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sábado, 10 de outubro de 2026

A religião, a cultura e a história do povo Xokleng

 O povo Xokleng, também conhecido como Laklãnõ, possui uma longa história ligada principalmente à região que hoje corresponde ao estado de Santa Catarina. Durante muito tempo, seus antepassados viveram em áreas de florestas, onde praticavam a caça, a coleta de frutos e outras atividades necessárias à sobrevivência. Conheciam profundamente a natureza e utilizavam os recursos disponíveis para produzir objetos, construir abrigos e alimentar suas famílias. Assim como outros povos indígenas do Brasil, os Xokleng desenvolveram uma cultura própria, com língua, costumes, conhecimentos e tradições transmitidos de geração em geração. A vida em comunidade era importante para a organização social, e os conhecimentos dos mais velhos ajudavam a preservar a memória e a identidade do povo.

A história dos Xokleng foi profundamente marcada pela chegada dos colonizadores e pela ocupação de seus territórios. Durante o século XIX e o início do século XX, a expansão da colonização em Santa Catarina provocou conflitos violentos, mortes e a perda de terras indígenas. Os Xokleng resistiram durante muito tempo à ocupação de seus territórios, procurando defender suas famílias e seu modo de vida. No início do século XX, a atuação de agentes ligados à política indigenista brasileira contribuiu para estabelecer contatos com grupos Xokleng, mas esse processo ocorreu em meio a grandes pressões sobre suas comunidades. Mais tarde, a construção da Barragem Norte, iniciada na década de 1970 no Vale do Itajaí, provocou novos impactos sobre as terras e a vida das comunidades indígenas. Apesar dessas dificuldades, o povo Xokleng continuou lutando pela preservação de sua cultura e pelo reconhecimento de seus direitos.

A cultura Xokleng apresenta conhecimentos tradicionais relacionados à floresta, aos animais, às plantas e aos ciclos da natureza. A caça, a coleta e a utilização de diferentes materiais vegetais tiveram grande importância em sua história. A produção de objetos para o cotidiano e a transmissão de conhecimentos sobre o ambiente demonstram a capacidade desse povo de viver em estreita relação com o território. A língua Xokleng, pertencente à família linguística Jê, é um dos elementos fundamentais de sua identidade. Atualmente, há esforços para preservar e fortalecer seu uso, especialmente entre as novas gerações. As histórias contadas pelos mais velhos, os costumes familiares e as práticas comunitárias também contribuem para manter viva a memória dos antepassados.

A religiosidade Xokleng está relacionada às suas próprias tradições, às concepções sobre a vida e a morte e à relação com o mundo natural e espiritual. Como acontece com outros povos indígenas, suas crenças tradicionais foram transmitidas principalmente pela oralidade, por meio de narrativas, ensinamentos e práticas culturais. Entretanto, é importante compreender que nem todas as tradições religiosas antigas foram registradas com detalhes pelos pesquisadores. Ao longo do tempo, o contato com a sociedade não indígena e com diferentes grupos cristãos também provocou mudanças nas práticas religiosas de parte das comunidades. Por isso, não se deve imaginar que todos os Xokleng possuem atualmente as mesmas crenças ou realizam as mesmas cerimônias. Cada comunidade e cada família podem apresentar experiências e formas diferentes de expressar sua espiritualidade.

Atualmente, os Xokleng, também chamados de Laklãnõ-Xokleng, continuam presentes em Santa Catarina, especialmente no território indígena associado à região de Ibirama. Suas comunidades trabalham para preservar a língua, valorizar os conhecimentos dos antepassados e transmitir sua história às crianças e aos jovens. Além das questões culturais, enfrentam desafios relacionados à proteção de suas terras, à educação e ao reconhecimento de seus direitos. Conhecer a trajetória desse povo é importante para compreender que a história do Brasil não foi construída apenas pelos colonizadores, mas também pela resistência e pela participação dos povos indígenas. Estudar a história, a cultura e a religiosidade Xokleng é uma forma de reconhecer sua importância e respeitar a diversidade dos povos originários do nosso país.

Você quer saber mais?

SANTOS, Silvio Coelho dos. Índios e brancos no Sul do Brasil: a dramática experiência dos Xokleng. Florianópolis: Edeme, 1973.

WIIK, Flávio Braune. O contingente indígena Xokleng: uma análise antropológica. Para aprofundar o tema, também são relevantes os estudos acadêmicos do autor sobre identidade, cultura e transformações sociais entre os Laklãnõ-Xokleng.

A sociedade e a cultura Kaingang

 Os Kaingang são um dos principais povos indígenas do Brasil e possuem uma longa história, especialmente na Região Sul do país. No Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná e em São Paulo, existem comunidades que preservam suas tradições e continuam lutando pelo reconhecimento de seus direitos. A sociedade Kaingang possui uma organização própria, construída ao longo de muitas gerações, baseada nos laços familiares, na vida comunitária e no respeito aos mais velhos. Tradicionalmente, as crianças aprendem com suas famílias os costumes, as histórias e os conhecimentos de seu povo. Os ensinamentos são transmitidos por meio da convivência, das atividades cotidianas e das narrativas contadas pelos mais velhos, que têm um papel importante na preservação da memória e da cultura.

Uma característica marcante da sociedade Kaingang é sua organização tradicional em duas metades chamadas Kamé e Kairu. Essa divisão está relacionada às histórias de origem desse povo e influencia aspectos do parentesco, das relações sociais e de suas manifestações culturais. Cada metade possui símbolos e características próprias, que podem aparecer nas pinturas corporais e nos grafismos tradicionais. A língua Kaingang pertence à família linguística Jê, do tronco Macro-Jê, e continua sendo falada em diferentes comunidades. A preservação dessa língua é fundamental, pois ela guarda conhecimentos e maneiras de compreender o mundo que foram transmitidos de geração em geração.

A relação com a natureza também ocupa um lugar importante na cultura Kaingang. Antigamente, a caça, a pesca, a coleta de frutos e a agricultura faziam parte da sobrevivência das comunidades. Entre os alimentos tradicionais, destaca-se o pinhão, semente da araucária, árvore muito presente nas paisagens do Sul do Brasil. O conhecimento sobre as plantas, os animais e as mudanças das estações ajudava os Kaingang a organizar suas atividades e aproveitar os recursos disponíveis. O artesanato também faz parte de sua cultura, especialmente a confecção de cestos e outros objetos feitos com fibras vegetais. Além de sua utilidade no cotidiano, essas produções podem expressar conhecimentos, tradições e a identidade de cada comunidade.

As festas e as cerimônias tradicionais também possuem grande importância. Entre as práticas culturais Kaingang, destaca-se o Kikikoi, uma cerimônia tradicional relacionada à memória e à homenagem aos mortos, que reúne elementos religiosos e comunitários. Sua realização varia conforme a comunidade e as condições para manter essa tradição. As histórias de origem, os cantos, as pinturas corporais e os conhecimentos dos antepassados ajudam a fortalecer os vínculos entre as pessoas e a manter viva a cultura do povo.

Ao longo da história, os Kaingang enfrentaram conflitos com os colonizadores, perderam parte de seus territórios e sofreram pressões para abandonar seus costumes. Mesmo assim, continuaram preservando aspectos importantes de sua identidade e transmitindo seus conhecimentos às novas gerações. Atualmente, os Kaingang estudam, trabalham e participam de diferentes atividades da sociedade brasileira, mantendo suas tradições e reivindicando o respeito aos seus direitos. Conhecer a sociedade e a cultura Kaingang é compreender que os povos indígenas possuem histórias próprias e continuam contribuindo para a diversidade cultural do Brasil.

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Referências bibliográficas

VEIGA, Juracilda. Aspectos fundamentais da cultura Kaingang. Campinas, SP: Curt Nimuendajú, 2006.

TOMMASINO, Kimiye; MOTTA, Lúcio Tadeu; NOELLI, Francisco Silva (org.). Uri e Wãxi: estudos interdisciplinares dos Kaingang. Londrina: Editora da Universidade Estadual de Londrina, 2000.

A religiosidade entre o povo Guarani

A religião sempre teve um papel muito importante na vida do povo Guarani. Para eles, a espiritualidade está presente no dia a dia, na relação com a natureza, na vida em comunidade e nos ensinamentos deixados pelos antepassados. Os Guarani possuem suas próprias crenças e histórias sobre a criação do mundo e a origem da vida. Em suas tradições, Nhanderu, conhecido como “Nosso Pai”, é uma importante figura divina. Em algumas tradições guarani, também se destaca Nhamandu, associado à luz, ao sol e à criação, embora os nomes e os significados das divindades possam variar entre os grupos. Esses conhecimentos são transmitidos de geração em geração, principalmente por meio das histórias contadas pelos mais velhos, dos cantos e das cerimônias religiosas. Em muitas aldeias, existe a casa de reza, chamada opy em algumas comunidades, onde as pessoas se reúnem para cantar, rezar e realizar celebrações. Os cantos e as danças não servem apenas para expressar a fé, mas também ajudam a manter viva a cultura do povo.

Entre as práticas religiosas guarani, destacam-se as orações coletivas, os cantos sagrados, as danças tradicionais e os momentos de reflexão conduzidos pelas lideranças espirituais. Em determinadas comunidades, o uso do petyngua, um cachimbo tradicional, faz parte de práticas cerimoniais e possui significado espiritual. A palavra dos mais velhos também é muito valorizada, pois eles ajudam a transmitir os conhecimentos e a orientar a comunidade. Em algumas tradições, Jakaira está relacionado à fertilidade da terra e à vegetação, enquanto Tupã aparece em diferentes narrativas e interpretações religiosas, especialmente em tradições que também receberam influências do contato com os europeus. É importante lembrar que essas divindades não são compreendidas da mesma maneira por todos os grupos guarani.

A natureza também tem um significado especial para os Guarani, pois a terra, as plantas, os rios e os animais fazem parte de sua maneira de compreender o mundo. Por isso, o respeito à natureza está relacionado à sua espiritualidade e ao modo como vivem. Ao longo da história, os Guarani tiveram contato com os colonizadores europeus e com os missionários cristãos, mas muitas comunidades continuaram preservando suas crenças tradicionais. Atualmente, existem diferentes grupos guarani, e cada um possui suas particularidades culturais e religiosas. Conhecer essa religiosidade nos ajuda a compreender melhor a história indígena e a respeitar as tradições que fazem parte da formação cultural do Brasil.

Você quer saber mais?

MELIÀ, Bartomeu. El guaraní: experiencia religiosa. Asunción: CEADUC, 1991.


domingo, 20 de setembro de 2026

Os cinco generais que governaram o Brasil entre 1964 e 1985

 Entre 1964 e 1985, o Brasil viveu um período de governo autoritário iniciado após o movimento civil-militar que derrubou o presidente João Goulart. Durante esses 21 anos, cinco militares ocuparam a Presidência da República: Humberto de Alencar Castelo Branco, Artur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo. O primeiro deles foi Castelo Branco, que governou de 1964 a 1967 e promoveu mudanças na organização política e econômica do país, ao mesmo tempo em que foram adotadas medidas que limitaram direitos políticos e fortaleceram o controle do governo. Em seu governo foram publicados atos institucionais, entre eles o AI-2, que extinguiu os partidos políticos existentes e estabeleceu novas regras para a organização partidária. Em 1967, Costa e Silva assumiu a Presidência e seu governo foi marcado pelo aumento das manifestações de oposição e pela crescente tensão política. Em dezembro de 1968, foi decretado o AI-5, que ampliou os poderes do governo e aprofundou a repressão política. 

Após Costa e Silva deixar o cargo por problemas de saúde, uma junta militar governou provisoriamente até a escolha de Emílio Garrastazu Médici, que presidiu o país entre 1969 e 1974. Seu governo ficou marcado pelo forte crescimento econômico conhecido como “Milagre Econômico”, mas também por intensa repressão política, censura e perseguição aos opositores do regime. O período também foi marcado pela atuação de órgãos de informação e repressão, que acompanhavam estudantes, políticos, trabalhadores, religiosos e outras pessoas consideradas adversárias do governo. Em 1974, Ernesto Geisel assumiu a Presidência e iniciou um processo de abertura política apresentado como lento, gradual e seguro. Durante seu governo, algumas medidas de distensão foram adotadas, embora a repressão e as disputas políticas ainda continuassem. 

Em 1979, João Baptista Figueiredo assumiu o governo e deu continuidade ao processo de abertura, período em que foi aprovada a Lei da Anistia e ocorreram mudanças que contribuíram para a retomada da vida política democrática. O regime militar chegou ao fim em 1985, quando José Sarney assumiu a Presidência após a eleição indireta de Tancredo Neves, que não chegou a tomar posse. Esse período deixou marcas profundas na história brasileira, envolvendo mudanças econômicas, transformações sociais, censura, restrições políticas e graves violações de direitos humanos, posteriormente investigadas pela Comissão Nacional da Verdade. Conhecer os governos desses cinco militares ajuda a compreender as diferentes fases do período, desde a instalação do regime até o processo de abertura política que levou à redemocratização do Brasil.

Você quer saber mais?

FICO, Carlos. O golpe de 1964: momentos decisivos. Rio de Janeiro: FGV, 2014.

BRASIL. Comissão Nacional da Verdade. Relatório da Comissão Nacional da Verdade. Brasília: CNV, 2014.

GASPARI, Elio. A ditadura envergonhada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

NAPOLITANO, Marcos. 1964: História do regime militar brasileiro. São Paulo: Contexto, 2014.

SKIDMORE, Thomas E. Brasil: de Castelo a Tancredo, 1964-1985. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

Valores Farroupilhas e as Escolhas para o Futuro

A Revolução Farroupilha, ocorrida entre 1835 e 1845, faz parte da história do Rio Grande do Sul e deixou marcas importantes na cultura e na memória dos gaúchos. Durante o conflito, homens e mulheres enfrentaram um período de muitas dificuldades, defendendo diferentes ideias sobre os caminhos que o Rio Grande do Sul deveria seguir. Entre os personagens desse período estavam Bento Gonçalves, Antônio de Souza Netto, Giuseppe Garibaldi e Anita Garibaldi, que tiveram diferentes participações nos acontecimentos farroupilhas. Ao conhecer suas histórias, podemos perceber valores como coragem, determinação, responsabilidade, união e capacidade de tomar decisões diante de situações difíceis. Bento Gonçalves, por exemplo, tornou-se uma das principais lideranças do movimento e precisou tomar decisões importantes em um período marcado por conflitos. 

Giuseppe e Anita Garibaldi também ficaram conhecidos pela participação nos acontecimentos da Revolução Farroupilha e pela disposição para enfrentar os desafios daquele período. Isso não significa que os jovens de hoje devam repetir as escolhas feitas pelos farroupilhas, mas que podem aprender com a história e refletir sobre suas próprias atitudes. Ter coragem pode significar enfrentar uma dificuldade na escola, persistir diante de um problema ou acreditar na própria capacidade de aprender. Ter responsabilidade significa compreender que nossas escolhas podem abrir ou fechar caminhos. 

A união também mostra que ninguém constrói seu futuro completamente sozinho, pois precisamos aprender a conviver, colaborar e respeitar outras pessoas. Conhecer a história dos farroupilhas, portanto, pode ajudar cada estudante a pensar sobre seus sonhos, suas escolhas, suas responsabilidades e aquilo que deseja construir para o futuro. Assim como os acontecimentos de 1835 fizeram parte de um determinado momento da história, cada jovem também vive um período importante de sua própria trajetória e pode fazer escolhas que ajudarão a construir o seu amanhã.

Você quer saber mais?

PESAVENTO, Sandra Jatahy. História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1980.

FLORES, Moacyr. História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Nova Dimensão, 1996.

Partidos Conservador e Liberal durante o Segundo Reinado

Durante o Brasil Império, especialmente durante o Segundo Reinado, dois grandes grupos políticos tiveram importante participação na vida política do país: o Partido Conservador e o Partido Liberal. Os dois partidos surgiram na década de 1830 e representavam principalmente os interesses das elites que participavam do governo imperial. O Partido Conservador defendia uma maior centralização do poder e valorizava a autoridade do imperador e a manutenção da ordem política e social. Entre seus principais representantes estavam Joaquim José Rodrigues Torres, o Visconde de Itaboraí, Eusébio de Queirós e José de Alencar. Os Conservadores também participaram de importantes decisões políticas, como a aprovação da Lei Eusébio de Queirós, em 1850, que proibiu o tráfico de africanos escravizados para o Brasil. 

O Partido Liberal, por sua vez, defendia maior autonomia para as províncias e algumas mudanças na organização política do Império. Entre seus principais representantes estavam Diogo Antônio Feijó, Teófilo Ottoni e Zacarias de Góis e Vasconcelos. Apesar das diferenças, Liberais e Conservadores possuíam muitas semelhanças, pois ambos defendiam a monarquia, a manutenção da ordem e a organização política baseada na Constituição de 1824. Os dois grupos também eram formados, em grande parte, por membros das elites econômicas e políticas do país, especialmente grandes proprietários rurais e pessoas ligadas à administração pública. Por isso, as diferenças entre os partidos não significavam uma oposição completa entre eles. 

Durante o Segundo Reinado, era comum que políticos mudassem de partido ou se aproximassem de um grupo de acordo com as circunstâncias políticas. O imperador Dom Pedro II também exercia importante influência sobre o funcionamento do sistema político e alternava os dois partidos no governo. Essa alternância entre Liberais e Conservadores foi uma das características marcantes da política do Segundo Reinado. Os dois partidos participaram de debates sobre a economia, a escravidão, a administração das províncias e a organização do Estado brasileiro. Assim, embora apresentassem diferentes propostas para administrar o país, Liberais e Conservadores contribuíram conjuntamente para o funcionamento da política imperial e tiveram grande influência nos acontecimentos do Brasil durante o século XIX.

Você quer saber mais?

CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem: a elite política imperial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013.