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sexta-feira, 19 de abril de 2013

As duas faces de Satanás



Soldados de Deus contra o Comunismo Internacional. Imagem: Leandro Claudir.

Plínio Salgado

“Satanás é o comunista que assassina e massacra. E Satanás é também o homem rico e feliz que nada faz para evitar a morte de multidões de pobres, mal alimentados e desamparados de qualquer conforto físico ou espiritual.”


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“Satanás apoderou-se de vós, burgueses, como se apoderou de muitos proletários.”


S S S

O comunismo não é uma causa: é um sintoma. O mal não é o comunismo em si, porém as causas que geram o comunismo.

 O comunismo, por consequência, não se acaba com violências, com opressões e fuzilamentos; acaba-se com a extinção das fontes de onde provém.

É preciso encararmos o comunismo sob os dois aspectos pelos quais ele se apresenta: o intelectual e o moral.

Sob o ponto de vista intelectual, o comunismo só pode ser combatido, eficientemente, pela crítica, pelas ideias, no livro, na tribuna, na imprensa. Sob o ponto de vista moral, o comunismo só pode ser combatido pelas medidas que melhorem as condições de existência do povo e pelos exemplos de virtude.

Tanto o estado de espírito do intelectual como o estado de espírito do inculto, porém, sentimental, só podem ser substituídos por uma nova concepção da vida.

Será, porém, inútil, tanto a ação do pensamento como a ação do sentimento, se ela não for prestigiada pelo exemplo.

Estancar as fontes geradoras do comunismo - eis o nosso trabalho.

Onde estão as fontes do comunismo?

No materialismo burguês.

Com que autoridade um materialista pode declarar-se inimigo do comunismo?

Sua atitude reacionária só consegue irritar ainda mais os humildes, os infelizes, os pobres. Seu ódio anima o ódio dos contaminados pelo bolchevismo. Seus impulsos violentos não fazem mais do que acender mais ao vivo as cóleras da multidão.

É muito comum hoje em dia escutar-se um burguês dizer: “Qual nada! O que o Governo devia fazer era fuzilar logo esses comunistas!”.

A gente olha para o burguês. Está bem vestido, com o charuto na boca, acaba de descer o elevador do Jockey Club, onde levou duas horas almoçando num restaurante elegante. É casado. Daqui a pouco, vai ter um encontro com uma mulher que não é a sua, no “hall” do Palace. Esta manhã esteve na praia, seminu - dando pasto aos olhos nas arredondadas formas das frineias familiares que, por sua vez, não perdem a Missa, mas acham natural o nudismo -, fazendo conquistas baratas. O burguês tem uma renda farta. Vive à tripa forra. Sabe de numerosos casos de adultérios e conquistas, e distrai-se também no esporte dos galanteios reles. E tem muita raiva aos comunistas. “Oh!” – exclama horrorizado – “O Governo devia fuzilar essa caterva!”.

Nosso homem vota um desprezo profundo pelos humildes. Essa gente, para ele, não passa de animais que cheiram a cebola e a suor. Grita com os inferiores, maltrata os que estão por baixo de sua imensa categoria. Detesta o convívio dos homenzinhos, da gentinha, dos estudantes pobres, dos caixeiros, dos suados operários e camponeses, do soldado heroico que, afinal, mantém a ordem em que o burguês floresce, daqueles que guardam a sua casa, como cães de fila. Caçoa do brasileiro do sertão, que trabalha para sustentar o luxo das capitais. E, quando esse nédio burguês ouve falar em comunismo, logo diz: “Basta a polícia! É meter-lhes as patas de cavalo, é varrê-los a metralhadora”.

Não: O comunismo não se combate assim. O burguês está enganado. Já se enganou desse modo na Espanha; está se enganado na França, como está se enganando no Brasil.

O comunismo é apenas um sintoma do materialismo grosseiro de que o burguês é a fonte originária.

O operário não quer mais acreditar em Deus? Mas quem foi que ensinou o operário a negar a Deus? Foi o burguês. O burguês que acha muito boa a religião para os velhos, os proletários, as crianças e as mulheres.

O nédio burguês usufrutuário da ordem é ateu, não respeita a sacralidade da família, nem liga importância à ideia de Pátria. Leva uma vida de macaco, só pensando em prazeres, com o nariz a cheirar rabos de saia. As suas preocupações dominantes são o alfaiate, a garçonnière, o clube, o pano verde, a esperteza nos negócios, as paixões criminosas.

Convém, para ele, que o operário seja religioso porque assim não incomoda com rebeliões e desesperos. Convém que a esposa também o seja, porque assim se conforma com as suas ridículas atitudes de galo velho ou leão da Avenida. Convém que as crianças também o sejam, para não darem trabalho com desobediências.

É assim o burguês. Para ele a Pátria é uma coisa boa, porque a Pátria para ele não são os milhões de Brasileiros que sofrem, de compatriotas solidários na comunidade das tradições e aspirações nacionais, porém, os soldados que lhe vigiam a casa, os policiais, os agentes de segurança, investigadores e metralhadoras, que fazem o sono tranquilo na doçura dos lençóis de cambraia. Isso é que é a Pátria, a Nação, para ele. Ele não serve a Pátria, é a Pátria quem o serve. A Nação é um guarda-noturno que lhe lambe as gorjetas pela via dos impostos para as festas a bandeiradas, com hinos e salvas de peça. Não a defende, pois. Deixa essa incumbência ao Exército, à Polícia, ao Governo. “Para isso pago os impostos”, diz – e não dá um passo.

No íntimo, o burguês materialista está convencido de que o Governo e as Forças Armadas existem para que ele, em plena segurança, possa conquistar e desonrar a filha do operário; possa mudar de mulher como quem troca de camisa; possa refestelar-se no seu pijama de seda; possa atropelar com seu automóvel o mísero velhinho ou a inocente criança que tiveram a petulância de atravessar em frente da sua máquina possante e reluzente. Mas, se abre a boca para expender ideias, esse miserável tipo do século XX propõe sempre o combate ao comunismo. Lá no fundo de seu coração empedernido, ele pensa que o Governo, o Chefe de Polícia, os militares, os camisas verdes, devem ser seus capangas, seus criados dóceis.

Estão muito enganados, os burgueses. O que nós, Integralistas, combatemos, em primeiro lugar, combatemos, é o materialismo, o sensualismo, a grosseria dos sentimentos, o domínio dos instintos. Sem combater isso, como conseguiremos combater o comunismo?

Pois se o operário olha para o burguês e vê que ele, em todas as suas atitudes, proclama que a vida do homem acaba neste mundo; e se o burguês – para o operário – é o homem que sabe, que leu, que estudou; e se é com ele que o operário aprende, - é lógico que o operário fique sendo materialista, e deseje também ser um bruto, um gozador, e como não tem recursos adere a uma doutrina que lhe diz: “O céu e o inferno são aqui mesmo, tratemos pois de gozar a vida!”

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.