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domingo, 16 de agosto de 2026

Guerra do Paraguai: um dos conflitos mais trágicos da América do Sul

A Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança, ocorreu entre 1864 e 1870 e envolveu o Paraguai contra Brasil, Argentina e Uruguai. O conflito começou em um contexto de disputas políticas e territoriais na região do Rio da Prata, envolvendo principalmente o Paraguai de Francisco Solano López e os interesses dos países vizinhos. Em 1864, López determinou a invasão de Mato Grosso e, posteriormente, do Rio Grande do Sul e da Argentina, levando à formação da Tríplice Aliança. Em 1865, ocorreu a importante Batalha Naval de Riachuelo, que fortaleceu o controle aliado sobre os rios e dificultou os movimentos paraguaios. Entre os principais comandantes brasileiros esteve Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, que assumiu o comando das forças brasileiras e conduziu importantes etapas da campanha. Dom Pedro II demonstrou grande interesse em participar pessoalmente da guerra e chegou a desejar seguir para o campo de batalha, mas foi impedido pelo governo e pelo risco de deixar o Império sem seu principal governante. Mesmo assim, apresentou-se simbolicamente como o “Voluntário Número Um” e acompanhou de perto os acontecimentos. A guerra tornou-se cada vez mais longa e destrutiva, provocando enorme número de mortes entre soldados e civis. 

O Paraguai sofreu uma devastação especialmente grave, com a morte de grande parte de sua população, sobretudo entre os homens adultos, embora as estimativas sobre o número total de mortos sejam bastante discutidas pelos historiadores. Nos últimos anos do conflito, a situação paraguaia tornou-se desesperadora, e o governo de Solano López passou a mobilizar homens muito jovens, além de idosos e outros grupos que normalmente não participariam de uma guerra. Crianças paraguaias chegaram a ser utilizadas nos combates finais, episódio associado à Batalha de Acosta Ñu, em 16 de agosto de 1869, embora alguns números e relatos tradicionais sobre esse episódio sejam discutidos pelos historiadores. Em 1869, após a saída de Caxias, o comando das forças brasileiras passou ao Conde d’Eu, marido da Princesa Isabel. Sua participação ocorreu na fase final da guerra, marcada pela perseguição às últimas forças de Solano López. O Conde d’Eu comandou as forças brasileiras até o final do conflito e esteve à frente de importantes combates, como Peribebuí e Campo Grande. Sua atuação também gerou controvérsias e diferentes interpretações entre os historiadores, especialmente sobre episódios de violência contra paraguaios. 

Finalmente, em 1º de março de 1870, Solano López foi morto em Cerro Corá, encerrando o conflito. A guerra deixou o Paraguai profundamente destruído e também trouxe grandes custos humanos, econômicos e sociais para o Brasil e seus aliados. Para o Brasil, o conflito fortaleceu o Exército e provocou importantes mudanças políticas, que contribuiriam para as transformações das décadas seguintes.

Você quer saber mais?

DORATIOTO, Francisco. Maldita guerra: nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1994.

IZECKSOHN, Vitor. A Guerra do Paraguai. In: GRINBERG, Keila; SALLES, Ricardo (org.). O Brasil Imperial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009. v. 2.