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sábado, 6 de agosto de 2016

Revisionismo histórico



Revisionismo histórico é o estudo e a reinterpretação da História, baseado na ambiguidade dos fatos históricos e na imparcialidade com que esses fatos podem ter sido descritos. Segundo o criador do positivismo Auguste Comte, "a História é uma disciplina fundamentalmente ambígua" e portanto, passível de várias interpretações.

A palavra “Revisionismo” deriva do Latim “revidere”, que significa ver novamente. A revisão de teorias guardadas há muito tempo é perfeitamente normal. Acontece nas ciências da natureza assim como nas ciências sociais, à qual a disciplina da história pertence. A ciência não é uma condição estática. É um processo, especialmente para a criação de conhecimento pela pesquisa de provas e evidências. Quando a investigação decorrente encontra novas provas ou quando os pesquisadores descobrem erros em velhas explicações, acontece frequentemente que as antigas teorias têm que ser alteradas ou até abandonadas.

Qualquer episódio da historiografia mundial pode e deve ser revisado

Por “Revisionismo” queremos dizer investigação crítica baseada em teorias e hipóteses no sentido de testar a sua validade. Os cientistas precisam de saber quando novas provas modificam ou contradizem velhas teorias; na realidade, uma das suas principais obrigações é testar concepções tradicionais e tentar refutá-las. Apenas numa sociedade aberta na qual os indivíduos são livres de desafiar teorias comuns é nós podemos certificar a validade dessas mesmas teorias, e estar confiantes de que estamos a aproximarmo-nos da verdade. Para uma discussão completa sobre isto, o leitor deve conhecer por si mesmo o ensaio do Dr. C. Nordbruch em Neuer Zürcher Zeitung, 12 de Junho de 1999. […]

Nos últimos anos o acesso mais democrático a documentos históricos fez com que a própria história pudesse ser “reescrita” ou, então, reinterpretada. Foi desta forma que “tudo passou a ser história”, “tudo passou a ser fonte histórica”, em um movimento que começou na França do final dos anos 1920 e ganha força a cada dia – movimento este conhecido como Escola dos Annales. Atualmente, graças às digitalizações e à internet, é possível ao pesquisador ter acesso a documentos, por exemplo, do acervo histórico-nacional da França, dos Estados Unidos, do Brasil, da Argentina etc.

Graças a esta movimentação de tudo ser fonte a possibilidade de estudar e interpretar os fatos aumentou enormemente. Veja, por exemplo, que não falamos mais do “descobrimento do Brasil” ou “descobrimento da América”, mas sim em “conquista do Brasil”, “colonização da América” etc.

Assim, revisionismo histórico é o estudo e a reinterpretação da própria história, baseado na ambiguidade dos fatos históricos e dos documentos analisados, além da imparcialidade com que esses fatos podem não ter sido descritos, uma vez que é sabido que proceder à imparcialidade é um processo bastante árduo para qualquer profissional formado dentro de qualquer concepção ideológica. Segundo o criador do Positivismo, Auguste Comte, “a história é uma disciplina fundamentalmente ambígua” e, portanto, passível de várias interpretações.

Embora seja de interesse acadêmico, uma espécie de “censura” ainda impede e/ou limita a pesquisa de revisão histórica porque envolve importantes interesses políticos, econômicos e sociais; como, por exemplo, a reescrita da história recente no Brasil, na Argentina e no Uruguai com relação às suas ditaduras militares e a associação dos governos dos Estados Unidos nestes procedimentos. A abertura dos arquivos secretos norte-americanos pelo movimento WikiLeaks foi de tremenda importância neste processo de revisionismo da história, quando descobrimos os bastidores políticos dos grandes atores da gerência mundial.

As universidades e o revisionismo

Embora seja de interesse acadêmico, devido ao uso ferramentas além da censura essas pesquisas muitas vezes são limitadas nas universidades onde se originam, devido à frequentemente envolver interesses políticos de pessoas que nem sempre estão dispostos a testemunhar contra si próprios. Desse modo, criou-se uma doutrina em torno do assunto que torna impraticável o bom uso dessa disciplina, e apenas alguns poucos países como a França, consideram o revisionismo histórico um estudo importante, por entenderem que os alicerces da História não podem apoiar-se sobre fundamentos, às vezes sem nexo, preenchidos com fatos mitológicos e a com a imaginação daqueles que descrevem a História.

Devido à isso, o uso do revisionismo histórico dentro das universidades ficou restrito apenas à reinterpretação de trechos históricos previamente censurados, ou "se houvesse" surgimento de novos dados ou novas análises mais precisas, que viabilizem o cruzamento de dados já conhecidos mas que não foram considerados.

Em pesquisas independendentes porém, seu campo é mais amplo e não existem restrições e barreiras políticas. Porém, quando os resultados dessas investigações independentes vem ao conhecimento publico, sofrem as mais diversas críticas dos historiadores, e algumas vezes são considerados crime de espionagem ou práticas pseudocientíficas e portanto ilegais, mesmo que a investigação seja fruto de contra-espionagem retirada de fatos constantes em arquivos censurados em época anteriores. Isso é muito comum em investigações de fatos que ocorreram durante ditaduras militares em países como o Brasil e a Argentina, que ainda nos dias atuais mantêm fechados os acessos a esses arquivos.



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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.