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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Centenas de ossadas datadas de 2000 anos, pertencentes a um exército de guerreiros desconhecidos, são encontrados “sacrificados” na Dinamarca.


Este crânio, descoberto entre os restos de muitos outros guerreiros no Alken Enge na Dinamarca, tem uma ferida mortal na parte de trás do crânio. 

Crânios fraturados e diversos ossos de fêmur cortado ao meio, achados juntamente com machados, lanças e escudos, confirmam que o pântano em Alken Enge foi o local de conflitos violentos. "É claro que este deve ter sido um evento de grande alcance e dramático bastante para ter tido efeito profundo sobre a sociedade da época", explica o Gerente de Projetos Mads Kähler Holst, professor de arqueologia na Universidade de Aarhus.

A arqueologia é cheia de surpresas. Embora seja sempre fascinante descobrir mais sobre populações e épocas diferentes da nossa, pedaços dessas histórias podem ser assustadores.

Às vezes temos até a impressão de que os humanos eram mais cruéis no passado; mas talvez seja só isso mesmo, uma impressão, já que, apesar de sacrifícios não estarem mais em voga ou sequer serem permitidos, somos capazes de muitos outros tipos de maldade.

Recentemente, pesquisadores encontram “relíquias históricas” de aproximadamente 3,6 mil anos atrás: mãos que foram cortadas de inimigos para dar ao rei, da época em que o povo Hykso controlava parte do Egito.

Agora, mais uma escavação teve resultado macabro: em uma colaboração entre o Museu Skanderbord, o Museu Moesgård e a Universidade de Aarhus (Dinamarca), arqueólogos descobriram os restos de centenas de guerreiros que morreram violentamente cerca de 2.000 anos atrás.

A escavação atual segue um trabalho feito em 2008 e 2009, quando arqueólogos encontraram ossos individuais espalhados no leito de um lago de dois metros nas zonas úmidas de Alken Enge, perto do Lago Mosso, em East Jutland, na Dinamarca.

O local agora é um pântano, mas a pesquisa geológica indica que os achados eram restos de um exército depositados em uma pequena bacia na área que existia no local há 2000 anos, que hoje se tornou o pântano Alken Enge.

As análises também indicam que o nível de água na área mudou várias vezes. Mapear esses períodos de alta e baixa cronologicamente pode indicar as condições precisas do local no momento do sacrifício em massa.


Um machado bem preservado de ferro, medindo cerca de 75 centímetros de comprimento, que foi descoberto em Alken Enge na Dinamarca.

Sim, sacrifício, pois a evidência de violência no local é clara, segundo os arqueólogos. Eles descobriram ossos humanos danificados, incluindo uma fratura no crânio e um osso da coxa cortado ao meio, junto com machados, lanças, escudos e clavas.

Quem são esses guerreiros?

Aos poucos, os pesquisadores vão exumar os restos mortais encontrados no local, para estudá-los em busca de mais informações sobre esses guerreiros: quem eles eram e de onde vieram.


Um crânio escavado a partir do site Alken Enge neste verão. É portador de uma ferida mortal causada por uma lança ou flecha. 


A investigação arqueológica, por esse ano, já está quase no fim. Mas há muitos indícios de que a descoberta é muito maior do que a área que os arqueólogos escavaram até agora. Cada vez que eles fazem pequenas escavações em lugares diferentes nos 40 hectares da região, novas descobertas surgem.

Na verdade, a descoberta é tão grande que os pesquisadores não estão contando com a possibilidade de escavar tudo. Em vez disso, eles vão se concentrar em recriar as linhas gerais dos eventos que ocorreram no local, realizando escavações menores em locais diferentes por todo o pântano a fim de reconstruir a forma como a paisagem deveria ter sido na época do nascimento de Cristo.

“É claro que este deve ter sido um evento bastante abrangente e dramático, que deve ter tido efeito profundo sobre a sociedade da época”, explica o Mads Kähler Holst, professor de arqueologia na Universidade de Aarhus.

Esperamos descobrir em breve que evento foi esse, e o que ele significou naquele tempo.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.