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sábado, 11 de outubro de 2014

Democracia Liberal X Estado Corporativo


            Na Democracia Liberal, as massas acreditam possuírem poder através do voto direto. “Ingleses, escrevia Rousseau, são homens livres de sete em sete anos; somente no dia em que elegem o Parlamento que os vai governar”. Esta critica do grande pregador da Democracia direta é hoje repetida pelos seguidores dos ideais de um Estado Corporativo. São afirmações idênticas, se bem que as diferenças de tempo hajam levado a conclusões diversas os dois pensamentos. Rousseau, em seu democratismo radical haurido na pratica calvinista, não admite delegação de poderes. Para ele, o Estado deve se reduzir aos horizontes estreitos da comuna, como o Estado urbano dos helenos, afim de que todos os cidadãos participem pessoalmente da coisa publica. Reunida na praça central da cidade, a multidão deveria absorver o “eu” de cada individuo, formando a grande alma coletiva, vontade geral... A compreensão da Democracia como governo de circunscrição territoriais mínimas, estava também no pensamento de Montesquieu. Podemos mesmo dizer que Montesquieu foi profeta ao escrever no “Espírito das leis”: “E’ da natureza de uma republica (Democracia) que ela tenha um pequeno território; sem isso ela não pode de maneira alguma subsistir.

            Em uma grande republica, há grandes fortunas e, por conseguinte, pouca moderação nos espíritos; há depósitos muito grandes para serem confiados a um cidadão; os interesses se particularizam; um homem sente antes que ele pode ser feliz, grande, glorioso, sem a sua pátria; e depois que ele pode ser grande somente sobre as ruínas da própria pátria”. Foi o que aconteceu. A democracia indireta encheu o homem de ilusões, arrancando-lhe a liberdade efetiva. Como Montesquieu previra, os interesses se particularizaram e todo o homem poderoso alimentou o sonho de encarnar o “Único” de Max Stirner, olhando o universo como sua propriedade. Negada a soberania nacional pelos sindicatos gigantescos de capitais, fragmentada a Nação entre os partidos estatizados, a causa democrática ficou sem adeptos, apesar de milhões de indivíduos viverem invocando o nome da Democracia em arroubos ridículos oratória. Para a maioria dos liberal Democracia significa o direito de dizer livremente desaforos pela imprensa, e a alegria de ser periodicamente soberano. Não é entendida como contato permanente entre dirigentes e dirigidos, como correlação cada vez maior entre o sistema dos processos sociais e o sistema das normas jurídicas. As decisões do Parlamento deveriam refletir os interesses totais da Nação. Mas não é o que se dá. O deputado é obrigado a se curvar ante as exigências do distrito eleitoral que o submete a servidão de ordem econômica, pessoal e política. Ao mesmo tempo. Deve obedecer ás ordens dos conselhos partidários que são os que organizam a lista dos candidatos e os impõem á massa eleitoral, ora pela força material, ora pelas artimanhas da propaganda inteligente. Não é os talentos, não é a competência que triunfa, mas quem pode dispor de meios para encher as paredes de cartazes de efeito, comparar homens da Imprensa e esparramar promessas através do radio, com o fito de criar em torno de sua pessoa, o que poderíamos denominar “aura eleitoral”. Brasileiros, não há como ficar no alto do muro, afirmem seu IDEAL.

            Una-se ao Integralismo, una-se ao mais sublime patriotismo presente no Integralismo: por Deus, pela Pátria e pela Família. Mais alto que os problemas econômico-politicos, são o problema da moral da nossa cultura. Qual o IDEAL que o povo brasileiro alimenta? Vários países organizaram-se no passado e organizam-se hoje em prol de seus ideais, reafirmando seus valores mais altos. E nós? O problema brasileiro tem uma incógnita: O Ideal. Temos vivido sem ele, na admiração passiva das magnificências da nossa natureza. Temos nos contentado com os sucedâneos das revoluções improvisadas. Se, alhures, grandes revoluções se fizeram sem programa inicial determinado, a nossa deve começar, ao contrario, revelando um rumo. 

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.