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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A vida de Edgar Allan Poe. PARTE I.


Edgar Allan Poe, em 1833.

Edgar Allan Poe nascido em Boston, Massachusetts, Estados Unidos, em 19 de Janeiro de 1809 e falecido em Baltimore, Maryland, Estados Unidos, 7 de Outubro de 1849) foi um autor, poeta, editor e crítico literário americano, integrante do movimento romântico americano. Conhecido por suas histórias que envolvem o mistério e o macabro, Poe foi um dos primeiros escritores americanos de contos e é geralmente considerado o inventor do gênero ficção policial, também recebendo crédito por sua contribuição ao emergente gênero de ficção científica. Ele foi o primeiro escritor americano conhecido por tentar ganhar a vida através da escrita por si só, resultando em uma vida e carreira financeiramente difícil. Acompanhe nas próximas linhas a vida deste homem e sua paixão pelas letras, contos e histórias.

Filho de atores ambulantes tísicos e dados à bebida, Edgar Poe vem ao mundo, começa a falar e logo a viajar nas carroças desconjuntadas das companhias teatrais que trilham pistas ainda incipientes e descem lentamente os rios a bordo de vetustos barcos fluviais. Bem cedo trava conhecimento com os escolhos da vida, no meio de bagagens em profusão e de cenários pintados à pressa e ao acaso de noites dormidas à luz das estrelas. Realidade e fantasia, vida e movimento, estão, estão constantemente para ele nas fronteiras do sonho. Assim se instilou nas suas veias esse instinto de “Grande Vagabundo” que toda a vida o impulsionará.

O pai, David Poe Junior, provém de uma família que distinguiu durante a Guerra da Independência Americana. Destinado pelos seus à magistratura, tudo abandonou para seguir no tablado uma jovem atriz europeia, Elizabeth Arnold. David, ator menos que medíocre, é, além disso, um alcoólatra. O casal vive miseravelmente. Nascem-lhe sucessivamente três filhos: William Henry, em 1807, Edgar, a 19 de janeiro de 1809, e Rosalie, a 20 de dezembro de 1810. David desaparecerá alguns escassos meses após o nascimento de Edgar, deixando à mulher, tísica e esgotada pelos partos seguidos, o esmagador encargo da família.

Elizabeth encontrava-se em Boston, cidade nada hospitaleira. Então parte à aventura para o Sul, arrastando atrás dela os dois filhos mais novos. A última etapa do seu doloroso calvário é Richmond, na Virgínia. A 7 de Dezembro de 1911, a imprensa anuncia uma récita de beneficência em favor de Elizabeth. Elizabeth Arnold Poe morre a 8 de Dezembro, com a idade de 24 anos. Os seus filhos são desde então confiados aos cuidados da companhia. Para Edgar foi o primeiro passo para uma terrível familiaridade com a morte.

Escassos dias após a morte da mãe, outro acontecimento trágico vem atingir os infelizes órfãos. Na noite de Santo Estevão o teatro de Richmond é pasto de um incêndio no qual sessenta espectadores encontraram a morte. Os atores veem-se forçados a ir procurar o pão noutras paragens. Confiam, por isso, os dois meninos Poe à caridade da burguesia citadina. Rosalie é adotada por um comerciante rico, William Mackenzie. Frances Keeling Valentine, esposa do abastado negociante John Allan, encarrega-se do rapazinho. Não tem filhos e leva o pequeno Edgar para o seu lar, um enorme edifício branco. Apesar da oposição larvada do senhor Allan, Edgar é batizado na igreja presbiteriana, e acrescentam-lhe ao nome o do seu pai adotivo. Na verdade a adoção nunca será oficialmente homologada.


A esquerda a mãe biológica de Edgar, Elizabeth Arnold e a direita a mãe adotiva Frances Allan. 

Aos 6 anos o filho dos saltimbancos sabe ler, desenhar e cantar. Frances Allan e sua irmã, Anne Moore Valentine, cercam-no de um afeto sufocante, exclusivista satisfazendo-lhe todos os seus caprichos.

Em 1815, no dia imediato ao da derrota de Napoleão, John Allan resolve ir instalar-se na Inglaterra para dar um novo impulso aos seus negócios, seriamente comprometidos pela Segunda Guerra da Independência Americana e pelos efeitos do bloqueio naval das costas americanas pelos ingleses. Os Allan desembarcam em Liverpool após uma travessia de trinta e seis dias. Edgar vai primeiro a Irvine, na Escócia, a casa de uma tia do seu pai adotivo, a piedosa e severa Mary Allan, depois a Londres, onde frequentava a escola das meninas Dubourg. Em seguida é transferido para o Colégio do Reverendo Bransby, em Stoke Newington, uma aldeia .


John Allan, pai adotivo de Edgar.

Em 1820 John Allan decide regressar à América. Os negócios não lhe correm como ele esperava. Edgar entretanto aprendeu algumas noções de francês, de latim, de história e literatura. É pouco. Mas, em compensação, a sua imaginação febril foi impressionada pelos velhos castelos misteriosos, pelas casas decrépitas, pelas caves úmidas e escuras.

É às suas experiências de criança emotiva e medrosa que é necessário remontar para compreender verdadeiramente certos passos da sua obra: o gosto do macabro e misterioso, a atmosfera medievalista de seus contos.

De volta a Richmond, Edgar frequenta a Escola Clássica Inglesa, do latinista Clark, e apaixona-se pela mãe de um de seus camaradas, Jane Stanard, que morrerá alguns meses mais tarde tuberculosa e louca. É o começo de uma interminável série de dedicações, de exaltações amorosas platônicas, que se seguirão e encadearão desordenadamente através de toda a existência do poeta. Pouco depois, com efeito, Edgar apaixona-se por uma jovem vizinha, Sarah Elmira Royster. Papá Royster apressa-se a casar a filha com um rico e velho comerciante, um tal Shelton. Em fevereiro de 1826, John Allan inscreve o filho na Faculdade de Línguas Mortas e Vivas da Universidade da Virgínia. Ali precisamente como nos colégios ingleses da época, os jogos de azar, o álcool, o ópio, o láudano, as mulheres e os duelos são as principais distrações dos estudantes.

Na sua sede insaciável de brilhar e impressionar, Edgar depressa esgota os dólares com que John Allan o presenteou, mas nem por tal razão abandona os seus vícios. Começa a contrair dívidas de jogo, e não paga nem aos seus alfaiates nem seus outros fornecedores. Pelo Natal do mesmo ano, Edgar trava uma discussão tempestuosa com o pai. John Allan recusa-se a pagar-lhe as dívidas, retira-o da Universidade e tenta fazê-lo imiscuir nos negócios. Em vão. As perpétuas discussões entre pai e filho só terminam em 24 de março de 1827, quando Edgar abandona com desdém a casa dos Allan para se refugiar num sórdido hotel, a ‘Taberna de Richardson’. Para ele é o adeus definitivo à riqueza e ao sólido ambiente burguês. Doravante será forçado a lutar para sobreviver. Dirige ao pai adotivo uma carta cheia de indignidade, mas Allan nem sequer lhe responde. Frances Allan intercede inutilmente  em seu favor, mas apenas logra fazer-lhe chegar à taberna as suas bagagens e algum dinheiro.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.