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domingo, 26 de julho de 2026

Al-e (O Canto da Enxada)

 

Enxada suméria, uma ferramenta agrícola usada há mais de 4.000 anos na Mesopotâmia. A lâmina de bronze trapezoidal, com um cabo de madeira preso por meio de cordas ou tiras de couro embebidas em betume.

 "O Canto da Enxada" (The Song of the Hoe), em sumério Al-e (onde al significa enxada). Trata-se de uma composição literária suméria de caráter mítico, preservada em tábuas de argila e geralmente datada do período da literatura suméria clássica (aproximadamente início do II milênio a.C., com tradições mais antigas). O texto celebra a enxada como instrumento sagrado da criação, da agricultura, da construção das cidades e do surgimento da humanidade.

O canto possui 108 linhas. A seguir, alguns dos trechos mais belos:

Al-e

I. A Beleza e a Nobreza da Ferramenta

"Sua enxada era de ouro reluzente, sua lâmina era presa com pedra lápis-lazúli. A alça da sua enxada era enfeitada com prata e ouro... Sua força era verdadeiramente magnífica!"
(Linhas 11–13, 15)

"A enxada é o grão bom, a enxada é a rede protetora, a enxada é o destino decretado, a enxada é a liderança!"
(Linhas 96–97)

II. O Trabalho, a Construção e a Cidade

"De tarde a enxada constrói, de noite ela faz crescer."
(Linha 36)

"A enxada cava os alicerces e ergue as ruínas antigas. Ela arranca as ervas daninhas pela raiz."
(Linhas 50–51)

"A enxada e o cesto de tijolos são os construtores das cidades! Ela ergue a casa verdadeira, estabelece a morada justa."
(Linhas 99–100)

III. A Vida no Campo e a Prosperidade

"A enxada fez a abundância florescer. A enxada trouxe a justiça à tona. No campo fértil, ela trabalha sem limites."
(Linhas 71–73)

"No vasto campo e no solo fértil, a enxada escava e remove a terra. A força dos jovens está na enxada."
(Linhas 78–80)

"A enxada faz os frutos crescerem e limpa os canais! A enxada faz a colheita ser abundante!"
(Linhas 94–95)

IV. O Triunfo e o Encerramento

"No campo fértil, ela expande a abundância. Ela faz o solo render frutos para o seu senhor."
(Linhas 101–102)

"Tudo o que existe foi construído pela enxada! Louvada seja a enxada!"
(Linhas 82, 107)

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