O povo Xokleng, também conhecido como Laklãnõ, possui uma longa história ligada principalmente à região que hoje corresponde ao estado de Santa Catarina. Durante muito tempo, seus antepassados viveram em áreas de florestas, onde praticavam a caça, a coleta de frutos e outras atividades necessárias à sobrevivência. Conheciam profundamente a natureza e utilizavam os recursos disponíveis para produzir objetos, construir abrigos e alimentar suas famílias. Assim como outros povos indígenas do Brasil, os Xokleng desenvolveram uma cultura própria, com língua, costumes, conhecimentos e tradições transmitidos de geração em geração. A vida em comunidade era importante para a organização social, e os conhecimentos dos mais velhos ajudavam a preservar a memória e a identidade do povo.
A história dos Xokleng foi profundamente marcada pela chegada dos colonizadores e pela ocupação de seus territórios. Durante o século XIX e o início do século XX, a expansão da colonização em Santa Catarina provocou conflitos violentos, mortes e a perda de terras indígenas. Os Xokleng resistiram durante muito tempo à ocupação de seus territórios, procurando defender suas famílias e seu modo de vida. No início do século XX, a atuação de agentes ligados à política indigenista brasileira contribuiu para estabelecer contatos com grupos Xokleng, mas esse processo ocorreu em meio a grandes pressões sobre suas comunidades. Mais tarde, a construção da Barragem Norte, iniciada na década de 1970 no Vale do Itajaí, provocou novos impactos sobre as terras e a vida das comunidades indígenas. Apesar dessas dificuldades, o povo Xokleng continuou lutando pela preservação de sua cultura e pelo reconhecimento de seus direitos.
A cultura Xokleng apresenta conhecimentos tradicionais relacionados à floresta, aos animais, às plantas e aos ciclos da natureza. A caça, a coleta e a utilização de diferentes materiais vegetais tiveram grande importância em sua história. A produção de objetos para o cotidiano e a transmissão de conhecimentos sobre o ambiente demonstram a capacidade desse povo de viver em estreita relação com o território. A língua Xokleng, pertencente à família linguística Jê, é um dos elementos fundamentais de sua identidade. Atualmente, há esforços para preservar e fortalecer seu uso, especialmente entre as novas gerações. As histórias contadas pelos mais velhos, os costumes familiares e as práticas comunitárias também contribuem para manter viva a memória dos antepassados.
A religiosidade Xokleng está relacionada às suas próprias tradições, às concepções sobre a vida e a morte e à relação com o mundo natural e espiritual. Como acontece com outros povos indígenas, suas crenças tradicionais foram transmitidas principalmente pela oralidade, por meio de narrativas, ensinamentos e práticas culturais. Entretanto, é importante compreender que nem todas as tradições religiosas antigas foram registradas com detalhes pelos pesquisadores. Ao longo do tempo, o contato com a sociedade não indígena e com diferentes grupos cristãos também provocou mudanças nas práticas religiosas de parte das comunidades. Por isso, não se deve imaginar que todos os Xokleng possuem atualmente as mesmas crenças ou realizam as mesmas cerimônias. Cada comunidade e cada família podem apresentar experiências e formas diferentes de expressar sua espiritualidade.
Atualmente, os Xokleng, também chamados de Laklãnõ-Xokleng, continuam presentes em Santa Catarina, especialmente no território indígena associado à região de Ibirama. Suas comunidades trabalham para preservar a língua, valorizar os conhecimentos dos antepassados e transmitir sua história às crianças e aos jovens. Além das questões culturais, enfrentam desafios relacionados à proteção de suas terras, à educação e ao reconhecimento de seus direitos. Conhecer a trajetória desse povo é importante para compreender que a história do Brasil não foi construída apenas pelos colonizadores, mas também pela resistência e pela participação dos povos indígenas. Estudar a história, a cultura e a religiosidade Xokleng é uma forma de reconhecer sua importância e respeitar a diversidade dos povos originários do nosso país.
Você quer saber mais?
SANTOS, Silvio Coelho dos. Índios e brancos no Sul do Brasil: a dramática experiência dos Xokleng. Florianópolis: Edeme, 1973.
WIIK, Flávio Braune. O contingente indígena Xokleng: uma análise antropológica. Para aprofundar o tema, também são relevantes os estudos acadêmicos do autor sobre identidade, cultura e transformações sociais entre os Laklãnõ-Xokleng.