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terça-feira, 20 de outubro de 2015

'Deuses' e heróis gregos: Ares, deus da Guerra.


Autor: Construtor CHH

Deus da guerra, uma das doze divindades do Olimpo. Filho de Zeus e Hera. De caráter brutal, amante da luta e semeador de desentendimentos entre os deuses e os mortais, Ares era desprezado pelos próprios olimpianos.

            Originário da Trácia, cujo povo era considerado pelos gregos como bárbaro, rude e inculto, jamais foi bem aceito pela sociedade helênica. Em suas batalhas, os gregos preferiam invocar Atena, deusa inspiradora de atos heroicos, executados com inteligência e astúcia. Enquanto as outras divindades participavam das lutas, protegendo um lado ou outro e salvaguardando a vida de seus heróis favoritos, Ares golpeava ao acaso; personificava a carnificina, o assassinato sem sentido, a violência gratuita. Revestido de couraça e capacete e armado de escudo, lança e espada, acompanhava-se de Deimos (o medo) e Fobos (o Terror), filhos gêmeos com a deusa Afrodite.

            Chegava num carro puxado por quatro cavalos, mas logo saltava, misturando-se aos guerreiros como qualquer mortal. Na guerra de Tróia, lutou ao lado de Heitor. Defrontando-se com Atena, que defendia o campo inimigo, insultou-a e arremessou sua espada contra a égide da deusa.  Esta afastou-se, apanhou uma pedra e lançou-a contra Ares, atingindo-o no pescoço. O deus caiu e suas armas espalharam-se no campo de batalha. Em outra ocasião, ferido por Diomedes, que graças a Atena, escapara a um golpe de sua lança, Ares fugiu para o Olimpo, onde Zeus mandou que o curassem. Raramente saía vencedor dos combates que empreendia.

            Assim aconteceu certa vez que os Aloídas, que eram gêmeos gigantes, Oto e Efialtes, filhos de Poseidon e Ifimedia para demonstrar sua força, encarceraram-no num pote de bronze, durante treze meses. Foi libertado por Hermes.

            Quando Hércules matou Cicno, um dos filhos do deus, este desafiou-o para a luta. Aproveitando-se de um descuido do adversário, o herói feriu-o gravemente na coxa. Ares, furioso, retirou-se para o Olimpo.

Em oposição à sociedade grega, que rejeitou Ares, os romanos tornaram-no a mais importante de suas divindades. Consideravam-no pai de Rômulo e Remo. Primitivamente, cultuavam-no como o deus das tempestades. Invocavam-no para impedir que seus efeitos maléficos – chuvas fortes, granizo, neve – destruíssem as plantações. Ares era uma divindade essencialmente agrícola.


Mais tarde, provavelmente identificando a ideia de força instintiva, contida na tempestade, com a violência das batalhas, os romanos transformaram-no num deus guerreiro. Essa evolução coincide com a própria evolução da história romana. Assim como a divindade passou de agrícola a guerreira, o cidadão de Roma passou de camponês a soldado. Os romanos fizeram de Ares ( os romanos o chamavam de Marte) o protetor de suas lutas e conquistas. Não planejavam qualquer empreendimento sem antes consultá-lo.

Ares não teve muito sucesso em seus amores. Perseguia deusas, Ninfas e mortais, e, quando estas o rejeitavam, violenta-as brutalmente. A mais célebre de suas aventuras amorosas foi a que envolveu Afrodite, esposa de Hefesto. De sua união nasceram Eros, Harmonia, Deimos e Fobos. Com a ninfa Aglauro, teve Alcipe; com Crisa, Flégias; com Pelópia, Cicno; com Harpina, Enômao; com Aeropa, Aeropo; com Astioquéia, Ascálafo e Iálmeno; com Pirene, Diomedes e Licaão; com Astínome, Calidão; com Protogênia, Oxilo. De modo geral, os filhos de Ares eram homens violentos, que atacavam os viajantes e praticavam atos de crueldade.

O culto de Ares não foi muito difundido na Grécia; de seus poucos santuários, o mais célebre era o Areópago. Já em Roma havia numerosas festas em seu louvor. Nas Ambarválias, celebradas no mês de maio, Ares aparecia como divindade agrícola. Essas comemorações tinham um caráter de purificação, pois os romanos acreditavam que a natureza ficava mais limpa e pura após uma forte tempestade. Depois de cada batalha vitoriosa, realizavam-se festas que destacavam o caráter militar da divindade. Os animais consagrados a Ares eram o cão e o abutre.

Inicialmente ele era representado como um guerreiro barbudo, de capacete de alto penacho e revestido de pesada armadura. Mais tarde, figuravam-no sob a forma de um jovem seminu, cujos únicos atributos de guerra eram o capacete e a lança.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.