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sábado, 6 de julho de 2013

Sociopatas/Psicopatas. Eles estão entre nós? Parte V.


Um sociopata da infância a idade adulta, acompanhe a história de Skip. Imagem: Arquivo CHH.

*Skip é baseado em um personagem real, mas seu nome e imagens não relata o personagem verdadeiro.

“Skip concluíra que, no mundo dos negócios, poderia facilmente dominar o jogo e divertir-se usando seu talento inato e sua capacidade de encantar as pessoas e levá-las a fazer o que ele queria se tornou bem mais refinada.”

Chegamos à última postagem da sequência de 5. Nos três primeiros textos abordamos da sociopatia/psicopatia, suas características, se há ou não distinções entre elas, o modus operandi dos psicopatas e diversos meios de manipulação utilizados pelos mesmos para “caçar” suas vitimas. Desmistificamos a criação hollywoodiana do psicopata assassino para o psicopata assassino social, aonde mesmo que 90% dos psicopatas nunca matem ninguém, eles vivem a destruir sonhos e vidas das mais diversas formas imaginais. Em nossos estudos vimos que não existe uma profissão, religião, etnia, pois eles somam 4% da população total, mas mesmo diante de parecer ser um percentual pequeno perto dos 94% de humanos que são conscientes e possuem empatia pelos seus semelhantes, os psicopatas fazem um estrago imenso para toda a humanidade, principalmente se ocupam cargos de liderança. Como anunciado na postagem anterior estudaremos agora a história da vida de Skip, uma criança brilhante e bonita como repetiam seus pais e amigos deles e até seus professores, mas o que não sabiam é que Skip não era como o restantes das pessoas, Skip não possuía consciência, era desprovido de empatia e capaz de tudo para conseguir seus intentos e é o que veremos que fez tanto na infância como em sua vida adulta.

A família de Skip tinha um chalé ás margens de um lago nas colinas da Virgínia, onde Skip passou todos os verões de sua infância. Ele aguardava ansiosamente as férias na Virgínia. Não havia muito que fazer por lá, mas a atividade que inventara era tão “divertida” que compensava a falta de animação geral.  Mesmo sendo brilhante ninguém entendia o porquê das notas baixas ou por que, chegada essa fase, demonstrava tão pouco interesse pelas meninas. O que eles não sabiam é que desde os 11 anos Skip saia com meninas mais velhas, dispostas a ceder aos elogios e ao sorriso charmoso de Skip. Quanto as notas, Skip era mesmo bastante inteligente – poderia só tirar 10 -, mas para tirar 5 não era preciso fazer esforço algum, então se contentava com isso. De vez em quando, até conseguia um 7, o que o deixava surpreso, visto que nunca estudava. Os professores gostavam dele. Pareciam quase tão vulneráveis a seus sorrisos e elogios quanto às meninas, e todos estavam convencidos de que o jovem Skip faria o ensino médio num bom colégio – e depois entraria para uma faculdade decente, apesar de suas notas. Os pais tinham muito dinheiro, eram milionários, como diziam as outras crianças. Em várias ocasiões quando tinha cerca de 12 anos, Skip se sentou à escrivaninha que os pais haviam comprado para ele num antiquário para tentar calcular quanto dinheiro herdaria quando eles morressem. Baseava esses cálculos em alguns demonstrativos financeiros roubados do escritório do pai. Os papéis eram confusos e incompletos, mas, mesmo não conseguindo chegar a um valor exato, Skip não tinha dúvida de que um dia seria muito rico.

Ainda assim, ele tinha um problema. Passava a maior parte do tempo entediado. Nenhuma das coisas que o entretinham – nem mesmo sair com as garotas, enganar os professores ou pensar no seu dinheiro – o satisfazia por mais de meia hora. A fortuna da família era o entretenimento mais promissor, porém ainda não estava sob o seu controle – afinal, ele era uma criança. Não, a única coisa capaz de aliviar seu tédio era a diversão que o esperava na Virgínia. As férias eram época boa. No primeiro verão, aos 8 anos, ele simplesmente retalhou os sapos com uma tesoura, por falta de outro método. Descobrira que podia pegar uma rede na cabana de pescaria e capturar facilmente os sapos nas margens lamacentas do lago. Segurava os animais de barriga para cima, cortava-os e depois tornava a virá-los para observar aqueles olhos viscosos e burros se apagarem enquanto os animais sangravam até morrer. Em seguida atirava os corpos no lago, o mais longe possível, gritando para os sapos mortos: “Bem feito para você, seu sapo idiota!” Havia muitos sapos naquele lago. Skip podia passar horas a fio os matando e ainda assim sobravam centenas e mais centenas para o dia seguinte. No entanto, ao final daquele primeiro verão, o garoto decidiu que poderia fazer melhor. Estava cansado de retalhar os animais. Seria incrível mandá-los pelos ares, arrumar alguma coisa para explodi-los. Então bolou um plano realmente bom. Na cidade onde morava, conhecia alguns garotos mais velhos e sabia que um deles costumava viajar coma família para a Carolina do Sul todo mês de abril, nas férias de primavera. Skip ouvira dizer que lá se podiam conseguir fogos de artifício com facilidade. Mediante um pequeno suborno, Tim compraria alguns fogos para Skip e os traria escondidos no fundo da mala. Ele teria medo de fazer isso, mas, graças à lábia de Skip – e à quantia certa de dinheiro -, acabaria concordando. No verão seguinte, Skip não usaria uma tesoura, e sim rojões. Encontrar dinheiro em casa não foi problema e o plano funcionou perfeitamente. Naquele mês de abril, Skip conseguiu 200 dólares para um tipo de rojões que vira anunciado numa revista, e mais 100 dólares para subornar Tim. Quando finalmente pôs as mãos na caixa ficou encantado. A marca que ele tinha escolhido era a que trazia a maior quantidade de fogos em cada caixa e eles eram pequenos o bastante para caber perfeitamente – ou – quase- na boca do sapo.

Naquele verão, Skip enfiou os artefatos, um por um, na boca de cada sapo capturado, acendendo os pavios e jogando os animais para o alto, na direção do lago. Às vezes também deixava no chão o sapo prestes a ser detonado, saía correndo e, de longe, assistia a explosão. As imagens eram incríveis – sangue, muco, luzes e, às vezes, um barulho e estrelinhas coloridas. O resultado foi tão formidável que ele logo começou a desejar uma plateia para apreciar seu talento. Certa tarde, convenceu Claire, sua irmã de 6 anos, a acompanhá-lo até o lago, deixou que ela o ajudasse a capturar um sapo e depois, na frente da menina, explodiu o animal no ar. Claire soltou um grito histérico e correu de volta para casa o mais rápido que pôde.

No entanto, havia muito tempo que seus pais tinham percebido que Skip não era o tipo de criança fácil de se controlar e que, por isso, os confrontos precisavam ser cuidadosamente escolhidos. A questão dos fogos não era um problema que valesse a pena ser discutido. Nem mesmo depois que Claire foi correndo contar que Skip estava explodindo sapos. A mãe colocou o volume do aparelho de som da biblioteca no máximo e Claire tratou de esconder sua gata, Emily.

Skip é um sociopata. Não tem consciêncianenhum senso de obrigação baseado em ligações afetivas – e, como logo veremos, sua vida adulta fornece um exemplo esclarecedor de como uma pessoa inteligente mas sem consciência pode ser. Amoral e indiferente, estará ele destinado a ser marginalizado pela sociedade?  Será que vive ameaçando, rosnando e talvez até espumando, já que lhe falta uma característica humana tão fundamental? É fácil imaginar que Skip cresceu e se tornou um assassino. Quem sabe não matou os pais para ficar com a herança? Talvez ele tenha morrido ou esteja apodrecendo numa prisão de segurança máxima. Esses finais parecem prováveis, mas nada disso aconteceu de verdade. Skip continua vivo, nunca matou ninguém, pelo menos não diretamente e- até hoje – jamais viu o interior de uma cadeia. Pelo contrário, embora ainda não tenha recebido sua herança, é um homem bem-sucedido, mais rico que um rei. Se você o encontrasse num restaurante ou na rua, veria um sujeito igual a qualquer outro homem de meia-idade bem cuidado, vestindo um terno caro.

Como é possível? Ele se regenerou? Melhorou? Não. Na verdade, ficou ainda pior. Tornou-se o Super Skip. Com notas boas o bastante para ser aprovado, ainda que sem louvor, somadas ao charme pessoal e à influência da família, Skip foi aceito numa boa escola de ensino médio em Massachusetts, causando aos pais certo alívio, tanto pela admissão quanto por seu relativo distanciamento de suas vidas. Os professores ainda o achavam carismático, mas a mãe e a irmã já sabiam que ele era manipular e estranho. Claire, sua irmã, ás vezes comentava que “Skip tem uns olhos esquisitos”, e a mãe a olhava com uma expressão derrotada, indicando que não queria tocar naquele assunto. Mas praticamente todas as outras pessoas o viam apenas como um rostinho bonito.

Quando chegou o momento de ir para a universidade, Skip foi aceito na mesma instituição em que o pai (e antes dele seu avô) estudara, onde ganhou a reputação de “festeiro” e “conquistador”. Formou-se com as notas medianas de sempre e ingressou numa faculdade de menos prestigio para fazer um MBA, pois concluíra que, no mundo dos negócios, poderia facilmente dominar o jogo e divertir-se usando seu talento inato. As notas não melhoraram, mas sua capacidade de encantar as pessoas e levá-las a fazer o que ele queria se tornou bem mais refinada.

Aos 26 anos, foi trabalhar na Arika Corporation, uma empresa produtora de equipamentos para explosão, perfuração e carregamento usados na prospecção de minério. Sempre nos momentos certos, tinha um olhar azul intenso e um sorriso contagiante e, para os novos patrões, parecia ter um talento quase mágico para motivar a equipe de vendas e influenciar clientes.

Skip, por sua vez descobriu duas coisas:

Primeira: manipular adultos instruídos não era mais difícil do que tinha sido convencer seu amigo Tim a comprar fogos de artifício na Carolina do Sul;
Segunda: mentir, de uma forma cada vez mais sofisticada, era tão simples quanto respirar.


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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.