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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Epicuristas e Estoicos: bases filosóficas da liberal-democracia.


O prazer, de um modo geral, é exaltado por Epicuro, que o considera essencial para a felicidade. Por isso, o filósofo é considerado o fundador do hedonismo, doutrina que põe o prazer em primeiro lugar.

Imagem: Quadro do pintor clássico francês Nicolas Poussin ilustrando uma cena de dança grega, celebrando os prazeres terrenos nas festas das Bacchanalias, (1631-1633) Oil on canvas. National Gallery, London, UK.

O que distingue a liberal-democracia como aspecto de civilização é a coexistência de dois pensamentos filosóficos, ambos materialistas, ambos presos aos dias remotos da antiga Grécia.
A liberal-democracia é, ao mesmo tempo, “estoica” e “epicurista”.

Em última análise, toda a obra dos pensadores e filósofos anteriores à Revolução Francesa, está impregnada dessas duas orientações do naturalismo helênico. Ambas negadoras do Espírito, ambas ateístas.

A subordinação ás chamadas leis naturais informa toda a cultura política moderna. Desde o otimismo de Locke e da apologia do “homem natural” de J.J. Rousseau, até às mais recentes doutrinas sociais, a ausência de um “fim moral” teve como consequência a generalização de um epicurismo baseado nos apetites do indivíduo e na liberdade licenciosa.

A filosofia do êxito, traduzida no pragmatismo inspirador da pedagogia e das realizações pessoais, não passa, examinada a fundo, de uma tradução atualizada da filosofia do prazer, ensinada pelo velho Epicuro.

Ora, uma sociedade epicurista, materialista, gozadora individualista, libertária, como poderia conceber o governo?

Evidentemente que, pesando a concha da balança para o lado da sociedade, eleva-se a outra, que está do lado do poder público. Às áreas de excessivas liberdades facultadas ao individualismo correspondem restrições de âmbitos de ação para os governos.

Daí o motivo por que, em matéria de Economia, o estudioso encontra nítidas e paralelas, as duas orientações: ao Estado estoico corresponde uma Sociedade epicurista.


Esta obra representa "Diogenes de Sinope" pelo pintor francês Jean-Léon Gérôme. Mostra o filósofo grego famoso Diogenes (404-323 BC) assentado em sua casa da cuba do produto de cerâmica no mercado público. É cercado por cães. Estes são seus companheiros e simbolizam suas filosofia e austeridade "cínicas". Diogenes fez uma virtude da pobreza. Era famoso para seus atos filosóficos tais como levar uma lanterna leve a fim procurarar ser humano honesto.

Imagem: Jean-Léon Gérôme pintou Diogenes em 1860. É um óleo em canvas e está na coleção do museu de arte de Walters em Baltimore, DM.

Quanto Turgot destrói as corporações e com elas a estrutura moral e social das monarquias, esboça em matéria econômica, o ressurgimento das velhas filosofias gregas. São os fisiocratas que focalizam o organismo nacional segundo o mesmo critério experimentalista com que apreciavam o funcionamento dos órgãos do corpo humano.
A frase “laissez-faire, laisserz-passer” define a atitude de indiferença do Estado diante das lutas sociais. O edifício da Economia Clássica repousa sobre os princípios que enclausuram o Estado, tornando-se impotente e inerme.

Quem aprecia a nossa civilização burguesa, verifica que ela nos oferece um panorama de materialismo grosseiro, em que o prazer se torna a única finalidade. A escandalosa ostentação dos ricos, o luxo das classes abastadas, o esbanjamento dos milionários, o rumor das roletas e das taças de champanha tilintastes, o esplendor pagão que caracteriza todas as manifestações sociais, mostram-nos que, apesar de uma protocolar exterioridade cristã, o que predomina, no fundo das famílias, é o epicurismo, a filosofia do prazer que Epicuro ensinou há tantos séculos na Grécia naturalista.

A esse desbragamento, os governos assistem de braços cruzados, por que os governos adotam a filosofia da indiferença, a doutrina pregada pelo velho Zenão, e que tanto sucesso fez na época da decadência de Roma.

O estoicismo é realmente a filosofia da decadência. Quando o Império Latino se esboroa, a cidade dos Césares está cheia de estoicos. Um dia os bárbaros passarão a cavalo pelas ruas de Roma, obrigando os senadores a assistir ao desfile dos seus carros de vitória. Hirtos, sentados em suas cadeiras, com suas longas togas impecáveis, os varões ilustres contemplarão a apoteose da marcha inimiga. Não terão um ritos de dor, porque aprenderam a resistir, marmóreos e gelados, a todos os sofrimentos.

Hoje, os governos conservam-se na mesma atitude do senado romano no crepúsculo do Império. Incapazes de agir arma-se dessa indiferença de cadáveres diante da tremenda luta social.

Ao contrário dos Hedonistas da filosofia epicurista, os estoicos são filósofos, metafísicos, moralistas, inteiramente absorvidos na prática, e na ética. No pensamento dos estoicos, o fim supremo, o único bem do homem, não é o prazer, a felicidade, mas a virtude; não é concebida como necessária condição para alcançar a felicidade, e sim como sendo ela própria um bem imediato. Distintos em parte os epicuristas e estoicos se completam como nos mostra Plínio Salgado, quando ele nos afirma:

“Essa luta está aberta em todos os países.”
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Você quer saber mais? 
SALGADO, Plínio. Madrugada do Espírito. São Paulo: Editora das Américas, 1957.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.