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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Três Gerações.

Gabinete da Secretaria Nacional

Três Gerações

O professor Gofredo da Silva Teles Junior, em discurso que certa vez pronunciou em minha presença disse, apontando para mim: "este homem veio para cansar gerações". Até certo ponto, pois muito trabalho dei a geração sucessivas, desde 1931. Mas não foi só trabalho; era incitanmento a realizações, estimuo ao poder criador dos valores que iam sugerindo e que, pelo seu próprio esforço, manifestaram-se na vida brasileira com altos padrões de cultura.

A primeira geração colocarei entre 1931 e 1945. Comecei a prepará-la com uma série de artigos diários no jornal "A Razão", editado em São Paulo, através dos quais procurava evidenciar as realizações brasileiras e as novas circunstâncias conseqüentes da transformação pela qual passavam todos os povos. De tal atividade jornalística resultou a fundação da "Sociedade de Estudos Politicos" (SEP) em que figuravam intelectuais de minha geração e os "novos", que iam surgindo. Uma conferência que fiz na Faculdade de Direito do largo de São Francisco, precedida de uma apresentação de Mota Filho, um dos componentes do verdamarelismo em que se integravam Menotti Del Picchia, Cassiano Ricardo e Alfredo Ellis, além da ação paralela de Raul Bopp e Alarico Silveira, conferência cujo tema foi "A quarta Humanidade", atraiu numerosos moços paulistas, entre os quais Alfredo do Busaid, Lopes Casali, Pimenta de Castro, Aziz Buzaio, Rui de Arruda Camargo, Angelo de Arruda, Roland Corbisier, Francisco de almeida, Prado, Mario Mazei Guimarães, Ernani Brune, Antonio Toledo Piza, Gofredo da Silva Teles, Lauro Escorel, Margarida Corbisier, Almeida Sales, Lafaiete Soares de Paula, Antonio Salem, Loureiro Junior, Miguel Reale e muitos outros que mencionarei em escrito mais pormenorizado baseado em pesquisas.

No Rio, arregimentei, depois de uma conferência na Faculdade de Direito e uma reunião no Palace Hotel, seguida de outra em casa do Oswaldo Aranha, um grupo brilhante de jovens: Americo Jacobina Lacombe, Antonio Galoti, Thiers Martins Moreira, Augusto Frederico Schmidt, San Tiago Dantas (este que já trabalhava comigo no jornal "A Razão"), posteriomente Cotrin Neto, Alvaro Sardinha, Garrido Torres, Helio Viana, Ernani Lomba Ferraz, Nilza Peres.
No Rio Grande do Sul, surgiram Luís Compagnoni, Guido Mondim, Mario Maestri, Oscar Machado, Aner Butler Maciel, Alberto Hoffmam, Metzler, Mesquita, Jaime de Castro, e muitos outros que mencionarei em trabalho mais acurado.

No Paraná, sob a liderança de Jorge Lacerda, o verbo poderoso de Rocha Loures, a lúcida inteligência de Edgard Távora, Euro Brandão, Zagonel Passos, Linhares Lacerda, faltando-nos elementos para mais amplas citações, formou-se uma corrente de líderes do movimento renovador, abrangendo Santa Catarina, onde Oto Gama d'Eça orientava a gente nova.
Em Minas, organizava-se um grupo de estudantes de Medicina e de Direito, destacando-se Wilton Ferreira e o poeta Dantas Mota. Na Bahia, depois de uma conferência que fiz no anfiteatro da Faculdade de Medicina, uma poderosa corrente de vibrante juventude manifestou-se com esplendido vigor, destacando-se Romulo de Almeida, Rubem Nogueira, Nicanor Carvalho, Floriano Mendonça, Renato Mesquita. No Ceará, fui encontrar, na ocasão em que realizei três conferências no Teatro José de Alencar, os jovens Jeová Mota, tenente Carvalhedo e o padre Helder Camara, aos quais se vieram juntar Ubirajara Indio do Ceará, sua irmã Leticia, os irmãos Norton Macedo e Donizard Macedo de Alcantara, o grande escritor e poeta Melo Mourão.

De Pernambuco saiu um manifesto em reposta ao que lancei em outubro de 1932, dando adesão plena ao movimento por mim iniciado. Assinavam Otto Guerra, Andrade Lima Filho, Americo Oliveira Costa, João Roma, Alvaro Lins, José Carlos Dias. Foi Alvaro Lins que me saudou quando, depois de uma conferência na Faculdade de Direito, falei no Teatro Santa Isabel. Ali despontou uma plêiade das mais valorosas, entre cujos elementos destacarei Arnobio Graça.

No Estado do Rio, além do verbo flamante do poeta Mayrink, destacavam-se, sob a orientação e Raimundo Padilha e Jaime Ferreira da Silva, elementos novos como os irmãos Vieira da Silva, o poeta amazonense Castro Alves, o professor Landim, o poeta Marcos Sandoval e numerosos estudantes de Direito, Engenharia e Medicina.

Em Goiás, eram os irmãos Fleury, dicipulos de Alcebiades Delamare, que aliciavam as maiores espressões intelectuais. Em Alagoas atuavam Mario Marroquin e o futuro senador Afranio Salgado Lages. A Aguinaldo Celestino e Jacinto Figueiredo (irmão de Jackson) e Omer Monte alegre estava entregue Serguipe. No Rio Grande do Norte, lideravam o movimento Camara Cascudo e o jovem médico Travassos Sarinho. Em Paraiba, o livreiro Pedro Batista; no Piauí, um grupo de jovens orientados pelo desembargador Soriano; no maranhão, era Lima Sobrinho e ali surgiram poetas como Oliveira Ferres e Manuel Sobrinho; no Amazonas eram Mario Ipiranga Monteiro e outros; nos extremos limites setentrionais do País, era o jovem oficial José Guiomard que atuava dentro do pensamento renovador.

Toda a juventude do País se levantou. Tinha o apio dos homens mais destacados da geração anterior, que cercavam fileiras no esforço da recontrução nacional, tais como Belisario Pena, Gustavo Barroso, Rocha Vaz, Madeira de Freitas, Prado Valadares, Ulisses Paranhos, Tasso da Silveira, Mansueto Bernardi, Nunes da Silva, Vieira de Alencar, Murilo Fontainha, Maurilio de Melo, Almirante Cocrane, Amaro Lanari, Newton Braga, Everardo Backeuser, dezenas de outros ilustres nas letras, nas ciências e nos feitos militares. Na Marinha e no Exército operou-se verdadeira renovação. O Brasil despertava.

Houve um interregno no período da ditadura. A juventude foi abandonada. Os brasileiros em geral, perderam a capacidade de iniciativas sociais e políticas.
Durante esse tempo estive exilado. Após oito anos de ausência da Pátria, regressei em 1946. Examinei o panorama nacional. Tomei contato com os moços. Percebi-lhes os anseios. Iniciei meu trabalho, baseado no pensamento de "recomeçar mil vezes". Em 1952 já contei com um grupo de jovens. Fundei os Centros Culturais da Juventude.

De 1952 a 1966, surgiu a segunda geração. Começaram a se revelar valores. Eram Gumercindo Rocha Dórea, Hélio Rocha, Leovigildo Pereira Ramos, José Carlos Rocha, José Batista de Carvalho, José Maria, Walter Povolleri, José Penedo, Anibal Teixeira, Carmen Pineheiro Dias, Augusta Prado Dórea, Humberto Pergher, Antonio Pires, João Paulo ... Domingues, Genésio Pereira Filho, Gaspar Brigido, um ... brilhante em Curitiba, outro em Belo Horizonte, outro na Bahia, elementos novos de elevado índice intelectual, como o jovem Pôrto, atuante no Rio.
Agora estou preparando a terceira geração. Os Centros Culturais vão-se disseminando por todos os Estados. Realizamos uma concentração em Campos do Jordão, em 7 de Setembro do ano passado, e agora em Caldas no dia 21 de abril. A esta compareceram mais de 200 rapazes e moças. Não era possível trazer mais por dificuldades financeiras de viagem e hospedagem. Vieram apenas delegados. Não se descreve o entusiasmo em que foram realizadas as sessões de estudos, de debates sobre problemas brasileiros, de discussão relativa a planos de ampliação de movimento em todo o Brasil. Senti ali a Pátria viva, ativa, capaz idealista, na linha de uma nobre seriedade de propósitos que contrasta com as desordens a que são levadas os moços por agentes da antinação.

Foi designada nova concentraçãoem Jaú. Ali deverão comparecer mais de mil delegados, de todas as unidades da Federação. Estou convencido de que essa juventude (e não citarei nomes por ser avultado o número dos novos líderes) irá desempenhar um papel semelhante àquele que despertei em 1931, a qual produzia altas expressões da cultura brasileira, na cátedra universitária, na magistratura, no parlamento, na administração pública, nas finanças, nas ciência em nosso país.
Não será com demagogias balofas e incitamento à desordem que se orienta uma juventude e se constrói uma pátria. Será com esforço permanente e persistente que se elevará o nível da mentalidade brasileira. Será incutindo nos moços um superior idealismo, a mística dos deveres, o amor ao estudo, o conhecimento das realidades nacionais, o desejo de engrandecimento da prória personalidade pelas virtudes e pela cultura.

Se um dia eu nada mais pudesse legar à minha pátria como fundamento de seu progresso material e moral, da susentação da sua soberania, do seu prestígio entre os demais povos, restar-me-ia o prazer de ter dado ao Brasil três gerações sucessivas de valores autênticos e de fatores positivos da construção nacional.


(artigo escrito por Plinio Salgado e pubicado em 05 de Maio de 1968)

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http://www.integralismo.org.br

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.