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domingo, 6 de setembro de 2015

As características do gnosticismo moderno


Louis Althusser foi o exemplo acabado da mente gnóstica, o superlativo absoluto simples do gnosticismo teórico do século XX. Althusser defendeu sempre o estalinismo e o “marxismo científico” ― mesmo depois de Karl Popper ter demonstrado, através do princípio da falsificabilidade, que o marxismo não é uma ciência (assim como a psicanálise não é uma ciência) porque não é possível a sua refutação (1), mesmo depois do relatório K. ter oficialmente exposto os crimes estalinistas, mesmo depois das denúncias e dúvidas de Merleau Ponty e Sartre em relação ao sistema soviético, mesmo depois da verificação dos Gulag e do testemunho de Soljenitsyne, mesmo depois da evidência do fracasso económico da URSS… e mesmo depois da queda do muro de Berlim!

Para Althusser, o marxismo eliminou a distinção entre o sujeito e o objeto (mas não eliminou o sujeito de Althusser) e ele viu na teoria de Karl Marx aquilo a que ele chamou de “prática teorética”, que consiste no desfasamento entre o conhecimento e o objeto a conhecer ― segundo o conceito dele em relação ao pensamento de Karl Marx, todo o processo de conhecimento é realizado no mundo do pensamento e sem qualquer contato com o objeto real a conhecer; Althusser recusa a verificação empírica das teorias científicas (“ciência” aqui entendida segundo o método positivista das ciências da natureza), exatamente em reação ao princípio da falsificabilidade de Karl Popper. Althusser fechou-se no seu mundo e no seu dogma, e de tal forma que perdeu o juízo e acabou por estrangular a sua mulher em 1980.

Uma das características da mente gnóstica moderna é a constante insatisfação com a realidade que se traduz em uma perene tentativa de escapar à realidade. Normalmente, o drogado mete heroína na veia para fugir à realidade; o gnóstico revolta-se sistematicamente contra a realidade, seja ela qual for…

Em função da sua permanente insatisfação com a realidade, o gnóstico moderno atribui essa sua insatisfação à “maldade do mundo”, ou à “imperfeição do mundo”. Para o gnóstico, o mundo pode e deve ser perfeito ― ele acredita que é possível a salvação em relação a essa maldade (ou a essa imperfeição) do mundo dentro do espaço-tempo que condiciona a nossa existência. Essa radical e alienante insatisfação em relação ao mundo leva o gnóstico à convicção profunda de que o mundo é essencialmente mau, o que o leva ao desejo de salvação terrena através do conhecimento das estruturas internas desse mundo maldito e tenebroso.
No intuito de se conseguir a salvação do Homem neste mundo, o gnóstico defende que a única forma de a conseguir é através da mudança da ordem do ser através de um processo histórico (ver «A ideia de “progresso” e do “presente autoritarista”»), ou seja, alterar a essência e a natureza humana através de imposições de fora para dentro em relação ao ser humano (vulgarmente chamadas de “engenharias sociais” a que assistimos hoje na esquerda portuguesa).
As engenharias sociais ― que traduzem a crença na mudança da ordem do ser através de um processo histórico ― são, para o gnóstico moderno, possíveis através do esforço humano, nem que seja à custa do sacrifício ― e mesmo da eliminação física ― de centenas de milhões de pessoas. A mente revolucionária ou gnóstica esteve na origem de cerca de 200 milhões de vítimas só no século XX ― mais do que todas as vítimas de convulsões sociais e guerras entre o século III a.C e o século XIX. Nesse sentido, e através das engenharias sociais, a mente gnóstica acredita que possui a fórmula mágica ou o conhecimento necessários para tornar possível a salvação do Homem na Terra e a criação de um paraíso celestial terrestre.
(1) O conhecimento científico, embora verificando dados que se tornam quase certos, produz teorias que são científicas precisamente porque não são certas: as teorias científicas são sistemas de ideias que trazem consigo a possibilidade da sua refutação e constituem crenças de um grau superior ― crenças que transportam a dúvida no seu próprio princípio.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.