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sábado, 16 de agosto de 2014

Palestina: a Terra, o seu Povo e a sua História, Parte II.


Agar e Ismael.

“Entretanto, também compreendi o teu pedido a respeito de Ismael; e Eu o abençoarei e lhe darei muitos filhos e uma multidão de descendentes. Ele será pai de doze príncipes, e Eu farei que os descendentes dele sejam uma grande nação.”

(Gênesis 17:20)

“São estes os nomes dos filhos de Ismael, alistados por ordem de nascimen­to: Nebaiote, o filho mais velho de Ismael, Quedar, Adbeel, Mibsão, Misma, Dumá, Massá, Hadade, Te­má, Jetur, Nafis e Quedemá. Foram esses os doze filhos de Ismael, que se tornaram os líderes de suas tribos; ­os seus povoados e acampamen­tos receberam os seus nomes.”
(Gênesis 25:13-16)

“ (...) mas do filho da serva farei também uma grande nação, porquanto ele também é da tua raça!”
(Gênesis 21:13)

            Como prometido estou dando continuidade ao estudo sobre as origens dos povos que habitaram e habitam a palestina. Está postagem como a anterior tem por objetivo esclarecer as dúvidas diante dos conflitos atuais entre o Exército Israelense e o Hamas (que não representa os interesses do povo Palestino). Espero que possa contribuir para um melhor entendimento das origens e questões que envolvem a região à milênios. Caso você ainda não tenha lido, aconselho que leia antes a primeira parte desta serie de postagens sobre a Palestina, a qual você encontra nesse link: Palestina: a Terra, o seu Povo e a sua História, Parte II.

            Em termos de geografia, demografia, sociedade, economia e vida cultural, Jerusalém tem sido o centro da Palestina e o grande ponto de encontro de importantes corredores leste-oeste, norte-sul. De fato, desde os tempos das civilizações mais primitivas na Palestina, Jerusalém tem sido a parte mais importante e inseparável da Palestina. Assim, quem quer que controle Jerusalém fica numa posição de dominação sobre toda a Palestina. Nela localiza-se a raiz da turbulenta e conflituosa história da cidade de Jerusalém.

            Por volta do século XVIII a.C.., Abraão veio de Ur, no sul da Mesopotâmia, para a terra de Canaã. Ele se estabeleceu nas cercanias do Vale do Jordão. Visto que nem o Velho nem o Novo Testamento não haviam sido revelados durante sua vida, Abraão não era nem judeu nem cristão, mas um crente na unicidade de Deus. Ele é descrito no Gênese como tendo adorado “o mais alto Deus”. O Corão menciona que ele era um ‘submisso a Deus’, no sentido de ter entregue-se a vontade do Deus único. Assim, cristãos, muçulmanos e judeus ainda rogam por ele em todas as suas preces, como acreditam que Deus lhes exortou a fazerem. Agar, a concubina de Abraão, lhe gerou seu filho Ismael, de quem os atuais muçulmanos traçam sua descendência; entrementes, a sua mulher Sara gerou-lhe o filho Isaac, do qual os atuais judeus traçam sua linhagem. Abraão se mudou para um lugar perto de Hebron (al-Khalil), onde viveu pregando o monoteísmo. Quando morreu, Ismael e Isaac sepultaram-no na mesma cova onde sua mulher Sara fora sepultada. Seu filho Isaac gerou Jacó (Israel), que viveu na região de Harran (Aram).

            Por volta de 1.300 a.C..,  os doze filhos de Jacó partiram para o Egito. Eles se integraram aos egípcios e José, o mais jovem dos filhos de Jacó, casou com a filha do sumo sacerdote. Originalmente um pequeno grupo de pessoas, eles se multiplicaram e ganharam força durante várias centenas de anos no Egito, tornando-se os israelitas. Foi no Egito que Moisés, ‘o fundador do judaísmo e o mais eminente legislador e também profeta para as três religiões reveladas, nasceu e estudou filosofia egípcia, tornando-se letrado em todas as ciências dos egípcios. Moisés, juntamente com seu povo (B’nei Israel) deixaram o Egito por volta do século XIII a.C.. Vagaram durante 40 anos  no Sinai, e durante esse tempo ele recebeu a lei divina judaica no monte Sinai (Tur).

            Após a morte de Moisés, Josué assumiu a liderança dos israelitas e os conduziu para o oeste pelo rio Jordão até Canaã. A primeira cidade Cananéia que Josué conquistou foi Jericó, destruindo-a juntamente com seus habitantes. Depois, ele assumiu o controle de Yashuu’ (Bayt Ele), Likhish, e Hebron, embora os filisteus tenham bloqueado o avanço do povo de Moisés rumo à costa, na área entre Gaza e Jafa, enquanto os cananeus impediram-nos de conquistar Jerusalém.

            Nos 150 anos seguintes, os israelitas, filisteus e cananeus controlaram alternadamente, porções da área da moderna Palestina, com os cananeus (Jabusitas) controlando Jerusalém. Mas nenhum grupo foi capaz de consolidar o controle sobre toda a área. Houve numerosas lutas entre esses grupos, sendo que cada um mantinha sua própria cultura e sua própria independência.

            Por volta de 1.000 a.C., o rei dos israelitas, Davi, pôde subjugar os pequenos estados de Edom, Moab e Amon. Durante sete anos ele fez de Hebron sua capital, mas, depois transferiu o centro do poder para Jerusalém pelos últimos 35 anos de seu reinado. Depois dele, o poder passou para seu filho Salomão, que é famoso por ter erguido o lugar de adoração conhecido como o Templo de Salomão. Para os judeus, esse templo tornou-se o centro da vida religiosa e o símbolo básico de sua unidade. Tornou-se ainda um ponto de peregrinação emocional para o povo judeu.

            Com a morte de Salomão, seu reino foi dividido em dois: o Reino de Israel, ao norte, composto por dez tribos, com Samaria (Sabastia) como sua capital, e Reino da Judéia, ao sul, composto por duas tribos, com Jerusalém como sua capital. Lutas crônicas entre os dois estados e batalhas colocando-os contra os cananeus e os filisteus, caracterizaram esse período volátil da história do Oriente Próximo.

            Por volta de 720 a.C.. os assírios, sob o rei Sargão, destruíram o reino israelita ao norte. Em 600 a.C.. os babilônios, sob o comando de Nabucodonozor, conquistaram o reino israelita sudeste, destruindo o Templo de Salomão em aproximadamente 586 a.C.., Ciro, rei dos persas, foi capaz de conquistar o império babilônio (Mesopotâmia), prosseguindo em suas conquistas até que ocupou a Síria e depois a Palestina, incluindo Jerusalém, permitiu que os escravos de Nabucodonozor retornassem à Palestina, e o Segundo Templo foi concluído em 515 a.C.

            Quando o império grego floresceu (eles ainda governaram Jerusalém durante sete anos) a Palestina caiu sob o domínio do Egito (322-200 a.C..) e depois por um certo período sob o governo dos selêucidas da Síria de 200- 142 a.C.. Neste ano, o rei Antióquio IV, tinha danificado o Templo de Salomão forçou os judeus a renunciarem ao judaísmo e a abraçarem o paganismo grego.

            Por volta de 63 a.C., depois que os romanos subjugaram os seldúcidas na Síria, o general romano Pompeu assumiu o controle sobre Jerusalém. Com a ajuda dos romanos, Herodes se tornou rei da Judéia no ano de 40 a.C. Seu reinado durou até a sua morte no ano 4 A.D. Durante esse tempo, o Templo de Salomão foi reconstruído em Jerusalém e houve a perseguição, o processo e crucificação de Jesus Cristo, depois do que, sobreveio a propagação da fé cristã.

            Na era de Tito, cerca de 70 A.D., os romanos infligiram aos judeus uma derrota devastadora. Tomaram Jerusalém e queimaram o templo judeu de uma vez por todas. Sob Adriano, várias décadas depois, os remanescentes finais da população judaica foram subjugados e expulsos da Palestina. Os romanos ergueram uma nova cidade sobre as ruínas de Jerusalém, a qual eles denominaram de Aelia Capitolina, com referência ao imperador Aelius Adrianus. Cerca de 395 A.D., Jerusalém tornou-se uma cidade bizantina e cristã. Mas emobora a Palestina e seus habitantes se tornassem uma parte do império bizantino política e religiosamente, a vida e a cultura dos cananeus locais permaneceram voltadas para Jerusalém.

            Após um breve período de controle pela Pérsia, no começo do século VII A.D. a Palestina e o resto da Síria saíram do jugo dos romanos e caíram na esfera do império árabe-islâmico. Jerusalém tornou-se a primeira direção das preces dos muçulmanos (qibla) –‘o primeiro dos dois qiblas’ – e a Palestina ‘os recintos que Deus abençoou’.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.