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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A Dinastia Persa Aquemênida


Dinastia Aquemênida.

A dinastia Aquemênida (em persa antigo: Hakhāmanishiya) governou o primeiro Império Persa  (559 - 330 a.C.) que por causa disso é chamado também de Império Aquemênida (em persa Emperâturi-ye Hakhâmaneshi). Sua linhagem remonta ao rei Aquêmenes (Haxāmanish) que governou a Pérsia entre  705 e 675 a.C. Os Aquemênidas alcançaram o domínio do Oriente Médio sob o governo de Ciro II da Pérsia, bisneto de Aquêmenes, quando este subjugou a Média e todas as outras tribos arianas da área do atual Irã conquistando em seguida a Lídia, a Síria, a Babilônia, a Palestina, a Armênia e o Turquestão, fundando o Império Persa.  Abaixo, genealogia dos Aquemênidas preparada por Ignacio Seligra Abella.

As conquistas foram levadas adiante por seu filho Cambises II, que conquistou o Egito, e Dario I, que expandiu o poderio persa até a Europa, conquistando a Trácia e consolidando seu poder na Anatólia formando o maior império que o mundo de então tinha visto. No auge de seu poder, os Aquemênidas governavam um império que abrangia cerca de 8 milhões de quilômetros quadrados ao longo de três continentes: Ásia, África e Europa. Em 480 a.C., estima-se que 50 milhões de pessoas viviam no Império Aquemênida ou cerca de 44% da população mundial na época. Abaixo, mapa do Império Persa sob os Aquemênidas em sua máxima expansão.


Máximo avanço do Império Persa. 

Os governantes aquemênidas caracterizaram sua administração pela tolerância com as diferentes culturas e religiões dos povos conquistados, gerando uma lealdade sem precedentes entre seus súditos. Deve se levar em conta o tratamento terrível que os assírios e babilônios (antecessores dos persas) davam aos povos conquistados, incluindo deportações em massa. Também construíram estradas ligando as principais cidades e um sistema de correios eficiente. As estradas também se destinavam ao comércio do Egito e da Europa com a Índia e a China, do qual a Pérsia muito se beneficiou.


Rede de estradas reais do Império Aquemênida

Após a tentativa frustrada de Dario de conquistar a Grécia, o Império Aquemênida começou a declinar. Décadas de golpes, revoltas e assassinatos enfraqueceram o poder da dinastia, embora o império continuasse relativamente poderoso.  Em 333 a.C., os persas não suportaram as incursões e ataques do rei macedônio Alexandre, o Grande. Sendo assim, em 330 a.C., o último rei aquemênida, Dario III, foi assassinado por um de seus sátrapas, Besso, e o primeiro Império Persa caiu em mãos dos gregos e macedônios. Abaixo mosaico que retrata a Batalha de Isso (333 a.C.) uma das que fizeram parte da queda do Império Aquemênida.

Legado

Na história do antigo Oriente Próximo, o Império Aquemênida tem um lugar especial. Ele deixou uma impressão duradoura sobre a herança e a identidade cultural da Ásia e do Oriente Médio, e influenciou o desenvolvimento e a estrutura de vários impérios posteriores. Sob o reinado dos Aquemênidas estiveram reunidos diversos países e povos entre o Indo e o Mar Egeu. Reinos anteriores desapareceram terminantemente, substituídos pela organização administrativa do Império Aquemênida que por sua vez preservara as tradições dos povos conquistados e as refundiu em um novo conjunto através da introdução de uma nova ideologia, como mostrado em particular na arte aquemênida ou em certas tradições administrativas. No entanto, a extrema diversidade dos povos dentro do império torna difícil uma visão precisa da natureza exata da influência do poder real sobre as nações que o compunham. Sua estrutura governamental e composição étnica multifacetada pode ter dificultado a sua transformação em um Estado-nação gerando uma falta de unidade maior e consolidada.


Representação de indianos trazendo tributo ao Grande Rei

Esta eventual fraqueza permitiu aos gregos e macedônios levarem seus ataques contra o Império Persa. Alexandre, o Grande, derrotou os persas, mas tomou parte do modelo aquemênida reivindicando ser sucessor do rei Dario III, o que atrai a oposição da nobreza macedônia, que não consegue manter unificado o império de Alexandre, após a sua expedição à Índia e falecimento na Babilônia. A criação de grandes reinos helenísticos (gregos) que se seguiram na região é, em parte, devido a continuidade da prática aquemênida. Os gregos e, mais tarde, os romanos adotaram o que consideravam os melhores aspectos do método com que os persas governavam seu império, em especial a partição em províncias (inspiradas na satrápia aquemênida). Alguns reis helenísticos incluem até mesmo na sua corte as práticas sociais dos persas para criar uma cultura comum com os nobres do país conquistado. O legado da construção política aquemênida se reflete em seus impérios sucessivos, incluindo o selêucida e o parto, embora a abordagem pragmática e flexível, característica do domínio aquemênida, seja de difícil restauração uma vez que as dinastias que o sucedem lutam para se sustentar interna e externamente.


Os reinos helenísticos que sucederam ao Império Aquemênida

As dinastias iranianas dos Arsácidas (partos) e dos Sassânidas (persas), ocasionalmente alegaram descendência dos Aquemênidas. Recentemente, houve alguma corroboração para a pretensão parta evidenciada numa doença hereditária (neurofibromatose), demonstrada através das descrições físicas dos governantes e das evidências de doenças familiares em moedas antigas. Os Aquemênidas vão encontrar seus herdeiros étnicos na dinastia persa dos Sassânidas que, no século III d.C., emerge do centro antigo do primeiro Império Persa. Eles vão se vincular aos tradicionais locais dos Aquemênida (Persépolis e Naqsh-e Rostam) através de inscrições e baixos-relevos, colocando-se na continuidade de seus antepassados ilustres. Porém, a historiografia persa sassânida bem como o período islâmico realmente não mantém a memória dos reis aquemênidas, limitado a algumas menções de Ciro ou Dario I, possivelmente para exaltar sua própria época e grandeza. Com a redescoberta dos monumentos aquemênidas por exploradores e arqueólogos europeus e, especialmente, a chegada ao poder de Reza Shah em 1925 no Irã, a memória do primeiro império persa tornou-se totalmente integrada ao patrimônio nacional iraniano moderno. Segundo o notável orientalista estadunidense Arthur Upham Pope (1881–1969),"o mundo ocidental tem uma dívida enorme a ser paga à civilização persa".

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.