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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

As Cruzadas


As Cruzadas foram expedições militares europeias enviadas ao Oriente a partir do final do século XI.

A convocação do papa: Em 1076, Jerusalém, cidade sagrada para os cristãos, foi tomada por turcos muçulmanos. No final do século XI, o papa Urbano II convocou os cristãos para reconquistar Jerusalém. Reis, nobres e pessoas provenientes de diferentes regiões da Europa atenderam o chamado do papa e rumaram em direção à cidade. A palavra ‘cruzada’ não é contemporânea ao seu acontecimento, ou seja, não era utilizada por aqueles que viveram no período. Apenas em meados do século XIII, quando o movimento cruzadista declinou é que esse termo apareceu. O nome surgiu por causa da vestimenta dos guerreiros cristãos, que costuravam cruzes em suas roupas. Quando as cruzadas tiveram início forma chamadas apenas de peregrinação ou de guerra-santa.

Além da religiosidade: Não era apenas a Igreja que tinha interesse em promover as Cruzadas. Comerciantes das cidades de Gênova e de Veneza monopolizavam as atividades comerciais no Mar Mediterrâneo. Esses homens procuravam formas de também controlar os portos do Oriente. Para eles, as Cruzadas representavam a oportunidade ideal para ampliar e defender as áreas de comércio. Ainda havia interesses políticos e sociais na organização das Cruzadas. O aumento populacional deixou muitos nobres sem terras, uma vez que apenas o primogênito podia herdar as terras da família. Por isso, muitos nobres aderiram às Cruzadas em busca de riquezas e terras no Oriente. Já para os marginalizados da sociedade europeia, as Cruzadas representavam a oportunidade de conseguir melhores condições de vida nas regiões orientais.

Os resultados das Cruzadas: Os cruzados conquistaram Jerusalém e fundaram pequenos Estados no Oriente. Na metade do século XIII, porém, Jerusalém foi reconquistada pelos muçulmanos e os Estados cristãos desapareceram. Apesar do insucesso religioso, as Cruzadas contribuíram para acelerar as mudanças sociais que já estavam ocorrendo na Europa desse período.

►Enfraquecimento do sistema feudal, já que, de um lado, os senhores endividaram-se para montar seus exércitos e, de outro, muitos servos que partiram para as Cruzadas com seus senhores não retornaram.

►Muitas terras do norte da Europa ficaram praticamente despovoadas em razão da partida de seus habitantes para a luta.

►O Mar Mediterrâneo recuperou a importância de antes, pois, com as Cruzadas, aumentou o movimento de embarcações que transitavam por ele.

►O aumento do comércio entre o Oriente e o Ocidente, principalmente pelos portos de Gênova e Veneza, usados pelos cruzados para embarcar para o Oriente.
►O contato com os muçulmanos possibilitou ampliar o acesso dos europeus ao conhecimento produzido na Antiguidade greco-romana, preservado pelos árabes, em áreas como filosofia e matemática. Além disso, com as Cruzadas, os europeus tiveram mais contato com o próprio conhecimento produzido pela cultura muçulmana, sobretudo nas áreas da matemática e da arquitetura. Não se pode, no entanto, supervalorizar o papel das Cruzadas no enfraquecimento do sistema feudal. A sua importância foi a de contribuir para a expansão comercial e para a crise do trabalho servil, mudanças que já estavam ocorrendo na Europa.

O cotidiano das Cruzadas: Não foram apenas clérigos, peregrinos, comerciantes e cavaleiros que participaram das Cruzadas. Muitas crianças, doentes, mulheres e aventureiros seguiram nas expedições. Essas pessoas enfrentavam inúmeras dificuldades: falta de alimentos, enchentes, estradas esburacadas, ataques de bandidos e doenças. Acredita-se que, de cada quatro cruzados que partia da Europa, apenas um conseguia chegar à Terra Santa.