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domingo, 3 de fevereiro de 2013

Raízes teóricas do pensamento Corporativista Brasileiro: A fundamentação doutrinária segundo Plínio Salgado.



Corporativismo integralista. Imagem: Leandro Claudir.

O Integralismo brasileiro formou-se pela composição de três vertentes doutrinárias. A primeira a pertence ao fundador do movimento, Plínio Salgado. Para caracterizá-la serão apresentados alguns dados biográficos, a evolução doutrinária e uma bibliografia.

Nasceu Plínio Salgado em 22 de janeiro de 1895, na cidade de São Bento de Sapucaí, São Paulo. Aos dezoito anos, reunindo-se a líderes da região cria o Partido Municipalista, primeira organização de caráter político para defender os interesses do município. Ao se aplicar a diversas atividades sociais, demonstra espírito de liderança. Ainda bem jovem, faz sua primeira tentativa jornalística lançando um semanário, o “Correio de São Bento”. 1919 é o ano da mudança para a capital onde desenvolverá maior atividade jornalística ingressando no Correio Paulistano.

Em 1922 participa ativamente da Semana de Arte Moderna onde define sua posição dentro do nacionalismo que se inicia com aquele grupo de intelectuais.
O seu primeiro livro O Estrangeiro é publicado em 1926, obra romanceada de caráter político, onde procura a causa da degradação moral, a potencialidade e disponibilidade dos intelectuais e a ação corrosiva do comunismo – fatores estes que considera dores e tumultos de uma sociedade em formação.

Em 1928 é o ano de largas experiências na política, de um lado, pela viagem à Europa com observações sobre as mudanças nas velhas nações e de outro, em face da queda da primeira república com a Revolução de outubro. Iniciava-se uma nova ordem a partir do complexo de idéias germinadas no tecido nacional na década de vinte.

O Esperado seu segundo romance político, é publicado em 1931, surpreende a inquietação dos que pensam e sofrem nas metrópoles tentaculares. Segundo Plínio, esboça-se nesta obra a chave decifradora das angústias econômicas na atuação do capitalismo internacional, enquanto se enunciam os índices do materialismo e do espiritualismo. Em 1932 é deflagrada a Revolução Constitucionalista a partir de São Paulo. Plínio funda a Sociedade de Estudos Políticos (SEP) e lança o Mani festo de Outubro que dá início à Ação Integralista Brasileira (AIB).

Sai a público em dezembro O Cavaleiro de Itararé, que é dedicado à mocidade das Escolas e do Exército Nacional, onde expõe o fantasma das revoluções sangrentas. Com este livro, segundo sua própria classificação, ficam compostos três estudos-depoimento: um aviso, um prognóstico e uma glorificação. Em 1933 inicia com a publicação de Psicologia da Revolução, que é dedicado aos intelectuais e O que é o Integralismo, dedicado à massa popular, uma orientação doutrinário-ideológica bem definida. Segue-se a esses dois livros intensa publicação doutrinária com A Quarta Humanidade que veio a lume em 1934; Palavra Nova dos Tempos Novos que saiu em 1935; Doutrina do Sigma publicado em 1936 e Páginas de Combate, livro de 1937.

Em 1937 candidata-se à Presidência da República; o Estado Novo é implantado em 10 de novembro do mesmo ano, adotando-se outra Carta Constitucional, que revoga a de 1934. Como conseqüência imediata vem a
dissolução de todos os Partidos.

Tentativa de derrubada do novo regime, em 1938, é efetivada por participantes do Integralismo juntamente com liberais, para restauração da democracia. Plínio é preso e depois exilado em Portugal onde desenvolve fecunda atividade intelectual.

Em 1946, com a redemocratização, retorna ao Brasil e funda o Partido de Representação Popular, do qual será o Presidente. Candidata-se novamente à Presidência da República em 1955, concorrendo no mesmo pleito Juarez Távora, Ademar de Barros e Juscelino Kubitschek de Oliveira. Em 1956 é eleito Deputado Federal pelo Estado do Paraná. O Estado de São Paulo o elege também Deputado Federal em 1960, 1964, 1970 e 1974, fazendo parte sempre da Comissão de Educação e Cultura.

Falece aos 80 anos de idade, a 7 de dezembro de 1975, em São Paulo. Na formação de seu pensamento político-social, Plínio Salgado toma por base dois blocos de leituras bem distintas e que estão configuradas como se segue: de 1922 a 1926 fez leituras absorventes de Marinetti, Apollinaire, Max Jacob e outros. De 1926 até 1930 leu Marx, Sorel, Lenine, Troski, Rizanov, Plekhanov e Feuerbach. Na adolescência lera Lamarke, Buchner, Haeckel, Le Bon, Spencer e Farias Brito. Este último despertara o seu pensamento para as coisas do
espírito.

De 1927 a 1930 foi o período em que se convenceu da impossibilidade de promover ou fazer algo de novo nos velhos quadros partidários. Estes não formavam a expressão política nacional, mas tão somente aprofundavam os regionalismos e, quando muito, forjavam alianças revolucionárias expondo ao perigo a unidade nacional.


Integralismo não é Fascismo. Imagem: Leandro Claudir.

Em 1930 adquire consciência da urgência de uma verdadeira revolução, mas que deveria ser precedida de uma reformulação do pensamento nacional. Viaja à Europa e Oriente, ali vê transformações políticas, observa a nova ordem em Portugal onde se ensaia bosquejos de um integralismo que se propõe restaurador da tradição. O integralismo português pretendia restaurar a ordem histórica natural ou seja, a realização da lusitanidade que considerava tivesse sido truncada com a implantação da República de 1910.

Esta nova ordem política tinha como princípio básico a restauração da monarquia e como meios necessários a implantação do corporativismo e o soerguimento da catolicidade. Fica aqui esta simples menção ao integralismo português desde que não está no propósito desenvolver tal pesquisa, mas apenas mostrar as vertentes que se formaram a partir da proposta brasileira iniciada com Plínio salgado. O integralismo que Plínio projetou deveria ser conduzido com diretrizes diferentes, pois mesmo reconhecendo a tradição, esta enraizava-se no solo da América, daí brotando uma nova ordem moral em função da qual seriam repensados e descritos os conceitos políticos sob os quais seria possível realizar o ser nacional.

Nos temas que meditou e que procurou desenvolver ao longo das décadas de vinte e trinta observa-se grande coerência. Estes consistem no nacionalismo, na doutrina social da Igreja, na falência do liberalismo, no problema da Autoridade e da Ordem e na busca de formas de organização do Estado que escapem ao dilema Liberalismo-totalitarismo.

Diante da situação catastrófica que antecede a revolução de 1930, sente o peso da responsabilidade na geração de idéias para solucionar os graves problemas de uma sociedade sem rumo que apenas se debatia na caudal dos últimos acontecimentos do pesadelo europeu. Adianta então as dificuldades e as esperanças para um recomeço, isto em texto de 1927: “A nossa obra não é, não pode ser ainda de sistematização filosófica, mas será de integração espiritual da nacionalidade.”

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.