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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Joseph Stalin: o “Tio Joe” da Rússia. PARTE II.



Winston Churchill (esquerda), presenteando Joseph Stalin com a Espada de Stalingrado, em reconhecimento da posição heroica do povo soviético na vitória da batalha de Stalingrado, dezembro de 1943.

Nessa postagem estaremos dando continuidade aos estudos históricos sobre esse emblemático personagem da História russa e as pretensões em comum que ele compartilhava com os países do ocidente. Adentraremos em sua carreira política e seu modus operandi como político comunista. Stalin foi para as pessoas de sua época e sua nação uma figura de dupla personalidade político-social: em uma viam o homem que tirou a Rússia da simples produção agrícola para um país altamente industrializado, mas também viam o homem que desconfiava de todos ao seu redor e não possuía nenhum remorso em matar, tortura ou exilar quem se opôs a suas ideias.


Fome que matou milhões de russos no processo de coletivização das fazendas 1. Imagem: http://veja.abril.com.br/

Em 1922, talvez percebendo que Stalin fosse uma força a ser considerada e achando que a melhor coisa a fazer era manter os inimigos perto de si, Lênin o nomeou secretário-geral do partido. Foi um erro fatal, mas antes que pudesse corrigir a situação ele sofreu uma série de derrames. Isso deu a Stalin a oportunidade pela qual sempre havia esperado e, com Lênin incapacitado, assumiu rapidamente o controle do partido.

Finalmente Lênin, ao se dar conta de que se havia equivocado ao pensar que Stalin poderia ser um bom líder conseguiu ditar uma carta a uma de suas secretárias. Ele pretendia que essa declaração fosse lida em voz alta durante o próximo congresso do partido, mas, como quis o destino, ele sofreu uma hemorragia cerebral fatal no dia 21 de janeiro de 1944. Stalin adiou imediatamente o congresso e desapareceu com o documento.

Nesse interem, instigou a remoção de praticamente todos os que estavam em seu caminho, até mesmo Trótski (que foi deportado e depois assassinado), Zinóviev e Kámeniev (ambos expulsos do partido e depois assassinado), bem como Bukhárin.


Fome matou milhões de russos no processo de coletivização das fazendas 2. Imagem: http://veja.abril.com.br/

Em 1929, Stalin tinha conseguido o poder supremo e o poder ficaria em suas mãos por nada mais, nada menos que 24 anos que forma regidos com mãos de ferro. Desde o início visou transformação a Rússia agrária em uma nação industrializada mais moderna e mais de acordo com o século XX. Deseja a Rússia emparelhada com o Ocidente. Com esse propósito em mente, Stalin pôs em pratica Planos econômicos como os que se seguem:

Plano Econômico Quinquenal: que, entre coisas, obrigava todos os camponeses a se reunirem em cooperativas agrícolas de propriedade estatal, para onde tinham de levar todas as suas máquinas, gado e cereais, passando a depender do governo para receber um salário ou a sobreviver do que sobrava depois que o governo tirava a sua parte. Os resultados foram estarrecedores. Em vez de entregar o que era legitimamente seu, grande parte dos camponeses começou a queimar as safras e matar o gado. Isso levou a fome de proporções nacionais, embora os habitantes do sul tivessem sido particularmente atingidos. Estima-se que aproximadamente três milhões de pessoas foram afetadas só na Ucrânia (RSS, República Socialista Soviética da Ucrânia) e dizem que alguns pais e mães recorreram ao canibalismo, devorando os próprios bebês mortos.


Fome que matou milhões de russos no processo de coletivização das fazendas 3. Imagem: http://veja.abril.com.br/

Mas infelizmente, Stalin não parou aí, Obrigou os camponeses a trabalhar nas fazendas coletivas, e os mais ricos deles (os Kulaks) e os que se opunham à coletivização foram deportados e mortos às centenas de milhares para que o Estado pudesse se apropriar das terras deles.

Aqueles que escaparam desse destino não tiveram melhor sorte, pois foram obrigados a trabalhar nas novas Fábricas Controladas pelo Estado ou enviados para campos de trabalhos forçados, onde labutavam até morrer. As fábricas não constituíam opção muito melhor, eram grandes linhas de montagem onde os operários mais pareciam dentes de uma engrenagem. Toda a fábrica apropriada pelo Estado recebia uma meta, que tinha de ser satisfeita todo ano durante um período de cinco anos.  As metas eram estimadas e definidas pelo:

Gosplan: Gosudarstvennyi Alanovyi Komitet, o comitê de planejamento do Estado. Mais de meio milhão de operários lotados nessa repartição não faziam outra coisa senão estabelecer metas para todas as fábricas da Rússia. Claro que também verificavam se elas haviam sido alcançadas. Naturalmente, isso representava uma pressão enorme sobre os homens e mulheres que administravam e trabalhavam nessas unidades. Muitos administradores eram executados por não atingirem as metas, e logo os empregados tinham de trabalhar  em turnos cada vez mais longos para completar as cotas a tempo.

Tirar licença por doença ou faltar um dia de trabalho, fosse qual fosse o motivo, tornou-se um crime punível pela lei ,e, como Stalin exigia metas cada vez menos realistas, os responsáveis começaram a falsificar os números para acobertar as falhas.

Durante essa parte de nosso estudo sobre Stalin lemos sobre sua ascensão política, bem como os meios ilegais usados por ele para alcançar seus interesses, mostrando desde o inicio ser uma figura capaz de qualquer coisa para conseguir o que deseja. Observamos em seus planos econômicos para a agricultura bem como para a industria uma completa desumanidade para com seus compatriotas. Estabelecendo metas inatingíveis tanto para as fazendas coletivas como para as indústrias Estatais. Passos esses que mesmo colocados sobre uma completa falta de empatia pelo seus semelhantes conseguiu levar a União Soviética a ser considerada uma das grandes potências do mundo ao ponto de não poder mais ser ignorada pelo ocidente mesmo diante dos crimes cometidos por Stalin contra a humanidade o Ocidente precisava desse aliado para derrubar Hitler e seu III Reich.

No próximo texto trarei na parte III os eventos que se desenrolaram na história russa após sua expansão industrial-militar.



01/05/2013

Leandro Claudir é Acadêmico de História pela Universidade Luterana do Brasil, Técnico em Informática pela QI Escolas e Faculdades. Habilitado em Liderança de Círculos de Controle de Qualidade Empresarial pelo Sesi. Criador e Administrador do Projeto Construindo História Hoje. IBSN- 7837-12-38-10.

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Você quer saber mais? 

KLEIN, Shelley. Os ditadores mais perversos da História. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2004.




































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