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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Manfred von Richthofen, o Barão Vermelho: de alma nobre e sombria.


"O dever do piloto de caça é patrulhar seu setor nos céus e abater todo avião inimigo naquela área. O resto não importa."                                                                                                                
 Manfred von Richthofen

O maior piloto de caças militares de todos os tempos, o alemão Manfred von Richthofen, abateu 80 aviões inimigos de seu país na 1ª Guerra Mundial. Suas principais máquinas de guerra foram o Albatros e o triplano Fokker DR 1, que voava a até 165 km/h. Com ele, Manfred ganhou destaque na Força Aérea Alemã e, quando foi nomeado líder de seu esquadrão, pintou a nave com um vermelho brilhante para ser reconhecido de longe pelos oponentes. Nascia assim o famoso apelido. Ao sobrevoar o norte da França em 1918, o Barão Vermelho se desgarrou da esquadrilha para perseguir um caça inglês e acabou sozinho em território inimigo, sob fogo duplo, vindo do ar e da terra. Os britânicos comemoraram a morte do temido rival, porém sepultaram-no com honras de herói de guerra.

Não importa a nacionalidade, o conflito ou o número de vitórias, ninguém se iguala à sua fama na História da Aviação Militar. A lista de grandes ases existentes é gigantesca mas, com certeza, não só podemos dizer que nenhum deles têm o mesmo apelo que o jovem prussiano, mas também que ele foi a sua principal inspiração. Mas quem era esse homem que, há quase noventa anos atrás, tornou-se a primeira lenda da aviação e era chamado pelos seus adversários como o "Barão Vermelho"?

Manfred von Richthofen é um desses heróis cuja vida parece tirada de um roteiro de filme. Disciplina, orgulho, habilidade para caçar, espírito nato de liderança e patriotismo teutônico eram características que, combinadas neste homem, elevaram-no ao um patamar de fama que ultrapassou sua própria vida. "Maldito seja você, Barão Vermelho" freqüentemente rosnava o personagem Snoopy, nos desenhos animados da "Turma do Minduim". Longe de ser um personagem de tira cômica, Richthofen foi o mais eficiente piloto de caça da I Guerra Mundial, metodicamente derrubando pelo menos 80 inimigos, antes dele mesmo tombar em um desfecho típico das óperas de Wagner.



O Barão Vermelho tinha a alma sombria

A cintilante luta aérea das trincheiras lamacentas da Primeira Guerra Mundial, um avião se destacou com a cor mordaz e desafiadora de Marte e o nome de Manfred von Richthofen (1892-1918), o Barão Vermelho, o piloto de combate mais famoso de todos os tempos. A sua lenda o transformou, além de uma das figuras mais emblemáticas do conflito que comemora o centenário do seu início, em um paradigma de piloto de caça cavalheiro, tão temido quanto admirado e respeitado por seus inimigos. No entanto, e como só acontece com os mitos, há grandes rachaduras na personalidade real do famoso piloto, campeão dos céus na Grande Guerra, com 80 vitórias confirmadas. Agora, a publicação, na Espanha, de suas memórias de guerra "O avião vermelho de combate" (Macadán) e de uma extensa biografia de 600 páginas (Almuzara), do entusiasta J. Eduardo Caamaño, que mergulhou na monumental bibliografia sobre Von Richtofen - especialmente nos livros do grande especialista Peter Kilduff - para colocar à disposição do leitor um relato completo da sua vida e aventuras (inclusive as listas e as coordenadas das suas vítimas e desenhos dos aviões que pilotou e derrubou), que permite observar um indivíduo em toda sua dimensão, com facetas inquietantes, desagradáveis e hostis.

O retrato real de Manfred von Richtofen é o de um jovem (começou a carreira de piloto de caça aos 23 anos e encerrou da pior forma, com a morte, aos 25), militarista, arrogante, ambicioso e muito mais cruel do que a sua reputação sugere. Muita arrogância, sede de glória, coragem e técnica e muito pouco de humanidade ou compaixão. Para o Barão Vermelho, cuja imagem ensanguentada cortando os céus era a última coisa que muitos rivais viram, voar significava a extensão dos prazeres da caça terrestre de animais, pela qual era fanático desde criança. No ar, transformou-se com muita alegria em um falcão implacável, a joia escarlate no poleiro do Kaiser.


Nem em seu livro - escreveu apenas outro, um manual de combate, Reglement für Kampfflieger - nem nos relatórios ou nas cartas encontramos a sutileza, a reflexão, a comiseração, a poesia ou a literatura, dos grandes pilotos de guerra escritores como Salter, Richard Hillary - autor de O último inimigo - ou Saint Exupéry.

"Sou um caçador por natureza", escreve Von Richtofen no O avião vermelho de combate. "Quando derrubo um inglês, minha paixão pela caça se acalma por pelo menos quinze minutos." É difícil conciliar esse comentário frívolo à realidade dos aviadores, uivando em suas quedas desesperadas enquanto são consumidos como tochas em seus aviões incendiados. E o Barão acrescenta: "Caçadores precisam de troféus." Assim justifica um de seus costumes - além de matar pessoas - que mais causa aversão: sua obsessão por recolher ou arrancar elementos dos aviões que derrubava, metralhadoras, pás de hélices e especialmente os números de identificação que arrancava como terríveis lembranças das suas vitórias. Com eles, decorou um quarto na sua casa. Alguém pode se perguntar como conseguia se sentir confortável sentado ali, entre recordações do destino fatal de tantos aviadores, e não perceber o espectro da morte que também o assombrava. Quando o derrubaram - já convertido em lenda -, em uma assustadora imitação do seu costume, as mãos ávidas dos soldados aliados arrancaram lembranças da sua máquina voadora e do seu corpo inerte, inclusive as suas botas. Desde a sua primeira morte, Von Richtofen encomendou em um joalheiro uma taça de prata, uma para cada inimigo abatido.

Certamente, ver tantas mortes ao seu redor, e mesmo a sua, tão próxima, começaram a transformá-lo. Escreveu, então, um breve texto, Gendanken in unterstand, Reflexões no meu refúgio, não publicado até 1933 - como parte do seu livro -, no qual aponta que pensa em escrever uma continuação do O avião vermelho de combate, cujo tom já é mais insolente, em que explica que a guerra não é tão divertida, nem heroica, mas um assunto "muito sério e triste." Confessa que sente angústia cada vez que volta de um combate e a vida parece sombria. Nesse crepúsculo, mais digno e humano, é onde brilha de verdade a luz do Barão Vermelho.



Avião pequeno e ágil

Richthofen foi também um dos primeiros a pilotar um triplano Fokker, que estreou nas frentes de batalha no outono europeu de 1916. Era um avião de caça pequeno, tendo como principal arma sua agilidade e velocidade de decolagem. Em manobras, era impossível colocá-lo em mira, mas, se seguisse um rumo fixo, tornava-se alvo fácil. Foi isso o que provavelmente acabou com Richthofen.
A Força Aérea alemã perdeu 7.700 pilotos na Primeira Guerra Mundial. Réplicas do triplano Fokker (que Von Richthoffen havia mandado pintar de vermelho para provocar seus adversários) estão expostas na maioria dos museus de tecnologia e aviação do mundo. "Manfred von Richthofen" virou nome de esquadras, quartéis, praças e ruas no país.

Carreira curta

O Barão construiu sua reputação destruindo inimigos entre 1916 e 1918 Manfred passou o início da 1ª Guerra, em 1914, na cavalaria, fazendo reconhecimento de território. Em 1915, conseguiu transferência para a Força Aérea. Depois de treinar como observador e bombardeador, estreou como piloto em 1916.

Último solo

Manfred von Richthofen morreu em combate, às vésperas de fazer 26 anos
1. Manhã de 21 de abril de 1918. O Barão treina seu primo mais novo, Wolfran, para futuros combates quando se depara com uma patrulha de cinco aviões Sopwith Camel da RAF, a Real Força Aérea britânica
2. Com a briga iniciada nos céus, tropas entrincheiradas dos Aliados - inimigos dos alemães - observam o Barão em perseguição a um de seus caças, pilotado pelo tenente Wilfrid May. Quando o Barão se prepara para atacar, outro Camel, guiado pelo capitão Roy Brown, mergulha para interceptá-lo

3. O Barão Vermelho dispara várias vezes e o canadense Wilfrid May escapa com manobras em ziguezague. Enquanto isso, o Fokker vermelho é abatido por tiros disparados por Roy Brown e pela artilharia terrestre

4. O corpo de Von Richthofen é examinado por uma junta de médicos Aliados. A causa da morte é uma bala vinda das trincheiras. O projétil entrou abaixo da axila direita e subiu pelo peito, causando danos mortais ao coração e aos pulmões

5. A RAF reconhece o inglês Roy Brown como quem derrubou o maior ás da 1ª Guerra, mas o artilheiro australiano Robert Buie reivindica ter feito o disparo. Após uma reconstituição feita em 1998, o verdadeiro autor do tiro é revelado: o australiano Cedric Popkin, que morreu sem saber da proeza.


Herói Homenageado até pelo Inimigo

Depois de uma licença no Natal de 1917, que passou caçando com o irmão Lothar na floresta de Bialowicka, von Richthofen retomou definitivamente sua carreira de piloto de caça, mas mantendo o "espírito esportivo". Quando ele abateu o 2nd Lieutenant H. J. Sparks - sua 64ª vitória - ele enviou para o inglês hospitalizado, uma caixa de charutos.

           

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.