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domingo, 9 de junho de 2013

Birobidjan, a Capital da primeira nação moderna do povo judeu: Oblast Autônomo Judaico.


Brasão da Cidade de Birobidjan, Capital da Região Autônoma Judaica na Federação Russa. As sete  listras na vertical representam os Sete Braços do Menorah (Candelabro) Sagrado, símbolo original dos judeus. As ondas representam os dois  rios que passam pela cidade. Imagem: http://birobidzhan.rfn.ru/

Birobidjan em yiddish: ביראָבידזשאן. É a capital do Oblast (É uma subdivisão Federal administrativa) Autônomo Judaico da Rússia. (Yevreyskaya avtonomnaya oblast). A cidade é cortada pelos rios Bira e pelo Bidjan, na fronteira com a China, e é atravessado pela ferrovia Transiberiana,o que garante o contato entre Birobidjan e Moscou. Suas coordenadas são: 48°48′N 132°57′E. Segundo o censo de 2002, a cidade possui 77,250 habitantes. No livro O Exército de um Homem Só de Moacyr Scliar, os personagens principais migraram de Birobidjan para Porto Alegre, o livro conta a história do Império Russo e da União Soviética, sendo que os personagens principais são judeus e um deles é um comunista que sonha com um mundo livre, querendo fundar uma nova sociedade nas vizinhanças de Porto Alegre, com o nome de Nova Birobidjan.

A região foi criada em 1934 como 'Distrito Nacional Judaico', como resultado da política nacionalista de Josef Stalin, que designou à população judaica da Rússia seu próprio território, para que pudessem preservar seu patrimônio cultural iídiche dentro de uma estrutura socialista. Apesar do nome, apenas 1,2% da população de 190 400 habitantes é formada por judeus; 90% é formada por russos e o restante por ucranianos e chineses. Sua capital é Birobidjan.

Em 28 de Março de 1928, o “Presidium” do Comitê Executivo Geral da URSS baixou um decreto definindo como “Komzet” um território livre próximo ao rio Amur no extremo leste para assentamento de trabalhadores judeus. O decreto em verdade dava a entender :

"a possibilidade de estabelecimento de um território administrativo para os judeus nessa região”.


Mapa da Região Autônoma Judaica na Federação Russa. Imagem:http://birobidzhan.rfn.ru/

Em 20 de Agosto de 1930 o Comitê Executivo Geral da então RSFSR aceitou o decreto para “Formação da região nacional de Birobidjan numa estrutura de Território do Extremo Oriente”, considerado pelo Comitê de Planejamento do Estado como uma unidade economicamente separada. Em 1932 os primeiros números (orçamentos) para desenvolvimento de Birobidjan foram considerados e autorizados.


Brasão da Região Autônoma Judaica. Imagem: http://www.eao.ru/eng/

O brasão de armas da Região Autônoma Judaica é um escudo heráldica francês, de cor água-marinha russa (verde escuro). As partes superior e inferior do escudo estão marcados com riscas horizontais estreitas em branco-azul-branco. Todas as cores são iguais em largura, e são de 1/50 da altura do escudo. As listras azuis simbolizam os rios Bira e Bidzhan. O centro do escudo é estampado com um Ussurian tigre dourado com listras pretas em sua coloração natural. A figura do tigre é girada para a direita em direção ao espectador que simboliza uma história incomum e uma forma original de desenvolvimento da Região.

Em 7 de Maio de 1934 o “Presidium” do Comitê Executivo Geral aceitou o decreto para transformação na Região Autônoma dos Judeus dentro da Federação Russa e em 1938 o território de Khabarovsk, como Região Autônoma Judaica foi incluída na estrutura da URSS.

Joseph Stalin em sua política de prover aos diversos grupos nacionais da União Soviética territórios separados para desenvolver suas Autonomias Culturais, porém dentro da ideologia Socialista. Isso respondia a dois problemas enfrentados pela União Soviética na sua busca de unificação nacionalista:

O judaísmo, com sua oposição a política estatal de ateísmo.

O sionismo, com a criação em 1948 do moderno Estado de Israel.


Bandeira da Região Autônoma Judaica. Imagem: http://www.eao.ru/eng/

A bandeira da Região Autônoma Judaica é um painel retangular branco. No eixo horizontal está localizado a uma faixa de cor simbolizando um arco-íris. A tira é composta por sete faixas horizontais estreitas (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul céu, azul e violeta). Cada largura é igual a 1/40 da largura do pavilhão. As tiras são divididas por faixas horizontais brancas estreitas, a largura de cada uma é igual a 1/120 avos da largura do pavilhão. 

A ideia era criar um "Sião Soviético", onde uma cultura proletária judaica se desenvolveria, com a língua iídiche no lugar da língua hebraica sendo a língua nacional da região. A literatura e as artes socialistas substituiriam a religião como expressões básicas de cultura.

A teoria stalinista da "Questão Nacional" declarava que um grupo somente pode ser uma nação se tiver um território próprio. Assim, em não havendo um território dos judeus, esses não formavam uma nação e não tinham direitos nacionais. Para resolver esse dilema ideológico, os comunistas judeus sugeriram a criação, a demarcação, de uma área dentro da URSS para esse povo. Essa foi à motivação ideológica para a criação do Oblast judeu.

Também foi considerado politicamente vantajoso criar uma "Pátria" soviética para os judeus como alternativa ao sionismo e a teoria dos sionistas socialistas como Ber Borochov de que a questão judaica deveria ser resolvida pela criação de um Estado Judeu na Palestina. Assim, a criação dum território judeu em Birobidjan era importante para a propaganda contra argumentos de muitos judeus de esquerda de que o sionismo e o marxismo fossem rivais e incompatíveis.

Outro objetivo importante do projeto foi aumentar a ocupação do extremo oriente da União Soviética, em especial ao longo da vulnerável fronteira com a China. Até 1928 não havia assentados na área e os judeus tinham firmes raízes no oeste da União Soviética, na Ucrânia, na Bielorrússia e na própria Rússia. Assim, chegara a haver propostas de assentar os judeus soviéticos na Crimeia ou em áreas da Ucrânia, mas essas ideias foram postas de lado.

Fotografia da Praça Principal de Birobidjan, a Capital da Região Autônoma Judaica. Podem verificar a forte referencia ao Menorah como símbolo sagrado para os judeus e não o Hexagrama chamado de "Estrela de Davi", que de Davi não têm nada. Imagem: http://www.eao.ru/eng/

A geografia e o clima em Birobidjan eram inóspitos, com muitos pântanos, os novos assentados teriam que construir tudo a partir de quase nada.

“Durante os anos 30 foi feita propaganda massiva para que os judeus aceitassem se assentar na região.”

Eram usados meios padronizados de propaganda soviética, os posters de propaganda, filmes e representações em língua acerca das maravilhas dessa utopia judia no extremo leste. Os panfletos eram lançados por aviões sobre povoações judaicas na Bielorrússia, e foi produzido um filme em iídiche “à procura da felicidade”. Esse filme contava a história de uma família judia que fugia da Grande depressão dos Estados Unidos e ia para uma nova e bela vida em Birobidjan.

A medida em que crescia a população judia, também aumentavam as influências da língua iídiche na região. Alguns dados sobre essa influência:

·         Um jornal em iídiche: Birobidzhaner Shtern (ביראָבידזשאַנער שטערן), "Estrela de Birobidjan", foi fundado.

·         Uma trupe teatral foi criada.

·         As novas ruas das cidades passaram a ter nomes de autores iídiche como Sholom Aleichem e Y. L. Peretz.

O uso do iídiche foi incentivado e difundido e, apesar de reações a essa tendência forçada, o jornal Birobidzhaner Shtern ainda apresenta algumas seções em iídiche.

Valdgeym é um assentamento judeu dento do Oblast Autônomo Judaico. Foi fundado em 1928 e foi a primeira fazenda coletiva estabelecida no Oblast. Em 1980 foi aberta uma escola de iídiche no assentamento.


 Estação Ferroviária de Birobidjan, por onde passa a Ferrovia Transiberiana. Imagem: http://www.eao.ru/eng/

Há assentamentos também em Amurzet. Entre 1929 e 1939 essa cidade foi o centro dos assentamentos judaicos ao sul de Birobidjan. A população de Amurzet ao final de 2006 era de 5.213 pessoas. Outro assentamento antigo é o de Smidovich.

Hoje os membros da comunidade judaica mantém as cerimônias do shabat, cantam canções em iídiche, e apresentam uma programação de rádio sobre fatos históricos do povo e cultura judaicos. Porém muitos descendentes dos fundadores dos assentamentos que para ali vieram no início do século XX já deixaram a cidade natal; os que ficaram em Amurzet, em especial os que têm parentes em Israel, continuam a aprender sobre as raízes a as tradições do povo judeu.


Mapa da Federação Russa, destacando em vermelho a Região Autônoma Judaica. Imagem: http://www.eao.ru/eng/

Em 1991 o Oblast Autônomo Judaico foi transferido da jurisdição do Krai de Khabarovsk para o comando da Federação Russa, porém, agora quase todos judeus haviam partido e os que ficaram eram menos que 2% da população. “Mesmo assim, voltou a ser ensinado o iídiche”, foi revivida a radio nessa língua e também as seções em iídiche do jornal Birobidzhaner Shtern.

Um documentário filmado sobre a criação do óblast por Stalin, L'Chayim, Camarada Stalin foi feito em 2003, mostrando sua história e também cenas e entrevistas com judeus locais na atualidade de Birobidzhan.

Em Birobidjan hoje os judeus são cerca de 5% do total de 75 mil habitantes.O governador Nikolay Mikhaylovich Volkov declarou apoio a toda e qualquer iniciativa das comunidades judaicas da região.

A Universidade Nacional Judaica de Birobidjan trabalha hoje em cooperação com a comunidade judaica de Birobidjan, sendo uma universidade única no extremo leste da Rússia. A base da educação está no estudo do iídiche e da língua hebraica, da história dos judeus e no estudo dos textos clássicos Judaicos.

Mais recentemente cresceu o interesse pelas raízes judaicas entre os habitantes do óblast. Os estudantes aprendem a Iídiche e a Língua hebraica na Escola Judaica e na Universidade Nacional Judaica de Birobidjan. Desde 1989 o Centro Judaico tem sua escola dominical onde crianças aprendem iídiche, danças folclóricas judias e história.

Em Birobidjan há muitas escolas estatais que ensinam iídiche, escola para instrução religiosa e jardins de infância onde crianças de cinco a sete anos têm duas aulas semanais de iídiche, aprendem canções, danças e tradições judaicas. Catorze das escolas públicas devem ensinar iídiche e tradições judaicas.

A escola pública Menorah foi criada em 1991, com meio dia de currículo iídiche e judaico para os pais interessados. Metade dos 120 alunos da escola fazem curso de iídiche, muitos dos quais continuam na escola pública que também ministra cursos de meio dia de iídiche e cultura judaica até o 12o ano de estudo. O iídiche também é disponibilizado para estudo no Instituto Pedagógico de Birobidjan, num dos únicos cursos universitários de iídiche do país.

Em 2007 ocorreu o Primeiro Programa Internacional de Verão de Cultura e Língua Iídiche de Birobidjan, de responsabilidade do professor Boris Kotlerman da Universidade Bar-Ilan.


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