Entre 1964 e 1985, o Brasil viveu um período de governo autoritário iniciado após o movimento civil-militar que derrubou o presidente João Goulart. Durante esses 21 anos, cinco militares ocuparam a Presidência da República: Humberto de Alencar Castelo Branco, Artur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo. O primeiro deles foi Castelo Branco, que governou de 1964 a 1967 e promoveu mudanças na organização política e econômica do país, ao mesmo tempo em que foram adotadas medidas que limitaram direitos políticos e fortaleceram o controle do governo. Em seu governo foram publicados atos institucionais, entre eles o AI-2, que extinguiu os partidos políticos existentes e estabeleceu novas regras para a organização partidária. Em 1967, Costa e Silva assumiu a Presidência e seu governo foi marcado pelo aumento das manifestações de oposição e pela crescente tensão política. Em dezembro de 1968, foi decretado o AI-5, que ampliou os poderes do governo e aprofundou a repressão política.
Após Costa e Silva deixar o cargo por problemas de saúde, uma junta militar governou provisoriamente até a escolha de Emílio Garrastazu Médici, que presidiu o país entre 1969 e 1974. Seu governo ficou marcado pelo forte crescimento econômico conhecido como “Milagre Econômico”, mas também por intensa repressão política, censura e perseguição aos opositores do regime. O período também foi marcado pela atuação de órgãos de informação e repressão, que acompanhavam estudantes, políticos, trabalhadores, religiosos e outras pessoas consideradas adversárias do governo. Em 1974, Ernesto Geisel assumiu a Presidência e iniciou um processo de abertura política apresentado como lento, gradual e seguro. Durante seu governo, algumas medidas de distensão foram adotadas, embora a repressão e as disputas políticas ainda continuassem.
Em 1979, João Baptista Figueiredo assumiu o governo e deu continuidade ao processo de abertura, período em que foi aprovada a Lei da Anistia e ocorreram mudanças que contribuíram para a retomada da vida política democrática. O regime militar chegou ao fim em 1985, quando José Sarney assumiu a Presidência após a eleição indireta de Tancredo Neves, que não chegou a tomar posse. Esse período deixou marcas profundas na história brasileira, envolvendo mudanças econômicas, transformações sociais, censura, restrições políticas e graves violações de direitos humanos, posteriormente investigadas pela Comissão Nacional da Verdade. Conhecer os governos desses cinco militares ajuda a compreender as diferentes fases do período, desde a instalação do regime até o processo de abertura política que levou à redemocratização do Brasil.
Você quer saber mais?
FICO, Carlos. O golpe de 1964: momentos decisivos. Rio de Janeiro: FGV, 2014.
BRASIL. Comissão Nacional da Verdade. Relatório da Comissão Nacional da Verdade. Brasília: CNV, 2014.
GASPARI, Elio. A ditadura envergonhada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
NAPOLITANO, Marcos. 1964: História do regime militar brasileiro. São Paulo: Contexto, 2014.
SKIDMORE, Thomas E. Brasil: de Castelo a Tancredo, 1964-1985. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
Nenhum comentário:
Postar um comentário