-

-

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A mitologia egípcia e o conhecimento através dos números. Parte IV.



Números egípcios. Imagem: O Egito Antigo.

Para Pitágoras, o número mais importante de todos era o dez, constituído da soma de um, dois, três e quatro. Isso é expresso geometricamente como um triângulo referido como “tetraktis sagrada”. A tetraktis, também conhecida com década, é uma figura triangular que consiste de dez pontos distribuídos em quatro fileiras: um, dois, três e quatro pontos em cada uma.

A tetraktis sagrada de Pitágoras. Imagem: Construindo História Hoje.

Os pitagóricos acreditam que as maravilhosas propriedades da tetraktis são a fonte e a raiz da natureza eterna. Em essência, é a expressão da realidade metafísica e o “mundo ideal” de Platão. O juramento pitagórico inclui uma referência à tetraktis; eles juram por:

 “ele que deu à nossa família a Tetraktis, que contém a Fonte e a Raiz da Natureza eterna”.

De acordo com West, a tetraktis grega pode ser vista como a Grande Enéade egípcia manifesta e desmitologizada. Embora não seja necessariamente um avanço em relação ao conceito egípcio da Enéade, a tetraktis grega é uma forma de tentar entender os diversos significados por trás da Enéade.

A forma triangular da tetraktis representa a progressão aritmética da criação do abstrato e absoluto ao concreto e diferenciado. O lado esquerdo do triângulo (1, 2, 4 e 8) simboliza o movimento da vida a partir da unidade absoluta.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Mitologia egípcia e o conhecimento através dos números. Parte III.



A pirâmide que forma a Grande Enéade de deuses egípcios. "De Um se formam Nove, de todos se forma Dez". Imagem: Mitologia Egípcia Hoje.

Para os egípcios, o maior mistério de todos era a “transformação” (o número nove) do Criador de Não visto para Visto, o Um que se manifesta como muitos. Essa transformação foi revelada através de sucessivos estágios: Atum (ou Rá) em Heliópolis, Ptah em Mênfis, Toth em Hermópolis e Amun em Tebas. Segundo o Papiro de Qenna do Museu de Leyden, escrito durante a décima oitava dinastia:

“Os deuses ao todo são três: Amun, Rá e Ptah, que não têm iguais. Aquele cuja natureza (literalmente, “cujo nome”) é um misterioso, sendo Amun; Rá é a cabaça, Ptah o corpo. Suas cidades na terra, estabelecidas para sempre são: Tebas, Heliópolis e Mênfis (estáveis) para sempre. Quando uma mensagem vem do céu, é ouvida em Heliópolis, repetida em Mênfis para Ptah, e transformada em carta escrita com letras de Toth (em Hermópolis) para a cidade de Amun (Tebas)”.

Essa ideia de mensagem representa o progresso da “transformação” de Céu para Terra. Porque Heliópolis era considerada o “ouvido do coração”, foi lá que a mensagem do ouvida. Nos textos sagrados, como o Sol era tido como o coração do sistema solar, então Heliópolis era o coração do Egito, a cidade do Sol. O nome Heliópolis, como é usado nos textos funerários, significa “a origem absoluta das coisas”, o que não quer dizer que isso se referia estritamente à cidade física de mesmo nome. Quando se diz em textos egípcios: “vim de Heliópolis” ou “vou para Heliópolis”, significa que “eu procedo do início” ou “estou retornando para a Fonte”.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Mitologia egípcia e o conhecimento através dos números. Parte II.



Ogdoáda egípcia. Durante o Médio Império, o número oito era retratado na Ogdóadaoito babuínos com Hórus, o falcão representando o deus Ra-Harakhty. que formam outra variação da mitologia egípcia da criação. Imagem: Egito Além da Eternidade.

A história mítica de Hórus e Seth caracteriza as estruturas rítmicas da dualidade. Das menores parcelas da realidade – o próton e o elétron – à vida orgânica e a nós, humanos, homens e mulheres – há um ritmo constante de dualidade na vida natural. É assim que o mundo funciona, tanto o animado quanto o inanimado. O próton atrai o elétron para criar uma realidade física. O macho e a fêmea, de toda a vida animal, são atraídos um pelo outro para assegurar a continuidade da vida. A dualidade está contida dentro da unidade absoluta. Eis o significado do número dois. Todo o ser humano experimenta essa dualidade já que o mundo natural reflete isso com a divisão em macho e fêmea de toda vida orgânica. Contudo, essa divisão deve encontrar conciliação, como fizeram Hórus e Seth. Essa conciliação é representada no número três.

O número três representa a relação e a conciliação entre a causa absoluta (um) e a dualidade (dois) que ela cria de si mesma. Existe meramente em um plano espiritual. Com esse decreto filosófico existe uma inegável associação entre causa e dualidade. Podemos entender isso como o que poderíamos chamar de “efeito”. Esforçamo-nos a valer para afetar pessoas e acontecimentos, muitos de nós por meio de preces ou pensamentos positivos quando as ações diretas não são ou não podem ser bem-sucedidas. Os antigos egípcios comportavam-se do mesmo modo. Em vez de chamar de prece ou pensamento positivo, eles chamavam a isso de magia.

O número quatro, representando a ideia do mundo material, era recorrente no simbolismo egípcio – as quatro regiões do céu, os quatro filhos homens de Hórus, o quatro filhos de Geb, os quatro canopos nos quase os órgãos dos mortos eram depositados no funeral. Segundo o mito egípcio, Geb se casou com sua irmã Nut, a deusa do céu, sem a permissão do poderoso deus sol, Rá. Rá ficou zangado com Nut e Geb que forçou o pai deles, Shu, o neter do ar, a separá-los: por isso a terra é separada do céu. Além disso, Rá proibiu que Nut tivesse filhos em qualquer mês do ano. Felizmente, Toth, o divino escriba, decidiu ajudar e induziu a Lua a jogar damas com ele, sendo que o prêmio era a luz da Lua. Toth ganhou tanta luz que a lua foi obrigada a acrescentar cinco novos dias ao calendário oficial. E Nut e Geb tiveram quatro filhos: Osíris, deus dos mortos, Seth, deus do caos, Ísis, deusa mãe e feiticeira, Néftis, deusa do lar.

O entendimento do número cinco, ou vida, pelos egípcios, pode ser visto no conceito do homem consciente, unido com o Absoluto e alcançando unidade com a Causa (deus). Ele se tornaria uma estrela, e “se tornaria um na companhia de Rá”. Nos hieróglifos, o símbolo para estrela era desenhado com cinco pontas. Visto como sagrado em diversas culturas, o pentagrama e o pentágono também refletem o valor místico do cinco.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mitologia egípcia e o conhecimento através dos números. Parte I.



Rá-Atum enfrentando a Serpente Apófis. Imagem: Enciclopédia Larousse.

De acordo com Schwaller de Lubicz, os antigos egípcios usavam deliberadamente a proporção harmônica em sua arte e arquitetura, com base no sistema numérico de pensamento. Era uma visão de mundo abrangente, que incluía a filosofia, a matemática, o misticismo e a teologia.

John Anthony West, um simbolista contemporâneo nos mesmos moldes de Schwaller de Lubicz, acredita que o que atualmente é conhecido como misticismo numérico pitagórico é, na verdade, de origem egípcia, e antecede até mesmo o Egito Antigo.

 Rá-Atum ou Atum. Imagem: Enciclopédia Larousse.

Quando o misticismo numérico é aplicado aos mitos egípcios, torna-se claro que as histórias e a mitologia egípcias são baseadas na compreensão dos números e não no animismo. É uma filosofia, mas não no nosso sentido do termo. Não existem textos explicativos. Mesmo assim, é sistemático, autoconsciente e organizado em princípios que podem ser expressos de maneira filosófica.

Por exemplo, na mitologia egípcia Atum (ou Tum) representa a causa transcendente, o absoluto ou o tudo, o Um, o primeiro e verdadeiro deus e criador que fez o mundo e tudo que nele há. Dentro dele estava o potencial para toda a vida. O nome Atum vem de uma

domingo, 23 de setembro de 2012

O Papel das Sociedades Secretas



Irmandade da Serpente. Imagem: Cuttingedge.

"Existe um poder em algum lugar tão organizado, tão sutil, tão atento, tão entrelaçado, tão completo, tão disseminado e abrangente, que é melhor sempre abaixar muito bem a voz ao dizer qualquer coisa em condenação a ele." (presidente Woodrow Wilson, 1913, citado no livro do Dr. Dennis Cuddy, "Secret Records Revealed" (Registros Secretos Revelados), pág. 24).

"Debaixo das amplas ondas da história humana fluem as ocultas correntes subterrâneas das sociedades secretas, que frequentemente determinam das profundezas as mudanças que ocorrerão na superfície." — (Autor Arthur Edward Waite, em The Real History of the Rosicrucian Steiner Books (A Verdadeira História dos Livros Rosa-cruzes de Steiner), 1977).

O batimento pulsante e intenso do organismo vivo chamado Elite — aqueles em posições de influência que tomam decisões indesejadas por nós — conseguiu implementar um governo global. Eles usaram todo o seu arsenal e, ao longo de dezenas de anos, e de várias gerações, e nós a aceitamos mansamente.

Eles usaram e continuam usando tanto métodos públicos como secretos para nos fazer aceitar a dissolução da nossa Constituição e, ironicamente, sermos gratos por isso. Eles invadiram nossas igrejas, nossas escolas, nossa cultura, nossa economia, nossa história, nossas fortalezas políticas. E, sem nenhuma lamentação, perdoamos a perda do nosso país, a perda dos nossos valores e costumes, a perda da liberdade de pensamento e a perda do controle de nossas próprias mentes. Eles detêm nossa economia, nosso sistema político, nossos filhos e, acima de tudo, eles nos detêm — nós que, anos atrás, teríamos lutado para impedir a derrubada do nosso querido país e das nossas liberdades.
Alguns dos meios que eles usam para alcançar seus objetivos são grosseiros; outros são camuflados e feitos a portas fechadas, mas independente de como alcançam suas metas, o resultado é sempre o mesmo: eles planejaram bem, implementaram de forma admirável e nos quebrantaram totalmente.
As técnicas deles têm sido variadas e eficientes, mas um dos mais eficazes métodos por trás das cenas é o uso das sociedades secretas.

Você já ouviu falar desse veículo fundamental — as sociedades secretas -, não ouviu? Elas são reais — esses grupos sombrios e sigilosos que controlam o mundo por meio de membros poderosos que escondem a verdade de nós, que exercem uma força maior do que centenas de megatons de bombas. Não há um único artigo ou um único livro que possa cobrir a abrangência total do que as sociedades secretas realmente são, quem são seus membros, o que eles fazem e o que ainda planejam fazer. O que sabemos é que seus membros — homens e algumas mulheres de comando da elite rica — detêm poder sobre nós e se enredam pelo topo dos governos nacionais e das escolas para garantir que as pessoas desejadas sejam colocadas nos cargos. Uma vez que isso não pode ser explicado em apenas um artigo abrangente sobre as sociedades secretas, somente o básico será oferecido aqui.

sábado, 22 de setembro de 2012

Fraternidade Secreta de Assassinos e Ladrões Thugs.



Membros da Fraternidade de Assassinos Thugs, em  1894. Imagem: CSAS.

A seita se chamava Thag. Seus membros eram os thugs. Os thugs surgiram na Índia, talvez no século VII, mais provavelmente no XIII. A palavra Thag significa impostor – eles se fingiam de prestativos auxiliares a viajantes – que eram então roubados e assassinados, com um ritual complexo, feito em homenagem a Kali, deusa da destruição. Os Thugs também tinham ritos masoquistas: se flagelavam, eram dependurados em ganchos etc.

Behram Jemadar

Os Thugs foram aniquilados pelos ingleses, no século XIX. O thug mais famoso desta época foi Behram Jemadar que, diz-se, presenciou quase 1000 homicídios, tendo matado ele mesmo, com seu lenço branco e amarelo (uma marca registrada dos thugs), cerca de 250 pessoas.  Behram, assim como uma centena de outros Thugs, foi condenado à morte.
Foi uma fraternidade secreta de assassinos e ladrões de viajantes, que aparecem na História da Índia. Os registros indicam que se tornaram operantes a partir do século XVI (embora possam ter começado bem antes, no século XIII ou VII) até meados do século XIX.

No livro The Strangled Traveler: Colonial Imaginings and the Thugs of India (2002), Martine van Woerkens sugere que as provas da existência do culto dos Thugs no século XIX, foram em parte produto da "imaginação colonial", originária do temor dos britânicos pelo interior desconhecido da Índia, com suas religiões e costumes obscuros e não compreendidos por eles. 

O líder do grupo era chamado de Jamaadaar. A palavra não se refere somente aos Thugs, mas também a um posto militar designado de "Jemadar " ou "Jamaadar", que na verdade equivaleria a "tenente" para os oficiais nativos do exército britânico e depois no Exército da Índia Independente.


Dentre os bandos Thugs havia Hindus, Sikhs e muçulmanos, que adoravam a deusa da Morte Kali (ou Durga), a quem chamavam de Bhowanee. Os Sikhs eram poucos, mas um dos principais líderes, Sahib Khan, era dessa religião. Outro notório líder foi Behram, a quem se chegou a atribuir e a seu grupo de 30 ou 50 assassinos, a morte de 931 pessoas de 1790 a 1830. Behram nunca chegou a ser julgado pelos seus crimes.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O Túmulo de Newgrange do Conjunto Arqueológico do Vale do Boyne, na Irlanda


O Túmulo de Newgrange do Conjunto Arqueológico do Vale do Boyne, na Irlanda. Vista externa. Imagem: Laalcazaba.

Newgrange é uma tumba do Conjunto Arqueológico do Vale do Boyne, no Condado de Meath, na Irlanda, um dos mais famosos sítios pré-históricos do mundo e o mais famoso da Irlanda.

O Conjunto Arqueológico do Vale do Boyne (ou Brú na Bóinne, em inglês: Palace of the Boyne) é um importante complexo de pedras Neolíticas localizado em um amplo meandro do Rio Boyne, na Irlanda. Mais tarde, na Idade do Ferro, foi utilizado como local para enterros. Os Normandos se estabeleceram na área na Idade Média. É considerado um Património Mundial da Irlanda.

O local tem importância para a Arqueoastronomia. Newgrange e Dowth, pontos específicos do complexo, têm alinhamentos solares no Solstício de inverno, enquanto que outro ponto, chamado Knowth tem um alinhamento solar no Equinócio.

 Newgrange foi construído de modo que, ao nascer do sol do dia mais curto do ano (solstício de inverno), um fino raio de sol ilumina por pouco tempo o piso da câmara no final de um longo corredor.

Foi construída originalmente entre 3300 e 2900 AC, mais de 500 anos antes da Pirâmide de Quéops no Egito. Também precede Stonehenge em mais de 1.000 anos. No período Neolítico, Newgrange continuou como um local de cerimônias.

Newgrange parece ter sido usada principalmente como uma tumba. Foram encontrados restos humanos cremados de cinco indivíduos. O sol parece ter sido um importante elemento nas crenças religiosas do Neolítico.

 
 O Túmulo de Newgrange do Conjunto Arqueológico do Vale do Boyne, na Irlanda. Vista externa do muro lateral. Imagem: Laalcazaba.

O alinhamento solar em Newgrange é ainda muito preciso se comparado a outros fenômenos, tais como o que acontece nas Ilhas Órcades, perto da costa de Escócia.

De acordo com a Mitologia irlandesa, Newgrange era um dos Sídhes (montes) onde Tuatha Dé Danann vivia. Foi construído pelo deus Dagda. De acordo com a lenda, o herói Cú Chulainn nasceu lá. Contudo, a maioria dos ciclos místicos associados com Newgrange datam da era Céltica da mitologia e da História da Irlanda.

Os mistérios da história humana na Irlanda.

A cultura megalítica detém mistérios emocionantes da história humana. A Irlanda mostra, como em muitos outros aspectos de seu passado, como um espaço sagrado é imortalizado pelos antigos monumentos projetados para durar até o fim dos tempos.

 Vista frontal do Túmulo de Newgrange do Conjunto Arqueológico do Vale do Boyne, na Irlanda. Imagem: Laalcazaba.

Houve um tempo na história em que a espiritualidade humana expressava-se através da pedra.
Milhões de toneladas foram transportadas, decoradas, verticalmente em prol da espiritualidade e da mística. Cerca de 6.000 anos atrás, a cultura começou a ganhar força na Europa. Eles sabiam a arte da tecelagem, e praticaram enquanto aperfeiçoavam o primeiro conhecimento precioso e emergentes da metalurgia e manipulação de rudimentos de metal e, pela primeira vez, também eram caçadores-coletores, agricultores. Eles adoraram a terra, mortos e natureza e nos deixaram, desde o Mediterrâneo ocidental para o Báltico, seus monumentos de pedra característicos: os megálitos. Este imenso trabalho que durou milhares de anos, revela a realidade preocupante que essas sociedades antigas tiveram com a eternidade e o notável conhecimento construtivo e astronômicos.

Cerca de 40 km, a noroeste de Dublin em um meandro de largura formado pelo rio Boyne, o lugar de Brú na Bóinne (em gaélico, "Palácio do Boyne"), não muito longe de Tara, a montanha sagrada dos antigos reis irlandeses e cenário épico , do país mitológico. Tradição celta subseqüente (que nada tem a ver com as construções megalíticas), insiste em que os restos mortais de alguns dos seus reis estavam enterrados ali.

Vista externa de parte da parede lateral do Túmulo de Newgrange do Conjunto Arqueológico do Vale do Boyne, na Irlanda. Imagem: Laalcazaba. 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Expedições de Thor Heyerdahl



Thor Heyerdahl. Imagem: Noruega.Org.

O explorador norueguês contemporâneo mais conhecido, Thor Heyerdahl, explorou as culturas dos nossos antepassados mais remotos. A demanda era descobrir mais sobre a paisagem histórica, não sobre a geográfica. 

Heyerdahl nasceu em 1914 na pequena cidade de Larvik, na costa sul da Noruega. Depois de ter estudado de forma exaustiva materiais etnográficos e arqueológicos da Polinésia, do Continente Americano e do sudeste asiático, Heyerdahl avançou com a teoria de que a Polinésia não tinha sido povoada por povos vindos do sudeste asiático, como anteriormente se acreditava, mas sim da América.

 Na expedição Rá II, Heyerdahl, provou que usando barcos de Junco era possível atravessar o Atlântico. Imagem: Pirâmides de Güímar.

A hipótese que apresentou foi recebida de forma fria, por isso Heyerdahl decidiu demonstrar pessoalmente o que acreditava ser a verdade das suas afirmações. O navio que fabricou para a viagem era uma jangada de pau-de-balsa, uma reprodução exata das jangadas índias feitas na América do Sul desde os tempos da pré-história. Em1947, Heyerdahl partiu de Callao, no Peru, com uma equipa composta por seis homens, e navegou para as ilhas Tuamotu da Polinésia naquela que é hoje em dia a mundialmente conhecida viagem do Kon-Tiki.

A perigosa viagem de três meses era não só uma iniciativa ousada, como também uma

A Saga Farroupilha



Desfile de 20 de setembro. Carro alegórico com as bandeiras da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul e a bandeira do Império do Brasil. Imagem: Semana Farroupilha.

As comemorações da Revolução Farroupilha - o mais longo e um dos mais significativos movimentos de revoltas civis brasileiros, envolvendo em suas lutas os mais diversos segmentos sociais - relembra a Guerra dos Farrapos contra o Império, de 1835 a 1845. O Marco Inicial ocorreu no amanhecer de 20 de setembro de 1835. Naquele dia, liderando homens armados, Gomes Jardim e Onofre Pires entraram em Porto Alegre pela Ponte da Azenha.
A data e o fato ficaram registrados na história dos sul-rio-grandenses como o início da Revolução Farroupilha. Nesse movimento revolucionário, que teve duração de cerca de dez anos e mostrava como pano de fundo os ideais liberais, federalistas e republicanos, foi proclamada a República Rio-Grandense, instalando-se na cidade de Piratini a sua capital.

Acontecendo-se a Revolução Farroupilha, desde o século XVII o Rio Grande do Sul já sediava as disputas entre portugueses e espanhóis. Para as lideranças locais, o término dessas disputas mereciam, do governo central, o incentivo ao crescimento econômico do Sul, como ressarcimemto às gerações de famílias que lutaram e defenderam o país. Além de isso não ocorrer, o governo central passou a cobrar pesadas taxas sobre os produtos do RS. Charque, couros e erva-mate, por exemplo,passaram a ter cobrança de altos impostos. O charque gaúcho passou a ter elevadas, enquanto o governo dava incentivos para a importação do Uruguai e Argentina.

Homens com a farda do Exército repúblicano e logo atrás o grupamento de apoio dos Lanceiros Negros. Imagem: Semana Farroupilha.

Já o sal, insumo básico para a preparação do charque, passou a ter taxa de importação considerada abusiva, agravando o quadro. Esses fatores, somados, geram a revolta da elite sul-riograndense, culminando em 20 de setembro de 1835, com Porto Alegre sendo invadida pelos rebeldes enquanto o presidente da província, Fernando Braga, fugia do Rio Grande.

As comemorações do Movimento Farroupilha, que até 1994 restringiam-se ao ponto facultativo nas repartições públicas estaduais e ao feriado municipal em algumas cidades do Interior, ganharam mais um incentivo a partir do ano 1995. Definida pela Constituição Estadual com a data magna do Estado, o dia 20 de setembro passou a ser feriado. O decreto estadual 36.180/95, amparado na lei federal 9.093/95, de autoria do deputado federal Jarbas Lima (PPB/RS), especifica que "a data magna fixada em lei pelos estados federados é feriado civil".

O temário “NOSSAS RIQUEZAS”, para os Festejos Farroupilhas 2012, foi apresentado e aprovado no 59º Congresso Tradicionalista Gaúcho, realizado no mês de janeiro deste ano, na cidade de Pelotas.

 O bravo herói da campanha gaúcha, traja com orgulho e humildade as vestes da tradição. Imagem: Semana Farroupilha.

O Rio Grande do Sul, inicialmente habitado pelos índios, foi povoado oficialmente a partir de 1737. Todos aqueles que aqui chegaram, contribuíram para a formação do gaúcho nos deixando um legado que fazemos questão de vivenciar e preservar.

Estes bravos, vindos de muitos lugares, trouxeram consigo a determinação e a vocação para o trabalho. Não encontram riquezas como o ouro e a prata, mas as belezas naturais e as manadas de gado e cavalos xucros.

As riquezas do nosso estado, além daquelas da própria natureza, são fruto do trabalho e do espírito empreendedor da população que se formou pela miscigenação de raças e origens as mais variadas. 

O temário dos Festejos Farroupilhas deste ano tem a pretensão de poder despertar nas entidades tradicionalistas, nas escolas e em toda a sociedade o interesse pelo estudo e pela divulgação das riquezas do Rio Grande do Sul.

 Nunca esquecemos daqueles que de longe vieram buscando abrigo e paz. E hoje fazem parte de nossa nação. Imagem: Semana Farroupilha.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Cro-Magnon das Ilhas Canárias




Reconstrução artistica da fisionomia de um Cro-Magnon das Ilhas Canárias. Imagem: Eurekabooking.

O Museu das Canárias, na Ilha Grã-Canária, se orgulha de possuir a maior coleção do mundo de crânios do homem de Cro-Magnon.  Interessante também é o terraceamento para agricultura em torno de elevações arredondadas pela erosão, de origem desconhecida, que se encontra por todas as ilhas. 

Na Ilha Tenerife existe um complexo piramidal feito de pedra negra vulcânica. As técnicas de arquitetura e engenharia empregadas na construção dessas pirâmides de seis “degraus” são similares àquelas encontradas no México, no Peru e na antiga Mesopotâmia.

Os arqueólogos da Universidade de La Laguna e o Dr. Thor Heyerdahl provaram que as estruturas são obra humana. A escavação revelou que elas foram erguidas sistematicamente com blocos de pedra, cascalho e terra. Escadas construídas cuidadosamente no lado oeste de cada pirâmide levam ao cume, uma plataforma perfeitamente plana, coberta de cascalho. Descobriu-se que o principal complexo piramidal, inclusive as esplanadas diante delas, é astronomicamente orientado para o poente no solstício de verão da mesma maneira que as pirâmides do Egito foram orientadas segundo os pontos cardeais.

Pirâmide guanche. Imagem: Teresa Alvarez.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Cota social para alunos de escola pública nas faculdades


Cotas Sociais Sim! Imagem: Construindo História Hoje.

A Presidente da República já sancionou o Projeto de Lei da Câmara que assegura metade das vagas por curso e turno das Universidades Federais a estudantes que tenham feito o ensino médio na rede pública. No Distrito Federal, desde 2004 a Lei 3.361, já garante, no mínimo, 40% das vagas em universidades públicas distritais para alunos vindos de escolas públicas.

Podemos comemorar está vitória, pois já há médicos formados pela Faculdade de Enfermagem do DF Fepecs) garantidos por essa lei.

 “A visão é fazer justiça social e ao mesmo tempo trabalhar projetos que valorizassem a escola pública e trouxesse ascensão social e profissional a esses alunos”.
“Estão nas escolas públicas pessoas que não têm renda suficiente para pagar escolas da rede privada. Estamos abrindo uma porta e possibilitando uma ascensão de classes”. 

O Fracasso do Sistema Educacional Brasileiro


O desrespeito do Governo Federal com o Ensino Público no Brasil. Imagem: Virtual Udesc.

por Fábio Oliveira Inácio

O ensino brasileiro vive um momento preocupante, diversas crianças e adolescentes completam o Ensino Fundamental sem saber ler nem escrever, a qualidade do ensino público está péssima e proliferam no país universidades particulares que são verdadeiras fábricas de diploma.

O problema dos alunos que não sabem ler e nem escrever no Brasil é gravíssimo, técnicos do Ministério da Educação afirmam que em certas regiões 75% dos alunos da quarta série não leem e nem escrevem. O sistema de avaliação do Ensino Básico (SAEB) mostrou que no ano de 1999 apenas 10% dos alunos da quarta série aprendem matemática satisfatoriamente. Com relação à língua portuguesa apenas 42% dos estudantes têm um desempenho considerado regular.

O reflexo da precariedade do ensino foi mostrado no PISA – Programa Internacional

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Máquinas Aéreas. Messerschmitt Me 264.


 Messerschmitt Me 264

Em 1937, o departamento de desenvolvimento da Messerschmitt começou a trabalhar no Projekt 1062 (que mais tarde se tornaria o Me 261), uma aeronave de longo alcance usada a marcação de recordes de distância e, eventualmente, missões de reconhecimento. Simultaneamente, outra aeronave de longo alcance estava sen do desenvolvida, o Projekt 1061, que seria propelida por quatro motores, tendo um alcance de 20.000 km. Devi do à maior importância de outros projetos desenvolvidos naquela época (como o Bf 109 e o Bf 110), o Projekt 1061 foi pouquíssimo trabalhado até fins de 1940.O Departamento de Guerra Naval do Reich escreveu a Hermann Göring em 10 de agosto de 1940, avisando que uma aeronave com alcance mínimo de 6.000 km seria necessária para a concretização de um império colonial alemão na África central. Completando, o RLM acabara de expedir um requerimento para uma aeronave com alcance suficiente (12.000 km), para atingir os Estados Unidos partindo de bases france-sas, já antecipando a entrada dos americanos no conflito. A partir disso, o Projekt 1061 foi apressado.   

 Em 20 dezembro de 1940, Willy Messerschmitt informava seus designers Wolfgang Degel, Paul Konrad e Wal demar Voigt dos requerimentos para a nova aeronave. Os requerimentos iniciais eram 20.000 km de alcance; capacidade para serviço militar e civil; capacidade interna de 5.000 kg de bombas, com outras menores sendo carregadas sob as asas; e uma fuselagem bastante limpa.   

No início de 1941, foi recebido um pedido para a cons trução de seis protótipos do Projekt 1061, que recebe-ram a designação Messerschmitt Me 264 Amerika Bomber. Se provassem serem capazes, mais 24 e-xemplares seriam encomendados, para realizarem "perturbadores ataques aos Estados Unidos da Amé- rica".

Ao mesmo tempo, a Messerschmitt continuava seu trabalho numa versão de seis motores do Me 264, o Projekt 1075. Já que os designers trabalhavam a todo vapor, parte do trabalho foi repassado para a Fokker em Amsterdam.

Em 22 de janeiro de 1941, o RLM requisitou uma nova aeronave para a guerra anti-submarino. O Focke-Wulf Fw 200 Kondor, Heinkel He 177 Greif, Blohm & Voss BV 222, e o Messerschmitt Me 264 foram os concor-rentes da disputa. Por causa de sua performance que superava as expectativas, a Luftwaffe escolheu o Me 264. Diversas idéias para aumentar o alcance do Me 264 foram enviadas aos projetistas, incluindo rebocar o Amerika Bomber com outro até a altitude desejada; reabastecimento em vôo por outro Me 264; a adição de mais dois motores e o uso de foguetes para auxílio em decolagens com peso máximo. Com essas idé ias , viu-se que um alcance de 18.100 km e carga béli ca de 5.000 kg poderiam ser atingidos. O incrível alcance de 26.400 km podia ser atingido com a aeronave vazia! O armamento consistia de metralhadoras MG 131 ou MG 151 de 15 mm em torres controladas remotamente.

No início de 1942, já em guerra com os EUA, a Alemanha resolve reduzir o número de projetos em andamen-to, diminuindo o número de protótipos do Me 264 de seis para três. Em fevereiro, o projeto foi temporariamente entregue à Dornier, mas eles também trabalhavam acima da capacidade. Uma comissão enviada chegou ao complexo da Messerschmitt em Augsburg em 24 de abril de 1942, com a finalidade de checar as performan-ces do Me 264. Constatou-se que tais performances estavam acima de 90% do que a fábrica tinha afirmado. No mesmo dia, Willy Messerschmitt sugeria ao RLM usar seu Me 264 em missões no Atlântico e nos Esta-dos Unidos.   

Um estudo datado de 27 de abril mostra que uma ver são de reconhecimento de longo alcance do Me 264 teria autonomia suficiente para voar missões sobre Baku, Grosny, Swerdlowsk e outros alvos profundos na URSS; Dakar, Aden, Lagos, e o sul do Irã também estavam no alcance. Na América, não só Nova Jersey e Nova York podiam ser alcançadas, mas também al-vos em Ohio, Pensilvânia e até mesmo Indiana. Foi também planejado basear alguns Me 264 no Japão, realizando patrulhas sobre as Filipinas, Índia, Austrá- lia, e grande parte do Pacífico.
Logo após isso, em 7 de maio de 1942, foi expedido outro relatório, mostrando que o peso de decolagem do Me 264 era de 45.000 kg; se propelido por quatro motores Jumo 211J de 1.340 hp cada, teria alcance de 13.000 km; já com quatro BMW 801 de 1.600 hp cada, o alcance seria ampliado para 14.000 km. Houve uma reunião em 16 de maio para discutir o alcance total da aeronave. Percebeu-se que qualquer vôo com mais de 13.500 km necessitaria de reabastecimento aéreo, mas o General Jeschonnek já tinha descartado essa opção em fevereiro (embora bem-sucedidos testes de reabastecimento já tivessem sido realizados com um Focke-Wulf Fw 58 Weihe e um Junkers Ju 90). Essa decisão encerrou temporariamente as discussões sobre ata-ques à América ou patrulhas sobre a ferrovia Trans-Siberiana e África.

Os Três primeiros protótipos

Em julho de 1942, os três protótipos estavam em construção. Esperava-se que o Me 264 V1 iniciasse seus testes de vôo em 10 de outubro, mas a data foi atrasada devido a atrasos na entrega de componentes.

Finalmente, em 23 de dezembro de 1942, com Karl Baur nos controles, o Me 264 V1 RE+EN realizou seu primeiro vôo, que durou 22 minutos. O trem de pouso ficou abaixado, por questões de segurança. Os testes seguintes foram feitos em Lechfeld, por ter uma pista de concreto longa o suficiente para acomo dar o Amerika Bomber.   

domingo, 16 de setembro de 2012

MÉDICOS SEM FRONTEIRAS - MSF.




Símbolo dos Médicos Sem Fronteiras -  MSF. Imagem: msf.org.br.

Aos leitores do Blogue Construindo História Hoje, tenho o imenso orgulho de poder agradecer aos meus visitantes e amigos, que juntos fazem desse trabalho um pequeno Oásis de conhecimento. Um local feito por quem têm sede de conhecimento para pessoas com sede de conhecimento. Conhecimento. Uma palavra que em si carrega uma vasta gama de construções intelectuais que fazem aos que a buscam caçadores incansáveis de suas virtudes. 

Estarei trabalhando cada dia para tornar o Construindo História Hoje, um local melhor e mais amplo para o encontro do conhecimento como ferramenta para o dia-a-dia ou para pesquisas mais amplas. 

No momento estou lendo; O Egito antes dos Faraós de Edward F. Malkowski, O Festim dos Corvos de George R.R, Psicologia da Revolução de Plínio Salgado e Isto é o Meu Corpo de Hermann Sasse. Estou sempre nessa busca incansável pelo saber e com toda certeza estarei compartilhando com vocês tudo que aprender com meus estudos, pois este é o humilde objetivo desse Blogue.

Hoje trarei a vocês um texto sobre os Médicos Sem Fronteiras. Uma organização não governamental que busca prestar auxilio a nações pobres e em situações de desastre. Boa Leitura a todos.

Atenciosamente,

Leandro Claudir

 Locais no globo que recebem atendimento dos Médicos Sem Fronteiras. Imagem: msf.org.br.

 MÉDICOS SEM FRONTEIRAS - MSF
Quem somos?

Médicos Sem Fronteiras é uma organização médico-humanitária internacional, independente e comprometida em levar ajuda às pessoas que mais precisam. Também é missão de MSF tornar públicas as situações enfrentadas pelas populações atendidas. 

São cerca de 28 mil profissionais de diferentes áreas, espalhados por mais de 60 países, atuando diariamente em situações de desastres naturais, fome, conflitos, epidemias e combate a doenças negligenciadas. 

A organização foi criada em 1971, na França, por jovens médicos e jornalistas, que atuaram como voluntários no fim dos anos 60 em Biafra, na Nigéria. Enquanto a equipe médica socorria vítimas em uma brutal guerra civil, o grupo percebeu as limitações da ajuda humanitária internacional: a dificuldade de acesso ao local e os entraves burocráticos e políticos faziam com que muitos se calassem frente aos fatos testemunhados. 

 Médica voluntária antendendo crianças no Sudão do Sul. Uma imagem diz mais que mil palavras. Imagem: msf.org.br.

MSF surge, então, como uma organização médico-humanitária que associa socorro médico e testemunho em favor das populações em risco. 

A organização é uma iniciativa independente de governos e sustentada, em grande parte, por

sábado, 15 de setembro de 2012

Orgulho da Cultura Aymará!

Ritual Aymará de culto aos deuses. Imagem: Projects

Os aimarás são um grupo de indígenas que vivem nas montanhas da Cordilheira dos Andes na América do Sul.   A maioria das pessoas vivem no Lago Titicaca.

Aimará é o nome de um dos povos que formava o Império Inca. Falavam a língua aimará -, estabelecido desde a época pré-colombiana no sul do Peru, na Bolívia, na Argentina e no Chile. São atualmente 2 milhões de pessoas pertencentes a esse grupo étnico estão divididas em alguns países da América Latina. Com a Bolívia aonde conta-se 1,5 milhões, o maior número de Aimarás da América. Também estão presentes no Peru somando 440 mil habitantes, no Chile 41 mil e na Argentina 35 mil. São adeptos do Catolicismo adaptado às crenças andinas, seu grupo étnico é relacionado à família Quechuas. Na atualidade estes povos estão se unindo para afirmar sua tradição e cultura através de ABYA YALA, o nome das nações autóctones para a América.

 Bandeira do Povo Aymará. Imagem: Projects.

ABYA YALA é o nome que as nações autóctones da América escolheram em
1992, para designar esse continente, em vez de “América” – uma homenagem a Américo Vespucci. A expressão "ABYA YALA" vem da língua dos kunas, um povo natural do Panamá e Colômbia, que antes da chegada de Colombo assim nomeavam essas terras. As duas palavras significam TERRA EM SUA PLENA MATURIDADE ou simplesmente TERRA DO ESPLENDOR.

O líder boliviano aymara Takir Mamani propôs que todos os povos nativos da América

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

INVERSÃO DO GIBELINISMO - Considerações Finais (Excertos)




Julius Evola em 1940. Imagem: Maçonaria Estudos Críticos.

(...) Parece que esta maçonaria se organizou de forma positiva no período dos rumores rosa-crucianos e da sucessiva partida dos verdadeiros Rosa-cruzes da Europa. Elias Ashmole, que parece ter desenvolvido um papel fundamental na organização da primeira maçonaria inglesa, viveu entre 1617 e 1692. Apesar disso, segundo a maioria, a maçonaria em sua forma atual de associação semi-secreta militante não remonta além de 1700(4) - em 1717 houve a inauguração da Grande Loja de Londres. Como antecedentes positivos, não apenas imaginados, a maçonaria teve sobretudo as tradições de determinadas corporações medievais, nas quais os elementos principais da arte de construir, de edificar, eram simultaneamente assumidos segundo um significado alegórico e iniciático. Assim, a "construção do Templo" poderia tornar-se sinônimo da própria "Grande Obra"^iniciática, o desbastamento da pedra bruta em pedra quadrada podia aludir ao dever preliminar de formação interna, e assim por diante. Pode-se pensar que até o começo do século XVIII a maçonaria conservou esses caráter iniciático e tradicional, de modo a, aludindo ao desempenho de uma ação interior, ter sido chamada de "operativa"(5). Foi em 1717 que, com a referida inauguração da Grande Loja de Londres e com o aparecimento da assim chamada "maçonaria especulativa" continental, verificou-se o suplantamento e a inversão de polaridades, de que falamos. Como "especulação", de fato valeu aqui a ideologia iluminista, enciclopedista e racionalista, junto com uma correspondente, desviada interpretação dos símbolos, e a atividade da organização concentrou-se decididamente no plano político-social, mesmo utilizando prevalentemente a tática da ação indireta e manobrando com influências e sugestões, cuja origem primeira era difícil determinar.

Pretende-se que essa transformação se tenha verificado somente em algumas lojas e que outras tenham conservado seu caráter iniciático e operativo mesmo depois de 1717. Efetivamente, esse caráter pode ser encontrado nos ambientes maçônicos a que pertenceram um Martinez de Pasqually, um Claude de St. Martin e o próprio Joseph de Maistre. Mas deve-se observar que também esta mesma maçonaria entrou, por outro motivo, numa fase de degenerescência, e nada pôde contra a afirmação da outra pela qual, acabou sendo assimilada. Tampouco houve qualquer ação da maçonaria que teria permanecido iniciática para protestar e desautorizar a outra, para condenar sua atividade político-social e para impedir que, em toda parte, ela tivesse validade própria e oficialmente como maçonaria.

Referindo-se, portanto, à maçonaria "especulativa", nela os vestígios iniciáticos permanecem limitados a uma estrutura ritual que, especialmente na maçonaria do rito escocês, teve caráter inorgânico e sincretístico, devido aos muitos graus além dos três primeiros (os únicos que têm alguma conexão efetiva com as precedentes tradições corporativas), tendo sido recolhidos símbolos das tradições iniciáticas mais variadas, visivelmente para dar a impressão de ter reunido a herança de todas elas. Assim, nesta maçonaria, também encontramos vários elementos da iniciação cavaleiresca, do hermetismo e da Rosa-cruz: nela aparecem "dignidades" como a de "Cavaleiro do Oriente ou da Espada", "Cavaleiro do Sol", "Cavaleiro das duas Águias", "Príncipe Adepto", "Dignitário do Sagrado Império", "Cavaleiro Kadosh (isto é, em hebraico, "Cavaleiro Sagrado"), equivalente a "Cavaleiro Templar", "Príncipe Rosa-cruz". Em geral - e este é o ponto que tem um significado todo especial - há uma ambição, particularmente por parte da maçonaria do rito escocês, de reportar-se justamente à tradição templar. Pretende-se, desta forma, que pelo menos sete de seus graus sejam de origem templária, além do 30º, que tem, explicitamente, a designação de "Cavaleiro Templar num grande número de lojas. Uma das jóias do grau supremo de toda a hierarquia (33º) - uma cruz teutônica - traz a sigla J.B.M., que é explicada, na maioria das vezes, com as iniciais de Jacopus Burgundus Molay, que foi ´último Grande Mestre da Ordem do Templo, e "De Molay" aparece também como uma "palavra de passe" desse gau, quase como se os que são iniciados nele fossem buscar de volta a dignidade e função do chefe da Ordem gibelina destruída. De resto, a maçonaria escocesa pretende ter muito de seus elementos transmitidos por uma organização mais antiga, chamada "Rito de Heredom". Esta expressão é traduzida por vários autores maçônicos por "ritos dos herdeiros", numa clara alusão aos herdeiros dos Templários. A lenda corresponde é que os poucos Templários sobreviventes ter-se-iam retirado para a Escócia, onde se colocaram sob a proteção de Robert Bruce e foram reunidos por este numa organização iniciática preexistente, de origem corporativa, que então assumiu o nome de "Grande Loja Real de Heredom".

É fácil perceber o alcance que essas   referências teriam em relação específica com aquilo que chamamos de "herança do Graal", caso elas tivessem um fundamento real: forneceriam à maçonaria um título de ortodoxia tradicional. Mas, na realidade, as coisas são muito diferentes.

Trata-se aqui de uma usurpação, não de uma continuação; antes com isso constata-se uma inversão da tradição precedente. Isso resulta de maneira característica considerando em seu complexo exatamente o mencionado grau 30º do rito escocês, que em algumas lojas tem como palavra de ordem: "A revanche dos Templários". A "lenda" que se refere a isso retoma o motivo mencionado anteriormente: os Templários que teriam encontrado refúgio em determinadas organizações secretas inglesas, criaram nelas este grau com a intenção de reorganizar Ordem e cumprir assim a sua vingança. Ora, a inversão já explicada do gibelinismo não poderia encontrar uma expressão mais clara do que nesta explicação do ritual: "A vingança dos templários abateu-se sobre Clemente V não no dia em que seus ossos foram atirados ao fogo pelos Calvinistas da Provença, mas sim no dia em que Lutero levantou metade da Europa contra o Papado em nome dos direitos da consciência. E a vingança abateu-se sobre Felipe o Belo, não no dia em que seus restos foram atirados entre os destroços de São Dionísio por uma turba em delírio, e nem mesmo no dia em que o último descendente revestido do poder absoluto saiu do Templo, que se transformara em prisão de Estado, para subir ao patíbulo, mas, sim no dia em que a Constituinte francesa proclamou diante dos tronos os direitos do homem e do cidadão"(6). O fato de o nível do plano do indivíduo - o "homem" e o "cidadão" - acabar descendo até as massas anônimas e dos seus dirigentes mascarados, resulta de uma história relacionada com o ritual de vários graus - no Rito Escocês do Supremo Conselho da Alemanha ela aprecia no 4º grau, chamado do "mestre secreto". Trata-se da história de Hiram, o construtor do Templo de Jerusalém que, diante de rei sacral Salomão demonstra ter sobre as massas um poder tão prodigioso que "o rei, famoso por seu um dos maiores Sábios, descobriu que, além da sua, havia uma força maior, uma força que no futuro descobrirá o próprio vigor, exercerá uma soberania maior do que a sua (de Salomão). Essa força é o povo (das Volk)". E acrescenta-se: "Nos, maçons do rito escocês, vemos em Hiram a personificação da Humanidade". O rito, tornando-os "Mestres secretos" deveria proporcionar aos iniciantes maçons a mesma natureza de Hiram: isto é, deveria troná-los partícipes desse misterioso poder de mover a humanidade como povo, como massa, poder que abalaria o próprio poder do rei sacral simbólico.

Quanto a ao grau especificamente templar (30º), deve-se observar ainda em seu rito de confirmação a associação do elemento iniciático com o elemento subversivo antitradicional, o que dará necessariamente ao primeiro o caráter de uma efetiva contra-iniciação nos casos em que o próprio rito não se reduz a uma cerimônia vazia, mas coloque em movimento forças sutis. No grau em questão, o iniciado que derruba as colunas do Templo e pisoteia a cruz, sendo admitido, depois disso, ao Mistério da escada ascendente e descendente com sete degraus, é aquele que deve jurar vingança e concretizar ritualmente tal juramento golpeando com um punhal a Coroa e a Tiara, isto é, os símbolos do duplo poder tradicional, da autoridade real e da pontifícia, exprimindo com isso nada mais do que o sentido de quanto a maçonaria, como força oculta da subversão  mundial, propiciou ao mundo moderno, partindo da preparação da revolução Francesa e da constituição da democracia americana e passando pelos movimentos de 1848, chegando até à Primeira  Guerra Mundial, à revolução turca, à revolução da Espanha e a outros acontecimentos análogos. Onde, no ciclo do Graal, como vimos, a realização iniciática é concebida de tal maneira que assume o empenho de fazer com que o rei ressurja, no rito agora indicado tem-se exatamente o oposto; há a contrafação de uma iniciação que está ligada com o juramento (às vezes com a fórmula: "Vitória ou morte") de atingir ou desestabilizar toda forma de autoridade superior.

De qualquer maneira, para os nossos objetivos, o lado essencial destas considerações é indicar o ponto em que a "herança do Graal" e de tradições iniciáticas análogas pára e onde, deixando de lado eventuais sobrevivências de nomes e símbolos, não se pode mais constatar nenhuma filiação legítima destas. No caso específico da maçonaria moderna, de um lado o seu confuso sincretismo, o caráter artificial da hierarquia da maioria de seus graus - caráter que aparece claramente mesmo a um profano -, a banalidade das exegeses correntes, moralistas, sociais e racionalistas aplicadas a vários elementos retomados, tendo em si um conteúdo efetivamente esotérico - tudo isso levaria a fazer ver nela um exemplo típico de organização pseudo-iniciática(7). Mas, considerando, por outro lado, a "direção da eficácia" da organização com referência aos elementos observados anteriormente e à sua atividade evolucionária, surge a sensação exata de se estar diante de uma força que, no que diz respeito ao espírito, age contra o espírito: uma força obscura, exatamente da anti-tradição e de contra-iniciação. E então é bem possível que os seus rituais sejam menos inofensivos do

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...