Ter responsabilidade significa compreender que nossas escolhas podem abrir ou fechar caminhos. 

A união também mostra que ninguém constrói seu futuro completamente sozinho, pois precisamos aprender a conviver, colaborar e respeitar outras pessoas. Conhecer a história dos farroupilhas, portanto, pode ajudar cada estudante a pensar sobre seus sonhos, suas escolhas, suas responsabilidades e aquilo que deseja construir para o futuro. Assim como os acontecimentos de 1835 fizeram parte de um determinado momento da história, cada jovem também vive um período importante de sua própria trajetória e pode fazer escolhas que ajudarão a construir o seu amanhã.

Você quer saber mais?

PESAVENTO, Sandra Jatahy. História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1980.

FLORES, Moacyr. História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Nova Dimensão, 1996.

Partidos Conservador e Liberal durante o Segundo Reinado

Durante o Brasil Império, especialmente durante o Segundo Reinado, dois grandes grupos políticos tiveram importante participação na vida política do país: o Partido Conservador e o Partido Liberal. Os dois partidos surgiram na década de 1830 e representavam principalmente os interesses das elites que participavam do governo imperial. O Partido Conservador defendia uma maior centralização do poder e valorizava a autoridade do imperador e a manutenção da ordem política e social. Entre seus principais representantes estavam Joaquim José Rodrigues Torres, o Visconde de Itaboraí, Eusébio de Queirós e José de Alencar. Os Conservadores também participaram de importantes decisões políticas, como a aprovação da Lei Eusébio de Queirós, em 1850, que proibiu o tráfico de africanos escravizados para o Brasil. 

O Partido Liberal, por sua vez, defendia maior autonomia para as províncias e algumas mudanças na organização política do Império. Entre seus principais representantes estavam Diogo Antônio Feijó, Teófilo Ottoni e Zacarias de Góis e Vasconcelos. Apesar das diferenças, Liberais e Conservadores possuíam muitas semelhanças, pois ambos defendiam a monarquia, a manutenção da ordem e a organização política baseada na Constituição de 1824. Os dois grupos também eram formados, em grande parte, por membros das elites econômicas e políticas do país, especialmente grandes proprietários rurais e pessoas ligadas à administração pública. Por isso, as diferenças entre os partidos não significavam uma oposição completa entre eles. 

Durante o Segundo Reinado, era comum que políticos mudassem de partido ou se aproximassem de um grupo de acordo com as circunstâncias políticas. O imperador Dom Pedro II também exercia importante influência sobre o funcionamento do sistema político e alternava os dois partidos no governo. Essa alternância entre Liberais e Conservadores foi uma das características marcantes da política do Segundo Reinado. Os dois partidos participaram de debates sobre a economia, a escravidão, a administração das províncias e a organização do Estado brasileiro. Assim, embora apresentassem diferentes propostas para administrar o país, Liberais e Conservadores contribuíram conjuntamente para o funcionamento da política imperial e tiveram grande influência nos acontecimentos do Brasil durante o século XIX.

Você quer saber mais?

CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem: a elite política imperial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

O valor da filosofia romana para o mundo

A filosofia romana teve grande importância para a formação do pensamento ocidental, principalmente porque os romanos souberam conhecer, adaptar e desenvolver muitas ideias que haviam surgido entre os gregos. Mais do que criar uma filosofia completamente diferente, os pensadores romanos procuraram relacionar a reflexão filosófica com os problemas do cotidiano, como a política, a moral, a amizade, a justiça, a felicidade e a maneira de enfrentar as dificuldades da vida. Por isso, suas ideias continuaram sendo estudadas durante muitos séculos e ainda podem ser encontradas em debates sobre ética, comportamento e vida em sociedade.

Entre os principais nomes está Cícero, que viveu no século I a.C. e escreveu sobre política, justiça, deveres e comportamento moral. Suas obras ajudaram a transmitir ideias da filosofia grega para o mundo romano e, posteriormente, para pensadores europeus. Outro importante filósofo foi Sêneca, conhecido principalmente por suas reflexões ligadas ao estoicismo. Para ele, era importante aprender a controlar as paixões, agir com equilíbrio e enfrentar as dificuldades com coragem e sabedoria. Já Epicteto, embora tenha nascido escravizado e vivido no mundo romano, ensinava que devemos concentrar nossa atenção naquilo que está sob nosso controle, procurando agir de maneira correta diante das situações que não podemos mudar.

Também podemos destacar Marco Aurélio, imperador romano e autor de Meditações. Em seus escritos, refletiu sobre a responsabilidade, a disciplina, o respeito pelas outras pessoas e a necessidade de manter a serenidade diante dos acontecimentos da vida. Assim, a filosofia romana deixou como contribuição uma forma de pensar que aproximava a reflexão filosófica das experiências humanas do dia a dia. Seu valor para o mundo está justamente nessa capacidade de nos fazer pensar sobre nossas escolhas, nossas responsabilidades e nossa convivência com os outros. Mesmo depois de tantos séculos, as perguntas feitas pelos filósofos romanos continuam atuais, mostrando que a filosofia não pertence apenas ao passado, mas pode ajudar cada geração a compreender melhor o ser humano e a sociedade.

Você quer saber mais?

CÍCERO, Marco Túlio. Dos deveres. São Paulo: Martin Claret, 2002.

SÊNECA, Lúcio Aneu. Sobre a brevidade da vida. São Paulo: L&PM, 2007.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

A religiosidade na Roma Antiga

A religião fazia parte da vida dos romanos e estava presente nas casas, nas ruas e nos espaços públicos. Os romanos acreditavam em vários deuses, cada um relacionado a diferentes aspectos da vida, da natureza e da sociedade. Júpiter era considerado o principal deus romano, ligado ao céu, aos raios e à proteção de Roma. Juno, sua esposa, estava relacionada ao casamento, às mulheres e à proteção da família. Minerva representava a sabedoria, o conhecimento, as artes e também a estratégia na guerra. Júpiter, Juno e Minerva formavam a Tríade Capitolina, um grupo muito importante na religião romana. Marte era o deus da guerra e tinha grande importância para os romanos, que valorizavam muito suas conquistas militares. Vênus estava ligada ao amor, à beleza e à fertilidade, sendo também considerada uma ancestral do povo romano. Netuno era o deus dos mares e das águas, enquanto Mercúrio estava relacionado ao comércio, às viagens e aos mensageiros. Baco, por sua vez, era associado ao vinho, às festas e à diversão. 

Além desses deuses, as famílias romanas também cultuavam os Lares e Penates, considerados protetores da casa e da família. Os romanos faziam orações, ofereciam alimentos e outros presentes aos deuses e realizavam festas e sacrifícios em sua homenagem. Com a expansão de Roma, os romanos conheceram diferentes povos e passaram a incorporar divindades e costumes de outras culturas. Por isso, a religião romana foi se transformando ao longo do tempo, reunindo tradições de diferentes lugares.

Os templos romanos eram lugares construídos para homenagear os deuses e tinham grande importância na vida religiosa de Roma. Neles eram colocadas estátuas das divindades e realizadas orações, oferendas e cerimônias religiosas. Muitos templos ficavam em locais de destaque e chamavam atenção por suas colunas, escadarias e grandes construções. A arquitetura recebeu influência dos gregos, mas os romanos desenvolveram suas próprias formas de construir e decorar esses espaços. Um dos templos mais conhecidos é o Panteão, localizado em Roma, que impressiona até hoje por sua grande cúpula e pela qualidade de sua construção.

Você quer saber mais?

BEARD, Mary. SPQR: uma história da Roma Antiga. São Paulo: Planeta, 2017.

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2002.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Sociedade Colonial Portuguesa

 A sociedade colonial portuguesa começou a se formar no Brasil a partir da chegada dos portugueses e foi marcada por muitas diferenças entre as pessoas. No início da colonização, os portugueses organizaram a vida na colônia de acordo com seus interesses, principalmente a produção de riquezas. Os senhores de engenho e grandes proprietários de terras ocupavam uma posição de destaque e tinham muito poder. Ao mesmo tempo, havia pessoas livres com diferentes condições de vida, trabalhadores pobres, indígenas e africanos escravizados. Dessa forma, a sociedade colonial era bastante desigual, e a posição de cada pessoa dependia muito de sua origem, de sua riqueza e de sua condição social.

No governo da colônia também existiam diferentes grupos e autoridades. O governador-geral representava o rei de Portugal e tinha a função de administrar a colônia e garantir os interesses da Coroa. Os donatários, principalmente no início da colonização, eram responsáveis por administrar as capitanias que receberam do rei. Nas vilas e cidades, os vereadores e membros das Câmaras Municipais cuidavam de questões relacionadas à administração local. Havia ainda os militares, responsáveis pela defesa do território, e os funcionários da Coroa, que ajudavam a controlar a arrecadação de impostos e outras atividades. Esses grupos faziam parte da estrutura de poder e ajudavam Portugal a manter o controle sobre o Brasil.

Entre a população em geral também havia muitos grupos diferentes. Os indígenas já viviam no território antes da chegada dos portugueses e possuíam suas próprias culturas, línguas e formas de organização. Muitos foram obrigados a trabalhar para os colonizadores ou tiveram suas terras ocupadas. Os africanos escravizados foram trazidos à força para o Brasil e realizaram grande parte dos trabalhos nas plantações, nos engenhos, nas casas e em outras atividades. Havia também os trabalhadores livres, como pequenos agricultores, artesãos, comerciantes e pessoas que exerciam diferentes profissões. Os religiosos, principalmente os padres e membros das ordens religiosas, também tinham importante presença na sociedade, atuando na catequização, na educação e na vida religiosa. Assim, a sociedade colonial era formada por muitos grupos, mas nem todos possuíam os mesmos direitos, oportunidades ou poder.

A vida nas áreas de produção, principalmente nos engenhos de açúcar, girava em torno do trabalho e das relações entre senhores e trabalhadores. Os africanos escravizados sofriam com a falta de liberdade e com a violência do sistema escravista, enquanto os indígenas enfrentavam conflitos, doenças e tentativas de ocupação de suas terras. Mesmo com tantas diferenças e dificuldades, esses grupos participaram da formação da sociedade brasileira. Portugueses, indígenas, africanos e seus descendentes contribuíram para a construção da nossa cultura, deixando marcas na língua, na alimentação, nas festas, nas crenças, nos costumes e nos conhecimentos. Estudar a sociedade colonial ajuda, portanto, a entender como era a vida no Brasil naquele período e também a perceber algumas das desigualdades e características culturais que continuam presentes na sociedade brasileira.

Você quer saber mais?

FAUSTO, Boris. História do Brasil. 14. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012.

PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil contemporâneo: colônia. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.