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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Mitologia como ciência antiga: o mito transcendendo o irreal!


Constelações zodiacais. Imagem: Arquivo Pessoal CHH.

Nestes tempos amigos Construtores onde a tecnologia marca a civilização humana de uma forma tão forte que o pensamento contemporâneo se recusa a aceitar que as civilizações antigas pudessem marcar a passagem do tempo para além das simples observações sazonais que definem um ano. Mas, através da história houve astrônomos, matemáticos e historiadores que mediram o tempo de maneiras sofisticadas.

O historiador John G. Jackson (1907-1993), em seu estudo do folclore e das tradições da Grécia Antiga, lançou uma preciosa luz sobre a relação entre os mitos e a observação das estrelas entre os antigos. Na mitologia grega, aprendemos sobre o lendário e poderoso rei etíope, Cefeu, cuja fama era tão grande que ele e sua família foram imortalizados como estrelas. Ele, sua esposa Cassiopeia e sua filha, a princesa Andrômeda, todos se tornaram estrelas na esfera celeste. Embora essa conexão pessoal com as estrelas possa no parecer estranha, Jackson observa que para os antigos etíopes, isso não era incomum. Amigos Construtores, veremos agora que Jackson destaca que Luciano, antigo escritor e historiador grego (180-129 AEC), descreveu a cuidadosa observação das estrelas por parte dos primeiros etíopes.

Os etíopes foram os inventores da ciência das estrelas, e deram nomes aos planetas, não de maneira aleatória e sem sentido, mas descritivos das qualidades que concebiam que possuíssem; e foi deles que essa arte passou, ainda que em estado imperfeito, para os egípcios”.

Historiador grego Luciano

O estudioso francês Constatin-François Volney (1757-1820) que é conhecido pelos relatos meticulosos de suas explorações no norte da África, era particularmente fascinado pelo alto grau de conhecimento astronômico e, decorrente disso, o elevado nível cultural alcançado pelos etíopes. Volney descreve a invenção do zodíaco por essa antiga civilização:

“Foi então que na fronteira do Alto Nilo, entre uma raça de homens negros, organizou-se um complicado sistema de adoração das estrelas, considerado em relação às produções da terra e aos trabalhos na lavoura [...] Assim, o etíope de Tebas chamou de ESTRELA DE INUNDAÇÃO, ou AQUÁRIO, aquelas sob as quais começam as cheias do Nilo; ESTRELAS DO BOI ou TOURO, aquelas sob as quais começam a plantar; ESTRELAS DO LEÃO, aquelas sob as quais esse animal, expulso do deserto pela sede, aparecia nas margens do Nilo; ESTRELAS DO FEIXE DE ESPIGAS, ou primeira colheita VIRGEM, aquelas da estação da ceifa; ESTRELAS DO CORDEIRO, ou ÁRIES e ESTRELAS DAS DUAS CRIANÇAS, ou GÊMEOS, aquelas sob as quais os preciosos animais nasciam [...].
Assim, o mesmo etíope, tendo observado que o retorno das inundações sempre correspondia ao surgimento de uma bela estrela na direção da nascente do Nilo, e que parecia prevenir os agricultores acerca da elevação das águas, ele comparou essa ação à do animal que , com seu latido, alerta contra o perigo, chamou essa ESTRELA DE CÃO, aquele que ladra, SIRIOS. Da mesma maneira, chamaram de caranguejo as estrelas onde o sol, tendo chegado ao trópico, recuavam devido a um lento movimento retrógrado, como o CARANGUEJO DE CÂNCER. Ele chamou de CABRA SELVAGEM, ou CAPRICÓRNIO, aquelas onde o sol, tendo alcançado o ponto mais alto em seu trato anual [...] imita a cabra, que adora escalar o alto das rochas. Ele chamou de BALANÇA, ou LIBRA, aquelas onde os dias e noites são iguais, parecem em equilíbrio, como esse instrumento; e ESTRELAS DE ESCORPIÃO, aquelas onde certos ventos periódicos trazem vapores que queimam como o veneno do escorpião.”


Constelação de Cepheu. Imagem: Arquivo Pessoal CHH.

Volney determinou que a data de origem do zodíaco tinha de ser 15194 AEC.
Charles-François Dupuis (1742-1809), professor de retórica em Lisieux, França, acreditava que existiu uma origem comum para as opiniões astronômicas e religiosas dos gregos, egípcios, chineses, persas e árabes. Em seus livros The Orign of All Religious Worship, The Origen of Constellations e The Chronological Zodiac, Dupuis, correlaciona os mitos da Antiguidade com a observação de uma série de acontecimentos celestes. Esses livros foram a fonte de inspiração de Giorgio de Santillana, quando ele começou a estudar a mitologia e a astrologia dos primeiros egípcios.

“O mito nasceu da ciência: somente a ciência poderá entendê-lo”.
Constatin-François Volney           

Mais tarde, Santilla e von Dechend consideraram novamente as ideias de Dupuis e as acharam muito perspicazes. Eles argumentam que a mitologia antiga era uma ciência exata que mais tarde foi suprimida e depois esquecida pela emergente ótica Greco-romana. De Santilla e Von Dechend exploram os tabletes sumérios de escrita cuneiforme, conhecidos como “A Epopeia de Erra” e examinam um importante mito no qual Erra (Marte) é severamente repreendido por Marduk (Júpiter) por enviar armas para destruir o que restou depois do Dilúvio. Erra profetiza e Marduk responde:

Erra: Abram caminho, pegarei a estrada,
Os dias terminaram, o prazo acabou.
Marduk: Quando levantei do meu trono e deixei a inundação irromper,
O juízo da Terra e do Céu saiu dos eixos[...]
Os deuses, que tremeram, as estrelas do céu –
Suas posições mudaram, e eu não as retornei ao lugar”.

Para Santillana e von Dechend, essa é “a afirmação mais clara jamais proferida por homens ou deuses a respeito da precessão dos equinócios”. O texto do tablete diz que as estrelas são, na verdade, os “deuses do céu” e que elas mudam de posição, precisamente o que acontece na precessão dos equinócios quando observadas ao longo do tempo. As constelações vistas à noite se movem lentamente na ordem inversa do zodíaco. Está claro que os sumérios tinham noção disso.

Para que se saiba que a precessão dos equinócios de fato ocorre, é preciso observar o céu noturno durante um período bem longo de tempo. Para que os sumérios tivessem o conhecimento da precessão requer que tenham observado o céu noturno por, talvez, 2 mil anos, o tempo que leva para o zodíaco girar de uma constelação para outra. Isso significa que eles, provavelmente, foram astrônomos desde, pelo menos, 4000 AEC.

Arthur Harding, professor de matemática e astronomia na Universidade de Arkansas, argumenta que o zodíaco deve ter sido concebido em tempos Pré-históricos. Concordando com Jackson, Volney, Dupuis e de Santillana e Von Dechend, ele descreve, em Astronomy: The Splendor of the Feavens Brought Down to Earth, que “os signos das constelações do zodíaco coincidiram cerca de 300 AEC e também por volta de 26000 AEC. Então caro Construtores, sabemos que estavam em uso antes de 300 AEC. Sendo assim , não devem ter sido inventados depois de 26000 AEC”.

27/09/2013

Leandro Claudir é criador e administrador do Projeto Construindo História Hoje e Acadêmico de História pela Universidade Luterana do Brasil.

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MALKOWSKI, Edward F. O Egito Antes dos Faraós: e suas misteriosas origens Pré-históricas. São Paulo: Cultrix, 2010.

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