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terça-feira, 2 de julho de 2019

Uma análise psicológica da mente de Adolf Hitler. PARTE II.



Daremos continuidade ao nosso estudo, e que suas mentes ávidas do amanhã estejam atentas para que os nazistas não voltem com outro nome, pois o mal até ser vencido pelo amor, sempre retornará com outro nome!

O que nos perturba sobre Hitler é que de um lado Hitler tinha necessidades completamente grotescas, de outro, completamente humanas e normais. Podemos chama-lo de louco, insano, maníaco, psicopata, sociopata, mas não podemos deixar de reconhecer a sua complexidade mental. A tese é que, se sua mente não fosse complexa, jamais seduziria a também complexa sociedade alemã. Na mente dele convivia simultaneamente o vampiro social e o artista, o monstro e o menino. O carisma e o terror, a afetividade e a destrutividade andavam lado a lado.

Infância de Hitler


            Quando nasceu, não havia nele nenhum traço da psique de um monstro, mas de uma simples criança, cuja existência deveria ser pautada por alegrias e angústias, perdas e ganhos, aventuras e rotina. Os fatores genéticos podem influenciar a formação da personalidade, mas não determinam ou condenam um ser humano. Os fatores educacionais, o meio ambiente e o desenvolvimento do eu como gestor psíquico podem atuar para regular e moldar as influências genéticas. Então em minha opinião ninguém nasce psicopata, mas forma-se ainda que haja alguma influência genética para sê-lo. E se acreditarmos no contrário, poderemos incorrer nas teses nazistas de querer eliminar cérebros menos aptos para purificar a espécie humana. Um erro cruel!

            A mãe de Hitler, Klara, era uma mulher ajustada, sociável e simpática. Uma camponesa humilde, iletrada. Há uma acusação de que sua mãe era supertolerante e encorajava nele o sentido de singularidade, de ser único e destinado a uma história única. É provável que fosse superprotetora do menino que amamentou gerando timidez, insegurança e contraindo a sua autonomia. Mas, ainda que tenha dado uma proteção exagerada ao pequeno Hitler, os tempos mudaram quando ele fez 5 anos. Sua mãe deu a luz a outro filho, Hitler teria que se ajustar  a essa nova realidade, mas pelo que sabemos de sua personalidade esse ajuste nunca foi operado com maturidade, ele jamais se adaptou, muitos garotos superprotegidos crescem com a necessidade neurótica de ser o centro das atenções. O mundo tinha de girar em torno de suas necessidades.

            O pai, Alois, era reservado circunspeto, de humor contraído. Filho ilegítimo, usava o nome de sua mãe, Schicklgruber, que mais tarde mudou para Hitler. Era funcionário público, um burocrata que vivia na rotina.

            Lembrem-se que a mente de Hitler era paradoxal, e provavelmente a mãe o exaltasse e o pai o diminuísse. Amor e ódio circulavam pelas suas artérias “emocionais”. A exaltação do menino por parte da mãe era uma forma de projetar nele uma admiração que não via no seu marido, muito mais velho, pacato, destituído de glamour. Alois não era alcoólatra, mas amava  a vida e os vinhos, e talvez os amasse mais do que a convivência com seus filhos. Embora não fosse dado ao grande humor e à sociabilidade, tinha uma relação estreita com a natureza, particularmente com as colmeias.

            Mesmo num ambiente isento de grandes estímulos estressantes podem-se não desenvolver funções complexas da inteligência, como a generosidade e a sensibilidade. Algumas vezes o pai de Hitler foi descrito como um tirano, um homem brutal, mas essa descrição é mais para tentar explicar ou justificar de maneira superficial o caráter insano de seu filho. Não há relatos de abuso sexual, privações, vexame social ou violência doméstica em grande escala. Embora Alois não fosse afetivo não há provas de que batesse ou espancasse o menino Hitler nem que o submetesse ao cárcere da humilhação e do desprezo. É provável que o pai fosse um homem radical, com rejeição aos judeus e aos clérigos. Suas últimas palavras antes de falecer de um ataque cardíaco foi uma expressão raivosa, “esses negros”, expressão que remetia aos clérigos reacionários.

Psicopata estrutural e funcional

            Hitler e outros de seus asseclas como Himmler e Goebbels não viveram na relação familiar um corpo de estímulos estressantes que justificasse se tornar os maiores psicopatas da história, mas se tornaram. Devemos saber  que há uma diferença enorme entre um psicopata estrutural, forjado pelas intempéries psíquicas e sociais, e um psicopata funcional, que não sofreu traumas importantes na infância, mas que ainda assim desenvolveu uma necessidade neurótica de poder e de evidência social, cuja mente é passível de ser adestrada por ideologias inumanas e, consequentemente, de cometer atrocidades inimagináveis. É provável que somente 2% ou 3% da temível polícia SS, que era comandada por Himmler, fosse formada por psicopatas estruturais, influenciados pela carta genética, agressividade, abusos sexuais, privações, discriminação, bullying. Felizmente, a maioria das pessoas traumatizadas se superam. E os demais carrascos da SS o que foram? Tornaram psicopatas funcionais forjados no útero social estressante e por ideologias radicais e inumanas construídas pelos nazistas. E psicopatas estruturais, devido às suas limitações intelectuais, dificilmente dominam as massas.

            Embora Hitler não fosse diretamente alvo de grandes traumas, é provável que a diferença de idade entre Klara e Alois Hitler, o ciúme doentio e o controle excessivo do pai sobre a “jovem” mãe tenham afetado o pequeno Adolf. O menino tinha uma ligação intensa com a mãe, mas era incapaz de protege-la das investidas do pai. Talvez aqui tenha começado a se desenhar a característica de “libertador” de Hitler, que mais tarde eclodiria, ainda que desastradamente, como líder político. Protegido pela mãe, tinha atitude conformista, não amava o trabalho árduo, não era proativo nem líder de grupo, ao contrário, era indolente, passivo, mas gostava de se vestir elegantemente.

A adolescência


            Hitler não era um adolescente brilhante, a estética o fascinava mais que o conteúdo, inclusive a sua imagem social. Não se sentia atraente, cativante, envolvente. Tinha necessidade de autoafirmação, nascendo um homem preocupado com sua imagem social. Desânimo marcou sua história, seus discursos teatrais, seus gestos vibrantes, suas decisões marcantes eram reflexos de um ser humano destituído de uma motivação existencial saudável, um homem que procurava sair da sua “insignificância”. O jovem Adolf Hitler raramente dava continuidade ao que começava. Suas reações diante das investidas educacionais da mãe eram sempre fracassadas. Seria esse garoto sem brilho que 25 anos mais tarde assumiria o controle da Alemanha. Tornou-se poderoso, eloquente, agressivo, combativo, determinado, mas raros eram os que enxergavam que no  seu cerne havia uma personalidade frágil, insegura, saturada de complexos. Era mais ator do que um líder. Não é sem razão que gostava de encenar. Sua ortografia e pontuação estavam muito abaixo do que se poderia esperar de um rapaz de 17 anos que havia cursado a escola secundária. Hitler era tão irresponsável que abandonou os estudos sem trancar a matrícula, um comportamento que demonstrava seu desprazer de entrar em camadas mais profundas do conhecimento.

Continuará nas próximas postagens....

Você quer saber mais?

CURY, Augusto. O colecionador de lágrimas. São Paulo: Editora Planeta, 2012.

           

           



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Leandro Claudir

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