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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Sociopatas/Psicopatas. Eles estão entre nós? Parte IV.


Um psicopata dentro de casa. Imagem: Arquivo pessoal CHH.

Até aqui abordamos algumas características, personalidades e inclusive a origem da sociopatia/psicopatia e a distinção ou não por parte dos especialistas entre ambas. Agora trarei relatos de pessoas que conviveram com sociopatas/psicopatas no seu dia a dia e levaram os traumas desse encontro por toda sua vida.

Um psicopata dentro de casa

Hannah, uma moça jovem de 22 anos teve seu pai preso por matar um homem. Seu pai havia sido diretor de uma escola pública do bairro de classe média em que ela foi criada. Ele aparentava ser um homem extremamente agradável que naturalmente atraía as pessoas com suas palavras, adorado pelos alunos, professores e praticamente todo mundo na pequena comunidade. Hannah era filha única, e desde pequena seu pai lhe dizia que ela poderia ser o que quisesse mesmo sendo menina, ela poderia escolher a profissão que quisesse. Que as meninas podiam ser médicas. Hannah entendia essa frase que lhe era repetida pelo pai; Hannah você pode ser médica! Quando seu pai foi levado a julgamento pelo assassinato de um homem, toda a cidade compareceu ao julgamento. As pessoas ficaram lá sentadas chorando, sentido pena dele.   
 
O homicídio ocorreu numa noite de março quando Hannah que cursava o segundo ano do ciclo universitário básico, visitava os pais durante as férias de primavera. A altas horas da madrugada, ela acordou com um barulho muito alto do lado de fora. – Mais tarde descobrirá que tinha sido um tiro. Hannah se levantou sonolenta, para saber o que estava acontecendo e viu a mãe de pé junto à porta da frente, chorando angustiada. Assim que a mãe viu Hannah, agarrou, como se tirasse a filha da frente de um trem em disparada, e gritou para que ela não saísse de casa.

Depois de algum tempo seu pai entrou em casa, passando pela porta escancarada, e se aproximando da mulher e da filha que estavam abraçadas. Ele não estava com a arma na mão à jogara fora em algum lugar. Vestido apenas a calça do pijama, ele se postou diante da sua pequena família. Seu pai parecia bem. Meio ofegante, mas não dava a impressão de estar assustado.

Aos poucos Hannah descobriu o que acontecera. Mais cedo naquela noite horrível, a mãe, ouvira um barulho vindo da sala, como o de copos quebrando, e acordara o marido. O pai de Hannah levantou e pegou a caixa com a arma do armário do quarto, destrancou-a e carregou o revólver. Sua esposa lhe implorou que apenas chamasse a polícia. Ele nem sequer respondeu, limitando-se a rosnar uma ordem: “Fique aqui!” Ainda praticamente no escuro, ele se dirigiu a sala. Ao vê-lo, ou mais provavelmente, ao ouvi-lo, o assaltante fugiu pela porta da frente. O pai de Hannah saiu em seu encalço, atirou pela porta da frente atingindo-o na cabeça, matando o invasor na hora. O assaltante caiu na calçada entre o gramado e o meio-fio, o que, tecnicamente, significa que o pai de Hannah atirara em um desarmado no meio da rua. Nenhum dos vizinhos saiu de casa. A polícia atendeu prontamente a chamada.

Nas semanas que se passaram o episódio despertou o interesse da mídia local. O crime ocorrera num subúrbio tranquilo de classe média. O assassino era um homem comum sem histórico de violência. Não estava bêbado nem usava drogas. A vítima era um delinquente conhecido, viciado em drogas, que, pouco antes de ser morto, tinha invadido a casa quebrando uma janela. Houve um longo julgamento depois de uma apelação. No final, o pai de Hannah foi condenado a 10 anos de prisão por homicídio doloso. A notícia de que um diretor de escola havia sido condenado a 10 anos de prisão por matar um ladrão no gramado de casa causou grande comoção e polêmica.

Enquanto passava por tudo isso, embora pareça impossível, Hannah ainda frequentava a faculdade, tirava notas altas e se candidatava à especialização em medicina, coisa que o pai, apesar de todos os problemas, insistia que ela fizesse. Seu pai lhe dizia mesmo na cadeia que não iria permitir que a vida de Hannah fosse destruída por toda aquela “estupidez”, como chamava. Hannah conseguiu ser aceita em quase todas as faculdades de medicina a que se candidatou, apesar do problema pai na cadeia. Parecia que tudo aquilo como a própria Hannah afirmava, lhe ajudará a ser admitida. Ele (seu pai), “era uma causa a ser defendida”.

Mas havia algo mais que havia passado por Hannah. Por que seu pai atirou? Por que simplesmente não pôs o homem para correr? Será que talvez o pai de Hannah, o chefe de família, o diretor de escola de classe média fosse um assassino! Aos poucos foi se montando o retrato de um pai e indivíduo frio, cujas ações cruéis e controladoras. Esse homem via a bela esposa e a filha brilhante mais como troféus do que como seres humanos, em geral ignorando-as por completo quando adoeciam ou, por qualquer outro motivo passavam por um período difícil. Quando Hannah estava na quarta serie sua professora mandou-lhe um bilhete para casa dizendo que ela não estava fazendo os temas. Seu pai ficou duas semanas sem falar com a própria filha. Quando uma espinha apareceu no rosto de sua filha quando ela estava no ensino médio, ele ficou três dias sem falar com Hannah e nem olhava para ela. Ele via a filha apena como um objeto a ser exibido, se apresentasse defeito não servia mais. Quando Hannah era criança sua mãe ficou gravemente doente e passou três semanas internadas devido a uma pneumonia. Seu pai não foi visitar sua mãe no hospital nenhuma vez sequer durante toda a internação e, quando sua esposa voltou para casa, encontrou-o zangado e nervoso, preocupado porque a mulher, pálida e enfraquecida, “podia não recuperar a beleza”.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.