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terça-feira, 26 de março de 2013

Nacionalismo no mundo: ORDEN!


Alexandre Villacian
Com apenas 21 anos, Andrés della Chiesa já é um experiente militante político na Venezuela do sombrio regime chavista. Aliás, esse não é o nome verdadeiro do jovem escritor, que participa desde os 16 anos das fileiras nacionalistas. Por motivo de segurança, estamos mantendo em sigilo o seu verdadeiro nome. É pelo mesmo motivo que optamos por mostrar apenas uma foto (mais abaixo) em que ele aparece de lado. Afinal, toda cautela é pouca com o governo chavista, frequentemente definido como “nem ditadura, nem democracia. Um híbrido”. A entrevista desse estudante de letras da Universidade de Buenos Aires, que responde pela Coordenação de Assuntos Internacionais do movimento nacionalista venezuelano ORDEN é interessante, entre outros motivos, pela semelhança entre a situação política na Venezuela e no Brasil. Não pude deixar de sentir uma profunda empatia enquanto lia as respostas do Andrés às minhas perguntas, quando ele discorria a respeito de um governo orgulhoso de suas suspeitas urnas eletrônicas, de uma massa de eleitores miseráveis conquistada por políticas assistencialistas ou de políticos despidos de ideologias ou programas. Será que o Andrés estava mesmo falando somente da Venezuela?http://www.integralismo.org.br/fckeditor/editor/images/spacer.gif
Boa leitura! 
***


Infelizmente, a maioria dos brasileiros sabe muito pouco a respeito da vida política da Venezuela, nada além do que é dito nos noticiários dos grandes meios de comunicação. Poderia nos falar um pouco a respeito das origens e das raízes históricas do ORDEN e do nacionalismo venezuelano?

Certamente. ORDEN nasce como uma necessária alternativa ao atual sistema, de caráter partidocrático e taxativo. Consideramos, em princípio, que o vínculo mais importante que pode unir os cidadãos é a nação, pois nela não existe nenhum tipo de diferenciação social, racial ou econômica. Neste sentido, encontramos forte inspiração naqueles governos e personagens que tiveram como estandarte o desenvolvimento integral da mesma e o seu correto desenvolvimento. O progresso se mede pelos fatos, não pelas palavras, e esse é o problema principal da nossa sociedade. Pelo menos no caso venezuelano. Voltando à pergunta, poderíamos dar os exemplos de Marcos Pérez Jiménez, que teve por visão a construção de uma pátria digna, próspera e forte; José Antonio Paez, verdadeiro refundador da pátria venezuelana e homem de visão estratégica excepcional. Da mesma forma prestamos muita atenção a certos personagens que a História deixou de lado, mas que formam parte fundamental da nossa idiossincrasia. Personagens como Carlos Otto Meyer Baldó, Humberto Fernández Morán o Renny Ottolina.

Quanto às nossas raízes intelectuais, posso assegurar que aí estão radicados o nosso trabalho e o nosso mérito. O erro do nacionalismo no passado foi não saber construir um princípio forte e próprio à nossa identidade nacional. O que conseguimos foi construído tendo quase nada como ponto de partida, com algumas doutrinas básicas tomadas do Novo Ideal Nacional. Entretanto, se tivesse que indicar um bom ideólogo venezuelano esquecido pelo tempo, daria o nome do Dr. José Ramón Gutiérrez Rodriguez ou o de Laureano Vallenilla Lanz.  


O que muda com a morte de Chávez? E as eleições? Podemos esperar surpresas ou o regime é imbatível nas urnas?

Muitas coisas mudam, não poderíamos esperar menos do desaparecimento de um caudilho de tamanha magnitude. Entretanto, muitas coisas continuarão iguais.

Há uma coisa que deve ficar claro e é o fato de que na Venezuela não existe legitimidade eleitoral. Isso sem deixar de lado que o chavismo tem peso político, gigantesco, mas não existe equilíbrio e nem legalidade alguma que possa legitimar o processo eleitoral. Para começar, o Conselho Nacional Eleitoral não passa por uma auditoria desde 2004. Há várias organizações que tem pedido impugnações (durante as apurações eleitorais) e nenhuma foi considerada procedente. Temos casos de pessoas com cédulas duplicadas, células vencidas, estrangeiros com documentos de votação sem serem cidadãos venezuelanos, cidadãos mortos que ainda votam, presos, etc. E o mais extravagante e surpreendente é que o oficialismo  sente-se profundamente orgulhoso de seu sistema, o eletrônico. É um mecanismo sem dúvida intimidador, pois as cédulas eleitorais em papel, que poderiam ser utilizadas para impugnar irregularidades, não são legalmente vinculantes. Em um sistema como o que temos é simples controlar as eleições. Finalmente, todos os dados eleitorais tem que passar pelo CANTV, entidade governamental que controla as telecomunicações na Venezuela. Isso, somado às demonstrações óbvias e públicas dos diretores do Conselho Nacional Eleitoral em favor do governo, quando deveriam ao menos aparentar serem árbitros imparciais, é motivo suficiente para desconfiar da autenticidade e legitimidade de qualquer resultado eleitoral na Venezuela. Dessa maneira, o regime é, sim, “imbatível” nas urnas. Não esperem nenhuma surpresa a menos que a oposição negocie com o governo.


 Manifestação do ORDEN no último dia 23 de janeiro, quando a organização mais uma vez posicionou-se tanto contra o governo chavista quanto contra a oposição "caprillista". Imgem: Orden.


É conhecida a política chavista de “solidariedade” com os países que têm regimes comunistas ou de esquerda na América Latina, como Cuba, Equador, Bolívia e Nicarágua. Até que ponto esta política prejudicou a economia venezuelana?

Essa pergunta pode serretórica. Bem, é só observar o atual estado das coisas na Venezuela e os poucos investimento que foram feitos para a quantidade de recursos que possuímos. Meus conhecimentos de economia não são suficientemente extensos para dar uma resposta detalhada, com índices mercantis e tudo o mais, mas a lógica se sobrepõe a todo o resto. Em um país onde ainda há áreas em que a água não chega, onde há cada vez mais pobres, o que contribui para criar o problema da marginalidade; se esta situação é contrastada com os presentes teatrais que Chávez fazia aos outros países para parecer um herói latino-americano, acho que a resposta é clara. Nós sempre acreditamos, como diz o ditado, que você não pode permitir "a escuridão na casa e a claridade na rua". Muito menos um presidente. Embora a situação tenha mudado, eu duvido que irá haver uma mudança na maneira como vem sendo conduzida a política econômica da Venezuela, realmente duvido. Esses recursos que são investidos no exterior são recursos que deixam de ser investido no país, simples assim.


A coalizão opositora MUD tem tratado de apresentar-se diante do mundo como vítimas da ditadura chavista e como os defensores dos direitos humanos na Venezuela. Entretanto, em um recente evento do MUD, militantes e simpatizantes do ORDEN foram violentamente agredidos quando tentaram manifestar-se. O verdadeiro MUD coincide com a imagem que buscam apresentar no estrangeiro? Qual é o verdadeiro papel do MUD e seu principal expoente, Henrique Caprilles, na política venezuelana atual? É prefirível Maduro ou Caprilles ou não há diferenças significativas entre os dois?

Não, de maneira alguma coincidem as suas intenções com a imagem que tentam vender. Seja na Venezuela ou em qualquer parte do mundo. A mal nomeada “Mesa da Unidade” é herdeira direta da histórica partidocracia entre a Ação Democrática e o Copei, o que tanto chamam de “Quarta República” e que serviu de antesala à catástrofe atual. Quando o governo acusa o MUD e seus líderes de serem agentes da "direita", está sendo feito um jogo político para o qual estes últimos se prestam alegremente: continuar incutindo o materialismo histórico e a sua dialética particular. Na Venezuela, dentro do sistema, não há nenhum partido de direita. Nenhum. Darei nomes: Vanguardia PopularPrimero Justicia,Acción DemocráticaUn Nuevo Tiempo, etc. Todos são partidos de esquerda, alguns são cisões de outros. Na realidade, Leopoldo López, líder do Vanguardia Popular, é membro da Internacional Socialista. O único partido que historicamente nasceu como um movimento ortodoxo e com certo matiz de verdadeira direita foi o Copei e que, da exata maneira como afirmou Germán Borregales, fundador do MAN, foi destruído por Rafael Caldera.

Portanto, o papel do MUD e de Capriles Radonski é o de construir a ilusão da democracia, fazer as pessoas acreditarem que há muitos agentes em luta, que na realidade são os mesmos e que têm as mesmas intenções, apesar das lutas individuais pelo poder. Henrique Capriles Radonski é uma peça de um jogo muito maior. Não possui nenhum mérito para ter a liderança que deram a ele. Foi um péssimo prefeito e um governador ainda pior.

Quanto ao ataque do qual fomos vítimas: não foi uma surpresa. No passado muitos movimentos nacionalistas foram perseguidos por esses partidos com maior afinco e por meios mais ameaçadores. Acreditamos que ficou claro a patética e dupla moral do MUD no nosso ato de 23 de janeiro.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.