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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

É Isso Que Queremos

É Isso Que Queremos




Autor: Frei Florival


Se alguém quiser vir após mim, deverá a si mesmo renunciar
E com o mais sincero sim seguir-me e sua cruz carregar

É isso que queremos, é isso que procuramos, é isso que desejamos irmãos
É isso que queremos, é isso que procuramos, é isso que desejamos irmãos
Fazer de todo coração

Não levar mais nada no caminho
Nem dinheiro, nem mochila ou mesmo pão
E por entre flores e espinhos esta paz será perfume na missão

É isso que queremos, é isso que procuramos, é isso que desejamos irmãos
É isso que queremos, é isso que procuramos, é isso que desejamos irmãos
Fazer de todo coração

Sempre o evangelho anunciar
Na vivência, no andar e até sozinhos
E se de palavras precisar
Que elas tenham do agir o mesmo brilho

É isso que queremos, é isso que procuramos, é isso que desejamos irmãos
É isso que queremos, é isso que procuramos, é isso que desejamos irmãos
Fazer de todo coração

Você quer saber mais?








quinta-feira, 3 de outubro de 2019

O pesadelo de Speer, Hitler cultuando a morte.



O relato que segue foi feito por Albert Speer (1905-1981), o Arquiteto Chefe e Ministro do Armamento do Terceiro Reich e principalmente amigo de Hitler durante o auge do partido e a guerra.  Speer ficou 20 anos preso em Spandau prisão aliada em Berlim, e durante o tempo em que esteve preso pode refletir quem realmente foi Hitler seu partido e suas próprias ações como subordinado do Führer.

Na noite de 13 de setembro de 1962 em Spandau,  Albert Speer teve um pesadelo com Hitler ao qual ele relata:

Pouco antes de Hitler aparecer para uma visita de inspeção, eu mesmo, apesar da dignidade de meu cargo de Ministro de Armamentos, passo a mão numa vassoura e pessoalmente ajudo a varrer a sujeira de uma fábrica. E ao mesmo tempo encontro-me num automóvel, tentando em vão vestir uma jaqueta que tirara para varrer a fábrica. Em vez de entrar na manga, minha mão sempre acaba enfiada num bolso. O carro chega e para numa praça enorme, com prédios do governo por todo lado. Num canto já um monumento honrando os mortos. Hitler via até lá e coloca uma coroa de flores. Entramos no saguão de mármore de um dos prédios. Hitler indaga de um assistente: “Onde estão as coroas de flores?” E o assistente se torna, aborrecido, para um oficial e o censura: “Você sabe muito bem que em qualquer lugar que ele vai hoje em dia, sempre quer colocar coroas de flores.” O uniforme deste oficial é muito leve e de um tipo de couro quase branco. Por cima do terno ele veste um guarda-pó enfeitado com lacinhos e bordados, mais parecendo a sobrepeliz de um coroinha ajudando missa. A coroa de flores chega. Hitler se dirige ao lado direito do prédio, onde há mais coroas. O Führer se ajoelha e começa uma canção melancólica, parecida com um canto gregoriano, e na qual ele repete sem parar “Jesus, Maria”. A sala é comprida alta e de mármore; nas paredes há muitas placas em memória de vários mortos. Cada vez mais depressa, Hitler via colocando uma coroa de flores depois da outra. Seus assistentes quase que tropeçam uns nos outros para lhe entregar todas as coroas que ele quer. E sua canção triste se torna cada vez mais monótona, enquanto as coroas de flores que vai colocando parecem nunca se acabar. Um oficial se atreve a sorrir e é severamente censurado por seus companheiros.

A interpretação do sonho de Speer

            O pesadelo de Speer foi interpretado no livro de Erich Fromm, “The Anatomy of Human Destructiveness – New York: Holt, Rinehard and Winston, 1973, pg. 334.

            Esse sonho é interessante por muitas razões. É um desses sonhos no qual o sonhador se concentra mais numa outra pessoa do que em seus próprios sentimentos e desejos. E no sonho o sonhador às vezes tem uma ideia mais exata dessa outra pessoa do que quando está acordado. Nesse caso, Speer expressa claramente, num estilo à la Chaplin, sua opinião sobre o caráter necrófilo de Hitler. Ele o vê como um homem que se dedica exclusivamente a homenagear a morte. Suas ações são, porém, bem peculiares, totalmente mecânicas e despidas de quaisquer sentimentos. O ato de colocar uma coroa de flores se torna um ritual organizado, mas tão organizado a ponto de ser absurdo. Entretanto, esse mesmo Hitler, tendo retornado às crenças religiosa de sua infância, mergulha completamente na entonação de canções melancólicas. O sonho termina dando ênfase à monotonia e ao modo totalmente mecanizado do ritual da dor.

            No inicio do sonho, o sonhador imagina uma situação tira da realidade da época em que era ainda era um Ministro de Estado e um homem muito ativo e cheio de energia. Talvez a sujeira que varre seja simbólica da sujeira que foi o regime nazista. O fato de que não consegue enfiar os braços nas mangas da jaqueta é muito provavelmente uma expressão simbólica de seu desejo de não mais participar desse sistema político. E isto informa a transição para a parte central do sonho, a mais importante, na qual ele reconhece que tudo o que resta são os mortos e um Hitler necrófilo, mecânico e enfadonho.

            Speer ficou conhecido como o “bom nazista” por ter admitido todas as culpas e crimes cometidos, e isso lhe custou 20 anos de prisão por ser Ministro Armamento e fazer uso de mão de obra escrava, sendo acusado de crimes contra a humanidade. Em seu pesadelo, chamo assim, pois não vejo nada parecido com um sonho em algo tão bizarro, ele demonstra como um dos homens mais próximos de Hitler realmente o via em seu subconsciente, um necrófilo, assassino que cultuava a dor e à morte.

Você quer saber mais?

SPEER, Albert. Spandau: o diário secreto. Rio de Janeiro: Arte Nova, 1977.




quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Uma análise psicológica da mente de Adolf Hitler. Parte V.



Chegamos a quinta e última parte de nossa análise da mente de Adolf Hitler, espero que o trabalho possa ter sido de ajuda aos amigos curiosos e pesquisadores da história. Apenas arranhamos a superfície de uma infindável pesquisa, mas mesmo assim fico feliz em saber que posso ter acrescentado uma parte em futuras pesquisas de meus pares.

Propaganda

O rádio foi um meio de comunicação usado em grande escala pelos nazistas para difundirem suas ideias e espalharem a propaganda de que Hitler era o salvador da nação alemã e da “raça ariana”. O rádio por transmitir apenas sons, liberta o imaginário do ouvinte, transformando-o num condutor das imagens que “vestem” os sons. Instigando-o a ser um engenheiro de ideias e não um repetidor delas. Goebbels, o “gênio” do marketing político, tinha um plano. Tal plano previa a utilização mais mapla possível do rádio, uma massificação “que nossos adversários não têm sabido explorar...”, escrevia o chefe da Propaganda. Ele queria que Hitler fizesse seus discursos em todas as cidades dotadas de emissoras de rádio para atingir o maior número possível de alemães. Mas os discursos deveriam romper o cárcere do tecnicismo político e ganhar ares de um artista plástico.
São de Goebbels estas palavras:

“Nós transmitiremos as mensagens radiofônicas para o meio do povo e daremos assim ao ouvinte uma imagem plástica do que acontece durante nossas manifestações. Eu mesmo farei uma introdução para cada discurso do Führer, na qual tentarei transmitir aos ouvintes o fascínio e o clima geral de nossas manifestações coletivas.”

            Albert Speer, o arquiteto e amigo de Hitler, confirma em suas memórias:

“Por meio de recursos técnicos como o rádio e o megafone 80 milhões de pessoas foram privadas da sua liberdade de opinião. Por conseguinte, foi possível submetê-las à vontade de um único homem.”

            Uns tem habilidade para adestrar animais, outros, mentes humanas, Adolf Hitler tinha habilidade para adestrar homens que antes eram mentes independentes.

Características do marketing político e dos discursos eletrizantes de Hitler, que alicerçava seu magnetismo social:

1) Tonalidade imponente e teatral a voz.
2) Utilização de frases de efeito.
3) Supervalorização da crise social.
4) Propaganda contínua da ameaça comunista, o que causava pânico nos empresários e causava uma adesão histérica ao Führer.
5) Lembrança constante  da humilhação sofrida na Primeira Guerra Mundial.
6) Excitação até o ódio aos inimigos da Alemanha, em especial marxistas e judeus.
7) Promoção exaustiva da raça ariana e da autoestima do povo alemão.
8) Exaltação do nacionalismo e de sua postura como o alemão dos alemães.
9) Utilização exagerada das suas origens humildes.
10) Verborreia – necessidade neurótica de falar, expressa por monólogos intermináveis.

            Antes de devorar os judeus, Hitler canibalizou a emoção dos alemães.

            O ponto alto das exibições do regime eram as Honras Fúnebres, quando Hitler atravessava fileiras gigantescas de milhares de soldados rigorosamente organizados. A portentosa homenagem aos que tombaram excitava o cérebro de quem os comtempla, gerando uma comoção fortíssima, provocando o instinto de lutar. A debilitada Alemanha despertava para o seu gigantismo. Os shows militares tornaram-se grandes peças de marketing. Feitos ao ar livre, em horários tais que combinavam um jogo de luz e sombra, objetivavam dar contornos messiânicos à imagem do Führer.

            O melhor desempenho de Hitler era como ator, pois, como ser humano, era ególatra, radical, instável, parcial, agressivo, explosivo, exclusivista, amante de bajuladores, avesso a críticas e ao diálogo. Queria inscrever seu nome no concerto das nações e gravar com chamas seu nome na história.

O homem do fogo

            Segundo Albert Speer, amigo e arquiteto pessoal de Hitler, o fogo era o elemento adequado para o Führer, ele apreciava seu aspecto destruidor. Dizer que ele incendiou o mundo e fez o continente sentir o poder do fogo e da espada talvez seja uma figura forte demais. Mas no sentido mais literal do termo, o fogo sempre o afetou profundamente. Speer relata que Hitler mandava passa na Chancelaria filmes mostrando Londres me chamas, o incêndios gigantesco que consumia Varsóvia, comboios explodindo, e o seu verdadeiro êxtase ao assistir tais cenas. Jamais o vi tão excitado como na ocasião em que, já no fim da guerra e quase num delírio, ele pintou verbalmente para si mesmo e para nós o quadro de Nova Iorque em chamas. Descreveu os arranha-céus se transformando em tochas monumentais, tombando uns sobre os outros, e as chamas gigantescas a iluminar o céu escuro.

            Em breve trarei aos amigos do Construindo História Hoje um trabalho voltando para as informações que Albert Speer nos passa em suas memórias sobre Adolf Hitler, Speer foi arquiteto no Terceiro Reich e ministro do armamento durante da guerra.

Você quer saber mais?

CURY, Augusto. O colecionador de lágrimas. São Paulo: Editora Planeta, 2012.

SPEER, Albert. Spandau: o diário secreto. Rio de Janeiro: Arte Nova, 1977.









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