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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Um Sonho Possível, crítica e reflexão sobre o filme baseadas nos estudos piagetianos.


O presente trabalho tem por objetivo apresentar uma crítica reflexiva sobre o filme ‘Um Sonho Possível’ e a relação dos acontecimentos do filme com os estudos piagetianos.

Toda a trama cinematográfica aborda a vida de Michael Oher, um jovem que foi tirado de sua mãe quando tinha sete anos de idade, pois a mesma era usuária de crack. Seu pai suicidou-se, mas ele nunca possuiu uma relação com ele, seu irmão Marcos de quem ele lembra-se que foi separado pelo Estado, quando este interveio em sua família é o único membro da família que ele conhece o paradeiro. Michael não foi nem ao menos registrado e apresenta um QI de 80, muito baixo. Michael é tirado de sua mãe Denise e separado do seu irmão Marcos em um período importante de sua vida quando a criança está entrando no Período operatório. Piaget diz que em torno dos sete anos o pensamento da criança torna-se lógico, com características de reversibilidade. Inicialmente esta lógica é aplicada a problemas que existem, problemas concretos. Depois se transformam em operações mentais. Michael nessa fase já era capaz de tomar decisões cognitivas e lógicas, apresentando argumentos corretos, essa análise explica as recordações traumáticas do momento em que foi tirado de sua família, pois Michael podia decidir por si mesmo e por mais difícil que fosse a vida com sua mãe, ele queria ficar junto a ela e ao seu irmão.

No decorrer do filme Michael Oher é adotado pela família Tuohy e começa há perceber o amor de mãe vindo da Leigh Anne que também apresenta ao próprio Michael suas qualidades como jogador de Futebol Americano.  Com base em Piaget que distingue em três características básicas da inteligência operatória: a descentração, a conservação e a reversibilidade, podemos, observar que Michael tinha sido marcado pelas transformações sucessivas que ocorrem em sua existência e possuía consciência e compreensão das relações que se estabeleceram entre os diferentes eventos de sua vida desde que foi tirado de sua mãe e irmão, características da inteligência operatória de descentração. Ele achava que sua capacidade era limitada, pois foi assim colocado para ele. Michael demonstra habilidade de responder as questões oralmente, mas muitas dificuldades em fazer o mesmo pela forma escrita. É essência para a escrita e matemática à necessidade do principio piagetiano de inteligência operatória da conservação. As palavras têm uma forma de escrever e os cálculos também seguem regras para isso é essencial à conservação. Vemos que o personagem mostra um desenvolvimento deficitário nessa etapa de sua vida, sejam pelos traumas sofridos na infância ou pelo desprezo, preconceito e abandono ocorridos pela indiferença da sociedade para com ele.

Michael tem um forte instinto protetor que é aparente tanto no seu convívio com a família Tuohy como no teste de aptidão que realiza. O protagonista começa a jogar para o time futebol da escola e devido ao seu instinto protetor consegue grande destaque junto ao grupo. Aqui podemos relacionar com o que ensina Piaget, que com o desenvolvimento da moral e da afetividade a criança passa a perceber que o importante no jogo, está no fato de jogar pelo prazer da convivência ou jogo social. Michael tem a oportunidade de demonstrar sua grande aptidão na adolescência, mas isso já estava inerente em seu desenvolvimento cognitivo desde a infância.

Relatório sobre o filme Tempos Modernos de Charles Chaplin.



            O relatório que se segue visa analisar o filme produzido e dirigido por Charles Spencer Chaplin, Tempos Modernos e sua relação com os eventos históricos estudados na disciplina de História Moderna do Século XVII e XVIII, com foco na Revolução Industrial. O filme passasse na década de 1930, durante o crash da bolsa de valores de Nova Iorque (1929), conhecida também como Grande Depressão. No filme Chaplin interpreta o personagem vagabundo-operário.

            No inicio do filme aparece uma cena um tanto emblemática, onde vemos um rebanho de ovelhas avançando, mas se o telespectador não for atento passará despercebido que dentre elas há uma ovelha negra. Chaplin era um humanista, e como tal, suas obras sempre possuem várias críticas a sociedade e a suas diversas facetas políticas como o fordismo, militarismo, imperialismo, nazismo, capitalismo e tantas outras formas de opressão ou manipulação do homem pelo homem. Mas o que Chaplin tenta passar ao seu publico por meio dessa imagem da ovelha negra dentre as brancas? Pois bem, essa ovelha negra representa exatamente o vagabundo-operário interpretado por Chaplin, pois nosso herói irá opor-se ao sistema industriário vigente que submete a escravização os operários. No desenvolver da trama o operário-vagabundo simboliza a resistência do povo, diante da opressão da sociedade industrial moderna.

            Parafraseando a obra de Chaplin, não posso deixar de citar o livro, A Revolução Industrial de Francisco Iglésias, que nos deixa uma visão bem clara da situação vivida pelos trabalhadores desse momento da história humana:

“Já o proletariado desempenha tarefas rudes, pesadas, e em ambientes nocivos à saúde e que os leva a vida curta. Falta-lhes segurança, os acidentes com as novas máquinas são comuns e não há previdência. No trabalho consomem-se mulheres e crianças, de ínfima idade (até de quatro anos, com horário de 10 a 16 horas), como se vê nas descrições históricas de Marx em O Capital, no livro de Mantroux, ou – dentre outros – entre outros – nos romances de Charles Dickens (1812-70), que testemunhou a realidade.”

Francisco Iglésias,
A Revolução Industrial. Pg. 104.
            
            Na sequência temos as cenas dentro da fábrica, e podemos observar os trabalhadores manufaturando peças, enquanto, elas passam em uma esteira. Nosso herói, o vagabundo-operário não consegue acompanhar o ritmo frenético da máquina e não realiza sua função a tempo de acompanhar seus companheiros de trabalho. Nesse momento do filme em particular fica claro a dificuldade do homem permanecer lucido diante do insana máquina e seus proprietários burgueses, que veem o operário apenas como um complemente necessário aonde a máquina não se pode fazer presente naquele momento (por enquanto).

            Em meio ao alucinante e anormal trabalho braçal na fábrica, o personagem chapliniano enlouquece, e apresenta dificuldade de parar o movimento repetitivo  e literalmente surta, passando por diversos apuros na fábrica. Diante dos acontecimentos nosso herói cai na esteira e é puxado pela máquina para dentro das engrenagens, cena que veio a tornar-se épica no cinema. Desse acontecimento podemos encontrar algumas metáforas chaplinianas. O homem entre as engrenagens é a peça principal que faz a máquina funcionar? Os constantes acidentes de trabalho que acometiam centenas de trabalhadores anualmente durante a década de 1930? Acredito que ambas as questões são pertinentes para aquela cena.

            No próprio filme o operário-vagabundo é confundido com um líder comunista ao tentar devolver uma bandeira vermelha, que caiu de um caminhão e acaba em frente de um grupo de grevistas.


            O visionário Chaplin traz em seu filme a presença da supervisão por câmera de vigilância, algo ficcional para seu período histórico, mas que hoje é realidade em praticamente todas as fábricas. Por meio desta câmera o proprietário da fábrica pode acompanhar o trabalho dos funcionários e ditar o ritmo das esteiras de produção conforme a necessidade.


            Sua tradicional montagem semântica aparece aqui, no inicio do filme intercalando imagens de ovelhas entrando aglomeradas no curral e de trabalhadores se amontoando na entrada da fábrica, ilustrando que o empregado não é tão diferente dos animais, tendo que seguir ordens e rotinas. Observe ainda como uma ovelha negra se destaca no meio das outras, simbolizando o personagem do vagabundo, que simplesmente não aceita o modo de vida imposto pela urbanização e industrialização e, portanto, é diferente dos demais.

            Nosso herói é levado para um hospital depois de seu surto de loucura dentro da fábrica. Após breve tratamento ele recebe alta e não é aceito de volta na fábrica. Agora nosso herói vagabundo-operário está doente e desempregado em meio a uma cidade aonde impera o desemprego, fome, greves e desordem social. Chaplin acaba preso ao tentar ajudar uma jovem que roubava bananas para alimentar suas irmãs menores e seu pai desempregado. Encontramos afirmações que fazem eco há esses eventos no texto de Francisco Iglésias:

“Foi exatamente esse aumento (na produção), levando à dispensa de muitos, que trouxe a revolta contra a máquina, ao longo de toda a primeira Revolução Industrial, vista como inimiga pelos trabalhadores, pela dispensa de gente provocada.”
Francisco Iglésias,
A Revolução Industrial. Pg. 88.

            Na obra cinematográfica de Chaplin, Tempos Modernos o operário-vagabundo apaixona-se pela jovem que por fome roubava comida, ele vai trabalhar numa loja de departamentos como segurança, até que nosso herói volta à fábrica como ajudante de mecânico no reparo das máquinas.

            No desenvolver dessa trama o mecânico chefe cai dentre as engrenagens e fica preso. O operário-vagabundo tenta de todas as maneiras retirar o companheiro das engrenagens. Aqui vemos Chaplin fazendo alusão aos constantes acidentes que acometiam os trabalhadores nas fábricas, pois as mesmas levavam mais em consideração a produção do que a segurança humana. Para o proprietário burguês o que importava não era a segurança do homem, mas a funcionabilidade plena da máquina, pois está lhe renderia capital o homem é substituível.      

     

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.