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sábado, 10 de agosto de 2013

O Colapso do “socialismo real” e seus desdobramentos.


O colapso do socialismo. Imagem: Arquivo Pessoal CHH.

Nesses dias em que grandes mudanças estarão ocorrendo no Projeto Construindo História Hoje, e dentre elas uma reestruturação de layout e afirmação de seus princípios com os estudos históricos, nacionalistas e ampliando nossa visão dos eventos que movimentam a história de nossa civilização Hoje. Lembrando que já são mais de 3 anos de caminhada do Construindo História Hoje desde sua origem. Para darmos inicio a esse novo começo, estarei analisando junto com os leitores o Colapso do socialismo e seus desdobramentos. Boa leitura a todos!
Ah lembrando, não esqueçam de acompanhar o Projeto está semana, pois uma grande novidade está por vir. Aguardo a visita de todos os amigos e simpatizantes.

CHH

Após a morte de Stalin em 1953, os dirigentes da URSS iniciaram o processo de desestalinização do regime. Ou seja a liberação do regime por meio de medidas importantes, como a denúncia dos crimes de guerra cometidos por Stalin, a revisão dos processos da época estalinista, a anistia e libertação de presos políticos e uma busca da coexistência pacífica com os Estados Unidos.

Paralelo a esse processo de reforma iniciado no Partido Comunista, verificou-se que intelectuais, estudantes e operários começaram a questionar o regime e procuraram pressionar no sentido de se ampliarem as reformas. No entanto o Partido não estava disposto a conceder mais do que já fora estabelecido. Desta forma, em alguns países da Europa Oriental, a situação tornou-se crítica, caminhando para uma contestação severa ao regime e provocando violenta repressão por parte da URSS.

Os principais movimentos de contestação ao modelo soviético forma os ocorridos na Polônia e na Hungria, em 1956 e na antiga Tchecoslováquia em 1968, este último conhecido como “A Primavera de Praga”.


Mapa da ex- União Soviética (Clique na Imagem para ampliar). Imagem: Arquivo Pessoal CHH.

Na década de 1980, o nome de Mikhail Gorbachev tornou-se extremamente conhecido em todo o mundo. Era o novo dirigente da URSS, empossado em 1985 e que trazia um discurso diferente daquele dos líderes anteriores. As palavras Perestroika e Glasnost ficaram associadas ao novo líder.

Perestroika: é a reestruturação da economia.

Glasnost: é a designação para abertura política.


Mikhail Gorbachev: Secretário-geral do PCUS e último presidente da ex- URSS.  Imagem: Arquivo Pessoal CHH.

            Os motivos para estas mudanças econômicas e políticas estavam, sem dúvida, na estagnação econômica observada na URSS. O desenvolvimento, ao longo desse século, de uma estrutura econômica dominada pela burocracia atingia níveis insuportáveis para a sociedade. Uma ala do Partido Comunista, percebendo que a continuidade do regime estava ameaçada pela insatisfação social, elaborou então o projeto de mudanças que Gorbachev procurou implementar.

            No entanto, a resistências as reformas foram muito grandes, pois muitos setores da burocracia não queriam perder seus privilégios. Os setores militares também demonstraram sua insatisfação, uma vez que Gorbachev havia proposto o desarmamento e a diminuição das tropas na Europa.


 Bandeira da ex- União Soviética. Imagem: Arquivo Pessoal CHH.

            Os resultados mais concretos dessa luta entre os reformadores e os conservadores pôde ser visto em agosto de 1991, com a tentativa de golpe para tirar Gorbachev do poder. O fracasso do golpe não impediu que várias repúblicas iniciassem um processo separatista. Várias tiveram sua independência reconhecida. O governo tentou desesperadamente, impedir a fragmentação da URSS.

As reformas ressoam no Leste europeu

            As reformas implantadas por Gorbachev tiveram ressonância no Leste europeu. Ali, provavelmente as mudanças já foram maiores do que na própria URSS. O fato marcante é, sem dúvida, a unificação da Alemanha. A parte oriental, que fazia parte do bloco soviético desde 1945. Na Hungria e na Polônia, as reformas trazem o pluripartidarismo e as empresas estrangeiras começam se instalar. Na Romênia e na antiga Tchecoslováquia elege-se novos governos.

Da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas à Comunidade dos Estados Independentes

            Conforme observamos a ascensão de Gorbatchev, em 1985, deflagrou um profundo e rápido processo de mudanças na União Soviética, tanto no plano econômico como no plano político (Perestroika e Glasnost). Estas intensas transformações alteraram inclusive, as relações externas da União Soviética verificando-se uma aproximação com os países ocidentais e, principalmente o fim da Guerra Fria.


Boris Yeltsin, primeiro presidente da Rússia pós URSS. Imagem: Arquivo Pessoal CHH.

            Todas essas questões provocaram, em linhas gerais, as seguintes consequências

1) Reações dos setores conservadores internos tais como os burocratas do Partido Comunista que tinham o controle do aparelho de Estado e que formavam a chamada Nomenklatura; a linha dura das Forças Armadas, inconformada com a nova política de aproximação com o Ocidente e temerosa dos anseios nacionalistas das várias repúblicas.

2) Crescente desequilíbrio entre produção interna e as necessidades de consumo da população, o que gerou carestia, aumento de preços, filas intermináveis que motivaram o descontentamento popular.

3) A tendência desintegradora da URSS, uma vez que a enorme diversidade étnica e cultural dos povos que compunham o império soviético começou a manifestar-se com ímpetos separatistas. Esta nova situação verificou-se, primeiramente, em relação às repúblicas bálticas (Lituânia, Letônia e Estônia) que haviam sido integradas a força em 1940 à URSS.

4) Separação das repúblicas bálticas e reconhecimento de sua autonomia e independência por parte dos países ocidentais (1991), apesar de uma reação inicial de Gorbachev, pressionado pela chamada “linha dura” do Partido e das Forças Armadas.

5) O golpe contra Gorbachev, em agosto de 1991, foi apresentado e justificado pelos golpistas (a já comentada “linha dura” do Partido) como resultado do afastamento de Gorbachev devido a uma misteriosa doença que este teria contraído. A resistência popular foi intensa e, o presidente da Rússia (Bóris Yeltsin) capitalizou a seu favor a frustrada tentativa golpista, liderando a resistência e convocando uma greve geral. Não contando com apoio internacional e, devido a resistência de militares de civis e de várias divisões militares que se opuseram ao golpe, este não se concretizou. Neste momento, as forças democráticas foram mais fortes.


Bandeira da Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Imagem: Arquivo Pessoal CHH.

As consequências do frustrado golpe se manifestaram de imediato:

      *Crescente perda de poder por parte de Gorbachev;

      *Dissolução do PCUS (Partido Comunista da União Soviética);

     *Renúncia do próprio Gorbachev ao cargo de secretário-geral do PCUS, já extinto e colocado na ilegalidade;

     *Contenção da onda separatista que tomou conta de várias repúblicas;

     *Fortalecimento da posição de Bóris Yeltsin.

Em 8 de dezembro de 1991 a Rússia, a Ucrânia e a Bielorússia assinaram o Acordo de Minsk, proclamando a formação da COMUNIDADE DOS ESTADOS INDEPENDENTES (CEI). Esta proclamação, na prática, significava o fim da URSS, que surgira em 1922 logo após a Revolução de 1917, substituída, de fato, pela CEI. A partir de então, cabe ao comando militar da CEI o controle dos códigos secretos que acionam os mísseis nucleares. É importante lembrar que o arsenal atômico da ex-URSS encontra-se em apenas quatro repúblicas: Rússia, Cazaquistão, Ucrânia e Belarus (ex-Bielorússia).

Ao longo de 1992 e 1993 o que se assistiu foi a difícil travessia rumo à economia de mercado que, se por um lado deu origem a um grupo de novos ricos, por outro empobreceu terrivelmente a maior parte da população das repúblicas. Liberação de preços, fim de controles por parte do Estado, eliminação de subsídios estatais que contribuíam para que determinados preços se mantivessem baixos e estáveis (alugueis, combustíveis, transportes e alimentos) acabaram gerando uma perigosa e crescente onda de insatisfação popular. Evidentemente, todas estas questões colocam em riscos a própria democracia e a transição para uma economia de mercado.

Conforme podemos observar através do estudo do texto, nos anos de 1980 o mundo dito socialista passou por grandes transformações. Especialmente a partir de 1985, com a ascensão de Gorbachev ao poder na ex- União Soviética, a decomposição da antiga ordem acelerou-se. A modernização empreendida pelo então líder soviético acabou produzindo desdobramentos inimagináveis, culminando com a extinção da própria URSS e o nascimento da precária Comunidade dos Estados Independentes (CEI), uma autêntica colcha de retalhos formada por 11 das ex- repúblicas soviéticas. Ao mesmo tempo, o quadro econômico deteriorou-se rapidamente, enquanto as condições de vida da esmagadora maioria da população desciam a níveis alarmantes. Percebeu-se, então, que a transição para uma economia de mercado, baseada na propriedade privada dos meios de produção, na livre concorrência e na livre iniciativa, não traria a felicidade desejada e, pelo menos de imediato, não levaria ao “paraíso capitalista”.

CHH

10/08/2013


Leandro Claudir é criador e administrador do Projeto Construindo História Hoje e Acadêmico de História pela Universidade Luterana do Brasil.

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