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domingo, 20 de setembro de 2026

Os cinco generais que governaram o Brasil entre 1964 e 1985

 Entre 1964 e 1985, o Brasil viveu um período de governo autoritário iniciado após o movimento civil-militar que derrubou o presidente João Goulart. Durante esses 21 anos, cinco militares ocuparam a Presidência da República: Humberto de Alencar Castelo Branco, Artur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo. O primeiro deles foi Castelo Branco, que governou de 1964 a 1967 e promoveu mudanças na organização política e econômica do país, ao mesmo tempo em que foram adotadas medidas que limitaram direitos políticos e fortaleceram o controle do governo. Em seu governo foram publicados atos institucionais, entre eles o AI-2, que extinguiu os partidos políticos existentes e estabeleceu novas regras para a organização partidária. Em 1967, Costa e Silva assumiu a Presidência e seu governo foi marcado pelo aumento das manifestações de oposição e pela crescente tensão política. Em dezembro de 1968, foi decretado o AI-5, que ampliou os poderes do governo e aprofundou a repressão política. 

Após Costa e Silva deixar o cargo por problemas de saúde, uma junta militar governou provisoriamente até a escolha de Emílio Garrastazu Médici, que presidiu o país entre 1969 e 1974. Seu governo ficou marcado pelo forte crescimento econômico conhecido como “Milagre Econômico”, mas também por intensa repressão política, censura e perseguição aos opositores do regime. O período também foi marcado pela atuação de órgãos de informação e repressão, que acompanhavam estudantes, políticos, trabalhadores, religiosos e outras pessoas consideradas adversárias do governo. Em 1974, Ernesto Geisel assumiu a Presidência e iniciou um processo de abertura política apresentado como lento, gradual e seguro. Durante seu governo, algumas medidas de distensão foram adotadas, embora a repressão e as disputas políticas ainda continuassem. 

Em 1979, João Baptista Figueiredo assumiu o governo e deu continuidade ao processo de abertura, período em que foi aprovada a Lei da Anistia e ocorreram mudanças que contribuíram para a retomada da vida política democrática. O regime militar chegou ao fim em 1985, quando José Sarney assumiu a Presidência após a eleição indireta de Tancredo Neves, que não chegou a tomar posse. Esse período deixou marcas profundas na história brasileira, envolvendo mudanças econômicas, transformações sociais, censura, restrições políticas e graves violações de direitos humanos, posteriormente investigadas pela Comissão Nacional da Verdade. Conhecer os governos desses cinco militares ajuda a compreender as diferentes fases do período, desde a instalação do regime até o processo de abertura política que levou à redemocratização do Brasil.

Você quer saber mais?

FICO, Carlos. O golpe de 1964: momentos decisivos. Rio de Janeiro: FGV, 2014.

BRASIL. Comissão Nacional da Verdade. Relatório da Comissão Nacional da Verdade. Brasília: CNV, 2014.

GASPARI, Elio. A ditadura envergonhada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

NAPOLITANO, Marcos. 1964: História do regime militar brasileiro. São Paulo: Contexto, 2014.

SKIDMORE, Thomas E. Brasil: de Castelo a Tancredo, 1964-1985. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

Valores Farroupilhas e as Escolhas para o Futuro

A Revolução Farroupilha, ocorrida entre 1835 e 1845, faz parte da história do Rio Grande do Sul e deixou marcas importantes na cultura e na memória dos gaúchos. Durante o conflito, homens e mulheres enfrentaram um período de muitas dificuldades, defendendo diferentes ideias sobre os caminhos que o Rio Grande do Sul deveria seguir. Entre os personagens desse período estavam Bento Gonçalves, Antônio de Souza Netto, Giuseppe Garibaldi e Anita Garibaldi, que tiveram diferentes participações nos acontecimentos farroupilhas. Ao conhecer suas histórias, podemos perceber valores como coragem, determinação, responsabilidade, união e capacidade de tomar decisões diante de situações difíceis. Bento Gonçalves, por exemplo, tornou-se uma das principais lideranças do movimento e precisou tomar decisões importantes em um período marcado por conflitos. 

Giuseppe e Anita Garibaldi também ficaram conhecidos pela participação nos acontecimentos da Revolução Farroupilha e pela disposição para enfrentar os desafios daquele período. Isso não significa que os jovens de hoje devam repetir as escolhas feitas pelos farroupilhas, mas que podem aprender com a história e refletir sobre suas próprias atitudes. Ter coragem pode significar enfrentar uma dificuldade na escola, persistir diante de um problema ou acreditar na própria capacidade de aprender. Ter responsabilidade significa compreender que nossas escolhas podem abrir ou fechar caminhos. 

A união também mostra que ninguém constrói seu futuro completamente sozinho, pois precisamos aprender a conviver, colaborar e respeitar outras pessoas. Conhecer a história dos farroupilhas, portanto, pode ajudar cada estudante a pensar sobre seus sonhos, suas escolhas, suas responsabilidades e aquilo que deseja construir para o futuro. Assim como os acontecimentos de 1835 fizeram parte de um determinado momento da história, cada jovem também vive um período importante de sua própria trajetória e pode fazer escolhas que ajudarão a construir o seu amanhã.

Você quer saber mais?

PESAVENTO, Sandra Jatahy. História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1980.

FLORES, Moacyr. História do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Nova Dimensão, 1996.

Partidos Conservador e Liberal durante o Segundo Reinado

Durante o Brasil Império, especialmente durante o Segundo Reinado, dois grandes grupos políticos tiveram importante participação na vida política do país: o Partido Conservador e o Partido Liberal. Os dois partidos surgiram na década de 1830 e representavam principalmente os interesses das elites que participavam do governo imperial. O Partido Conservador defendia uma maior centralização do poder e valorizava a autoridade do imperador e a manutenção da ordem política e social. Entre seus principais representantes estavam Joaquim José Rodrigues Torres, o Visconde de Itaboraí, Eusébio de Queirós e José de Alencar. Os Conservadores também participaram de importantes decisões políticas, como a aprovação da Lei Eusébio de Queirós, em 1850, que proibiu o tráfico de africanos escravizados para o Brasil. 

O Partido Liberal, por sua vez, defendia maior autonomia para as províncias e algumas mudanças na organização política do Império. Entre seus principais representantes estavam Diogo Antônio Feijó, Teófilo Ottoni e Zacarias de Góis e Vasconcelos. Apesar das diferenças, Liberais e Conservadores possuíam muitas semelhanças, pois ambos defendiam a monarquia, a manutenção da ordem e a organização política baseada na Constituição de 1824. Os dois grupos também eram formados, em grande parte, por membros das elites econômicas e políticas do país, especialmente grandes proprietários rurais e pessoas ligadas à administração pública. Por isso, as diferenças entre os partidos não significavam uma oposição completa entre eles. 

Durante o Segundo Reinado, era comum que políticos mudassem de partido ou se aproximassem de um grupo de acordo com as circunstâncias políticas. O imperador Dom Pedro II também exercia importante influência sobre o funcionamento do sistema político e alternava os dois partidos no governo. Essa alternância entre Liberais e Conservadores foi uma das características marcantes da política do Segundo Reinado. Os dois partidos participaram de debates sobre a economia, a escravidão, a administração das províncias e a organização do Estado brasileiro. Assim, embora apresentassem diferentes propostas para administrar o país, Liberais e Conservadores contribuíram conjuntamente para o funcionamento da política imperial e tiveram grande influência nos acontecimentos do Brasil durante o século XIX.

Você quer saber mais?

CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem: a elite política imperial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

O valor da filosofia romana para o mundo

A filosofia romana teve grande importância para a formação do pensamento ocidental, principalmente porque os romanos souberam conhecer, adaptar e desenvolver muitas ideias que haviam surgido entre os gregos. Mais do que criar uma filosofia completamente diferente, os pensadores romanos procuraram relacionar a reflexão filosófica com os problemas do cotidiano, como a política, a moral, a amizade, a justiça, a felicidade e a maneira de enfrentar as dificuldades da vida. Por isso, suas ideias continuaram sendo estudadas durante muitos séculos e ainda podem ser encontradas em debates sobre ética, comportamento e vida em sociedade.

Entre os principais nomes está Cícero, que viveu no século I a.C. e escreveu sobre política, justiça, deveres e comportamento moral. Suas obras ajudaram a transmitir ideias da filosofia grega para o mundo romano e, posteriormente, para pensadores europeus. Outro importante filósofo foi Sêneca, conhecido principalmente por suas reflexões ligadas ao estoicismo. Para ele, era importante aprender a controlar as paixões, agir com equilíbrio e enfrentar as dificuldades com coragem e sabedoria. Já Epicteto, embora tenha nascido escravizado e vivido no mundo romano, ensinava que devemos concentrar nossa atenção naquilo que está sob nosso controle, procurando agir de maneira correta diante das situações que não podemos mudar.

Também podemos destacar Marco Aurélio, imperador romano e autor de Meditações. Em seus escritos, refletiu sobre a responsabilidade, a disciplina, o respeito pelas outras pessoas e a necessidade de manter a serenidade diante dos acontecimentos da vida. Assim, a filosofia romana deixou como contribuição uma forma de pensar que aproximava a reflexão filosófica das experiências humanas do dia a dia. Seu valor para o mundo está justamente nessa capacidade de nos fazer pensar sobre nossas escolhas, nossas responsabilidades e nossa convivência com os outros. Mesmo depois de tantos séculos, as perguntas feitas pelos filósofos romanos continuam atuais, mostrando que a filosofia não pertence apenas ao passado, mas pode ajudar cada geração a compreender melhor o ser humano e a sociedade.

Você quer saber mais?

CÍCERO, Marco Túlio. Dos deveres. São Paulo: Martin Claret, 2002.

SÊNECA, Lúcio Aneu. Sobre a brevidade da vida. São Paulo: L&PM, 2007.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

A religiosidade na Roma Antiga

A religião fazia parte da vida dos romanos e estava presente nas casas, nas ruas e nos espaços públicos. Os romanos acreditavam em vários deuses, cada um relacionado a diferentes aspectos da vida, da natureza e da sociedade. Júpiter era considerado o principal deus romano, ligado ao céu, aos raios e à proteção de Roma. Juno, sua esposa, estava relacionada ao casamento, às mulheres e à proteção da família. Minerva representava a sabedoria, o conhecimento, as artes e também a estratégia na guerra. Júpiter, Juno e Minerva formavam a Tríade Capitolina, um grupo muito importante na religião romana. Marte era o deus da guerra e tinha grande importância para os romanos, que valorizavam muito suas conquistas militares. Vênus estava ligada ao amor, à beleza e à fertilidade, sendo também considerada uma ancestral do povo romano. Netuno era o deus dos mares e das águas, enquanto Mercúrio estava relacionado ao comércio, às viagens e aos mensageiros. Baco, por sua vez, era associado ao vinho, às festas e à diversão. 

Além desses deuses, as famílias romanas também cultuavam os Lares e Penates, considerados protetores da casa e da família. Os romanos faziam orações, ofereciam alimentos e outros presentes aos deuses e realizavam festas e sacrifícios em sua homenagem. Com a expansão de Roma, os romanos conheceram diferentes povos e passaram a incorporar divindades e costumes de outras culturas. Por isso, a religião romana foi se transformando ao longo do tempo, reunindo tradições de diferentes lugares.

Os templos romanos eram lugares construídos para homenagear os deuses e tinham grande importância na vida religiosa de Roma. Neles eram colocadas estátuas das divindades e realizadas orações, oferendas e cerimônias religiosas. Muitos templos ficavam em locais de destaque e chamavam atenção por suas colunas, escadarias e grandes construções. A arquitetura recebeu influência dos gregos, mas os romanos desenvolveram suas próprias formas de construir e decorar esses espaços. Um dos templos mais conhecidos é o Panteão, localizado em Roma, que impressiona até hoje por sua grande cúpula e pela qualidade de sua construção.

Você quer saber mais?

BEARD, Mary. SPQR: uma história da Roma Antiga. São Paulo: Planeta, 2017.

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2002.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Sociedade Colonial Portuguesa

 A sociedade colonial portuguesa começou a se formar no Brasil a partir da chegada dos portugueses e foi marcada por muitas diferenças entre as pessoas. No início da colonização, os portugueses organizaram a vida na colônia de acordo com seus interesses, principalmente a produção de riquezas. Os senhores de engenho e grandes proprietários de terras ocupavam uma posição de destaque e tinham muito poder. Ao mesmo tempo, havia pessoas livres com diferentes condições de vida, trabalhadores pobres, indígenas e africanos escravizados. Dessa forma, a sociedade colonial era bastante desigual, e a posição de cada pessoa dependia muito de sua origem, de sua riqueza e de sua condição social.

No governo da colônia também existiam diferentes grupos e autoridades. O governador-geral representava o rei de Portugal e tinha a função de administrar a colônia e garantir os interesses da Coroa. Os donatários, principalmente no início da colonização, eram responsáveis por administrar as capitanias que receberam do rei. Nas vilas e cidades, os vereadores e membros das Câmaras Municipais cuidavam de questões relacionadas à administração local. Havia ainda os militares, responsáveis pela defesa do território, e os funcionários da Coroa, que ajudavam a controlar a arrecadação de impostos e outras atividades. Esses grupos faziam parte da estrutura de poder e ajudavam Portugal a manter o controle sobre o Brasil.

Entre a população em geral também havia muitos grupos diferentes. Os indígenas já viviam no território antes da chegada dos portugueses e possuíam suas próprias culturas, línguas e formas de organização. Muitos foram obrigados a trabalhar para os colonizadores ou tiveram suas terras ocupadas. Os africanos escravizados foram trazidos à força para o Brasil e realizaram grande parte dos trabalhos nas plantações, nos engenhos, nas casas e em outras atividades. Havia também os trabalhadores livres, como pequenos agricultores, artesãos, comerciantes e pessoas que exerciam diferentes profissões. Os religiosos, principalmente os padres e membros das ordens religiosas, também tinham importante presença na sociedade, atuando na catequização, na educação e na vida religiosa. Assim, a sociedade colonial era formada por muitos grupos, mas nem todos possuíam os mesmos direitos, oportunidades ou poder.

A vida nas áreas de produção, principalmente nos engenhos de açúcar, girava em torno do trabalho e das relações entre senhores e trabalhadores. Os africanos escravizados sofriam com a falta de liberdade e com a violência do sistema escravista, enquanto os indígenas enfrentavam conflitos, doenças e tentativas de ocupação de suas terras. Mesmo com tantas diferenças e dificuldades, esses grupos participaram da formação da sociedade brasileira. Portugueses, indígenas, africanos e seus descendentes contribuíram para a construção da nossa cultura, deixando marcas na língua, na alimentação, nas festas, nas crenças, nos costumes e nos conhecimentos. Estudar a sociedade colonial ajuda, portanto, a entender como era a vida no Brasil naquele período e também a perceber algumas das desigualdades e características culturais que continuam presentes na sociedade brasileira.

Você quer saber mais?

FAUSTO, Boris. História do Brasil. 14. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012.

PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil contemporâneo: colônia. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Viver Conectado: Cultura Digital, Conhecimento e Responsabilidade

 A tecnologia já faz parte da nossa vida e está presente na escola, em casa, no trabalho e principalmente nas nossas formas de comunicação. A cultura digital representa justamente essa maneira de viver, aprender, trabalhar e se relacionar em uma sociedade cada vez mais conectada. Porém, estar conectado não significa necessariamente saber utilizar a tecnologia de forma consciente. É nesse ponto que entra o letramento digital, que envolve saber pesquisar, interpretar, produzir e compartilhar informações utilizando diferentes recursos tecnológicos. 

Um estudante com letramento digital não apenas sabe usar um aplicativo, mas também consegue perceber quando uma informação pode ser falsa ou enganosa. Nas redes sociais, essa atenção é muito importante, pois qualquer pessoa pode produzir e compartilhar conteúdos em poucos segundos. Por isso, a ética nas redes deve fazer parte da nossa vida digital. Respeitar opiniões diferentes, preservar a privacidade das pessoas e pensar antes de publicar são atitudes fundamentais. Também é importante compreender que aquilo que fazemos no ambiente virtual pode trazer consequências para outras pessoas e para nós mesmos. Curtidas, comentários e compartilhamentos podem influenciar sentimentos, opiniões e até decisões. Combater o cyberbullying, as notícias falsas e os discursos de ódio também é uma responsabilidade coletiva. A internet pode ser um espaço de aprendizagem, criatividade, participação e construção de conhecimento. 

Para isso, precisamos aprender não somente a utilizar as tecnologias, mas também a refletir sobre como e por que as utilizamos. Ser cidadão na sociedade atual também significa desenvolver uma postura crítica, responsável, respeitosa e consciente no mundo digital. Afinal, a tecnologia pode transformar a nossa realidade, mas somos nós que escolhemos como utilizá-la.

Você quer saber mais?

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018.

UNESCO. Global framework of reference on digital literacy skills for indicator 4.4.2. Paris: UNESCO, 2018.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

A importância do agronegócio para a economia brasileira

 O agronegócio possui grande importância para a economia brasileira, envolvendo atividades que vão desde a produção agrícola e pecuária até a indústria e a comercialização dos produtos. O Brasil apresenta condições naturais favoráveis, como grandes extensões de terras, diversidade climática e disponibilidade de recursos hídricos. A produção de soja, milho, café, cana-de-açúcar, algodão e carnes destaca o país no mercado mundial. Além de abastecer o mercado interno, o agronegócio possui forte participação nas exportações brasileiras, contribuindo para a entrada de recursos no país. O setor também movimenta indústrias responsáveis pela produção de máquinas, fertilizantes, sementes, alimentos e outros produtos. Dessa forma, sua importância ultrapassa o espaço rural e envolve diferentes setores da economia. 

O agronegócio também gera milhões de empregos direta e indiretamente, contribuindo para a renda de muitas famílias. Entretanto, sua expansão também provoca debates relacionados ao desmatamento, uso da água, conservação do solo e impactos ambientais. Por isso, é importante buscar formas de produção que conciliem desenvolvimento econômico e preservação ambiental. A utilização de novas tecnologias pode aumentar a produtividade e reduzir desperdícios. A agricultura de precisão, por exemplo, permite utilizar recursos de maneira mais eficiente. 

O Brasil possui grande potencial para continuar ampliando sua produção agrícola e pecuária. Ao mesmo tempo, deve enfrentar desafios relacionados à sustentabilidade e à distribuição dos benefícios econômicos. Assim, o agronegócio é um dos principais componentes da economia brasileira, mas seu desenvolvimento precisa estar associado à responsabilidade social e ambiental.

Você quer saber mais?

EMBRAPA. Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira. Brasília, DF: Embrapa, 2018.

IBGE. Censo Agropecuário 2017: resultados definitivos. Rio de Janeiro: IBGE, 2019.

BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Agropecuária brasileira. Brasília, DF: MAPA, 2023.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

A formação da civilização grega

A civilização grega formou-se na região da Península Balcânica, no sudeste da Europa, em uma área marcada por montanhas, ilhas e mares, características que favoreceram o isolamento e o desenvolvimento de comunidades independentes. Entre os primeiros povos que contribuíram para a formação da cultura grega destacaram-se os cretenses e os micênicos, além dos jônios, eólios e dórios. A civilização micênica, desenvolvida aproximadamente entre 1600 e 1100 a.C., exerceu grande influência sobre a formação da sociedade grega. 

Após o enfraquecimento dos micênicos, a região passou por um período de transformações, seguido pelo crescimento das comunidades e pelo surgimento das pólis. As pólis eram cidades-Estados independentes, que possuíam suas próprias leis, governos, territórios e exércitos. Entre as mais importantes estavam Atenas e Esparta, que apresentavam diferentes formas de organização política e social. Atenas destacou-se pelo comércio, pela navegação, pelas atividades culturais e pelo desenvolvimento de experiências políticas que contribuíram para o surgimento da democracia. Entretanto, a democracia ateniense era limitada, pois mulheres, escravizados e estrangeiros não participavam das decisões políticas. Esparta, por outro lado, desenvolveu uma sociedade voltada para a disciplina, a obediência e a preparação militar.

Desde jovens, os cidadãos espartanos eram educados para a vida militar e para a defesa da cidade. Enquanto Atenas valorizava a política, a filosofia, as artes e o comércio, Esparta priorizava a força militar e a estabilidade social. Apesar das diferenças, os habitantes das cidades gregas compartilhavam elementos culturais importantes, como a língua, a religião e diversos costumes. Os gregos também fundaram colônias em diferentes regiões do Mar Mediterrâneo e do Mar Negro, ampliando o comércio e o contato cultural com outros povos. Ao longo de sua história, as pólis enfrentaram conflitos, como as Guerras Médicas, contra os persas, e a Guerra do Peloponeso, entre Atenas e Esparta. Posteriormente, a conquista da Grécia por Filipe II da Macedônia e as campanhas de Alexandre, o Grande, contribuíram para a expansão da cultura grega pelo Oriente. Dessa forma, a civilização grega deixou um importante legado para a humanidade, especialmente nas áreas da filosofia, política, teatro, arquitetura, literatura, matemática e pensamento científico.

Você quer saber mais?

FINLEY, Moses I. Os gregos antigos. Lisboa: Edições 70, 1984.

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2002.

VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Difel, 2002.

domingo, 16 de agosto de 2026

Guerra do Paraguai: um dos conflitos mais trágicos da América do Sul

A Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança, ocorreu entre 1864 e 1870 e envolveu o Paraguai contra Brasil, Argentina e Uruguai. O conflito começou em um contexto de disputas políticas e territoriais na região do Rio da Prata, envolvendo principalmente o Paraguai de Francisco Solano López e os interesses dos países vizinhos. Em 1864, López determinou a invasão de Mato Grosso e, posteriormente, do Rio Grande do Sul e da Argentina, levando à formação da Tríplice Aliança. Em 1865, ocorreu a importante Batalha Naval de Riachuelo, que fortaleceu o controle aliado sobre os rios e dificultou os movimentos paraguaios. Entre os principais comandantes brasileiros esteve Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, que assumiu o comando das forças brasileiras e conduziu importantes etapas da campanha. Dom Pedro II demonstrou grande interesse em participar pessoalmente da guerra e chegou a desejar seguir para o campo de batalha, mas foi impedido pelo governo e pelo risco de deixar o Império sem seu principal governante. Mesmo assim, apresentou-se simbolicamente como o “Voluntário Número Um” e acompanhou de perto os acontecimentos. A guerra tornou-se cada vez mais longa e destrutiva, provocando enorme número de mortes entre soldados e civis. 

O Paraguai sofreu uma devastação especialmente grave, com a morte de grande parte de sua população, sobretudo entre os homens adultos, embora as estimativas sobre o número total de mortos sejam bastante discutidas pelos historiadores. Nos últimos anos do conflito, a situação paraguaia tornou-se desesperadora, e o governo de Solano López passou a mobilizar homens muito jovens, além de idosos e outros grupos que normalmente não participariam de uma guerra. Crianças paraguaias chegaram a ser utilizadas nos combates finais, episódio associado à Batalha de Acosta Ñu, em 16 de agosto de 1869, embora alguns números e relatos tradicionais sobre esse episódio sejam discutidos pelos historiadores. Em 1869, após a saída de Caxias, o comando das forças brasileiras passou ao Conde d’Eu, marido da Princesa Isabel. Sua participação ocorreu na fase final da guerra, marcada pela perseguição às últimas forças de Solano López. O Conde d’Eu comandou as forças brasileiras até o final do conflito e esteve à frente de importantes combates, como Peribebuí e Campo Grande. Sua atuação também gerou controvérsias e diferentes interpretações entre os historiadores, especialmente sobre episódios de violência contra paraguaios. 

Finalmente, em 1º de março de 1870, Solano López foi morto em Cerro Corá, encerrando o conflito. A guerra deixou o Paraguai profundamente destruído e também trouxe grandes custos humanos, econômicos e sociais para o Brasil e seus aliados. Para o Brasil, o conflito fortaleceu o Exército e provocou importantes mudanças políticas, que contribuiriam para as transformações das décadas seguintes.

Você quer saber mais?

DORATIOTO, Francisco. Maldita guerra: nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1994.

IZECKSOHN, Vitor. A Guerra do Paraguai. In: GRINBERG, Keila; SALLES, Ricardo (org.). O Brasil Imperial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009. v. 2.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O que são os Vedas?

Os Vedas são os textos sagrados mais antigos da tradição religiosa que deu origem ao hinduísmo, uma das religiões mais antigas do mundo. Foram compostos na Índia, principalmente em sânscrito védico, aproximadamente entre 1500 e 500 a.C., embora sua tradição oral seja ainda mais antiga. A palavra Veda significa “conhecimento” ou “sabedoria”. Na tradição hindu, os textos sagrados são classificados em dois grandes grupos: Shruti, que significa “aquilo que é ouvido”, e Smriti, que significa “aquilo que é lembrado”. A Shruti reúne os textos considerados revelados aos antigos sábios, principalmente os quatro Vedas e as Upanishads, enquanto a Smriti reúne textos preservados e transmitidos pela tradição.

Os Vedas são divididos em quatro grandes coleções. O Rigveda, considerado o mais antigo, reúne hinos dedicados a diferentes divindades, como Agni, Indra e Soma. O Samaveda apresenta principalmente cantos e melodias utilizados nos rituais religiosos. O Yajurveda reúne fórmulas, orações e instruções utilizadas pelos sacerdotes durante os sacrifícios e cerimônias. Já o Atharvaveda contém orações, encantamentos e ensinamentos relacionados à vida cotidiana, à proteção e à espiritualidade. A literatura védica também inclui textos complementares, como os Brahmanas, que explicam os rituais; os Aranyakas, relacionados a ensinamentos espirituais; e as Upanishads, que apresentam importantes reflexões filosóficas sobre Brahman, Atman, karma, reencarnação e libertação espiritual.

É importante destacar que o Mahabharata e o Ramayana não fazem parte dos quatro Vedas. Eles pertencem à Smriti, juntamente com outros textos tradicionais, como os Puranas. O Mahabharata é um grande poema épico tradicionalmente atribuído a Vyasa e contém a Bhagavad Gita, na qual Krishna orienta Arjuna sobre o dever, a ação e a vida espiritual. A Bhagavad Gita, portanto, faz parte do Mahabharata e pertence à categoria Smriti. O Ramayana, tradicionalmente atribuído a Valmiki, narra a história de Rama, Sita, Lakshmana e Hanuman. Assim, a divisão pode ser compreendida da seguinte forma: Shruti = textos considerados revelados, como os Vedas e as Upanishads; Smriti = textos preservados pela tradição, como o Mahabharata, a Bhagavad Gita, o Ramayana e os Puranas. Dessa maneira, esses diferentes textos formam um conjunto fundamental da tradição religiosa, filosófica e cultural do hinduísmo.

Você quer saber mais?

VEDAS. Rigveda. Índia: tradição védica, aproximadamente 1500–1200 a.C.

VALMIKI. Ramayana. Índia: tradição épica sânscrita, aproximadamente séculos V–III a.C.

VYASA. Mahabharata. Índia: tradição épica sânscrita, aproximadamente séculos IV a.C.–IV d.C. (A Bhagavad Gita está inserida no Mahabharata.)

domingo, 9 de agosto de 2026

Hinduísmo

O Hinduísmo é uma das religiões mais antigas do mundo e se desenvolveu no subcontinente indiano. Não existe uma data exata para seu surgimento nem um fundador específico, pois a religião foi formada gradualmente a partir da mistura de antigas tradições religiosas e culturais. Entre as principais bases do Hinduísmo estão as tradições védicas, que se desenvolveram na Índia por volta de 1500 a.C.. Os primeiros textos dessas tradições deram origem aos Vedas, considerados os textos sagrados mais antigos do Hinduísmo. Os Vedas começaram a ser compostos há mais de 3 mil anos, principalmente em sânscrito, e apresentam hinos, orações, rituais e ensinamentos religiosos. Com o passar do tempo, novas ideias e textos foram incorporados à tradição hindu, como os Upanishads, que discutem temas como a alma, a existência e a realidade espiritual. Também são importantes o Mahabharata e o Ramayana, grandes obras que apresentam histórias de heróis, reis e divindades. A Bhagavad Gita, parte do Mahabharata, é outro texto fundamental e apresenta os ensinamentos do deus Krishna ao guerreiro Arjuna.

Uma das principais crenças do Hinduísmo é a existência de Brahman, a realidade espiritual suprema que está presente em toda a existência. Os hindus também acreditam no atman, entendido como a essência ou alma individual. A religião ensina a ideia de samsara, o ciclo de nascimento, morte e renascimento, no qual a alma passa por diferentes existências. O karma representa as consequências das ações realizadas por uma pessoa e influencia suas futuras experiências. O objetivo espiritual é alcançar o moksha, a libertação do ciclo de renascimentos. O Hinduísmo possui diversas divindades e formas de adoração. Brahma está relacionado à criação, Vishnu à preservação do universo e Shiva à transformação e renovação. Entre outras importantes divindades estão Lakshmi, associada à prosperidade; Saraswati, ligada ao conhecimento, às artes e à sabedoria; e Ganesha, associado à sabedoria e à superação de obstáculos. Assim, o Hinduísmo não surgiu em um único momento, mas foi se desenvolvendo durante milhares de anos, tornando-se uma religião diversificada e profundamente ligada à história e à cultura da Índia.

Você quer saber mais?

VALMIKI. Ramayana. Tradução de William Buck. Berkeley: University of California Press, 1976.

BHAGAVAD GITA. Bhagavad Gita: a canção do Senhor. São Paulo: Pensamento, 2011.

MAHABHARATA. Mahabharata. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Redes e Circulação

 As redes e a circulação são elementos fundamentais para compreender o funcionamento do espaço geográfico na atualidade. A circulação corresponde ao movimento de pessoas, mercadorias, informações e capitais entre diferentes lugares, enquanto as redes são os conjuntos de conexões que tornam esses deslocamentos possíveis. Rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos, redes de energia, telefonia e internet formam sistemas que interligam cidades, estados e países, permitindo o funcionamento da economia e da sociedade.

Ao longo da história, o desenvolvimento das redes de transporte e comunicação esteve diretamente ligado ao crescimento das atividades econômicas. Com o avanço da Revolução Industrial e, posteriormente, da globalização, a necessidade de transportar produtos com maior rapidez impulsionou a construção de estradas, ferrovias e portos modernos. Da mesma forma, a evolução das tecnologias de comunicação possibilitou a transmissão instantânea de informações, aproximando pessoas e empresas em diferentes partes do mundo.

No Brasil, as rodovias representam o principal meio de transporte de cargas e passageiros, embora esse modelo gere elevados custos logísticos e impactos ambientais. As ferrovias são amplamente utilizadas para o transporte de grandes volumes de minérios e produtos agrícolas, enquanto as hidrovias apresentam grande potencial devido à extensa rede de rios navegáveis do país. O transporte aéreo destaca-se pela rapidez, sendo utilizado principalmente para passageiros e mercadorias de alto valor agregado.

Além dos transportes, as redes de comunicação desempenham papel essencial na sociedade contemporânea. A expansão da internet, da telefonia móvel e das tecnologias digitais permitiu maior integração entre regiões e acelerou o fluxo de informações. Empresas realizam negociações em tempo real, governos oferecem serviços digitais e pessoas mantêm contato instantâneo por meio das redes sociais e aplicativos de mensagens. Entretanto, nem toda a população possui o mesmo acesso às tecnologias, evidenciando a existência da exclusão digital.

As redes também influenciam a organização do território. Grandes centros urbanos concentram infraestrutura de transporte, serviços e comunicação, tornando-se importantes nós das redes nacionais e internacionais. Em contrapartida, regiões com menor infraestrutura apresentam dificuldades para atrair investimentos, gerar empregos e integrar-se aos mercados consumidores. Por isso, investimentos em logística e conectividade são fundamentais para promover o desenvolvimento regional e reduzir desigualdades.

Compreender as redes e a circulação permite analisar como os diferentes lugares estão interligados e como as decisões econômicas, políticas e tecnológicas influenciam o espaço geográfico. Em um mundo cada vez mais conectado, a eficiência das redes de transporte e comunicação tornou-se um dos principais fatores para o crescimento econômico, a integração dos territórios e a melhoria da qualidade de vida da população.

Você quer saber mais?

CASTELLAR, Sonia Maria Vanzella; VESENTINI, José William. Geografia: espaço e identidade – Ensino Médio. 2. ed. São Paulo: Ática, 2020.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 4. ed. São Paulo: EdUSP, 2006.

MOREIRA, Ruy. O pensamento geográfico brasileiro. São Paulo: Contexto, 2014.

Estatística Descritiva, Gráficos e Medidas de Tendência Central

 A Estatística está presente em praticamente todos os aspectos da vida moderna. Governos utilizam dados para planejar políticas públicas, empresas analisam informações para compreender o comportamento dos consumidores, hospitais monitoram indicadores de saúde e pesquisadores recorrem à estatística para validar descobertas científicas. No cotidiano, ela aparece em pesquisas eleitorais, índices de inflação, previsão do tempo, resultados esportivos e nas redes sociais. Compreender como esses dados são produzidos e interpretados é essencial para formar cidadãos críticos e capazes de tomar decisões fundamentadas.

A Estatística Descritiva é o ramo da Matemática responsável por coletar, organizar, representar e interpretar dados. Seu principal objetivo é transformar grandes quantidades de informações em conhecimentos claros e úteis. Para isso, utiliza tabelas, gráficos e medidas que resumem as características de um conjunto de dados.

Os gráficos são importantes ferramentas para comunicar informações de forma visual. Cada tipo possui uma finalidade específica. O gráfico de barras é indicado para comparar categorias; o gráfico de colunas evidencia diferenças entre grupos; o gráfico de setores (ou pizza) representa proporções; o gráfico de linhas demonstra a evolução de um fenômeno ao longo do tempo; e o histograma apresenta a distribuição de frequências de dados numéricos. A escolha do gráfico adequado facilita a interpretação dos resultados e evita conclusões equivocadas.

Além dos gráficos, a Estatística utiliza medidas de tendência central para representar um conjunto de dados por meio de um único valor. A média aritmética corresponde à soma de todos os valores dividida pela quantidade de elementos. É muito utilizada quando os dados apresentam distribuição relativamente equilibrada. A mediana representa o valor central de uma sequência ordenada de dados e é especialmente útil quando existem valores muito altos ou muito baixos que poderiam distorcer a média. Já a moda corresponde ao valor que aparece com maior frequência em um conjunto de informações, sendo bastante empregada em pesquisas de mercado, educação e saúde.

Você quer saber mais?

ASSIS, Janilson Pinheiro de; DIAS, Carlos Tadeu dos Santos; SILVA, Anderson Rodrigo da; DOURADO NETO, Durval. Estatística descritiva. Piracicaba: FEALQ, 2016.

BUSSAB, Wilton de Oliveira; MORETTIN, Pedro Alberto. Estatística básica. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2017.

TRIOLA, Mario F. Introdução à estatística. 14. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2024. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Jesus Cristo: Sua Vida e Sua Missão

Jesus Cristo é uma das pessoas mais importantes da história da humanidade. Para os cristãos, Ele é o Filho de Deus e o Salvador prometido nas Escrituras. Historicamente, Jesus nasceu em Belém, na região da Judeia, e cresceu em Nazaré, na Galileia. Desde o Antigo Testamento, muitos profetas anunciaram a vinda do Messias. Entre as profecias que os cristãos entendem como cumpridas por Jesus estão o nascimento em Belém (Miqueias 5:2), o nascimento de uma virgem (Isaías 7:14), sua missão de anunciar a Boa Nova (Isaías 61:1-2), sua entrada em Jerusalém montado em um jumento (Zacarias 9:9) e seu sofrimento e morte pelos pecados da humanidade (Isaías 53).

Durante sua vida, Jesus percorreu cidades e aldeias ensinando sobre o amor, o perdão, a justiça e o Reino de Deus. Realizou milagres, acolheu os mais necessitados, chamou discípulos para anunciar sua mensagem e ensinou que o maior mandamento é amar a Deus e ao próximo. Sua mensagem transformou a vida de milhares de pessoas e continua inspirando bilhões de cristãos em todo o mundo.

Além dos relatos da Bíblia, a existência de Jesus também é mencionada por importantes autores da Antiguidade. O historiador romano Tácito registrou que Cristo foi condenado por Pôncio Pilatos. O historiador judeu Flávio Josefo escreveu sobre Jesus e também mencionou Tiago, seu irmão. Plínio, o Jovem relatou que os cristãos se reuniam para cantar hinos a Cristo como a um Deus. O historiador romano Suetônio citou conflitos envolvendo os seguidores de Cristo em Roma. O filósofo sírio Mara bar Serapião escreveu sobre a morte de um "rei sábio dos judeus", identificado por muitos estudiosos como Jesus. Já Luciano de Samósata comentou que os cristãos adoravam um homem crucificado e permaneciam fiéis aos seus ensinamentos. Esses registros mostram que Jesus também faz parte da história estudada por pesquisadores.

Para os cristãos, Jesus entregou sua vida na cruz por amor à humanidade, morreu para oferecer o perdão dos pecados e ressuscitou ao terceiro dia, vencendo a morte e cumprindo a promessa de Deus para a salvação. Sua vida marcou profundamente a história, influenciando a cultura, a arte, as leis e a formação da civilização ocidental. Ainda hoje, sua mensagem de esperança, fé e amor continua transformando vidas e sendo anunciada em todos os continentes.

Você quer saber mais?

BÍBLIA SAGRADA. Tradução de João Ferreira de Almeida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.

JOSEFO, Flávio. Antiguidades Judaicas. São Paulo: CPAD.

GONZÁLEZ, Justo L. A Era dos Mártires: História Ilustrada do Cristianismo. São Paulo: Vida Nova.

Astecas, Maias e Incas: Grandes Civilizações da América

Quando os europeus chegaram ao continente americano, encontraram povos que já haviam construído grandes cidades, desenvolvido conhecimentos avançados e formado importantes civilizações. Entre elas, destacaram-se os maias, os astecas e os incas.

Os maias viveram na região onde hoje estão o sul do México, a Guatemala, Belize, Honduras e El Salvador. Eles construíram cidades com enormes pirâmides, templos e observatórios. Também criaram um sistema de escrita, desenvolveram a matemática, utilizaram o número zero e produziram calendários muito precisos para acompanhar o tempo e as estações do ano. A agricultura, principalmente o cultivo do milho, era a base de sua alimentação.

Os astecas viveram no atual México e fundaram a grandiosa cidade de Tenochtitlán, construída sobre ilhas em um lago. Eram excelentes agricultores e criaram as chinampas, ilhas artificiais usadas para o plantio. Seu império era governado por um imperador e sustentado pelos tributos pagos pelos povos dominados. Os astecas também eram conhecidos por seus templos, mercados movimentados e por realizarem cerimônias religiosas dedicadas aos seus deuses.

Os incas habitaram a região da Cordilheira dos Andes, abrangendo territórios dos atuais Peru, Bolívia, Equador, Chile e Argentina. Seu império tinha como capital a cidade de Cusco e era ligado por uma extensa rede de estradas que facilitava o transporte de pessoas e mercadorias. Os incas cultivavam alimentos em terraços construídos nas montanhas, organizavam o trabalho coletivo e construíram obras impressionantes, como Machu Picchu, que permanece como um dos maiores exemplos da engenharia da época.

Embora cada povo tivesse sua própria cultura, todos desenvolveram formas eficientes de organização, agricultura, arquitetura e conhecimentos científicos muito antes da chegada dos europeus. O estudo dessas civilizações nos ajuda a compreender que a história da América é rica, diversa e cheia de importantes realizações que ainda despertam a curiosidade de pesquisadores e estudantes.

Você quer saber mais?

COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e Geral. São Paulo: Saraiva.

BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. São Paulo: Moderna.

SCHMIDT, Mário Furley. Nova História Crítica. São Paulo: Nova Geraçã

domingo, 26 de julho de 2026

Al-e (O Canto da Enxada)

 

Enxada suméria, uma ferramenta agrícola usada há mais de 4.000 anos na Mesopotâmia. A lâmina de bronze trapezoidal, com um cabo de madeira preso por meio de cordas ou tiras de couro embebidas em betume.

 "O Canto da Enxada" (The Song of the Hoe), em sumério Al-e (onde al significa enxada). Trata-se de uma composição literária suméria de caráter mítico, preservada em tábuas de argila e geralmente datada do período da literatura suméria clássica (aproximadamente início do II milênio a.C., com tradições mais antigas). O texto celebra a enxada como instrumento sagrado da criação, da agricultura, da construção das cidades e do surgimento da humanidade.

O canto possui 108 linhas. A seguir, alguns dos trechos mais belos:

Al-e

I. A Beleza e a Nobreza da Ferramenta

"Sua enxada era de ouro reluzente, sua lâmina era presa com pedra lápis-lazúli. A alça da sua enxada era enfeitada com prata e ouro... Sua força era verdadeiramente magnífica!"
(Linhas 11–13, 15)

"A enxada é o grão bom, a enxada é a rede protetora, a enxada é o destino decretado, a enxada é a liderança!"
(Linhas 96–97)

II. O Trabalho, a Construção e a Cidade

"De tarde a enxada constrói, de noite ela faz crescer."
(Linha 36)

"A enxada cava os alicerces e ergue as ruínas antigas. Ela arranca as ervas daninhas pela raiz."
(Linhas 50–51)

"A enxada e o cesto de tijolos são os construtores das cidades! Ela ergue a casa verdadeira, estabelece a morada justa."
(Linhas 99–100)

III. A Vida no Campo e a Prosperidade

"A enxada fez a abundância florescer. A enxada trouxe a justiça à tona. No campo fértil, ela trabalha sem limites."
(Linhas 71–73)

"No vasto campo e no solo fértil, a enxada escava e remove a terra. A força dos jovens está na enxada."
(Linhas 78–80)

"A enxada faz os frutos crescerem e limpa os canais! A enxada faz a colheita ser abundante!"
(Linhas 94–95)

IV. O Triunfo e o Encerramento

"No campo fértil, ela expande a abundância. Ela faz o solo render frutos para o seu senhor."
(Linhas 101–102)

"Tudo o que existe foi construído pela enxada! Louvada seja a enxada!"
(Linhas 82, 107)

domingo, 19 de julho de 2026

A memória da humanidade: dos símbolos pré-históricos à escrita virtual


"Meus ancestrais, ao longo da extraordinária caminhada da humanidade, deixaram suas primeiras marcas nas paredes das cavernas por meio da arte rupestre e dos petroglifos, registrando cenas de seu cotidiano, suas crenças e sua relação com o mundo. Milênios depois, os sumérios, habitantes da antiga Mesopotâmia, desenvolveram os pictogramas e aperfeiçoaram a escrita cuneiforme gravada em tabuletas de argila, criando um dos primeiros grandes sistemas de registro da humanidade. No Egito Antigo, os egípcios desenvolveram os hieróglifos, utilizando símbolos para eternizar conhecimentos, histórias e tradições nos templos e monumentos. Na China Antiga, os chineses criaram um complexo sistema de escrita ideográfica, no qual símbolos representavam ideias, conceitos e palavras, preservando uma das mais antigas tradições escritas ainda existentes. Posteriormente, os fenícios revolucionaram a comunicação humana ao desenvolverem um dos primeiros alfabetos fonéticos, influenciando os alfabetos grego e latino e muitos outros sistemas de escrita utilizados até hoje. Atualmente, como herdeiro dessa longa trajetória cultural, escrevo por meio de uma máquina e compartilho minhas ideias em um universo virtual, demonstrando que a história da escrita é também a história da humanidade em sua busca constante por preservar a memória, transmitir conhecimento e comunicar-se através do tempo."

Prof. Leandro

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Planejamento e objetivos pessoais e acadêmicos: aprendendo com o estoicismo

O filósofo romano Marco Aurélio, em sua obra Meditações (também conhecida como Memórias em algumas edições), escreveu importantes reflexões sobre como viver de maneira equilibrada e responsável. Embora tenha sido escrito há quase dois mil anos, muitos de seus ensinamentos ainda podem ser aplicados à vida dos estudantes. Para os estoicos, cada pessoa deve concentrar seus esforços naquilo que pode controlar, como suas escolhas, atitudes, dedicação e comportamento. Em vez de se preocupar apenas com os resultados, é mais importante fazer o melhor possível em cada tarefa. Esse pensamento pode ajudar os alunos a planejar seus objetivos pessoais e acadêmicos. Ter um objetivo significa saber onde se quer chegar, enquanto o planejamento consiste em organizar os passos necessários para alcançar esse objetivo. Na escola, isso pode significar estudar com frequência, realizar as atividades, respeitar professores e colegas, pedir ajuda quando necessário e persistir diante das dificuldades. Marco Aurélio também ensinava que os desafios fazem parte da vida e que eles podem fortalecer nosso caráter quando enfrentados com coragem e responsabilidade. Assim, um estudante que aprende com os próprios erros, mantém a disciplina e não desiste facilmente desenvolve habilidades importantes para o futuro. O estoicismo também incentiva a prática da honestidade, da gentileza, do respeito e da cooperação, valores essenciais para uma boa convivência. Planejar o futuro não significa saber exatamente tudo o que acontecerá, mas estar preparado para aproveitar as oportunidades e enfrentar os obstáculos com equilíbrio. Dessa forma, os ensinamentos de Marco Aurélio mostram que o sucesso nos estudos e na vida depende, principalmente, das atitudes que escolhemos cultivar todos os dias.

Você quer saber mais?

AURELIUS, Marcus. Meditações. Tradução de Jaime Bruna. São Paulo: Cultrix, 2019.

União Ibérica e a expansão da América Portuguesa

A União Ibérica ocorreu entre os anos de 1580 e 1640, quando Portugal e Espanha passaram a ser governados pelo mesmo rei, o espanhol Filipe II. Essa união aconteceu após uma crise sucessória em Portugal, provocada pela morte do rei D. Sebastião e, posteriormente, do cardeal D. Henrique, que não deixaram herdeiros. Embora os dois países continuassem existindo separadamente, possuíam o mesmo monarca, o que trouxe importantes consequências para suas colônias na América.

Durante esse período, os limites estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas perderam parte de sua importância, pois as terras portuguesas e espanholas estavam sob o domínio de um único rei. Isso favoreceu a expansão da América Portuguesa para além da linha de Tordesilhas, ampliando significativamente o território que mais tarde formaria o Brasil.

Os bandeirantes paulistas tiveram papel fundamental nesse processo. Eles organizaram expedições conhecidas como bandeiras, que penetraram o interior do continente em busca de indígenas para escravizar, metais preciosos e pedras preciosas. Além disso, contribuíram para o reconhecimento de novas regiões e para a ocupação de áreas antes pouco exploradas pelos portugueses.

Outra importante atividade foi a expansão da pecuária, que avançou para o interior do território, principalmente pelo Nordeste e pelo Sul da colônia. As missões jesuíticas também participaram da ocupação de novas áreas, promovendo a catequese dos povos indígenas e estabelecendo aldeamentos.

Com o fim da União Ibérica, em 1640, Portugal recuperou sua independência. Entretanto, a expansão territorial realizada durante esse período foi, em grande parte, mantida e posteriormente reconhecida por acordos diplomáticos, como o Tratado de Madri, assinado em 1750. Dessa forma, a União Ibérica foi um dos acontecimentos mais importantes para a formação do extenso território brasileiro conhecido atualmente.

Você quer saber mais?

FAUSTO, Boris. História do Brasil. 14. ed. São Paulo: Edusp, 2019.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

VAINFAS, Ronaldo et al. História: Brasil e Mundo. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2016.