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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A Vida de Edgar Allan Poe. PARTE III.



Nesta terceira e última parte dos relatos referentes a vida de Edgar Allan Poe, conheceremos a última etapa da vida de um homem que sua genialidade é inspiração ainda hoje e com toda certeza o será no futuro para milhares de escritores e fascínio para milhões de leitores. Mas não deixou de lembra aos amigos do Construindo História Hoje que para uma contemplação plena desse texto leia antes a primeira e segunda parte: “A vida de Edgar Allan Poe. PARTE I” e “A vida de Edgar Allan Poe. PARTE II”. Que realizem uma excelente construção de conhecimento por meio destas leituras.

Após o casamento com Vírgina, a alegria de Edgar Poe não perdurou, pois depressa a melancolia se reapossa dele, e não pode passar sem o álcool e a droga. Após violentas e frequentes crises nervosas, cai em terríveis fases de depressão e desinteressa-se totalmente da sua profissão. Então White despede-o definitivamente. Em julho de 1883 a família Poe vai instalar-se em Nova Iorque. O poeta publica o romance “As Aventuras de Arthur Gordon Pym”, mas não consegue encontrar um emprego fixo. É à Maria Clemm que incumbe agora a manutenção dos ‘seus filhos’. Saturado de Nova Iorque, onde se sente incompreendido e se julga mesmo perseguido, Poe vai instalar-se em Filadélfia, onde colabora não “Gentleman’s Magazine” de W. Buston, que lhe publica alguns dos seus mais célebres contos.

Em junho de 1840 a sua colaboração no “Gentleman’s Magazine” é interrompida. Começa então para o poeta um dos períodos mais sombrios da sua existência. Não tem trabalho, Virgínia cai doente, é a miséria negra. Após várias tentativas goradas para remar contra a maré, Poe instala-se de novo em Nova Iorque e colabora no “New York Sun” e no “Evening Mirror”, que publica, em 19 de janeiro de 1845, o seu poema “O Corvo”.


“O Corvo”, arauto do sucesso

É o triunfo. O público está literalmente galvanizado por tão insólita poesia. O sucesso literário faz-se acompanhar de um sucesso mundano. Após ter relegado para o campo, em Fordham, a pobre Virgínia, que precisa de ar puro, “Poe, o Corvo”, começa a levar uma vida caótica, percorrendo todos os Estados da União para declamar o seu grande sucesso nos salões elegantes. É o período dos deslumbramentos e das paixões literárias. A mais notória das suas ligações, com a poetisa Frances Osgood, termina de uma forma lamentável. Ela não tarda a preferir-lhe o Reverendo Griswold, rival literário e mundano de Poe e, ironia do destino, seu futuro executor testamentário. Em outubro de 1845, Poe alcança a orientação exclusiva do “Broadway Journal” de Nova Iorque, que o editor Briggs imprudentemente lhe confiou. Tendo investido na operação todo o  capital de que dispunha, Poe encontra-se dentro em breve impossibilitado de prosseguir a publicação do jornal. Durante dos longos meses vagueia como um obcecado em busca de fundos, mas, devido a não ter podido liquidar uma letra de 50 dólares, tem de acabar por desistir. É a derrocada final. Uma vez mais a mamãe Clemm acorre em seu auxilio e leva-o com ela para o campo.

Em Fordham a família habita uma casa modesta, vivendo, na mais completa indigência, da caridade dos vizinhos e dos donativos de algumas pessoas generosas. Para Poe, os períodos de trabalho alternam com fugas para os lugares mais estranhos, onde vai cortejar antigas e novas amásias ou emborrachar-se. A 30 de janeiro de 1847 Virgínia morre. Em sua memória, Poe escreve o dolorido “Ulalume”.

A asa negra da morte

Tendo abandonado Fordham, Poe entrega-se mais uma vez à vida caótica de declamador. Após ter declarado inutilmente o seu amor a uma amiga de Virgínia, a senhora Shew (depressa esquecerá a mulher), faz a corte simultaneamente à senhora Richmond e à senhora Whitman. Depois de breve indecisão, a sua escolha recai na última. A senhora Whitman, ao que parece, o aceita com entusiasmo. Muito menos entusiastas se mostram os seus parentes próximos, constrangidos a pôr pela porta  fora o peta bêbado. Poe desata então a escrever cartas inflamadas à senhora Richmond, e em 1 de julho de 1849 parte  a juntar-se-lhe em Lowell, no Massachusetts. Porém, em Filadélfia vai reencontrar antigos camaradas dos copos, embebeda-se sistematicamente, sofre uma crise de “delirium tremens”, tenta por duas vezes suicidar-se.

Em 7 de julho volta a Fordham, para junto de mamã Clemm. Mas imediatamente o recupera a agitação. Em julho mesmo já se encontra em Richmond, onde reencontra a sua antiga namorada, Elmira Royster, tornada viúva Shelton. Na sequência de uma corte rápida, mas impetuosa, a data do casamento é fixado para 17 de outubro. Edgar deixa de beber e de se intoxicar. Chega mesmo a inscrever-se na Liga dos Filhos da Temperança. É a calma aparente antes da tempestade final.

A 27 de setembro, desse mesmo ano, parte para Nova Iorque. Vai convidar Mamã Clemm a assistir ao casamento. Em Baltimore, embriaga-se. Volta a partir, mas num comboio desmaia e um fiscal reenvia-o a Baltimore. Jamais se virá saber o que foram os últimos dias de sua vida. A 3 de outubro descobrem-no numa valeta, perto de Hight Street, sujo, andrajoso, inconsciente. Transportado para o Hospital Washington, morre em 7 de outubro de 1849, às 5 horas da manhã.

“Eu não fui desde a infância jamais
Semelhante aos outros. Nunca vi as coisas
Como os outros as viam. Nunca logrei
Apaziguar minhas paixões na fonte comum
Nem tão-pouco extrair dela os meus sofrimentos.
Nunca pude em conjunto com os outros
Despertar o meu peito para as doces alegrias,
E quando eu amei fi-lo sempre sozinho.
Por isso na aurora da minha vida borrascosa
Evoquei com fonte de todo o bem e todo o mal
O mistério que envolve, ainda e sempre,
Por todos os lados, o meu cruel destino (...)”
Edgar Allan Poe


ESOPO


Esopo era um escravo de rara Inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia. Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar a sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu seguramente:

__Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está à venda no mercado.

__Como?  _ perguntou o amo, surpreso _ Tens certeza do que estás falando? Como podes afirmar tal coisa?

__Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra.

Com a devida autorização do amo, saiu Esopo e, dali a alguns minutos, voltou carregando um pequeno embrulho. Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para se explicar.

__ Meu amo, não vos enganei _ retrucou Esopo __ A língua é, realmente, a maior das virtudes. Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir. Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos. Acaso podeis negar essas verdades, meu amo?

__Boa, meu caro __ retrucou o amo __ Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo?

__É perfeitamente  possível, senhor. E com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda
Terra.

Concedida à permissão, Esopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote, semelhante ao primeiro. Ao abri-lo, o amo encontrou novamente pedaços de língua. Desapontado, interrogou o escravo e obteve dele surpreendente resposta:
__Por que vos admirais de minha escolha? Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores, se transforma no pior dos vícios. Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais. Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido. Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social. Acaso podeis refutar o que digo? __ indagou Esopo.

Impressionado com a inteligência invulgar do serviçal, o senhor calou-se, comovido e, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade.

Esopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da Antiguidade, cujas histórias até hoje se espalham por todo mundo.


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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.