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segunda-feira, 21 de março de 2011

Lendas e Mitos brasileiros.

As lendas são estórias contadas por pessoas e transmitidas oralmente através dos tempos. Misturam fatos reais e históricos com acontecimentos que são frutos da fantasia. As lendas procuraram dar explicação a a contecimentos misteriosos ou sobrenaturais.

Os mitos são narrativas que possuem um forte componente simbólico. Como os povos da antiguidade não conseguiam explicar os fenômenos da natureza, através de explicações científicas, criavam mitos com este objetivo: dar sentido as coisas do mundo. Os mitos também serviam como uma forma de passar conhecimentos e alertar as pessoas sobre perigos ou defeitos e qualidades do ser humano. Deuses, heróis e personagens sobrenaturais se misturam com fatos da realidade para dar sentido a vida e ao mundo.

- Angoéra (Fantasma, em guarani) - "Nos sete povos das Missões, no Pirapó, ainda no tempo dos padres jesuítas, vivia um índio muito triste, que se escondia de tudo e de todos pelos matos e peraus. Era um verdadeiro fantasma e por isso era chamado de Angoéra (fantasma, em guarani)." (Mitos e Lendas do RS, Antonio A.Fagundes )

- Anhangá (Protetor da caça) - Espírito que vaga pela mata como um fantasma ou assombração. Sua presença pode ser detectada por um assobio e depois disso, o animal que estava sendo caçado, simplesmente desaparece. Ele pode assumir a forma de diferentes animais mas uma delas parece ser a preferida: a do cervo garboso, com olhos de fogo e cruz na testa, que além de enganar os caçadores, desviando o tiro de suas armas rumo às pessoas queridas, provoca febre, loucura e visões em que o vê. Anhangá é considerado como um protetor da vida na floresta. Segundo a mitologia popular, qualquer pessoa atacada por um animal selvagem, pode salvar-se gritando: ''Valha-me Anhangá!"./ Anhangá é um espírito que vive nas matas, podendo assumir diversas formas quando visível: macaco, morcego, rato, pássaro etc. Ele assinala sua presença com um assobio e a caça desaparece, o que nos remete à imagem e função de protetor. Uma das formas que o anhangá pode assumir é a de um portentoso gamo ou cervo, de cor avermelhada, chifres cobertos de pêlos, olhos de fogo e uma cruz na testa, ou ainda um grande veado branco, que desvia o caçador do seu objetivo. Pode-se compactuar com o anhangá, prometendo tabaco em troca da embiara pretendida. (Painel de Mitos & Lendas da Amazônia, Franz Kreuter Pereira, Belém, 1994)
- Arranca-Língua - Monstro dos sertões do Estado de Goiás. Nas cidades chamam-no de King-Kong. Outro nome com o qual é chamado é o de Bicho-Homem. Seria um tipo humano, peludo, escuro, que se alimentava das línguas das vacas. Este é, pois, seu malefício: dizima rebanhos inteiros para comer somente a língua. Ataca desferindo urros paralizantes. Deixa pegadas nítidas, de aproximadamente 48 centímetros. - Árvores Encantadas - (Alagoas) Surgem à beira das estradas e caminhos desertos. Geralmente encontradas por caçadores que aparecem e desaparecem. - Avati - É herói guarani. Em uma época de grande fome, dois guerreiros procuravam algo o que comer quando depararam-se com um enviado de Nhandeiara - o grande espírito. Este disse-lhes que a solução para a sua procura inútil seria uma luta de morte entre os dois. O vencido seria sepultado no local em que caísse e logo do seu corpo brotaria uma planta cujas sementes, replantadas e depois comidas resolveriam para sempre o problema com alimentação. Assim fizeram. Avati, um dos dois, foi morto e de sua cova nasceu a planta de milho.
- Barba Ruiva - Era um homem de cabelos e barbas avermelhados. De tempos em tempos, sai da água e deita-se na areia tomando banho de sol. Quem o viu afirma que traz as barbas, as unhas e o peito cobertso de lodo. Não foge ao encontrar os mortais, mas nunca lhes dirigiu qualquer palavra. Apesar de pacífico , é objeto de medo e todos fogem dele. Diz-se que era filho de uma mulher que não o desejava e esta o jogou em uma caçimba. Imediatamente depois, do solo, água abundante surgiu e criou-se um lago onde, à noite, ouviam-se relinchos, bater de pratos e o choro de uma criança.
- Boitatá ou mboitatá ou mboi-tatá (Gênio protetor dos campos) - É uma cobra-de-fogo (boia = cobra + atatá = fogo), que vaga pelos campos, protegendo-os contra aqueles que os incendeiam. Serpente transparente que incandescia como se estivesse queimando por dentro. O padre José de Anchieta, em 1560, é o primeiro a mencionar a boitatá como personagem do mito indígena brasileiro. Esse é o nome dado pelos índios ao fogo fátuo. É um fogo de cor azul-amarelado, que não queima o mato seco e nem tampouco esquenta a água dos rios, o fogo simplesmente rola, gira, corre, arrebentando-se e finalmente apagando-se. " ...Quem encontra a boitatá pode até ficar cego... Quando alguém topa com ela só tem dois meios de se livrar: ou ficar parado, muito quieto, de olhos fechados apertado e sem respirar, até ir-se ela embora, ou, se anda a cavalo, desenrodilhar o laço, fazer uma armada grande e atirar-lha por cima, e tocar a galope, trazendo o laço de arrasto, todo solto, até a ilhapa! " Lendas do Sul, J. Simões L. Neto - Lenda da Boitatá.
- Boiúna (Cobra grande) - Lenda muito difundida na Amazônia. Boiúna seria uma cobra gigantesca que vive no fundo dos rios, lagos e igarapés. Tem um corpo tão brilhante que é capaz de refletir o luar. Os olhos irradiam uma luz poderosa que atrai os pescadores que se aproximam pensando se tratar de um barco grande. Quando se aproximam viram alimento da boiúna. Quando fica velha, a cobra vem para a terra. Como é muito grande e desajeitada fora d'água, para conseguir alimento, conta com a ajuda da centopéia de 5 metros. O mito da boiúna fala de uma descomunal serpente que vive no fundo de gdes lagos, rios e igarapés, num lugar chamado "boiaçuquara" ou "morada da cobra grande". Seu corpo lustroso, refletindo a luz do luar, e seus olhos, que brilham no escuro como archotes, iludem os pescadores incautos, que, pensando tratar-se de um navio aproximam-se e são devorados. Qdo atinge a velhice, passa a viver em terra, onde é auxiliado pela Centopéia na obtenção de alimento, pois sua locomoção em terra é difícil e desajeitada. O povo da mata afirma que, qdo a centopéia anda pela mata, seu caminhar produz um som que lembra o tamborilar da chuva caindo, e diz ainda que ela mede 5 metros de comprimento. (Painel de Mitos & Lendas da Amazônia, Franz Kreuter Pereira, Belém, 1994.)
- Boto - Este mamífero, de temperamento afável e brincalhão, pode ser encontrado tanto em águas salgadas como doces. O boto cor-de-rosa, personagem principal de uma das lendas mais populares da Amazônia, é chamado também de boto tucuxi (Sotalia fluviatilis), uma das espécies encontradas na Amazônia e considerado amigo do homem (acredita-se que se dedicam a proteger os seres humanos dos perigos). O boto é descrito como rapaz bonito, bem vestido e de chapéu na cabeça, para que não vejam o orifício por onde respira. Boêmio e ótimo dançarino, nos bailes encanta as moças, leva-as para igarapés afluentes do Amazonas e as engravida. Antes da madrugada, mergulha no rio e se transforma em boto. Sempre aparece nas casas onde vivem mulheres jovens e bonitas. Ele aproveita a ausência dos homens e se transforma num belo rapaz. Sempre vestido de branco, seduz as moças e nenhuma delas consegue resistir ao seu encanto. Na Amazônia, sempre que há um caso de paternidade desconhecida a mulher diz que foi o boto e, na região, ninguém duvida da história, o que deu origem à expressão regionalista: "Foi o boto, sinhá!" A credibilidade no mito é tamanha que há casos de pescadores perseguindo e matando o pobre cetáceo, por achá-lo responsável pela gravidez indesejada de suas filhas ou mulheres. Os homens também podem ser alvo do boto. Ele ataca quando quer se vingar pelo roubo de uma namorada. Por causa disso, sempre que um pescador sai sozinho leva uma cabeça de alho como proteção. "A crença do boto, o delfim fluvial do Amazonas, tornou-se poderoso instrumento de corrupção. Os Don Juan citadinos, os regatões dos negociantes de quinquilharias, que são a praga do comércio amazônico e que viajam de um porto a outro vendendo suas mercadorias falsificadas por preços vergonhosamente onzenários. Rebutalho da civilização eles não hesitam em se prevalecer da superstição dos tapuios. Muito arraigada está a crença nos poderes do olho de boto; tais objetos atraem às praias as jovens índias para ludibriá-las. O boto tem as costas largas: um desaparecimento, ou uma gravidez, é logo colocada à sua conta..." diz Frederico José de S. Néri em Folclore Brasileiro . / Fontes: Almanaque Abril 1995. Reza a lenda que o boto costuma perseguir as mulheres que viajam pelos rios e igarapés; às vezes, tenta virar a canoa em que elas se encontram, e suas investidas se acentuam quando percebem que há mulheres menstruadas ou mesmo grávidas. Ele, o boto, é o grande encantador dos rios. Transformando-se num belo rapaz, todo vestido de branco e portando um chapéu, para esconder o furo no alto da cabeça, por onde respira, ele percorre as vilas e povoados ribeirinhos, freqüenta as festas e seduz as moças, quase sempre engravidando-as. Há, inclusive, histórias em que a moça é fecundada durante o sono... Para se livrarem da "influência" do bicho, os caboclos vão buscar ajuda na magia, apelando para os curandeiros e pajés. O primeiro, com suas rezas e benzeduras, exorciza a vítima, e o segundo "chupa" o feto do ventre da infeliz. É esse Dom Juan caboclo, o sedutor das matas, o pai de todos os filhos cuja paternidade é "desconhecida", o que deu origem à expressão regionalista: "Foi o boto, sinhá!" A credibilidade no mito é tamanha que há casos de pescadores perseguindo e matando o pobre cetáceo, por achá-lo responsável pela gravidez indesejada de suas filhas ou mulheres. (Painel de Mitos & Lendas da Amazônia, Franz Kreuter Pereira, Belém, 1994) // Leia "A lenda do piraiauara, o boto amazônico"
- Cabeça de Cuia - É um ser alto, magro, de cabeleira farta que lhe cai sobre a testa e que sacode quando nada nos rios da região do Maranhão e do Piauí. Faz suas viagens durante as enchentes do rio Paraíba. De sete em sete anos sai à procura de uma moça, que tem que se chamar Maria; às vezes, porém, devora crianças que estejam nadando no rio. Cabeça de Cuia era um rapaz que não obedecia sua mãe e a maltratava e terminou por deixar a casa da família. Sofreu, então, uma maldição da mãe e foi condenado a viver durante 49 anos nas águas do rio Paraíba. Somente depois de comer 7 Marias é que poderá voltar ao seu estado normal. A lenda diz que sua mãe viverá enquanto ele estiver nas águas do rio.
- Caipora é sinônimo de azar, de má sorte. Segundo a mitologia tupi, um personagem das florestas, protetor das caças do mato, com a propriedade de atrapalhar os negócios de quem o vê. Quando um projeto sai errado, se diz que seu autor viu o caipora ou caapora. Dizem que é doido por fumo, parando todo viajante para conseguir uma pitada. O Caipora protege os animais selvagens e prejudica os animais domésticos. Contam que ele é capaz de ressucitar um animal morto. Os caboclos caçadores respeitam por medo a ele, algumas regras: não perseguem fêmeas grávidas e nem filhotes de qualquer animal, não caçam à sexta-feira em noite de luar e nem aos domingos e dias santos. É representado de formas diversas. Em algumas regiões, é uma indiazinha feroz. Em outras, um indiozinho ou homem de pele escura, como o curupira, só que com os pés normais e peludo, montado num porco do mato (queixada). É descrito também como criança de uma perna só, como o Saci, com a cabeça enorme, ou só um olho. "O aspecto do caipora varia conforme a impressão que causa e a pessoa que ele tem que arruinar e fazer infeliz. Freqüenta, de ordinário, as encruzilhadas e as curvas dos caminhos. Antigamente, só espantava os caminhantes a pé ou a cavalo, fazendo este passarinhar e dar com o cavaleiro ao chão. Atualmente, ele coloca pedras nas estradas de rodagem para fazer capotar os autos e caminhões; serra as vigas das pontes e dos mata-burros para causar desastres. De tempos em tempos, ele se hospeda nas povoações, cercado de inúmeros caiporinhas, que são outros tantos diabinhos, que entram no couro do pessoal festeiro, isto principalmente na época do carnaval e da queima do Judas". diz Regina Lacerda em Estórias e Lendas de Goiás e Mato Grosso. Fontes: Dicionário Univ. da Língua Portuguesa / Minidicionário Aurélio / Almanaque Abril (1995)
O caapora apresenta-se como um moleque pretinho, que cavalga porcos selvagens; mas também pode ser descrito como uma caboclinha de longos cabelos, duros feito espinhos, e que, em troca de tabaco, é capaz de dar ao caçador tanto a caça que ele deseja quanto o próprio sexo. Os índios e caboclos acreditam que, prendendo um caapora, ele é obrigado a conceder um "poderzinho" ou atender a um desejo, em troca da liberdade. A armadilha para capturá-lo e a isca utilizada consistem apenas numa cuia e aguardente. Derrama-se a cachaça na cuia, que deve ser colocada num lugar onde ele já tenha aparecido, ou no local onde tenha sido chamado previamente. Depois de ter bebido a cachaça, torna-se presa fácil para qualquer um, porém até hoje ninguém conseguiu tal façanha. Apesar de, em alguns casos, essa entidade aparecer como má e vingativa, a versão geral é a de que ele é um duende protetor da floresta e da caça. Daí alguns autores o identificarem com o curupira. (Painel de Mitos & Lendas da Amazônia, Franz Kreuter Pereira, Belém, 1994.) - Saber mais

- Caipora (caapora) (Protetor das caças do mato) - do tupi-guarani - kaá: caá - mato - kaapora: aquilo ou quem vive no mato
- Caapora s. m., (Brasil), gênio maligno que habita as florestas, segundo as lendas indígenas; azar, pouca sorte; entre os índios, homem do mato, roceiro, caipira; caipora.
- Caipora s. m., (Brasil), fogo-fátuo; fosforescência; ente fantástico que, segundo a crendice popular, percorre as estradas, dando má sorte a quem o encontra; adj. 2 gen., malfadado, infeliz; pessoa que dá ou tem azar.
- Caiporice s.f. , ou caiporismo s.m. (Brasil) - má sorte ou infelicidade constante ; cábula, peso, azar , urucubaca; macaca
- Desencaiporar v. tr., (Brasil), fazer passar a caipora a alguém; tirar o azar
- Cachorra da Palmeira - (Alagoas) Moça que não acreditava em Padre Cícero e foi transformada em cachorra que passou a correr... até hoje. - Cãoera - é uma espécie de "morcegão", um morcego muito grande, do porte de um urubu, que pode sugar todo o sangue de uma pessoa adormecida sem que ela desperte e, em seguida, devorá-la. O cãoera habita os buracos na terra e surge quando se faz "misturado de jabuti e outras carnes, no mato", ou quando "se queimam pêlos e penas de animais". Também pode surgir quando "se joga espinha de peixe na água" ou até quando "se grita na mata". (Painel de Mitos & Lendas da Amazônia, Franz Kreuter Pereira, Belém, 1994) - Caverá (Cervo Berá) - "Caverá" - Diz a lenda que a região, no passado, era território de uma triba dos Minuanos, índios bravios dos campos, ao contrário dos Tapes e Guaranis gente mais do mato. Entre esses Minuanos, destacava-se a figura de Camaco, guerreiro forte e altivo, mas vivendo uma paixão não correspondida por Ponaim, a princesinha da tribo, que só amava a própria beleza... - Saber mais - Chimbuí - O mito do chimbuí guarda certa similitude com outros mitos, como o do boto. Ele também pode se transformar em gente e engravidar as donzelas incautas que se banham nos rios e igarapés. Segundo a lenda, quando aparece uma onda em rio calmo, é o chimbuí que, invisível, vem engravidar uma donzela. O chimbuí costuma velar o sono daquela que carrega no ventre o seu filho, mas desaparece quando a futura mãe acorda. (Painel de Mitos & Lendas da Amazônia, Franz Kreuter Pereira, Belém, 1994.) - Chupa-cabras - Assemelha-se a um lobo que mata animais domésticos sugando seu sangue. "Há algum tempo vem-se falando no chupa-cabras, que teria aparecido nas zonas rurais da cidade de Sumaré, Monte Mor, Capivari e Rafard, municípios vizinhos de Campinas-SP principalmente em 1997. Alguns habitantes dessas regiões afirmam que a morte de bois e ovelhas, cuja causa mortis é desconhecida, se deve a um animal de hábitos noturnos que ninguém viu, mas que a imaginação atribui ao chupa-cabras." - Ci - Segundo as crenças indígenas tudo e todos possuem uma mãe. Esta seria Ci. Homens, minerais, plantas, animais, água, terra, fogo e ar... tudo; nasciam e eram protegidos por uma respectiva Ci, mãe criadora. "Esta mãe gerou, modelou, criou, regulamentou, governa e em muitos casos alimenta permanentemente seus filhos sem nenhuma necessidade do elemento masculino. Este é um fator característico importante: a maioria dos povos cultuam um pai, um ser masculino, o macho; o índio brasileiro, porém, considera apenas a fêmea - Ci. "O sono, a chuva, o verme, o sorriso, a fonte, a canoa - tudo tem mãe e todo indígena sabe quem é a mãe de cada coisa. Jamais fala do pai eventual das mesmas coisas. O índio brasileiro não considera a reprodução sexuada em seu universo". - Cobra Norato - A cobra Norato é um jovem encantado que durante a noite se desencanta e vira gente, assumindo sua condição humana. Norato freqüenta as festas, dança muito, namora as ribeirinhas e desaparece antes do amanhecer. A lenda diz que uma cabocla de nome Zelina deu à luz um casal de gêmeos: Honorato e Maria Caninana, duas cobras. Jogou-as no rio, onde se criaram, mas Maria Caninana vivia fazendo malvadezas até que foi morta pelo irmão, que tinha bom coração. Sempre que assumia a forma humana, ele ia visitar sua mãe, a quem implorava que o desencantasse. Para que o encanto fosse quebrado, ela deveria chegar ao corpo adormecido da serpente, pôr um pouco de leite na sua boca e ferir-lhe a cabeça, de forma que sangrasse. A mulher, por medo, nunca chegou perto do réptil, até que um soldado da guarnição da ilha de Cametá livrou o jovem da maldição. (Painel de Mitos & Lendas da Amazônia, Franz Kreuter Pereira, Belém, 1994.) / Honorato, é um rapaz encantado em uma cobra-grande e que habita no fundo do rio. Aparece no Pará. Esse mito já produziu uma obra-prima da moderna literatura brasileira: “Cobra Norato”, de Raul Bopp, livro que não pode deixar de ser lido com alegria.
- Cuca (Bruxa) - Coca em Portugal: mulher feia e velha; feiticeira; ameaça, medo, susto que se prega. Influenciada pela bruxa de origem européia é uma velha feia que ameaça crianças desobedientes, em especial as que não querem dormir à noite. Monteiro Lobato transformou a Cuca em personagem do "Sítio do Picapau Amarelo" .
Cuca - É, certamente, o mais difundido mito do ciclo do medo infantil. Não tem características físicas definidas (apesar de Monteiro Lobato, grande escritor Brasileiro, imaginá-lo como sendo um grande jacaré verde com as costas coloridas em vários tons e com uma cabeleira branca enorme que lhe cai até próximo do início da longa cauda). Sabe-se que leva os infantes insones para um sítio distante e misterioso onde deverão ser devorados ou fazer parte em alguma magia qualquer.
- Cumacanga (Pará) e Curacanga (Maranhão) - " O lobisomem cuja cabeça se solta do corpo, e que denominam cumacanga, é sempre a concubina de um padre, ou a sétima filha de seu amor sacrílego. O corpo fica em casa e a cabeça, sozinha, sai, durante a noite da sexta-feira, e voa pelos ares como uma bola de fogo. " (Luís da Câmara Cascudo, Dicionário do folclore brasileiro) // "Quando uma mulher tem 7 filhas, a última vira curacanga, isto é, a cabeça lhe sai do corpo, à noite, e, em forma de bola de fogo, gira à toa pelos campos, apavorando a quem a encontrar. Há porém meio infalível de se evitar esse hórrido fadário: é tomar a mãe a filha mais velha para madrinha da ultimogênita" (Basílio de Magalhães, Folclore no Brasil).
- Curupira (Protetor das árvores e dos animais) - Kurupira : corpo de menino - do tupi-guarani - Kurumí: menino (curumim). O curupira é um personagem mitológico, com pêlos vermelhos e pés virados, conseguindo desnortear completamente os caçadores que sempre seguem na direção contrária e ficam perdidos na floresta. Vive metido no meio do mato, habita toda a região amazônica. É o ente protetor das florestas. Pressentindo as tempestades que poderão trazer danos à floresta, bate nas árvores para que estas se despertem e assim resistam à fúria da intempéries. É considerado nosso mito mais antigo e que tem, nitidamente, uma criação livre de influências dos colonizadores. Mito conhecido de vários índios sul-americanos, na Venezuela, o chamam de Máguare. Na Colômbia, Selvage. Os incas peruanos o denominam Chudiachaque . A cabeça também varia: em alguns lugares, ele é careca, em outros tem cabeleira vermelha. Mas todos o descrevem como um anão com os pés às avessas-calcanhar para frente, dedos para trás. Seu rastro engana o caçador predador, fazendo com que se perca na floresta. Quebra o machado de quem desmata a floresta. Não varia, também, sua função de ente protetor da flora e da fauna. O curupira muitas vezes é descrito como uma entidade má e assassina, não tendo piedade dos caçadores. Por isso, os índios que nele acreditam costumam deixar artefatos como uma espécie de oferenda para que os curupiras não os ataquem. Uma de suas táticas é o uso de um assobio alto e estridente que tem o poder de desorientar o alvo, fazendo-o perder-se na mata. (Almanaque Abril, 1995 / Globinho Pesquisa, Lendas Indígenas, 1990)
Na teologia indígena, o curupira apresenta-se como um moleque de aproximadamente 7 anos, com o corpo coberto de longos pêlos e tendo os pés virados para trás. As primeiras informações foram registradas pelos portugueses, nos primeiros séculos do Descobrimento, e desde aquela época é visto como um ente maléfico, um demônio ou um mau espírito. As informações também são as mais diversas: ora é um duende benfazejo, ora um demônio mau; ora um gnomo ou um ogro. O ponto em que todos são unânimes é quanto à sua condição de deus autóctone das selvas, um protetor. Há no Brasil versões em que o curupira aparece com avantajado órgão sexual, que utiliza como tacape. Conta-se que durante as tempestades ouve-se um bater nas sapopemas e troncos de grandes árvores. É o curupira, que verifica se elas estão em condições de agüentar os fortes ventos. Noutra versão ele se utiliza de uma pesada maça ou clava, ou do próprio calcanhar, que é para a frente. Como protetor das florestas, castiga impiedosamente aquele que caça por prazer, que mata as fêmeas prenhas e os filhotes indefesos, mas ampara o caçador que tem na caça o seu único recurso alimentar, ou que abate o animal por verdadeira necessidade. Também protege os pescadores que se aventuram nos incontáveis rios, igarapés, etc., durante o período das chuvas, mais fortes entre os meses de novembro e maio..(Painel de Mitos & Lendas da Amazônia, Franz Kreuter Pereira, Belém, 1994)
- Iara s. f., (Brasil), entidade aquática ; mulher fantástica, sereia dos rios e lagoas na mitologia indígena. Mito baseado no modelo das sereias dos contos homéricos, a Iara é a Vênus amazônica; é uma ninfa loira de longos cabelos, corpo deslumbrante e de beleza irresistível. Tem as mesmas características das sereias: mulher da cintura para cima, peixe da cintura para baixo. Tal como no original grego, é capaz de enfeitiçar a todos que o ouvem, arrastando-os em sua direção, até o fundo dos rios, lagos, igarapés, etc., onde vivem esses seres fabulosos. Crianças também são atraídas. Neste caso, elas são raptadas e levadas para viver debaixo d'água. Crêem os ribeirinhos que essas crianças estão "encantadas" no reino da "gente do fundo". Ficam lá aprendendo todos os segredos da manipulação de plantas, ervas, poções, remédios e magias e são "devolvidos" depois de 7 anos já como um grande feiticeiro, um xamã. - Saber mais
A lenda de Iara

- Mãe-d'Água s. f., (Brasil), ente fantástico, imaginado como uma sereia de rios e lagos ; fonte ou reservatório de água.
- Sereia do Lat. sirena Gr. seirén s. f., (Mit.), ser mitológico, metade mulher e metade peixe, cujo canto era tão suave que atraía os navegantes para os escolhos, onde naufragavam e morriam; (Zool.), batráquio urodelo, americano, caracterizado por não ter membros posteriores; (fig.), mulher de canto suavíssimo; mulher bela e sedutora.
- Sereias - Seres fabulosos, metade mulheres e metade aves, demônios ou divindades marinhas, nascidas de Aqéloo e de Melpômene. Situadas, segundo a tradição, numa ilha rochosa no Mediterrâneo, cativavam com o seu canto os marinheiros e os faziam naufragar de encontro aos recifes. Ulisses ouviu-as depois de ter fechado com cera os ouvidos de seus companheiros e ter-se amarrado ao mastro da nau para resistir as suas tentações.
- Sirena do Lat. sirene, Gr. seirén, sereia - s. f.,sereia. - aparelho que em veículos e navios produz sons estridentes, para avisar da sua aproximação;
- Sirénico do Gr. seirén, sereia adj., (poét.), relativo às sereias;(fig.),encantador.
- Sirénios do Lat. sireniu, de sereia - s. m. pl., (Zool.), ordem de mamíferos adaptados à vida aquática e de respiração aérea, sem membros posteriores, sem orelhas, com os membros anteriores em forma de barbatanas e cauda horizontal não fendida.
- Lepidossereia do Gr. lepís, lepídos, escama + seirén, sereia s. f., (Ictiol.), genero de peixes dipnóicos do Amazonas.
- Melusina de Melusina, nome de uma fada nas lendas célticas s. f., (Heráld.), sereia, com cauda de serpente a banhar-se e a mirar-se na água.
- Quianda s. f., (Angola),divindade aquática; sereia divina.
- Canto do Lat. cantu s. m.,série de sons musicais cadenciados, formados pela voz; ação de cantar; divisão de certos poemas, principalmente dos épicos; poesia que se pode cantar; hino; canto da sereia - linguagem agradável e lisonjeira, para atrair;
- Fontes: Dicionário Univ. da Língua Portuguesa / Dicionário Aurélio / Alm. Abril (1995) / Painel de Mitos & Lendas da Amazônia, Franz K. Pereira, Belém, 1994. - Na opinião de Câmara Cascudo, a Iara é simplesmente uma forma literária brasileira para representar a lenda mediterrânea da sereia sedutora ou da Mãe D'Água do folclore africano, e não um mito autenticamente brasileiro. O mito autêntico, ligado à origem, aos mistérios e a temores da água, é o do Ipupiara (o que reside ou mora nas fontes). Ao contrário do mito mediterrâneo e do africano, o mito brasileiro do Ipupiara refere-se a um homem-marinho, gênio protetor das nascentes e olhos d'água e como tal, de certo modo, inimigo dos pescadores, marisqueiros e lavadeiras.
- Lobisomem - Homem que se transforma em lobo ou outro animal, segundo a crendice popular, e que vagueia de noite para cumprir o seu fado. Homem aparentemente comum, vive e trabalha como os demais da comunidade. Nas noites de lua cheia se transforma em um lobo ou em um homem peludo com cabeça de lobo e ataca quem cruza o seu caminho. Antes do dia clarear readquire a forma humana. "O lobisomem é o filho que nasceu depois de uma série de 7 filhas. Aos 13 anos, numa terça ou quinta-feira, sai de noite, e topando com um lugar onde um jumento se espojou, começa o fado. Daí por diante, todas as terças e sextas-feiras, de meia-noite às duas horas, o lobisomem tem de fazer a sua corrida ... Quem ferir o lobisomem, quebra-lhe o fado; mas que se não suje no sangue ou herdará a triste sorte... Para desencantá-lo basta o menor ferimento que cause sangue. Ou bala que se unte com cera de vela que ardeu em 3 missas de domingo ou na missa do galo, na meia-noite do Natal. " (Luís da Câmara Cascudo, Dicionário do folclore brasileiro)
Heródoto, historiador grego, conta que na Grécia antiga havia um rei de nome Licaon, que tentou matar Zeus, o deus dos deuses e, como punição, este o transformou em um lobo. Em outras histórias, Licaon teria servido carne humana para Zeus e, por isso, foi transformado em lobo. Essas e outras lendas foram contadas e recontadas por vários povos e a crença no lobisomen foi sendo difundida em vários países. Na Itália, mais ou menos na época em que os portugueses vieram para o Brasil, acreditava-se que os lobisomens não faziam mal algum. Pelo contrário, protegiam as plantações dos ataques das bruxas, que levavam toda a colheita para o diabo. Os lobisomens saíam em busca da colheita para devolvê-la aos camponeses da cidade de Friul. Por isso, eram chamados de feiticeiros do bem. Alguns padres portugueses - que vieram para cá nas caravelas - diziam que as bruxas, os lobisomens, o diabo e outros seres fantásticos resolveram mudar-se para o Brasil porque aqui ainda não havia chegado a Igreja Católica. Aqui, segundo os portugueses, habitava um povo sem fé; sem rei e sem lei. E como os padres haviam conseguido expulsar da Europa esses seres, eles resolveram vir morar no Brasil. Claro que esse era apenas o argumento dos padres para mostrar o quanto a Igreja Católica era poderosa e, com isso, tentar convencer os índios a se converterem a esta religião... Nas grandes cidades, nem tanto, mas no interior do Brasil ainda se contam muitas histórias de lobisomen. Dizem que numa família de 7 filhos homens o caçula pode virar lobisomen se não for batizado pelo irmão mais velho. E tem mais: na hora em que vira lobisomen tem de correr 7 fontes, 7 cemitérios e 7 igrejas. Só depois dessa maratona é que ele volta à forma humana. Dizem, ainda, que os lobisomens atacam o gado, as galinhas e as pessoas, tudo em busca de sangue. Para matá-lo é preciso atirar uma bala de prata. (Georgina da Costa Martins, Globinho Pesquisa) - Saber mais
- Macunaíma -É um misto de deus e herói lendário do extremo norte da Amazônia, alto Rio Branco, área do grupo Aruaque. Tal como jurupari, este também é um enviado dos céus. Converteu tronco de madeira em gente e bichos. Esse mito já produziu uma obra-prima da moderna literatura brasileira: “Macunaíma”, de Mario de Andrade, livro que não pode deixar de ser lido com alegria. - Mão-grande - Figura mitológica típica do Pantanal matogrossense, que agarra o cavaleiro pelo pescoço com suas enormes mãos e o mata.
- Mapinguari - Criatura descrita como um macaco de tamanho descomunal - 5 a 6 metros, peludo como o porco-espinho, "só que os pêlos são de aço". Em uma versão, o mapinguari tem um só olho, enorme, no meio da testa, e uma bocarra vertical que desce até o umbigo. Cada passo do mapinguari mede 3 metros, e seu alimento favorito é a cabeça das vítimas, geralmente pessoas que ele caça durante o dia, deixando para dormir à noite. Há aqueles que afirmam ser impossível matá-lo: é invulnerável. Numa outra versão, ele é apresentado como um ser dos mais fantásticos, com 2 olhos, mas "3 bocas", sendo uma debaixo de cada braço e a outra sobre o coração. Esta última é considerada seu "calcanhar-de-aquiles", pois, quando ele abre a boca, pode-se acertar seu coração, única maneira de matá-lo. Fonte: Painel de Mitos & Lendas da Amazônia, Franz Kreuter Pereira, Belém, 1994 .
O Mapinguari é um monstro amazonense com a boca rasgada do nariz ao estômago, pés em forma de cascos, devora só a cabeça do homem. Os caboclos juram que dentro da floresta mora esse gigante peludo que grita como uma pessoa e, se alguém responder, ele logo vai ao encontro do desavisado.
- Mula-sem-cabeça (burrinha ou burrinha-de-padre) - Personagem monstruosa em que se transforma a mulher que fez algum mal. No passado diziam que mulher que namorasse padre ou compadre tinha esse destino. Acredita-se que a metamorfose se dá na noite de quinta para sexta-feira e ela sai pelo campo soltando fogo pelas ventas e relinchando. Seu encanto, segundo a lenda, somente será quebrado se alguém conseguir tirar o freio de ferro que carrega na cabeça. Em seu lugar, aparecerá uma mulher arrependida. "...Os detalhes variam. É uma mula que não tem cabeça mas relincha. É um animal quase negro, com uma cruz de cabelos brancos. Tem olhos de fogo. Tem um
facho luminoso na ponta da cauda. Geme como uma criatura humana. Não geme, relincha e ao terminar, geme como se morresse de dor... Para que a manceba do padre não vire burrinha é preciso que este não esqueça nunca de amaldiçoá-la, antes de celebrar a santa missa..." dizem Alceu Maynard Araújo e Vasco José Taborda em Estórias e Lendas de São Paulo, Santa Catarina e Paraná.
Reza a lenda que qualquer mulher que namorar um padre pode virar mula-sem-cabeça porque namorar padre é pecado. Agora, veja como essa história é injusta: o padre não pode ter namorada, mas, se tiver, só a mulher é castigada. A pobre coitada vira uma mula que solta fogo pelas ventas e nunca mais desvira. Com o padre não acontece nada. Essa história de mula-sem-cabeça veio da Península Ibérica, parte da Europa que hoje está dividida entre Portugal e Espanha. Provavelmente, surgiu porque, no século XII, as mulas eram os animais mais próximos dos padres, que se locomoviam de um lugar para o outro montados nesses animais, considerados seguros e resistentes. Além dessa história de ser namorada de padre, já ouvi dizer, também, que se uma mãe tem sete filhas mulheres e não der a mais nova para a mais velha batizar, a caçula vira mula-sem-cabeça, igualzinho ao caso do lobisomem. (Georgina da Costa Martins, Globinho Pesquisa) - Saber mais
- Negrinho do pastoreio - Na tradição gaúcha, uma espécie de anjo bom, ao qual se recorre para achar objetos perdidos ou conseguir graças. É o negrinho escravo que o dono da estância pune injustamente, açoitando-o e depois amarrando-o sobre um formigueiro. Mas seu corpo aparece intacto no dia seguinte, como se não tivesse sofrido nenhuma picada , e sua alma passa a vaguear pelos pampas. (Fonte: Almanaque Abril 1995) - Saber mais
- Negro D'Água - Esta história é muito difundida entre pessoas ribeirinhas e pescadores, principalmente na Região Centro Oeste do Brasil, onde muitos dizem já tê-lo visto. - Papa-Figo - Duende do ciclo dos monstros assustadores de crianças. Seria o "lobisomem" das cidades. "...havia ainda o papa-figo, homem que comia o fígado de menino. Ainda hoje se afirma... que certo ricaço de Recife, não podendo se alimentar senão de fígados de crianças, tinha seus negros por toda parte, pegando menino em saco de estopa". É um velho sujo, horrível, esmolambado. Entrega doces, brinquedos e a narração de histórias para atrair crianças à saída das escolas ou aqueles cujas babás são distraídas ou namoradeiras. Alguns comiam, mas outros vendiam a potentados doentes o fígado de seus pequenos prisioneiros. - Pé-de-Anjo - Ser que aparecia nas manhãs de Teresina (Piauí) - Pé-de-Garrafa - Ser que habita florestas do Paraná, Maranhão e Piauí - " O pé-de-garrafa é uma espécie de caapora, pois, segundo Vale Cabral, além de habitar nas matas, "grita como um homem e deixa nas estradas as suas enormes pegadas, que, por se assemelharem ao pé da garrafa, lhe tomaram o nome". Ele possui corpo de um homem, cor negra, umbigo branco, corpo coberto de pêlos, apenas um único olho que fica na testa, um chifre na testa, apenas um braço, mão com grandes garras e uma perna que não possui pé e sim um formato de fundo de garrafa (o que lhe dá o nome). ( Mitos secundários do Maranhão e Piauí, registrados por Basílio de Magalhães) - Saber mais
- Saci-Pererê - Entidade fantástica, negrinho de uma só perna que, segundo a crença popular, persegue os viajantes pedindo fumo ou lhes arma ciladas pelo caminho. Peralta e perneta, usa uma carapuça vermelha e um cachimbo na boca, e vive atazanando a vida das pessoas. Assusta o gado no pasto, dá nó no rabo dos cavalos, trança suas crinas e cria pequenas dificuldades domésticas. A carapuça vermelha é mágica e o faz ficar invisível e aparecer ou desaparecer num redemoinho de vento. Ele se faz anunciar por um assobio estridente. Para apanhá-lo pode-se usar um rosário ou uma peneira de taquara. Quem conseguir tirar sua carapuça receberá "favores". O saci povoa o imaginário das pessoas simples e é muito temido nos confins de nossos sertões... mas não é maldoso, só brincalhão. Sua popularidade se deve muito a Monteiro Lobato, que o transformou em personagem do "Sítio do Picapau Amarelo" onde Pedrinho, em uma de suas aventuras pela floresta do taquaral, pegou o Saci. Desde então, ele se diverte pregando sustos na tia Nastácia.
Saci ou Matin - No Pará e no Amazonas, a imagem do saci é a de um curumim que anda numa única perna e tem os cabelos cor de fogo. Usa um gorrete vermelho e está sempre com seu cachimbo. Dizem que o saci tem por companheira uma velha índia - ou uma preta velha, maltrapilha, cujo assobio arremeda seu nome: Mati-Taperê. Alguns crêem que ele é filho do Curupira; outros o identificam como um pequeno pássaro que pula numa perna só; há também aqueles que dizem que as mãos dele são furadas no centro.(Painel de Mitos & Lendas da Amazônia, Franz Kreuter Pereira, Belém, 1994) - Saber mais - Inquérito sobre o Saci-Pererê
- Tupi - Seria um dos heróis povoadores do Brasil indígena, vindo com seu irmão, Guarani, de remota e misteriosa região além-mar. Segundo a lenda, ambos formaram uma nação que se dissolveu por intrigas femininas. "... Dois irmãos, chamados Tupi e Guarani, viajando sobre o mar, elegeram ao Brasil, e com os seus filhos, povoaram o país; mas um papagaio falador fez nascer a discórdia entre as mulheres dos dois irmãos, donde surgiram a desavença e a separação, ficando Tupi na terra, enquanto Guarani e sua família emigraram para a região de La Plata". - Tutu - Ser imaginário (papão ; bicho- papão) com que se mete medo às crianças; fantasma ; monstro imaginário.
Entidade com que se mete medo às crianças quando choram. É roncador. A forma em que o idealizam na Bahia é a de um catitu ou porco do mato. Deste primeiro nome talvez se originasse o termo Tutu, que é popular em todo o Brasil. Ouvi porém dizer que é voz africana e que era usada pelas amas negras. Na Bahia também Tutu-cambê: Olhe o Tutu!... E vem ele! Quando os meninos choram o Tutu vem comer eles... não chore não!
Cantigas de ninar :
1- Tutu marambá / Não venhas mais cá / Que o pai do menino / Te manda matar .
2- Tutu-Maramabaia vai-te embora / Sai de cima do telhado / Deixa o menino dormir / O seu soninho sossegado.
3- Bicho-papão / Sai de cima do telhado / Deixe este menino / Dormir sossegado .
As origens da palavra Tutu, ser sobrenatural com que se mete medo às crianças quando choram. ("O Tutu do povo brasileiro é idêntico ao Papão e à Coca de Portugal") - Saber mais
- Vitória-régia - A origem da vitória-régia, planta aquática que faz parte da paisagem amazônica, está ligada a uma curiosa lenda indígena:
"Era uma vez, um grupo de jovens índias que eram tão fascinadas pela lua e pelas estrelas que decidiram encontrar uma forma de tocá-las. Acreditavam que se conseguissem fazer isso, poderiam se tornar uma delas. Assim, elas tentaram subir por um morro, mas não deu certo. As jovens, persistentes, a cada noite procuravam sempre os lugares mais altos, mas o céu continuava distante. Uma das índias, a mais sonhadora delas, estava tão desiludida, que uma noite, ao ver a lua refletida no lago, resolveu mergulhar ao seu encontro e desapareceu nas águas profundas. A lua lá no céu, comovida com o gesto da jovem, decidiu transformá-la numa grande e bela flor, que ficaria para sempre na superfície das águas, como a refletir a imagem lunar: nascia a vitória-régia". - Saber mais
- Yara - a rainha das águas - Yara, a jovem Tupi, era a mais formosa mulher das tribos que habitavam ao longo do rio Amazonas. Por sua doçura, todos os animais e as plantas a amavam. Mantinha-se, entretanto, indiferente aos muitos admiradores da tribo. Numa tarde de verão, mesmo após o Sol se pôr, Yara permanecia no banho, quando foi surpreendida por um grupo de homens estranhos. Sem condições de fugir, a jovem foi agarrada e amordaçada. Acabou por desmaiar, sendo, mesmo assim, violentada e atirada ao rio. O espírito das águas transformou o corpo de Yara num ser duplo. Continuaria humana da cintura para cima, tornando-se peixe no restante. Yara passou a ser uma sereia, cujo canto atrai os homens de maneira irresistível. Ao verem a linda criatura, eles se aproximam dela, que os abraça e os arrasta às profundezas, de onde nunca mais voltarão.
- Zumbi - Alma de cavalo ou fantasma que vaga pela noite, segundo lenda afro-brasileira. (Nota - Zumbi é o nome do último líder do Quilombo dos Palmares). - Zumbi de Cavalo - (Alagoas) - Alma dos cavalos mortos que ficam nas estradas fazendo assombrações.

- As muitas lendas da mandioca - Amarga ou doce, a mandioca é uma planta mítica. Ela permanece, até hoje, como insumo básico da comida típica da Amazônia. Natural, pois, que em torno dela existam várias lendas
Antes do pão, brasileiro consumia a mandioca. De acordo com o sociólogo e antropólogo Gilberto Freyre, os brasileiros começaram a consumir pão somente no século 19. Antes disso, quem reinava nas mesas brasileiras era o beiju de tapioca, feito de farinha de mandioca. Nativa do Brasil, a mandioca já alimentava os índios antes da chegada dos portugueses.
A raiz comestível era tão importante que sua origem mereceu até lendas indígenas. Uma delas relata que a filha de um cacique misteriosamente engravidou virgem. Em algumas versões, o pai a expulsou da aldeia; em outras, ele a condenou à morte. Mas, em ambas, o castigo foi cancelado quando a índia deu à luz a uma menina que recebeu o nome de Mani e encantou o avó.
Quando tinha um ano, Mani morreu e, no local onde foi enterrada, nasceu uma planta muito bonita, cujas raízes grossas eram muito saborosas. Em homenagem à indiazinha, batizaram a planta de "manioc" ou "mani-oca", que significa a casa de Mani.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.