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quarta-feira, 22 de julho de 2015

A chegada dos europeus a América



O caso dos espanhóis: A serviço da Espanha, Cristóvão Colombo (1451-1506) chegou ao continente que mais tarde foi chamado de América no dia 12 de outubro de 1492, em uma ilha que os indígenas denominavam de Guaanani, pertencente ao atual arquipélago das Bahamas e a qual batizou de São Salvador. Acreditando ter chegado às ilhas do continente asiático, na região que era chamada genericamente de Índias, denominou os nativos de índios. Colombo realizou ainda mais três viagens à América (493-1494; 1498; 1502-1504), sempre acreditando tratar-se da Ásia Oriental. O nome América apareceu pela primeira vez em um mapa de Martin Waldseemüller (1507), como homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que, na obra Mundus Novus (Novo Mundo), relatara suas viagens ao novo continente. Em seus contatos com os povos originários da América, Colombo escreveu que nunca tinha encontrado pessoas de tão bom coração e tanta franqueza e descreve os indígenas como curiosos e amistosos com os desconhecidos. No entanto, desde o primeiro momento, Colombo deixou claro seus objetivos colonizadores construindo um forte e aprisionando alguns indígenas para enviá-los como curiosidade ao rei Fernando e à rainha Isabel , da Espanha. A partir do século XVI, os espanhóis instalaram-se nos territórios americanos, apropriaram-se deles e submeteu a população local pela força, assumindo desse modo o controle da região.

O caso dos portugueses: No decorrer do século XV, os portugueses enviaram diversas expedições em busca de caminhos alternativos para alcançar as Índias. Assim, encontraram diversas regiões habitadas e passaram a conquista-las. A primeira foi Ceuta, em 1415, seguindo a exploração das regiões costeiras do continente africano. Somente em 1498, numa expedição comandada por Vasco da Gama, os portugueses aportaram em Calicute, na Índia. Após o retorno de Vasco da Gama, o reino português enviou uma nova expedição para formalizar as relações comerciais com as Índias. Essa expedição, que partiu de Portugal em março de 1500, era comandada por Pedro Álvares Cabral, que, propositalmente ou não, desembarcou em terras ao sul do atual estado da Bahia em 22 de abril de 1500. Assim como as regiões a que os espanhóis chegaram, a porção sul da América era habitada por  povos étnica e culturalmente diferentes, espalhados por um imenso território. Os contatos iniciais foram pacíficos, conforme relata o escrivão Pero Vaz de Caminha na carta escrita ao rei de Portugal, Dom Manuel, descrevendo as terras e os povos que habitavam a ilha de Veraz Cruz, primeiro nome dado às terras que hoje formam o Brasil. Nas expedições dos anos seguintes, eles perceberam que não se tratava de uma ilha e alteraram o nome para Terra de Santa Cruz. A primeira riqueza encontrada nessas terras e enviada à Europa foi o pau-brasil, árvore abundante, cujo tronco se extraía um corante para tecidos de alto valor comercial. Nas primeiras décadas (1500-1530), os portugueses vieram ao Brasil basicamente para extrair pau-brasil. Essa árvore acabou inspirando um apelido para as novas terras portuguesas: Terra do Brasil. Inseridos no modo de pensar europeu, o portugueses não procuravam compreender o universo cultural do indígena. Sua concepção de mundo estava fundamentada na religião e  nas práticas mercantilistas, e era difícil entender as crenças e práticas dos nativos que cultuavam elementos da natureza e praticavam (alguns grupos) a antropofagia (canibalismo ritual). Os nativos também não entendiam o conceito europeu de propriedade da terra ou de exploração de seus recursos naturais para a obtenção de lucro. A relação dos indígenas com a terra era bem diferente da estabelecida pelos europeus. Além de usufruir coletivamente dela, os nativos identificavam nos elementos naturais suas representações religiosas. Dessa forma, os indígenas não tinham a intenção de explorar a terra com exclusividade, uma vez que eles se consideravam parte dos elementos presentes nela. Apesar da associação dos indígenas à imagem de passividade, a curiosidade e amorosidade iniciais, descritas nos relatos de colonizadores e visitantes do Novo Mundo, foram substituídas por reações contrárias à colonização a partir do momento em quem as intenções portuguesas de implantação de um sistema agrícola para exploração, escravização dos povos indígenas, catequização, entre outros objetivos religiosos e mercantilistas foram reveladas.

O caso dos britânicos: Os ingleses não foram pioneiros na chegada ao território que hoje conhecemos como América. Há, por exemplo, vestígios concretos da presença dos Vikings no atual Canadá, quase cinco séculos antes da chegada de Colombo ao continente. Franceses, espanhóis e muitos outros já haviam chegado aos atuais Estados Unidos e feito, inclusive, contato com as populações indígenas da região. Entretanto, a partir do século XV, os portugueses e espanhóis, que detinham o controle hegemônico da navegação no Oceano Atlântico, dividiram a nova porção de terras encontradas com o intuito de explorá-las com exclusividade. Contestado o controle do novo continente exercido por Portugal e Espanha, a Inglaterra passou a praticar pirataria realizando muitos saques às riquezas carregadas pelas embarcações das potências de então. A Inglaterra, todavia, não se concentrou apenas em roubar os navios ibéricos. No fim do século XV, a Coroa inglesa nomeou encarregados para explorar a América e, na década de 1580, a rainha Elizabeth I concedeu permissão para que a colonização na região fosse iniciada. O projeto inicial de colonização inglês era parecido com os projetos ibéricos, nos quais o soberano europeu concedia partes das novas terras a nobres, que passavam a ser responsáveis por seu povoamento e desenvolvimento econômico. Mesmo assim, os ingleses inicialmente tiveram muitas dificuldades para se instalar nas novas terras, pois sofreram com doenças e ataques indígenas. 

A formação das monarquias nacionais na Europa e a visão do outro: europeus e americanos.




Luis XIV da França.

As Monarquias Nacionais e o Estado Absolutista: A consolidação das monarquias nacionais assumiu formas diferentes em cada lugar da Europa ocidental. Na França, o poder do rei começou a se fortalecer na Baixa Idade Média (século X–XV), para se tornar absoluto na Idade Moderna (século XV-XVIII). Mas na Inglaterra não foi assim. Fortemente centralizado nos séculos XI e XII, o poder real se enfraqueceu progressivamente no final da Idade Média, transformando-se em uma monarquia com poderes limitados pela Magna Carta. No Sacro Império Romano-Germânico, na península Itálica (Itália) e na península Ibérica (Portugal e Espanha). O exercito perdeu seu caráter feudal por meio de novas leis reais ao qual permitiam ao rei convocar os homens livres (burgueses, artesãos e cavaleiros) para o exército. Por meio do capitalismo comercial, política mercantilista e o sistema colonial o Estado Absolutista, com seu soberano autocrático, não era um simples Estado de transição entre o Estado feudal e o Estado burguês que emergiria da Revolução Francesa em fins do século XVIII. Trata-se de um estado forte, centralizado e duradouro que tomou a forma de monarquia nacional. Com a ascensão das monarquias nacionais e os Estados Absolutistas as nações europeias começaram a organizar-se de forma mais estável. A partir do século XV a economia europeia conheceu um período de grande crescimento. Mas surgiu também um novo obstáculo a essa expansão, configurando uma crise de crescimento.

A expansão comercial e marítima europeia: uma das saídas encontradas para a superação da crise forma as Grandes Navegações. A partir do século XV, os europeus se lançaram à exploração de mares que pouco conheciam. Essa aventura permitiu a abertura de novas rotas para os mercados tradicionais do Oriente, além do encontro de novas fontes de metais preciosos para a cunhagem de moedas. Os pioneiros na expansão marítima foram os portugueses e os espanhóis, seguidos depois por ingleses, franceses e holandeses.

A visão do outro: europeus e americanos: no final do século XV, em 1492, os espanhóis aportaram em terras americanas e, em 1500, foi a vez dos portugueses. A partir daí, começou o processo de conquista e colonização do continente por povos da Europa. Nos anos seguintes, diversos deles, como os franceses, ingleses e holandeses, desembarcaram em terras americanas formando colônias e buscando riquezas. Dessa forma, em vários lugares do continente americano, no decorrer do século XVI, europeus foram se organizando e tomando posse de terras que já eram habitadas por comunidades com raízes culturais e hierárquicas há muito definidas. Esses povos estavam distribuídos em diferentes pontos do continente e organizavam-se em sociedades com características próprias, muitas delas altamente complexas, causando admiração aos recém-chegados. Entretanto, a colonização, para os europeus, sempre esteve relacionada à expansão territorial e comercial, o que, de certa forma, restringiu o conato entre eles e os nativos à obtenção de gêneros cuja extração ou produção gerasse o acúmulo de riquezas nos cofres europeus. Esse fato, somado à grande importância da religião na cultura europeia, contribuiu para que os costumes europeus fossem impostos em detrimento dos costumes nativos. Assim, primeiro, o contato entre europeus e povos nativos alterou os costumes vigentes nas terras encontradas e, apesar do menor impacto, mostrou aos conquistadores realidades e costumes diferentes dos conhecidos na Europa. Além da relação América-Europa, a colonização do novo continente alterou a realidade africana, com a implantação do sistema de trabalho escravista, que realocou milhares de africanos para supri a necessidade de mão de obra na América. As relações que se seguiram à chegada dos europeus com a chamada conquista da América (e também de outros continentes) foram de dominação, trocas culturais, assimilação e destruição de muitas das organizações sociais nativas. Nessa relação, a inexistência da noção de direitos humanos, somada à certeza dos europeus de que seu modo de vida e religião eram os corretos, além da intenção de explorar as novas terras, contribuíram para a desintegração quase completa de diversas culturas nativas. É possível afirmar que a colonização das Américas, assim como a que ocorreu em outros lugares no período, seguindo a lógica das expansões marítimas e comerciais, foi um processo marcado pelo etnocentrismo – europeus priorizavam suas crenças e objetivos comerciais, deixando de lado os costumes preestabelecidos pelos povos nativos.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.