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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Poesias

TRANSFORMAÇÕES

A. Lorenzzoni*

Ilusões da Vida


"Quem passou pela vida em branca nuvem,
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça
Quem passou pela vida e não sofreu;
Foi espectro de homem, não foi homem
Só passou pela vida, não viveu”.

Francisco Otaviano
(1825 - 1889)

Narrar-te tudo o que vivi...
As batalhas e adversidades,
Sobretudo (e por quê não? ) as felicidades
Escuso-me agora.
Não cabe aqui,
Em poucas palavras.
Esta que envio-te por hora
É apenas uma carta.
Longa história se demora;
E como não estou vendo teus olhos,
Recuso-me a contar.

Interessa apenas o vazio que senti...
Sombrio como vagalhões
Em negras tempestades,
Que arrebatam e afogam o solitário navio.
[Velejava
Sem rumo
Imenso oceano
Sem perspectiva]


Tão diminuta cultura...
Falta-me o Latim.
E onde estão os símbolos pátrios
Que deveriam ornar vestes,
carros e jardins?


Tão estranhas pessoas...
Respeito, discrição, dignidade
Parecem ter se dissipado
(Quase sepultados!)
Entre brumas formadas
Pelos excessos materiais,
Vícios, agitações,
Apostarias e liberalidades.
E onde estão as artes e memórias
De ilustres brasileiros


Nossos antepassados?




Tão misteriosa vida...
Segui também o caminho atraente,
Despojado de preceitos morais.
Abandonei virtudes,
Neguei tradições.
Acreditei numa falsa liberdade;
Tardiamente percebo os grilhões.
Onde está minh’alma?


Alquebrada...
Deixei-a muito tempo à deriva,
Como aquele navio.
É então deste vazio que te falo...


Acabrunhada...
Voltei-me ao passado.
Descobri fortalezas;
Desejos íntegros,
Ideais sinceros.
Apoderaram-se do meu pensamento
Esses novos e nobres sentimentos.
Ocupam, gradativos, o vazio.
E já consigo entrever um futuro gentil.


Mas, tencionava eu ser breve...
Então apresso as despedidas.
Em tempo, previno-te ainda:
Urge indicar-nos a direção
Ao quebrantado navio!
(Onde está nosso Brasil?)

novembro /2000.



* Σ – Curitiba – PR

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.