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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Imhotep, o homem de múltiplas facetas.



Imhotep. (Imagem: Brooklin Museum of New York.)

Considerado o fundador da medicina egípcia, seu nome em grego significa “aquele que vem em paz”. Personagem emblemática, viveu entre 2800 a.jC. e 2700 a.C. e foi um homem  de múltiplas facetas. Vizir e arquiteto do rei Djeser (III dinastia), era também filósofo. No pedesral de uma estátua do rei Dejeser, ele é apresentado como “o chanceler do rei do Baixo Egito, o primeiro após o rei do Alto Egito, administrador do palácio, nobre herdeiro, grande sacerdote de Heliópolis, Imhotep, o construtor, o escultor.

Djeser faraó da III dinastia, obteve um oficial extraordinário, o primeiro indivíduo revelado por registros humanos: Imhotep. Esse homem parece ter vindo originalmente do templo de Rá, o deus-Sol, em Heliópolis. Djeser o transformou no segundo homem do reino, concedeu-lhe a prestigiosa situação de participar da família régia e o divinizou virtualmente, permitindo que suas distinções fossem inscritas em sua própria estátua no complexo funeral régio de Sakkara, que Imhotep construíra para ele: “O Ministro do Rei do Baixo Egito, o primeiro depois do Rei do Alto Egito, administrador do grande palácio, chefe hereditário, o Sumo Sacerdote de Heliópolis, Imhotep, o construtor, o escultor, o realizador de vasos de pedra”.

Pode  ele ter sido todas essas coisas? A imagem de Imhotep transmitida a gerações posteriores foi a de um gênio universal, mas principalmente, a de um médico fundador do sistema egípcio de medicina considerado por muitos o mais importante do mundo antigo.

Divinizaram-no como o próprio deus da cura no tempo de ptolomeu, os gregos o igualaram a Asclépio. O que podemos assegurar é que ele foi um arquiteto de originalidade e visão incomparáveis. Seu próprio tempo o chamou, curiosamente, de “o realizador de vasos de pedra”. O vaso de pedra se tornou a primeira grande conquista da cultura egípcia. Nos dias de Imhotep, eles eram feitos em quantidades surpreendentes; mais de 40 mil deles foram encontrados no complexo de Djeser, ainda que muitos possam ter sido trazidos por ele de tumbas dinásticas anteriores, tentando anular a ação dos saqueadores. Vale lembrar que, para confeccionar e polir todos esses objetos, milhares de horas e homens eram necessários. Imhotep foi o primeiro a fazer uso integral das técnicas dos pedreiros em monumentos arquitetônicos. Tradicionalmente, os egípcios construíam com adobes oblongos compostos da lama do Nilo, areia e pedaços de palha.

Imhotep concebeu, a primeira construção inteiramente pétrea da história, mas não parou por aí: ele ousou rematar a obra com uma Pirâmide em Degraus – e circundá-la com um enorme complexo de pedra constituído por um grupo de templos, altares e dependências afins. Toda a disposição desse projeto foi baseada no grande palácio real de Mênfis com seus muros e ameias.

 Estátua de bronze de Imhotep. (Foto: Rafal Cichawa, Equipe Dreamstime).

Predemos a respiração ao pensar na audácia de Imlhotep e no rigor com que levou seu projeto adiante. Grande parte do que ele erigiu tem sido reconstruída, tal qual originalmente, com blocos de silar, fazendo-nos compreender suas reais dimensões e tamanho. Imhotep instaurou a glória arquitetônica mais marcante não só do Antigo Império mas dea civilização egípcia como um todo. Igualmente surpreendente é a coragem e aoriginalidade de cada detalhe. A partir de uma criativa petrificação das plantas de papiros, tradicionalmente utilizadas na construções com lama e colmo , Imhotep inventou o pilar de pedra e a arquitrave. Ele também se utilizou de caneluras abstratas em suas colunas. Em meados de 1920, quando o complexo foi amplamente escavado pela primeira vez, os arqueólogos ficaram atônitos ao ver o que aparentemente eram colunas dóricas emergindo das areias e detritos. Como elas podiam ter sido construídas 2 mil anos antes dos gregos? Mas as pedras não mentiam: Imhotep, o Leonrado de Mênfis, ofuscara os tempos clássicos.

O gigantesco complexo é um exercício de compreeensão teológica superior, cujo propósito era ser constrruído para a eternidade. Imhotep foi o primeiro a pensar na associação entre a pedra e imortalidade. Ele não tornou a tumba de Sjeser apenas dum espaçoso empório de vasos de pedra, mas reproduziu em pedras cada elemento material do cotidiano egípcio do segundo quarto do terceiro milênio. Portas de madeira, dobradiças de cobre, esteiras e ferrolhos de metal foram todos imitados, fidedigna e exatamente, em pedra. De fato, ele petrificou um ativo palácio egípcio de mais ou menos 2650 a.C. em uma tumba que durasse para sempre, assegurando, assim, a imortalidade do rei e de seus dependentes (ele próprio incluíndo). Ele também abasteceu o palácio tumbal com bens petrificados: de cestos de palha a tecelagens, de potes de metal a rebites...tudo reproduzido em pedra.

 Pirâmide escalonada de Djoser em Saqqara, obra de Imhotep. (Foto: Shariff Che'Lah, Equipe Dreamstime).

Imhotep coroou sua obra-prima com a compacta abstração da Pirâmide em Degraus, ela própria uma petrificação osimbólica da realeza perene. Ninguém jamais havia visto uma construção como essa no mundo. Tanto da capital, MNênfis, quanto do deserto e do vale, mesmo a muitos quilômetros de distância, ela se fazia plenamente visível, mas era muito mais do que um ponto de referência espetacular. Pela primeira vez, espaços imensos não foram organizados com fins utilitários, mas pela procura consciente de um objetivo artístico inspirado por concepções religisosas. A realização desse projeto apoteótico de pedra demonstrou, como nunca até então, a capacidade e a habilidade da humanidade organizada. Construções de pedra ainda eram uma novidade; memso em direçaõ ao fim da Segunda Dinastia, quando os anos de reinado eram caractereizdos antes por eventos do que por números, um deles foi descrito como “O ano em que o prédio ‘A deusa Robustece’ foi construído em pedra”. O complexo pétreo e triunfal de Imhotep parece ter inspirado, nos egípcios e no faraó, uma paixão pela construção em pedra, que se transformou talvez na mais estranha obsessõa his´toriaca. Ainda é difícil compreende-la inteiramente, mas para que isso possa acontecer temos de alcançar o sentido da própria função faraônica e de sua importância para o povo egípcio.

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Você quer saber mais?

JOHNSON, Paul. Coleção História Ilustrada: Egito Antigo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2010.






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Plínio Salgado.