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terça-feira, 15 de julho de 2014

Paralelo entre os autores do texto “A crise do século XVII” (Hobsbawm, Lublinskaya e Trevor-Roper).

  
Horror story: An Allegory of War, c1608 by Frans Francken the Younger (Bridgeman Art Library). 

O presente trabalho visa elaborar um paralelo entre as opiniões dos autores citados no texto “A crise do século XVII” (Eric. J. Hobsbawm, A. D. Lublinskaya, H. R. Trevor-Roper), e por meio deste apresentando suas opiniões convergentes e divergentes. Seguirei iniciando minha linha de análise por texto de cada autor e sua relação com os demais autores. 

O texto “A crise geral da economia europeia no século XVII” de Eric J. Hobsbawm tem por base as teorias marxistas e parte do pressuposto de que a crise não foi paralela em toda a Europa, mas distingue-se em algumas regiões houve estagnação e em outras não. Em alguns lugares da Europa houve crescimento e em outros houve crise. Para Eric J. Hobsbawm, a existência ainda de relações feudais impediram o desenvolvimento do capitalismo na Europa, sendo esse um dos principais motivos da Crise do século XVII da qual o mesmo demonstra provas incontestáveis da ocorrência da Crise. 

“O raciocínio geral pode ser resumido no seguinte: para que o capitalismo se implante, a estrutura da sociedade feudal ou agrária deve passar por uma revolução.” 

Eric J. Hobsbawm

 Já em contrapartida podemos observar no texto “A crise geral do século XVII” de H. R. Trevor-Roper, uma perspectiva antimarxista da visão da Crise do século XVII. Ele nos mostra em seu texto que a crise do século XVII não foi uma crise de produção devido à estagnação como propôs Eric Hobsbawm, porque somente a Inglaterra que possuía as forças capitalistas triunfantes da Europa neste período, pois a antiga estrutura foi destruída e uma nova forma de organização econômica estabelecida. Dentro desta organização segundo H. R. Trevor-Roper, o capitalismo moderno, industrial pode desenvolver-se e desse modo sofrer as consequências plenas da crise que atingia a Europa nesse momento da história. 

“Consequentemente, enquanto outros países não fizeram qualquer progresso imediato em direção ao capitalismo moderno, na Inglaterra a antiga estrutura foi destruída e uma nova forma de organização econômica foi estabelecida, Dentro desta organização, o capitalismo moderno, industrial, pode atingir seus resultados surpreendentes: não era amais a empresa capitalista ‘adaptada à estrutura geralmente feudal’; era a empresa capitalista, a  partir de sua base insular recém-conquistada, ‘ transformando o mundo’”. 

H. R. Trevor-Roper

             Mesmo afirmando ter a Crise do século XVII ter alcançado plenamente somente a Inglaterra devido ao seu desenvolvimento capitalista adiantado em relação às outras nações ele acaba por concordar com Eric J. Hosbawm ao afirmar que de fato, não se conseguiu a transformação em lugar algum sem um pouco de revolução. Apresento agora as opiniões da autora A. D. Lublinskaya em seu texto “A teoria da revolução geral na Europa do século XVII”. Ela critica as teorias de uma generalização da crise entre as nações da Europa e apoia suas teorias em consideração da situação de cada nação em particular. 

“Destes três países (Inglaterra, Holanda e França), cuja revolução capitalista se opera no começo do século XVII, a França não somente ocupa um lugar menor, como é o único Estado cujo desenvolvimento capitalista experimenta realmente grandes dificuldades.” 

A.   D. Lublinskaya
  
No aspecto de uma crise do capitalismo em particular, A. D. Lublinskaya discorda com Eric J. Hobsbawm que afirma que a crise ocorreu em cada nação devido ao desequilibrado desenvolvimento do capitalismo, como enquanto a Inglaterra era estagnada pela crise a Suécia, Rússia e outras regiões menores desenvolviam-se. 

“As potências ibéricas, a Itália e a Turquia apresentavam um evidente retorocesso. Quanto a Veneza, encontrava-se a ponto de transforma-se num centro turística(...) Mais ao norte, o declínio da Alemanha era evidente, embora de forma alguma irremediável. Na Polônia báltica, a Dinamarca e a Hansa declinavam. (...) Por outro  lado, as potências marítimas e suas dependências – Inglaterra, Províncias Unidas, Suécia – assim como a Rússia e outras regiões menores como a Suiça pareciam se desenvolver a invés de estagnar. Enquanto a Inglaterra, encontrava-se em pleno avanço. A França encontrava-se em uma situação intermediária (...).”  

Eric J. Hobsbawm
  
            A autora Lublinskaya concorda com Hobsbawm que o capitalismo é um dos centros do evento da crise do século XVII, mas que este não é o responsável pela mesma como nos tenta demonstrar Hobsbawm em seu texto. Pois a autora estima que não é uma crise de produção capitalista a que se registra no século XVII, mas uma luta econômica e política – entre os países onde o capitalismo se desenvolve de maneira desigual.


            Em relação ao texto do autor Trevor-Roper, Lublinskaya nos guia em sua crítica de que as teorias da crise geral do século XVII e da crise do capitalismo em particular de onde tirou a maioria de suas conclusões da economia inglesa e holandesa. Ele sublinhou mais o ritmo lento, a seu juízo, deste processo até nos países desenvolvidos. 

“De qualquer maneira, as cortes reconheceram-na como a sua crise. Algumas cortes procuraram reformar-se foi então que as velhas cidades-estados, particularmente Veneza, embora agora em decadência, tornaram-se o modelo admirado, primeiro para a Holanda e depois para a Inglaterra.”
  
H. R. Trevor-Roper

Lublinskaya concorda com Trevor-Roper sobre a importância do envolvimento dos acontecimentos na Holanda, Inglaterra e França para exemplificar os eventos da crise do século XVII, ainda que de formas distintas como vemos a autora citar: 

“A evolução capitalista na França durante o período examinado está muito influenciada pelo capitalismo dos países vizinhos, principalmente da Holanda e da Inglaterra. Estes três Estados caminham para a sociedade burguesa (...).” 

A.   D. Lublinskaya

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.