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quarta-feira, 9 de abril de 2025

A visão criacionista cristã: Deus como autor da criação.

 O criacionismo cristão é uma cosmovisão que afirma que Deus é o criador do universo, da Terra, da vida e do ser humano, conforme descrito na Bíblia Sagrada. Essa crença se baseia principalmente no livro de Gênesis, que relata a criação em seis dias e apresenta Adão e Eva como os primeiros seres humanos, criados à imagem e semelhança de Deus.

Para os criacionistas, a Terra e o universo não surgiram por acaso, mas foram cuidadosamente planejados por um Criador inteligente. Muitos seguem o chamado criacionismo da Terra jovem, que considera que o mundo foi criado há cerca de 6.000 a 10.000 anos, com base em genealogias bíblicas e em estudos de estudiosos como James Ussher.

Criacionistas também apresentam argumentos científicos para sustentar sua visão. Um exemplo é a complexidade irredutível de certos sistemas biológicos, como o motor flagelar de bactérias, que, segundo autores como Michael Behe, não poderiam ter surgido por etapas sucessivas, pois dependem de todas as suas partes funcionando ao mesmo tempo.

Outro ponto citado é a quantidade de carbono-14 em fósseis e carvão. Segundo estudos realizados por laboratórios independentes, traços de carbono-14 foram encontrados em materiais supostamente com milhões de anos, o que, segundo criacionistas, seria incompatível com uma Terra tão antiga.

Além disso, criacionistas apontam para o registro fóssil, onde fósseis de diferentes grupos aparecem de forma abrupta e complexa, sem formas intermediárias claramente definidas. Esse fenômeno é interpretado por muitos como evidência de uma criação súbita, como descrita na Bíblia.

O criacionismo cristão não é apenas uma explicação sobre as origens, mas também uma visão de mundo que reconhece propósito, moralidade e design no universo. Para os que seguem essa crença, a ciência e a fé podem caminhar juntas, cada uma revelando aspectos diferentes da criação divina.

Você quer saber mais?

HAM, Ken. A mentira: evolução. 2. ed. Porto Alegre: Chamada da Meia-Noite, 2003.

MORRIS, Henry M. A ciência da criação. São Paulo: Casa Publicadora Batista Regular, 1995.

BEHE, Michael J. A caixa preta de Darwin: o desafio da bioquímica à teoria da evolução. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.

A Jornada da Evolução Humana: Dos Australopithecos ao Homo sapiens sapiens.

A evolução humana é um processo longo e complexo, marcado por diversas espécies que contribuíram para o desenvolvimento do Homo sapiens moderno. Entre os primeiros hominídeos conhecidos estão os Australopithecus, que viveram na África há cerca de 4 milhões de anos. Eles já andavam eretos, mas ainda apresentavam características simiescas, como um cérebro pequeno e braços longos. A espécie mais famosa desse gênero é a Australopithecus afarensis, cujo fóssil mais conhecido é “Lucy”.

Com o tempo, surgiu o Homo habilis, há aproximadamente 2,5 milhões de anos. Considerado o primeiro representante do gênero Homo, ele tinha um cérebro maior que o dos australopitecos e é conhecido pelo uso rudimentar de ferramentas de pedra, o que lhe conferiu o nome “habilis”, ou “hábil”.

Posteriormente, apareceu o Homo erectus, há cerca de 1,9 milhão de anos. Esta espécie foi a primeira a deixar a África e espalhar-se por partes da Ásia e da Europa. Com um corpo mais adaptado ao bipedalismo e um cérebro maior, o Homo erectus também dominava o fogo, caçava em grupo e fabricava ferramentas mais complexas.

Entre 800 mil e 200 mil anos atrás, desenvolveu-se o Homo sapiens arcaico, um grupo que apresenta características intermediárias entre o Homo erectus e o Homo sapiens moderno. Eles tinham um cérebro maior, estruturas corporais mais robustas e já demonstravam comportamentos culturais mais avançados.

A espécie Homo sapiens neanderthalensis, ou Neandertal, habitou principalmente a Europa e partes da Ásia entre 400 mil e 40 mil anos atrás. Eles possuíam um corpo robusto, adaptado ao frio, e eram culturalmente sofisticados: enterravam os mortos, fabricavam ferramentas de pedra avançadas e provavelmente possuíam linguagem.

Por fim, surgiu o Homo sapiens sapiens, ou ser humano moderno, há cerca de 300 mil anos na África. Essa subespécie é caracterizada por um cérebro altamente desenvolvido, capacidade de raciocínio abstrato, linguagem complexa, arte e cultura simbólica. Foi essa espécie que se espalhou por todos os continentes e desenvolveu civilizações complexas.

A história da humanidade é, portanto, uma trajetória marcada por mudanças anatômicas e culturais profundas. Cada uma dessas espécies contribuiu de maneira essencial para a formação do ser humano como o conhecemos hoje.

Você quer saber mais?

TATTERSALL, Ian. O caso do homem de Neandertal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

LEAKEY, Richard; LEWIN, Roger. Origens da humanidade: o início da cultura e da evolução humana. Rio de Janeiro: Campus, 1996.

STRINGER, Chris; ANDREWS, Peter. O que nos torna humanos: uma resposta científica à questão fundamental da existência. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

domingo, 6 de abril de 2025

Fusos horários

 Você já ouviu falar que enquanto estamos almoçando no Brasil, as pessoas na Europa já estão jantando? Isso acontece por causa dos fusos horários!

A Terra gira em torno de si mesma em um movimento chamado rotação, que dura 24 horas. Por isso, dividimos o planeta em 24 partes, chamadas de fusos horários, para organizar melhor o tempo em cada lugar do mundo.

Cada fuso horário tem 15 graus de longitude. Isso acontece porque a Terra é uma esfera com 360 graus, e se dividirmos 360 graus por 24 horas, teremos 15 graus por hora. Ou seja, a cada 15 graus que a Terra gira, se passa 1 hora.

O fuso horário zero é o que passa por uma cidade da Inglaterra chamada Greenwich. Por isso, ele é chamado de horário de Greenwich ou GMT (Greenwich Mean Time). A partir dele, contamos os outros fusos: para o leste, adicionamos horas (+), e para o oeste, subtraímos horas (–).

Por exemplo: se em Greenwich são 12 horas (meio-dia), em um lugar que está a um fuso para o leste, já são 13 horas, e a um fuso para o oeste, são 11 horas.

O Brasil é um país muito grande e está localizado a oeste de Greenwich. Por isso, o horário aqui é atrasado em relação à Europa. Além disso, o Brasil possui quatro fusos horários diferentes, porque o país se espalha por muitos graus de longitude.

Saber sobre fusos horários é muito importante para organizar viagens, fazer ligações internacionais e entender notícias e eventos ao redor do mundo. Agora você já sabe por que nem todo mundo está vivendo o mesmo horário ao mesmo tempo!

A Terra é como um grande relógio girando. E os fusos horários nos ajudam a entender em que hora do "relógio" cada lugar do mundo está.

Você quer saber mais?

MOREIRA, João Carlos; SENE, Eustáquio de. Geografia geral e do Brasil: espaço geográfico e globalização. 6. ed. São Paulo: Scipione, 2010.

VESENTINI, José William. Sociedade e espaço: geografia geral e do Brasil. 6. ed. São Paulo: Ática, 2009.


quinta-feira, 27 de março de 2025

A Revolução de 1930 e o fim da República Velha no Brasil

O fim da República Velha no Brasil ocorreu em 1930, com a Revolução liderada por Getúlio Vargas. Esse período, iniciado em 1889, foi marcado pela política do café com leite, na qual São Paulo e Minas Gerais se revezavam no poder. No entanto, a crise econômica de 1929, que afetou a exportação do café, gerou descontentamento, principalmente entre as oligarquias dissidentes e os militares.

A crise se agravou quando o presidente Washington Luís apoiou Júlio Prestes nas eleições de 1930, rompendo o pacto com Minas Gerais. A oposição, formada por gaúchos, mineiros e paraibanos, lançou a Aliança Liberal, com Vargas como candidato. Após a derrota nas urnas e o assassinato de João Pessoa, líder da Paraíba, eclodiu a Revolução de 1930.

As forças de Vargas avançaram rapidamente, contando com o apoio de setores insatisfeitos das Forças Armadas. Em 24 de outubro, Washington Luís foi deposto, e Vargas assumiu o poder, iniciando um governo provisório. Esse evento marcou o fim da política das oligarquias, dando início a um período de modernização do Estado e transformações sociais e econômicas. A Revolução de 1930 é considerada o marco do início da Era Vargas e da centralização do poder no Brasil.

A queda da República Velha foi resultado de uma série de crises políticas, econômicas e sociais que enfraqueceram o domínio das oligarquias agrárias. A crise de 1929, com a queda da Bolsa de Nova York, afetou gravemente a economia brasileira, que dependia da exportação do café. O modelo político da política do café com leite gerava insatisfação, principalmente entre militares, setores urbanos e oligarquias excluídas do poder.

O tenentismo, movimento militar que criticava a corrupção e a falta de participação popular, também desestabilizou o regime. A eleição de 1930, marcada pela vitória de Júlio Prestes e pela suspeita de fraude, ampliou as tensões. O assassinato de João Pessoa, candidato a vice na chapa de Getúlio Vargas, foi o estopim para a Revolução de 1930. Com o avanço das tropas rebeldes e a perda de apoio militar, o presidente Washington Luís foi deposto em 24 de outubro de 1930, marcando o fim da República Velha e a ascensão de Vargas ao poder.

Você quer saber mais?

FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia de Almeida Neves. O Brasil Republicano: o tempo do liberalismo excludente – da Proclamação da República à Revolução de 1930. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2013.

CARONE, Edgard. A República Velha (1889-1930). São Paulo: Difel, 1974.

segunda-feira, 3 de março de 2025

O Golpe Republicano: A Traição ao Império e a Verdadeira Razão da Queda

    A Proclamação da República em 1889 foi, acima de tudo, um golpe contra uma monarquia que, apesar de seus desafios, construiu as bases da nação brasileira com estabilidade e progresso. O Império, sob Dom Pedro I e, principalmente, Dom Pedro II, garantiu um Brasil unido, respeitado e com instituições que funcionavam. A monarquia promoveu avanços na educação, infraestrutura e cultura, além de manter a unidade nacional em um território imenso e diverso.

    O que realmente motivou a queda do regime imperial não foi o desejo popular, pois o povo não participou do golpe republicano. A traição partiu das elites agrárias, especialmente os cafeicultores, que nunca perdoaram a abolição da escravidão em 1888. Com a libertação dos escravizados, os grandes fazendeiros perderam sua mão de obra barata e buscaram um regime que atendesse melhor seus interesses econômicos. Foi essa elite, aliada a militares insatisfeitos, que conspirou contra um governo que já mostrava sinais de modernização.

    O Marechal Deodoro da Fonseca, que jurou lealdade ao imperador, traiu sua palavra ao liderar o golpe, influenciado por ambições pessoais e pela pressão de grupos que desejavam mais poder. A República nasceu sem consulta popular, imposta de cima para baixo, resultando em décadas de instabilidade, golpes, ditaduras e crises. Enquanto o Império buscava a ordem e o desenvolvimento, a República inaugurou uma era de desmandos e retrocessos, entregando o Brasil aos interesses oligárquicos que só serviram para aumentar as desigualdades.

Você quer saber mais?

REZZUTTI, Paulo. D. Pedro II: O último imperador do Novo Mundo. São Paulo: LeYa, 2019.

CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem: a elite política imperial e Teatro de sombras: a política imperial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

DORATIOTO, Francisco. Maldita Guerra: Nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Maragatos (lenço vermelho) e Pica-Paus (lenço branco) na Revolução Federalista

 Durante a Revolução Federalista (1893-1895), os principais grupos em conflito no Rio Grande do Sul eram os maragatos e os pica-paus, representando lados opostos em uma disputa política e militar que envolveu questões sobre o modelo de governo e a consolidação da República no Brasil.

Maragatos

Quem eram? Os maragatos eram federalistas, favoráveis a um sistema político descentralizado, com maior autonomia para os estados.

Liderança: Eram liderados por figuras como Gumercindo Saraiva, Silveira Martins e outros líderes dissidentes do centralismo republicano.

Origem do nome: O termo "maragato" pode ter origem na região de Maragatería, na Espanha, de onde vinham alguns colonizadores. Também foi associado aos federalistas como uma forma pejorativa.

Símbolo: Usavam o lenço vermelho como distintivo.

Objetivos

Se opunham ao governo republicano centralista de Floriano Peixoto e seus aliados regionais, como Júlio de Castilhos no Rio Grande do Sul.

Queriam restaurar um regime mais parecido com o parlamentarismo monárquico ou pelo menos um federalismo mais amplo.

Ações: Utilizavam táticas de guerrilha e contavam com tropas móveis que frequentemente cruzavam fronteiras com o Uruguai e a Argentina.

Pica-Paus

Quem eram? Os pica-paus eram republicanos, defensores do governo centralista e aliados do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), liderado por Júlio de Castilhos.

Liderança: Júlio de Castilhos, com apoio do governo federal de Floriano Peixoto, liderou as forças republicanas no estado.

Origem do nome: O apelido "pica-paus" foi dado pelos federalistas, referindo-se ao uniforme das tropas republicanas, que incluía chapéus de abas viradas que lembravam o formato da cabeça de um pica-pau.

Símbolo: Usavam o lenço branco como distintivo.

Objetivos

Defender o modelo republicano centralizado proposto pela Constituição de 1891.

Manter Júlio de Castilhos no poder no Rio Grande do Sul e consolidar a República no estado e no país.

Ações: Eram militarmente organizados, com o apoio do Exército Brasileiro e armamento moderno, e usavam estratégias de repressão severa.

Conflito entre os dois grupos

Causas: A Revolução Federalista começou devido à oposição dos maragatos ao governo centralizador de Júlio de Castilhos, que, com base na Constituição estadual de 1891, concentrava amplos poderes no executivo.

Ações principais

Os maragatos começaram o conflito com ataques violentos contra posições governistas, tentando tomar o poder no estado.

Os pica-paus resistiram com o apoio do governo federal, recorrendo a uma repressão dura, incluindo o uso de execuções sumárias, como no episódio da degola.

Fim do conflito: A guerra terminou em 1895 com a vitória dos pica-paus, consolidando o poder republicano e centralista no Rio Grande do Sul. O Tratado de Paz de Pelotas trouxe um cessar-fogo, mas deixou ressentimentos profundos.

Símbolos e legado

A disputa entre maragatos (lenço vermelho) e pica-paus (lenço branco) tornou-se parte da identidade histórica e cultural do Rio Grande do Sul.

O conflito é lembrado como um dos mais sangrentos da história do Brasil, com estimativas de 10.000 a 15.000 mortos.

As rivalidades políticas e os valores representados por cada grupo continuaram a influenciar a política gaúcha durante a República Velha e além.

Em resumo, os maragatos e os pica-paus simbolizaram uma polarização política e social que refletia o embate entre federalismo e centralismo, em um momento crítico da consolidação republicana no Brasil.