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segunda-feira, 2 de julho de 2012

O Povo de ‘Ad e Ubar, o “Atlantis das Areias”



<< E, quanto ao povo de ‘Ad, foi destruído por um furioso e impetuoso furacão; que Allah desencadeou sobre ele, durante sete noites e oito longos dias, em que poderias ver aqueles homens jacentes, como se fossem troncos de tamareiras caídos! Porventura, viste algum sobrevivente entre eles?>> (Capítulo Al Háqqa – 69:6-8)

Outro povo destruído, mencionado em vários capítulos do Alcorão, é o povo de ‘Ad, que é referido após o povo de Noé. Tendo sido enviado ao povo de ‘Ad, o Profeta Hud convocou o seu povo, tal como os outros Profetas, a acreditar em Allah sem atribuir-Lhe parceiros e a obedecer o que Ele diz. O povo reagiu com animosidade ao Profeta. Acusaram-no de imprudência, faltar à verdade, e de tentar mudar o sistema que seus antepassados estabeleceram. No Capítulo Hud, tudo o que se passou entre o Profeta Hud e seu povo é relatado, com pormenores, como se segue:

<< E ao povo de ‘Ad, (Nós enviamos) Hud, um dos seus irmãos. Ele disse. “Ó meu povo! Adorai Allah! Vós não tendes outra divindade senão Ele. Vós não fazeis mais nada senão inventar, (os outros vossos deuses)! Ó meu povo! Não vos exijo, por isso, recompensa alguma, porque a minha recompensa está somente nas mãos d’Aquele que me criou. Não raciocinais? E ó meu povo! İmplorai o perdão de vosso Senhor e voltai-vos, arrependidos, para Ele, Que vos enviará dos céus abundante chuva e adicionará força à vossa força. Não vos afasteis, tornando-vos pacedores!

Eles disseram: Ó Hud! Não tens apresentado nenhuma evidência, e jamais abandonaremos os nossos deuses pela tua palavra e nem em ti creremos; Somente dizemos que algum dos nossos deuses te transtornou. Ele (Hud) disse-lhes: Eu invoco a Allah como testemunha e vós também sois testemunhas de que estou inocente de tudo quanto adorais, em vez d’Ele. Conspirai, pois, todos contra mim, e não me poupeis. Eu ponho a minha confiança em Allah, me Senhor e vosso senhor; sabei que não existe criatura que Ele não possa agarrar pelo topete.  Na verdade, o meu Senhor está num caminho recto. Porém, se vos recusais, sabei que vos comuniquei a Mensagem com a qual vos fui enviado; e o meu Senhor fará com que vos suceda um outro povo, e em nada podereis prejudicá-Lo, porque o meu Senhor é Guardião de todas as coisas. E quando se cumpriu o Nosso desígnio, salvamos Hud e todos aqueles que eram crentes como ele, por Nossa (especial) misericórdia, e os livramos de um severo castigo. E eis que o povo de ‘Ad negou os versículos do seu Senhor; rebelaram-se contra os Seus mensageiros e seguiram as ordens de todo o déspota obstinado. E, neste mundo, foram perseguidos por uma maldição, e o mesmo acontecerá no Dia da Ressurreição. Não é certo que o povo de ‘Ad renegou o seu Senhor? Distância de ‘Ad, povo de Hud!>> (Capítulo Hud – 11:50-60)

Um outro capítulo que menciona o povo  de ‘Ad é o de Ach-Chu’ara. Neste capítulo, algumas características do povo de ‘Ad são enfatizadas. De acordo com isto, o povo de ‘Ad é um povo que “ergueu um monumento em todos os lugares altos”, e seus membros “construíram fortificados edificios na esperança de viverem neles (para sempre)”. Além disso, eles cometiam maldades e comportavamse com brutalidade. Quando o Profeta Hud avisou o seu povo, eles comentaram as suas palavras como “um estratagema habitual dos anciãos”. Eles estavam muito confiantes de que nada lhes aconteceria; vejamos, pois, o que reza o Alcorão:

<< O povo de ‘Ad rejeitou os mensageiros. Quando seu irmão, Hud, lhes disse: Não temeis a Allah? Sabei que eu sou, para vós, um fiel mensageiro. Temei, pois, a Allah, e obedecei-me! Não vos exijo, por isso, recompensa alguma, pois a minha recompensa virá do Senhor dos Mundos.  Erguestes vós em todos os lugares altos um monumento por vão prazer? E construístes fortificados edificios para que, felizmente, possais durar para sempre? E quando vos esforçais, o fazeis despoticamente? Temei, pois, a Allah, e obedecei-me! E temei a Quem vos cumulou com tudo o que sabeis. Que vos cumulou de gado e filhos, de jardins e nascentes de água. Na verdade, eu temo por vós o castigo de um Dia Terrível. Eles disseram-lhe: Para nós é mesma coisa, que tu pregues ou não sejas desses que pregam; Porque isto não é mais do que uma fábula dos primitivos. E jamais seremos castigados. E eles negaram-no; por conseguinte, Nós distruímo-los. Na verdade, nisto há um sinal; porém, a maioria deles não crê. E, na verdade, o
teu Senhor é o Poderoso, o Misericordioso!>> (Capítulo Ach-Chu’ara – 26:123-140)


O povo que mostrou animosidade ao Profeta Hud e se rebelou contra Allah, foi, na verdade, destruído. Uma horrível tempestade de pedra arenosa aniquilou o povo de ‘Ad como se nunca “tivesse existido”.

Os Achados Arqueológicos da Cidade de Iram

No início de 1990, surgiram títulos nos jornais de maior renome mundial, declarando: “Descoberta da Lendária Cidade Árabe”, “Descoberta da Mítica Cidade Árabe”, “Ubar, a Atlantis das Areias”. Aquilo que tornava esse achado arqueológico ainda mais intrigante era o facto de esta cidade se encontrar mencionada no Alcorão. Muitos dos que, desde sempre, consideraram o povo de ‘Ad, cuja história é narrada no Alcorão, como fazendo parte de uma lenda cujas coordenadas geográficas jamais seriam desvendadas, mal podiam ocultar o seu espanto perante esta descoberta. A descoberta desta cidade, mencionada unicamente nas histórias transmitidas oralmente pelos Beduínos, despertou grande interesse e curiosidade.
Foi Nicholas Clapp, um arqueólogo amador, quem descobriu esta lendária metrópole mencionada no Alcorão. (19) Sendo arabofilo e igualmente um realizador de documentários premiado, Clapp tinha encontrado um livro deveras interessante aquando das suas pesquisas relacionadas com a história Árabe. Este livro era o Arabia Felix, escrito pelo investigador Inglês Bertram Thomas em 1932. Arabia Felix era a designação romana da parte sul da península Árabe que engloba actualmente o Iémen e grande parte de Omã. Os Gregos chamavam a esta área a “Arábia de Eudaimon” e os estudiosos Árabes medievais “Al-Yaman as-Saida”. (20)

Todas estas expressões significam “Árabes Afortunados”, pois as gentes que habitavam nessa região eram na Antiguidade conhecidas por serem as mais bemafortunadas da época. Quais as razões para semelhante designação?

A sua boa sorte era, em parte, devida à localização estratégica ─ servindo de intermediários no comércio de especiarias entre a Índia e as regiões a norte da península Árabe. Além disso, as gentes que habitavam estas paragens produziam e distribuíam incenso, uma resina aromática obtida a partir de árvores raras. Bastante popular entre as comunidades antigas, esta planta era utilizada como fumigante em diversos rituais religiosos. Nesses tempos a planta era praticamente tão valiosa quanto o próprio ouro.

O investigador Inglês Thomas descrevia, pormenorizadamente, estas tribos bem-aventuradas e afirmava ter encontrado vestígios de uma cidade ancestral fundada por uma delas. (21) Esta era a cidade à qual os Beduínos chamavam “Ubar”. Numa das viagens que efectuou à região foram-lhe revelados, pelos Beduínos que viviam no deserto, trilhos consideravelmente gastos, que aqueles afirmavam conduzir à antiga cidade de Ubar. Thomas, não obstante o grande interesse  que depositava no assunto, viria a falecer sem conseguir finalizar a sua pesquisa.
Muitas obras de arte e monumentos de notável civilização foram outrora erigidas em Ubar, de acordo com a narração Alcorânica. Hoje, apenas resta isto.

Clapp, ao analisar os escritos do investigador Inglês Thomas, convenceu-se da existência desta cidade perdida descrita no livro. Empreendeu a sua pesquisa sem demora.

Clapp utilizou duas formas distintas de confirmação da existência de Ubar. Principiou por descobrir os trilhos conhecidos dos Beduínos. Requereu então à NASA que lhe fossem facultadas fotografias por satélite da área. Após prolongada disputa, conseguiu persuadir as autoridades a efectuarem o reconhecimento fotográfico da área. (22)

Clapp prosseguiu examinando os antigos manuscritos e mapas na Biblioteca Huntington, na Califórnia. O seu objectivo era encontrar um mapa da região. Depois de uma breve pesquisa, foi finalmente bem sucedido. Descobriu um mapa desenhado pelo geógrafo greco-egípcio Ptolomeu em 200 D.C.. Nele estava patente a localização de uma antiga cidade da região e respectivas vias de acesso a ela conducentes.

Recebeu, entretanto, indicação de que as fotografias tinham sido efectuadas pela NASA. Naquelas, alguns trilhos de caravana tornaram-se visíveis, sendo que anteriormente eram dificilmente identificáveis a olho nu, podiam agora ser observados na sua totalidade a partir do espaço. Ao comparar estas imagens com os antigos mapas que possuía, Clapp finalmente chegou à conclusão que tanto buscara. Os trilhos do antigo mapa correspondiam aos trilhos das fotografias tiradas por satélite. O destino final destes trilhos era uma zona ampla onde supostamente teria existido uma cidade.

Finalmente, a localização da cidade lendária, protagonista das histórias transmitidas oralmente pelos Beduínos, fora descoberta. Pouco tempo depois iniciaram-se as escavações e os vestígios de uma antiga cidade foram sendo revelados sob as areias. Esta cidade perdida foi então alcunhada de “Ubar, a Atlantis das areias”.

O que foi que comprovou que esta cidade era a cidade do povo de ‘Ad mencionada no Alcorão?

Assim que os vestígios começaram a ser desenterrados, verificou-se que esta cidade em ruínas pertencera ao povo de ‘Ad e aos pilares de Iram mencionados no Alcorão, pois entre as estruturas trazidas à luz do dia encontravam-se as torres a que o Alcorão se refere especialmente. Um elemento da equipa investigadora condutora da escavação, o Dr. Zarins, afirmou que, sendo as torres a característica mais distintiva de Ubar e tendo Iram sido descrita como possuindo torres ou pilares, era esta a prova mais forte de que o local que tinham escavado era Iram, a cidade do povo de ‘Ad descrita no Alcorão.

O Alcorão menciona Iram da seguinte forma:

<< Não reparaste em como o teu Senhor procedeu em relação ao (povo de) ‘Ad, aos (habitantes de) Iram, (cidade) de pilares elevados, semelhante ao qual não foi nenhum criado na terra?”    
(Capítulo Al-Fajr – 89:6-8)

O Povo de ‘Ad

Até agora, vimos que Ubar pode bem possivelmente ser a cidade de Iram mencionada no Alcorão. De acordo com este Livro, os habitantes da cidade não escutaram o Profeta, aos quais tinha trazido uma mensagem e um aviso, e acabaram por perecer. 


 A identidade do povo de ‘Ad, que fundou a cidade de Iram, tem sido objecto de largos debates. Nos registos históricos não existe qualquer menção de um povo com cultura semelhantemente desenvolvida, nem com tal grau de civilização estabelecida. Pode, inclusivamente, ser considerado deveras curioso que o nome desse povo não seja igualmente encontrado em nenhum registo histórico.

Por outro lado, não é assim tão surpreendente não nos depararmos com a presença destas gantes nos registos e arquivos dos antigos estados. A razão tem a ver com o facto de aquelas viverem no sul da Arábia, que era uma região distante dos outros povos habitantes da região da Mesopotâmia e do Médio Oriente, e manterem somente relações limitadas com estes. Era uma situação bastante comum para um estado, sobretudo para um pouco conhecido, que não fosse incluído nos registos históricos. Não obstante, é possível ouvir testemunhos por entre as gentes do Médio Oriente acerca do povo de ‘Ad.

A razão mais importante de o povo de ‘Ad não ser mencionado nos registos escritos prende-se com o facto de a comunicação esctira não ser comum na região, nessa época. É assim possível pensar que o povo de ‘Ad tinha fundado um estado, embora este não estivesse registado nos arquivos históricos. Se tal estado tivesse vingado mais algum tempo, talvez no presente se conhecesse consideravelmente mais acerca destas gentes.

Não subsiste qualquer registo escrito acerca do povo de ‘Ad, mas informações importantes relativas à sua ‘descendência” podem ser encontradas, assim como é possível formar um retrato deste povo à luz de tais informações.

Hadramitas, os Descendentes do povo de ‘Ad 

O primeiro lugar que deve ser investigado aquando de uma busca de vestígios de uma civilização provável estabelecida pelo povo de ‘Ad ou seus descendentes é o Iémen do Sul, onde se encontra “A Atlantis das Areias, Ubar” e é referido como sendo o lar dos “Árabes Afortunados”. No Iémen do Sul existiram quatro diferentes povos designados “Árabes Afortunados” pelos Gregos. São estes os Hadramitas, os Sabinos, os Mininos e os Qatabinos. Estes quatro povos reinaram nas proximidades uns dos outros por algum tempo.
Muitos cientistas contemporâneos afirmam que o povo de ‘Ad teria entrado num período de transformação e seguidamente reaparecido no palco da história. O Dr. Mikail H. Rahman, um investigador na Universidade de Ohio, defende que o povo de ‘Ad é o antepassado do povo Hadramita, um dos quatro povos que habitaram o Iémen do Sul. Tendo surgido por volta do ano 500 A.C., o povo-Hadramita é o menos conhecido dos povos denominados “Árabes Afortunados”. Este povo teria reinado na região do Iémen do Sul durante bastante tempo e desaparecido totalmente em 240 D.C., após um largo período de crescente perda de poder.
O nome Hadrami aponta para a possibilidade de aqueles serem descendentes do povo de ‘Ad. O escritor Grego Plínio, que viveu no 3° século A.C. refere-se a esta tribo como “Adramitai” ─ significando os Hadrami. (23) A terminação do nome Grego é um sufixo de substantivo, sendo o substantivo “Adram” que imediatamente se sugere como uma corrupção possível de “Ad-i Iram”, mencionado no Alcorão.

O geógrafo Grego Ptolomeu (150-100 A.C.) indicava o sul da península Árabe como o local onde habitava o povo conhecido por “Adramitai”. Esta região era, até ao presente, conhecida pelo nome “Hadhramaut”. A capital do estado Hadrami, Shabwah, localizava-se a ocidente do Vale Hadhramaut. De acordo com várias lendas antigas, o túmulo do Profeta Hud, o mensageiro enviado ao povo de ‘Ad, está em Hadhramaut.
  
Outro factor que auxilia a corroboração da ideia de que os Hadramitas são a continuação do povo de ‘Ad reside na sua riqueza. Os Gregos caracterizaram os Hadramitas como sendo “a raça mais próspera do mundo,...” Os registos históricos testemunham que os Hadramitas se tinham aplicado no desenvolvimento da cultura do incenso, a planta valiosa da altura. Tinham encontrado novas possibilidades de utilização para aquela e alargaram o seu uso. A produção agrícola dos Hadramitas era consideravelmente superior à produção actual desta planta.

O que foi revelado pelas escavações levadas a cabo em Shabwah, conhecida como a capital dos Hadramitas, é deveras interessante. Nestas escavações que se iniciaram em 1975, foi extremamente difícil para os arqueólogos atingir os restos da cidade devido a espessas camadas de areia. Os achados encontrados no culminar das escavações eram espantosos; pois a cidade exposta era ela própria uma das mais espantosas descobertas até então. A cidade fortificada, que era agora revelada, tinha uma área muito mais vasta do que a de qualquer outro local de prospecção no Iémen, e o seu palácio era um edificio magnífico.

Indubitavelmente seria lógico supor que os Hadramitas teriam herdado esta superioridade arquitectural dos seus antepassados, o povo de ‘Ad. O Profeta Hud disse ao povo de ‘Ad quando o avisou:

<< Erguestes vós em todos os lugares altos um monumento por vão prazer? E construístes fortificados edificios para que, felizmente, possais durar para sempre?>>     (Ach-Chu’ara – 26:128-129)

Outra característica interessante dos edificios encontrados em Shabwah era a profusão de elaboradas colunas. As colunas de Shabwah eram únicas por serem arredondadas e alinhadas por forma a constituírem um pórtico circular, enquanto que todos os outros locais até então descobertos no Iémen ostentavam colunas monolíticas quadradas. O povo Shabwah deveria ter herdado o estilo arquitectural dos seus antepassados, o povo de ‘Ad. Photius, um Patriarca greco-bizantino de Constantinopla no 9° século D.C., pesquisou exaustivamente os Árabes do Sul e suas actividades comerciais através do acesso a antigos manuscritos Gregos que não chegaram à actualidade, mais concretamente o livro de Agatharachides (132 A.C.), Sobre o Mar Eritreu (Vermelho). Photius afirma em um de seus artigos:

“É dito que eles (os Árabes do Sul) ergueram muitas colunas revestidas de ouro ou feitas de prata. O espaço entre estas é digno de observação.” (24)

Embora a afirmação de Photius acima citada não se referir directamente aos Hadramitas, em todo o caso dá uma noção da prosperidade e das crescentes proezas dos povos que habitavam a região. Os escritores Gregos clássicos Plínio e Estrabão descrevem estas cidades como “adomadas por belíssimos templos e palácios”. Quando pensamos nos habitantes destas cidades como os descendentes do povo de ‘Ad, é perfeitamente compreensível a razão pela qual o Alcorão define o lar do povo de ‘Ad como “a cidade de Iram, de pilares elevados” (Capítulo Al-Fajr – 89:7) 

As Fontes e Jardins do povo de ‘Ad

Na actualidade, a paisagem com a qual, alguém que viaje pela Arábia do Sul, mais frequentemente se depara consiste em vastas extensões desérticas. A maioria dos locais, com excepção das cidades e regiões que foram reflorestadas, está coberto de areia. Estes desertos encontram-se no seu presente estado há centenas, senão milhares, de anos. Mas no Alcorão surge uma informação interessante em um dos versículos relativos ao povo de ‘Ad. Enquanto tentava avisar o seu povo, o Profeta Hud dirige a atenção daquele para as fontes e jardins por Allah doados:

<< Temei, pois, a Allah, e obedecei-me! E temei a Quem vos cumulou com tudo o que sabeis. Que vos cumulou de gado e filhos, de jardins e nascentes de água. Na verdade, eu temo por vós o castigo de um Dia Terrível>>. (Capítulo Ach-Chu’ara – 26:131-35)

Mas como previamente notado, Ubar, que foi identificada como a cidade de Iram, ou qualquer outro local que tivesse sido a morada do povo de ‘Ad, encontra-se totalmente recoberta, no presente, por deserto. Então porque é que o Profeta fez uso de semelhante expressão aquando do aviso ao seu povo? 

 
A resposta a esta pergunta reside nas alterações climáticas no curso da história. Os registos históricos revelam que estas áreas, agora transformadas em desertos, foram anteriormente terras muito produtivas e verdes. Uma considerável porção da região encontrava-se coberta de áreas verdes e nascentes, como é descrito no Alcorão, há menos de alguns milhares de anos, e os povos da região aproveitavam estas dádivas. As florestas atenuavam os rigores do clima da região, tornando-a mais habitável. Os desertos subsistiam, embora não abrangessem uma área tão vasta quanto a de hoje.

No sul da Arábia, na zona onde habitara o povo de ‘Ad, foram compiladas pistas importantes que viriam iluminar a questão. Estas comprovaram que os habitantes da região utilizavam um sistema de irrigação bastante desenvolvido. Este sistema de irrigação servia um único objectivo: agricultura de regadio. Nessas regiões, presentemente inadequadas para habitação, outrora existiam povos a cultivar a terra.

As fotografias por satélite vieram, igualmente, revelar um extenso sistema arcaico de canais e barragens utilizado para fins de rega nas proximidades de Ramlat e Sab’atayan que se calcula ter podido abastecer 200.000 pessoas nas cidades vizinhas. (25) Como afirmou Doe, um dos investigadores que liderava a pesquisa: “Tão fértil era a área ao redor de Ma’rib, que se pode inclusivamente conceber que toda a região entre Ma’rib e Hadhramaut foi outrora terreno de cultivo.” (26)

O clássico escritor Gregor Plínio descrevera a região como sendo extremamente fértil e húmida, com montanhas arborizadas, rios e florestas virgens. Em inscrições encontradas nalguns dos templos antigos perto de Shabwah, a capital dos Hadramitas, está escrito que nesta região eram caçados e até sacrificados animais. Todos estes factos revelam que a região fora outrora largamente coberta de terreno fértil e também deserto.

A velocidade com que o deserto pode cercar e consumir pode ser calculada através da recente pesquisa levada a cabo pelo Instituto Smithsonian no Paquistão, onde uma área comprovadamente fértil durante a Idade Média se transformou em deserto, com dunas de 6 metros de altura avançando a uma velocidade média diária de 15 centímetros. Com semelhante rapidez, as areias podem cobrir até os mais altos edificios, como se estes nunca tivessem existido. Escavações em Timna, no Iémen, durante os anos 50, encontram-se agora quase completamente soterradas. As pirâmides Egípcias estiveram outrora totalmente cobertas de areia e só puderam ser devolvidas à luz do dia mediante demoradas escavações. Em resumo, uma região presentemente desértica pode muito bem ter tido no passado um aspecto deveras diferente. 

Como ocorreu a ruína do povo de ‘Ad?

No Alcorão é afirmado que o povo de ‘Ad pereceu à mercê de um “vento furioso”. Nos versículos é mencionado que este vento furioso durou sete noites e oito dias, tendo dizimado completamente o povo de ‘Ad.

<< O Povo de ‘Ad rejeitou os avisos. Como foi, então, terrível o Meu castigo, depois dos meus avisos! Sabei que desencadeamos sobre eles um vento devastador, num dia de calamidade constante, varrendo os homens para longe como se fossem troncos desenraizados de palmeiras.>> (Capítulo Al-Qamar – 54:18-20)

<< E, quanto ao povo de ‘Ad, foi destruído por um vento furioso e impetuoso, que Ele (Allah) desencadeou sobre ele, durante sete noites e oito longos dias, em que poderias ver aqueles homens jacentes, como se fossem troncos de palmeiras caídos>> (Capítulo Al-Háqqa – 69:6-7)

Embora avisadas de antemão, as gentes não deram ouvidos à mensagem e continuaram a rejeitar o seu mensageiro. Encontravam-se de tal modo iludidas que não compreendiam o que as esperava aquando do início da destruição e persistiram na negação da evidência. <>.      (Capítulo Al-Ahqaf – 46:24)

Presentemente, a região onde o povo de ‘Ad vivia está cheia de dunas.
No versículo é afirmado que o povo avistou a nuvem que lhe traria a calamidade, mas não compreendeu as implicações e pensou que se tratasse de uma nuvem de chuva. Esta pode ser considerada uma importante indicação relativamente ao tipo de calamidade que se aproximava do povo, pois um ciclone avançando ao mesmo tempo que eleva a areia do deserto tem à distância o mesmo aspecto que uma nuvem de chuva. É assim possível que o povo de ‘Ad tivesse sido ludibriado por esta visão e não reparasse na calamidade. Fornece uma descrição destas tempestades de areia (aparentemente baseada na sua experiência pessoal); “o primeiro indício (de uma tempestade de areia ou poeira) é a aproximação de uma massa de ar repleta de pó, que pode alcançar vários milhares de pés em altura e é levantada por fortes correntes ascendentes e agitada por vento de força considerável.” (27)

Considerada como lar do povo de ‘Ad, “Ubar, a Atlantis das Areias” foi igualmente posta a descoberto por baixo de uma camada de areia com vários metros de espessura. Parece que o vento furioso que durou “sete noites e oito dias”, pela definição do Alcorão, teria soterrado a cidade sob toneladas de areia, assim enterrando vivo o povo habitante. As escavações em Ubar apontam para uma mesma realidade. A revista Francesa Ça M’Interesse afirma esse mesmo facto de seguinte forma: “Ubar terá sido soterrada sob uma camada de areia com 12 metros resultante de uma tempestade”. (28)


A pista mais significativa para a comprovação do facto de o povo de ‘Ad ter sido enterrado devido a uma tempestade de areia, reside na utilização no Alcorão da palavra “ahqaf” para indicar a localização do povo de ‘Ad. A definição utilizada no 21° versículo do Capítulo Al-Ahqaf (As Dunas) é a seguinte:

<< E menciona-lhes o irmão de (povo de) ‘Ad (o Profeta Hud) que aconselhou o seu povo nas dunas, embora  já tivesse havido conselheiros antes e depois dele (que lhes aconselharam): Nada adoreis além de Allah, porque temo por vós o Castigo de um Dia Terrível>>

No versículo é afirmado que o povo avistou a nuvem que lhe traria a calamidade, mas não compreendeu as implicações e pensou que se tratasse de uma nuvem de chuva. Esta pode ser considerada uma importante indicação relativamente ao tipo de calamidade que se aproximava do povo, pois um ciclone avançando ao mesmo tempo que eleva a areia do deserto tem à distância o mesmo aspecto que uma nuvem de chuva. É assim possível que o povo de ‘Ad tivesse sido ludibriado por esta visão e não reparasse na calamidade. Fornece uma descrição destas tempestades de areia (aparentemente baseada na sua experiência pessoal); “o primeiro indício (de uma tempestade de areia ou poeira) é a aproximação de uma massa de ar repleta de pó, que pode alcançar vários milhares de pés em altura e é levantada por fortes correntes ascendentes e agitada por vento de força considerável.” (27)

Considerada como lar do povo de ‘Ad, “Ubar, a Atlantis das Areias” foi igualmente posta a descoberto por baixo de uma camada de areia com vários metros de espessura. Parece que o vento furioso que durou “sete noites e oito dias”, pela definição do Alcorão, teria soterrado a cidade sob toneladas de areia, assim enterrando vivo o povo habitante. As escavações em Ubar apontam para uma mesma realidade. A revista Francesa Ça M’Interesse afirma esse mesmo facto de seguinte forma: “Ubar terá sido soterrada sob uma camada de areia com 12 metros resultante de uma tempestade”. (28)

A pista mais significativa para a comprovação do facto de o povo de ‘Ad ter sido enterrado devido a uma tempestade de areia, reside na utilização no Alcorão da palavra “ahqaf” para indicar a localização do povo de ‘Ad. A definição utilizada no 21° versículo do Capítulo Al-Ahqaf (As Dunas) é a seguinte:

<< O povo de Thamud (também) rejeitou os
(seus) admoestadores, pois que eles disseram:
O quê! Haveremos de seguir um homem solitário,
surgido dentre nós? Por certo, cairíamos, então,
em extravio e na loucura! Acaso, foi a Mensagem
revelada só a ele, dentre nós? Não, ele é um mentiroso,
insolente! Amanhã eles saberão quem é mentiroso e insolente!>>
(Capítulo Al-Qamar – 54:23-26)

Conforme é relatado no Alcorão, o povo de Thamud ignorou os avisos de Allah como o povo de ‘Ad os tinha ignorado, e foi destruído. No presente, e como resultado de estudos arqueológicos e históricos, muitos factos até então desconhecidos, tais como o locol onde o povo de Thamud habitara, o tipo de habitações por ele construído, e o seu estilo de vida, foram trazidos à luz do dia. O povo de Thamud mencionado no Alcorão é historicamente corroborado por diversos achados arqueológicos actuais. Antes que prossigamos com a análise dos achados arqueológicos relacionados com o povo de Thamud, revela-se útil examinar o episódio do Alcorão e observar o conflito deste povo com o seu Profeta. Como o Alcorão é um livro intemporal, a negação do povo de Thamud aos avisos que lhes foram feitos é um incidente que, por sua vez, é um aviso para as gentes de todos os tempos.

A Transmissão da Mensagem pelo Profeta Salih

No Alcorão é mencionado que o Profeta Salih foi enviado ao povo de Thamud para o avisar. O Profeta Salih era um membro reconhecido na sociedade de Thamud. O seu povo, que não esperava que ele proclamasse a religião verdadeira, foi surpreendido pelo seu apelo ao abandono da perversidade que o caracterizava. A sua reacção inicial pautou-se pelo escárnio e condenação do Profeta:

<< E ao povo de Thamud Nós enviámos seu irmão Salih. Ele disse: Ó meu povo! Adorai a Allah; vós não tendes outra divindade além d’Ele; Ele foi Quem vos criou da terra e nela vos enraizou. Implorai, pois, o Seu perdão e voltai para ele arrependidos, pois o meu Senhor está próximo e pronto a atender-vos>>. (Capítulo Hud – 11:61-62)

Uma pequena parte da comunidade acedeu ao apelo do Profeta Salih, mas a maioria não aceitou o que este lhes transmitira. Em especial os líderes da comunidade rejeitaram o Profeta Salih e tomaram uma posição antagónica em relação a ele. Tentaram calar e oprimir aqueles que acreditavam no Profeta Salih. Sentiam raiva pelo Profeta Salih por este os chamar à adoração de Allah. Esta raiva não era específica do povo de Thamud; eles repetiam os erros do povo de Noé do povo de ‘Ad, que tinham vivido antes deles. É por esta razão que o Alcorão se refere a estas três comunidades da seguinte forma:

<< Ignorais, acaso, as histórias de vossos antepassados? Do povo de Noé, de ‘Ad, de Thamud e daqueles que os sucederam? Ninguém, senão Allah, as conhece. Quando os seus Mensageiros lhes apresentaram as evidências, eles levaram as mãos às bocas, e disseram: Negamos (a missão) com que nos fostes enviados e temos grandes dúvidas com respeito a isso para que nos chamais>>. (Capítulo Ibrahim – 14:9)

Apesar dos avisos do Profeta Salih, o povo continuou a ser atormentado por dúvidas. Todavia, existia um grupo que acreditava na profecia do Profeta Salih ─ e estes eram aqueles que viriam a ser salvos juntamente com o Profeta Salih a-quando da grande catástrofe. Os líderes da comunidade tentaram oprimir o grupo apoiante do Profeta Salih:

<< Os chefes do seu povo, que eram orgulhosos, disseram aos crentes que desprezavam: Estais seguros de que Salih é um enviado do seu Senhor? Eles disseram: Na verdade, nós cremos na sua missão. Os orgulhososos disseram: No que respeita a nós, não cremos nisso em que vós credes.>> (Capítulo Al-A’raf – 7:75-76)

O povo de Thamud continuava com dúvidas relativamente a Allah e à profecia do Profeta Salih. Mais ainda, um determinado grupo rejeitava abertamente o Profeta. Um grupo de entre os que rejeitavam a fé ─ supostamente em nome de Allah ─ conspirava entretanto para assassinar o Profeta Salih. << Eles disseram-lhe: Temos um mau augúrio acerca de ti e de quem está contigo. Ele disse: O vosso mau augúrio está no poder de Allah; porém, vós sois um povo que está a ser submetido à prova. E havia, na cidade, nove indivíduos, que causavam corrupção na terra, e não praticavam o bem. Eles disseram: Juramos que o surpreenderemos a ele e à  sua família durante a noite, matando-os; então, diremos ao seu protector: Não presenciamos o assassinato de sua família, e estamos a dizer a verdade. E eles conspiraram e planejaram; porém, Nós também planejamos, sem que eles o suspeitassem>>.   (Capítulo An-Naml – 27:47-50)

Para verificar se o seu povo seguiria as ordens de Allah, o Profeta Salih mostrou-lhes um camelo fêmea como teste final. Por forma a confirmar se lhe obedeceriam, ordenou ao seu povo que partilhassem a água com este camelo fêmea e não lhe fizessem qualquer mal. Então o povo foi submetido ao teste. O seu povo reagiu ao Profeta Salih matando o camelo. No Capítulo Ach-Chuara os acontecimentos são descritos da seguinte forma:

<< O povo de Thamud rejeitou os seus mensageiros. Quando seu irmão, Salih, lhes disse: Não temeis a Allah? Eu sou para vós um fidedigno mensageiro. Temei, pois, a Allah, e obedecei-me! Não vos exijo, por isso, recompensa alguma, porque a minha recompensa virá do Senhor dos Mundos. Estareis vós seguros nisto que existe aqui perante nós? Jardins e nascentes de água, e campos cultivados e palmeiras cujos ramos estão prestes a quebrar (com o peso dos frutos)? Ainda que, sendo hábeis, tenbais cavado habitações nas montanhas? Temei, pois, a Allah, e obedecei-me! E não obedeçais às ordens dos transgressores, que fazem corrupção na terra e não se corrigem! Disseram-lhe: Certamente és um enfeitiçado! Tu não és mais do que um mortal como nós. Apresenta-nos, então, um Sinal, se és verdadeiro. Respondeu-lhes: Eis aqui uma camela que, em dia determinado, tem direito à água, assim como vós tendes o vosso direito. Não lhe causeis dano, porque vos açoitará o Castigo do Dia Terrível. Porém a asquartejaram, se bem que logo se arrependeram>>. (Capítulo Ach-Chuara – 26:141-157) A luta do Profeta Salih com o seu povo é relatada no Capítulo Al-Qamar (A Lua):

<< O povo de Thamud (também) rejeitou os (seus) admoestadores, pois que eles disseram: O quê! Haveremos de seguir um homem solitário, surgido dentre nós? Por certo, cairíamos, então, em extravio e na loucura! Acaso, foi a Mensagem revelada só a ele, dentre nós? Não, ele é um mentiroso, insolente! Amanhã eles saberão quem é mentiroso e insolente! ─ Em verdade, Nós enviamos-lhes a camela como prova. E tu (ó Salih), observa-os e aguarda com paciência. E anuncia-lhes que a água deverá ser compartilhada entre eles, e cada qual terá o seu turno registrado. ─  Então, eles chamaram um companheiro seu, o qual tomou de um sabre e a abateu>>   (Capítulo Al-Qamar – 54:23-29)

A partir do Alcorão constata-se que o povo de Thamud descendia do povo de ‘Ad. De acordo com isto, os achados arqueológicos demonstram que as raízes do povo de Thamud, que habitava no norte da Península Árabe, remontam ao sul da Arábia, onde o povo de ‘Ad outrora habitara.

O facto de não terem sido de imediato castigadas só aumentou a insolência destas gentes. Começaram a perturbar o Profeta Salih, criticando-o e acusando-o de faltar com a verdade.
<< E, então, violando a ordem do seu Senhor, cortaram os tendões das pernas da camela e disseram: Ó Salih! Faz com que as tuas ameaças se cumpram, se és, na verdade, um dos mensageiros (de Allah)>>. (Capítulo Al-A’raf – 7:77)

Allah tornou fracos e nulos os planos e estratagemas dos descrentes e resgatou o Profeta Salih das mãos daqueles que pretendiam fazer o mal. Depois deste evento, e constatando que tinha em vão proclamado de muitas formas a mensagem ao seu povo, o Profeta Salih declarou ao seu povo que seria aniquilado no espaço de três dias: << Não obstante, eles abateram-na. E ele lhes disse: Diverti-vos durante três dias em vossas casas; (logo sereis exterminados). Esta é uma ameaça iniludível>>.   (Capítulo Hud – 11:65)
Infalivelmente, três dias depois, o aviso do Profeta Salih tornou-se realidade e o povo de Thamud foi destruído.

<< E o estrondo fumlinou os iníquos, e a manhã encontrou-os jacentes em suas casas, como se jamais nelas bouvessem vivido. Acaso, não é certo que o povo de Thamud renegou seu Senhor? Distância do povo de Thamud!>> (Capítulo Hud – 11:67-68). 

Os Achados Arqueológicos Relativos ao Povo de Thamud

Tratando-se de um dos povos mencionados no Alcorão, o povo de Thamud é o povo acerca do qual detemos actualmente o conhecimento mais aprofundado. As fontes históricas revelam que um povo denominado Thamud existiu na realidade.

A comunidade de al-Hijr mencionada no Alcorão é tida como sendo a mesma do povo de Thamud. A outra designação do povo de Thamud é Ashab al-Hijr. Daí que a palavra “Thamud” seja o nome de um povo, enquanto que a cidade de Hijr é uma das cidades fundadas por este povo. As descrições do geógrafo Grego Plínio são idênticas. Plínio escreveu que Domatha e Hegra eram locais onde o povo de Thamud residia, que se transforamarm, hoje, na cidade de Hijr. (29).

As fontes mais antigas que referem o povo de Thamud são os anais vitoriosos do Rei Babilónio Sargon II (8° século A.C.), que derrotou aquele povo numa campanha no norte da Arábia. Os Gregos mencionam igualmente este povo, como os “Thamudaei”, isto é, “Thamuds”, na escrita de Aristóteles, Ptolomeu e Plínio. (30)  Antes do Profeta Muhammad (Maomé), a paz esteja com ele, aproximadamente entre os anos 400 e 600 D.C., os seus vestígios são já completamente desconhecidos.

No Alcorão, os povos de ‘Ad e Thamud são sempre mencionados conjuntamente. Além disso, os versículos aconselham o povo de Thamud a ter atenção à aniquilação do povo de ‘Ad. Isto prova que o povo de Thamud possuía informação detalhada acerca do povo de ‘Ad.
<< E ao povo de Thamud, Nós enviamos seu irmão Sálih. Ele disse: Ó meu povo! Adorai a Allah; não tendes outra divindade além d’Ele...>> (Capítulo Al-A’raf – 7:73) << E lembrai-vos como Ele, depois vos fe sucessores do povo de ‘Ad e vos estabeleceu na terra: erguestes castelos nas planícies e transformastes as montanhas em habitação; lembrai-vos, portanto, de todos os benefícios de Allah, e não espalheis a corrupção na terra>>.     (Capítulo Al-A’raf  - 7:74)

“E lembrai-vos como Ele, depois vos fez sucessores do povo de ‘Ad e vos estabeleceu na terra: erguestes castelos nas planícies e transformastes as montanhas em habitação; lembrai-vos, portanto, de todos os benefícios de Allah, e não espalheis a corrupção na terra.”      ─ (Capítulo al-A’raf – 7:74)

Como se depreende da leitura do versículo, existe uma relação entre os povos de ‘Ad e de Thamud, sendo possível que o primeiro seja parte integrante da história e cultura do segundo. O Profeta Salih ordena ao povo de Thamud que recorde o exemplo do povo de ‘Ad e daí retire conclusões.

Ao povo de ‘Ad é mostrado o exemplo do povo de Noé que o precedeu. Assim como o povo de ‘Ad teve importância histórica para o povo Thamud, o de Noé teve-a para o povo de ‘Ad. Estes povos têm noção da existência uns dos outros e possivelmente pertencem a uma mesma linhagem.

É viável elaborar uma ordenação cronológica destes incidentes descritos no Alcorão. Quando se considera que o povo de Thamud surgui no 8°. século A.C., torna-se possível ordenar os acontecimentos a partir dessa base. No tempo do Profeta Lut, o povo de Lut foi dizimado; seguidamente, durante a época do Profeta Moisés, o afogamento do Faraó (com a maior das probabilidades Ramsés II) e  seu exército; o envio de ventos destruidores ao povo de ‘Ad e por fim a destruição do povo de Thamud. A punição do povo de Noé ocorre em 1° lugar. Quando se considera esta ordem, é assim a tabela:

Profeta Noé: 3000 – 2500 A.C.
Profeta Abraão e Profeta Lut: Início de 2000 A.C.  
Profeta Moisés: 1300 A.C.
Profeta Hud e o povo de ‘Ad: 1300 - ? A.C.
Profeta Salih e o povo de Thamud: 800 - ? A.C.

Certamente que esta sequência histórica não se pode considerar exacta, todavia encontra-se de acordo tanto com as descrições do Alcorão, quanto com os factos históricos. 

Referimos anteriormente que o Alcorão relata a existência de uma relação entre os povos de ‘Ad e de Thamud. O povo de Thamud foi avisado para que recordasse o sucedido com o povo de ‘Ad, a sua aniquilação. Não obstante, os locais oned vivia o povo de ‘Ad e o povo de Thamud distavam bastante geograficamente. Não parece existir uma relação entre estas duas comunidades; então porque é que no versículo é afirmado que o povo de Thamud deveria recordar o povo de ‘Ad?

A resposta é facilmente obtida após curta investigação. A distância geográfica enter os povos de ‘Ad e de Thamud é enganadora. As fontes históricas revelam que existe uma relação muito forte entre os dois povos. O povo de Thamud conhecia o povo de ‘Ad porque estes dois povos com grande probabilidade derivavam da mesma origem. A Britannica Micropaedia inclui, relativamente a estes povos, uma entrada sob o título de “Thamud”:

<< Na antiga Arábia, tribo ou grupo de tribos que aparentemente tiveram alguma proeminência aproximadamente entre o 4° século A.C. e a primeira metade do 7° século D.C.. Apesar do povo de Thamud terem provavelmente tido origem no sul da Arábia, um largo grupo cedo deve ter migrado para norte, estabelecendo-se da forma tradicional nas encostas do Jabal (Monte)  Athlab. Trabalho arqueológico recente revelou numerosos escritos e ilustrações Thamudicas em pedra, não só em Jabal Athlab, como também em toda a Arábia Central>> (31)

Uma escrita graficamente similar ao alfabeto Semítico (denominado Thamudico) foi encontrada no sul da Arábia e em todo o Hidjaz. (32) Esta escrita foi primeiramente identificada numa região do norte do Iémen Central, conhecida como Thamud, que é delimitada ao norte pelo Rub’al Khali, ao sul pelo Hadhramaut e a oeste por Shabwah. Anteriormente tínhamos visto que o povo de ‘Ad vivia no sul da Arábia. É bastante importante que alguns vestígios do povo de Thamud tenham sido descobertos na região onde o povo de ‘Ad habitara, em particular à volta da zona onde os Hadramitas, os descendentes do povo de ‘Ad, viveram e tiveram sua capital. Esta situação explica a relação Ad-Thamud descrita no Alcorão. Esta relação é explicada da seguinte maneira nas palavras do Profeta Salih, onde afirma que o povo de Thamud viera substituir o povo de ‘Ad.

<< E ao povo de Thamud, Nós enviamos seu irmão Sálih. Ele disse: Ó meu povo! Adorai a Allah; não tendes outra divindade além d’Ele...>> (Capítulo Al-A’raf – 7:73) << E lembrai-vos como Ele, depois vos fez sucessores do povo de ‘Ad e vos estabeleceu na terra: erguestes castelos nas planícies e transformastes as montanhas em habitação; lembrai-vos, portanto, de todos os benefícios de Allah, e não espalheis a corrupção na terra>>.     (Capítulo Al-A’raf – 7:74)

Em resumo, o povo de Thamud teve, na sua aniquilação, o castigo merecido por desobedecer ao seu mensageiro. Os edifícios que tinham erguido e as obras de arte que tinham produzido não bastaram para os proteger da punição. O povo de Thamud foi destruído por meio de uma severa punição como todos os outros povos que o antecederam e sucederam na rejeição da Verdade.


19- Thomas H. Maugh II, “Ubar, Fabled Lost City, Found by LA Team”, The Los Angeles Times, 5 February 1992. 
20- Kamal Salibi, A History of Arabia, Caravan Books, 1980.
21- Bertram Thomas, Arabia Felix: Ac.
ross the “Empty Quarter” of Arabia, New York: Schrieber’s Sons 1932, p. 161. 

22- Charlene Crabb, “Frankincense”, Discover, January 1993.
23- Nigel Groom, Frankincense and Myrrh, Longman, 1981, p. 81. 
24- Ibid., p. 72. 
25- Joachim Chwaszcza, Yemen, 4PA Press, 1992 .

26- Ibid. 
27- Brian Doe, Southern Arabia, Thames and Hudson, 1971, p. 21. 
28- Ça M’Interesse, January 1993.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.