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terça-feira, 9 de abril de 2013

Educação: situação atual e a proposta Integralista


Educação. Imagem: Rede Sul.
Autor: Lucas Antonio Feitosa de Jesus
Integralista, Graduando em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Sergipe


Qualquer pessoa com uma mentalidade ginasiana consegue constatar que todos os problemas do Brasil estão ligados necessariamente à questão da educação. Das nossas mazelas nacionais, desde a instabilidade política e a desordem social até a negligência em atividades administrativas nos mais diversos ramos profissionais, todas originam-se primariamente em uma única fonte: a ausência evidente de uma obra sistemática que se bata na formação de uma mentalidade coletiva genuinamente brasileira e popular e que reflita a compreensão sincera das responsabilidades de cada um como ser moral, intelectual e espiritual.
Já não é novidade alguma depararmo-nos, nos noticiários, com notícias do calibre de “Educação é o ponto fraco no Brasil”,  “Ranking de qualidade de educação coloca o Brasil em penúltimo lugar” ou, as mais recentes, “Hino do Palmeiras garante 500 pontos na redação do ENEM” e  “Candidato escreve receita de miojo na prova do ENEM e tira nota 560”. Manchetes que escandalizariam qualquer população séria que, formada nas honrosas tradições do passado, indignar-se-iam com as garantidas máculas em vias de serem sofridas pelas gerações do futuro, transformam-se costumeiramente em piadas e chavões banais que expressam o lado cômico de uma indiferença velada para com algo que não tem mais jeito. O discurso acadêmico empírico sobre a educação brasileira tem se mostrado, ao mesmo tempo, caricato e nefasto, haja vista que a realidade tem sido sempre mais forte do que as doutrinas materialistas erguidas como princípios rígidos e considerados eternos. Com tantos golpes negativos, acostumamo-nos a apanhar e a iniqüidade surgiu como novo dogma no Brasil.

Essa atual situação, contudo, era previsível. O que esperar, pois, de um governo que mantém e divulga a educação libertadora e o sócio-construtivismo como corpo e asas de uma aeronave, sendo esta comandada, respectivamente, por Paulo Freire e pela dupla Jean Piaget e Lev Vigotsky? Um ataque terrorista, certamente.

A educação libertadora freireana, que tem como Magnum Opus a “Pedagogia do Oprimido” do supracitado autor, acredita ser possível usar do meio social e político em que o indivíduo ignaro vive para que, a partir dele, sua consciência seja despertada no intuito de exercer seu papel como cidadão e revolucionar a sociedade. É a velha cartilha marxista na qual tudo – inclusive a educação – é uma superestrutura que merece ser mudada ou destruída em prol da infraestrutura, ou seja, a economia.  Mas, cá entre nós: vocês conhecem algum sujeito educado ou alfabetizado pelo método propugnado por Paulo Freire que demonstre certa competência técnica, científica ou artística? Certamente não, afinal, sua didática foi aplicada, não só no Brasil, mas fora dele como no Chile, em Guiné-Bissau e Porto Rico, não gerando nenhuma redução nas taxas de analfabetismo.

Paulo Freire, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, exaltado como profeta, gênio, sumo sacerdote da educação e recentemente nomeado – porque será, mistério inconfessável! – Patrono da Educação Brasileira, na verdade, não passa de um ideólogo comunista. São evidentes suas inúmeras tautologias e prolixidades que se fazem presentes em seus livros e artigos, todas elas externando a vontade de seu autor em provar de pé junto que só existem dois sujeitos na educação bancária: oprimido e opressor. Não lembra alguém que, no século XIX, tentou mostrar que só existiam burgueses e operários? Pois é.

Já o sócio-construtivismo versa que o conhecimento culturalmente produzido é um conhecimento “tido-como-compartilhado”, logo, há uma interação negociada pela evolução dinâmica de interpretações, transformações e construções dos indivíduos. Na visão sócio-construtivista, a escola e a educação têm papel essencial em promover o desenvolvimento dos indivíduos enquanto o professor, mediador e promotor de desafios e problemas aos mesmos, conduz o processo de aprendizagem em colaboração efetiva com os educandos. Daí surge a história do “professor facilitador”, cuja autoridade é tão inócua e frouxa que esse conceito, vértice tão importante na manutenção da verdadeira liberdade, acaba tornando-se fútil.   Para a prática educativa numa perspectiva sócio-construtivista, é necessário, dentre outras coisas: permitir que os alunos formulem suas próprias perguntas, gerar hipóteses e modelos, testar sua validade, proporcionar situações investigadoras que gerem desafios e incentivar a abstração reflexiva como força dinamizadora da aprendizagem para que os alunos dêem sentido às experiências vivenciadas. 

Muito embora o sócio-construtivismo já tenha sido abandonado na Suíça e na França, que foram pioneiros na aplicação e na constatação do não funcionamento de tal didática, no Brasil ele ainda é a fina flor da mocidade, colocada num altar sacrossantamente intocável ao lado da educação libertadora. Por que o sócio-construtivismo não funciona? A explicação é relativamente simples: toda linguagem compõe-se de uma parte estática e constante (como o alfabeto e a ortografia, assim como fonemas, morfologia e regras de construções gramaticais) e de uma parte aberta, fluida e passível de interpretações e reinterpretações (universalidade de significados, valores, nuances e ordens de discurso). A primeira fixa-se pela memorização e exercício constante e repetitivo, mas, a segunda, se obtém por constantes leituras e melhoramento intelectual permanente, na busca da alta cultura em suas melhores fontes e pelas práticas individuais em busca do enriquecimento da auto-expressão. Sem controle e entendimento da primeira parte, não se vai à segunda de forma satisfatória e coerente. É exatamente isso que o sócio-construtivismo propõe aos alunos em idades mais tenras fazendo com que, teoricamente, participem de um alto escol cultural antes mesmo de ter os instrumentos de base necessários à construção de um pensamento aceitável e independente do ponto de vista intelectual. É a velha analogia da carroça puxando os bois.

Aqueles que leiam essas linhas e levantem a hipótese de que, se somos contra a educação vermelha petista é porque somos favoráveis à educação dos liberais, cometerá um erro absurdo tendo em vista que o Integralismo não desvia nem para a direita nem para a esquerda. Nosso imperativo categórico é caminhar para a Frente! Qualquer análise a nós não cabe, afinal, somos a síntese da brasilidade. 

Dos predecessores daqueles que aí estão, não guardamos nenhuma saudade. O intelectualismo de superfície dos partidos, tidos como burgueses, que nos governaram sempre foi imerso numa cortina de fumaça que escondiam seus interesses pessoais ou grupais e sua ignorância crassa que, durante sua permanência no poder, foi infiltrando na alma dos milhões de brasileiros o vírus da desordem mental, da indisciplina, do pragmatismo e da inteira materialização do sentido da vida. A ideologia liberal só fez trazer a lona com a qual o PT levantou o circo. Assim foi no passado – distante e recente – assim é no presente: para os verdadeiros baluartes do pensamento brasileiro, o boicote; para sujeitos que não escreveram ao menos dez páginas dignas de serem lidas, os lugares cativos na mídia, na política e nas cátedras acadêmicas.

Eis o Brasil que aí está!

Dentro de tal cenário, é forçoso, pois, que certo ceticismo seja infligido em nossas almas. Perdidos em si mesmos, os brasileiros podem perguntar: mas qual é, então, a solução que o Integralismo tem para tão fundamental problema? O que propõe a filosofia do sigma?

O Integralismo encara a educação como a própria substância da vida, sobretudo de sua parte espiritual. Nada poderá ser feito de duradouro no Brasil, sem uma consciência nacional, isto é, sem que antes formemos “o brasileiro”. Temos, nos dizeres de Miguel Reale, de fomentar uma cultura da inteligência e do espírito e não simples aprendizagem mecânica de letras e algarismos. Onde não existe unidade racial, a escola deve ser o fator predominante na formação de uma unidade histórica e ética indispensável; deve ser o local aonde venha à tona a essência perene de um povo; deve ser o ambiente que promoverá, segundo Gustavo Barroso, uma grande, digna e benéfica revolução social através, inicialmente, de uma revolução moral. Acreditamos sinceramente que a primeira revolução deverá ser a revolução interior e que a primazia do espírito seja colocada em voga dominando e conduzindo a irracionalidade da matéria.

Mas – continuam os céticos – por que o espírito como agente de tal revolução? Devemos buscar a resposta na filosofia. Ciência das ciências, a prática socrática procura explicar as origens, a existência e a finalidade do homem nesse mundo de acidentes e conjecturar sobre a certa transcendência na qual todos um dia atingirão a essência do Absoluto. Certa vez, Alfred Whitehead, lançou uma frase que tornou-se célebre: “Toda a filosofia ocidental é uma nota de rodapé à filosofia de Platão”. Subscrevo o matemático inglês e em Platão busco a resposta quanto a atividade revolucionária do espírito. Para Platão, o espírito participa do divino mais do que qualquer outra coisa corpórea. O que é divino é necessariamente belo, sábio e bom e são dessas qualidades que o espírito se alimenta. O homem que percebe, aceita e se bate denodadamente por esse caminho, deve ter sua inteligência (elo entre matéria e espírito) exercida de acordo com aquilo que se chama ideia, ou seja, a elevação da multiplicidade das sensações mundanas à unidade racional. Esta faculdade nada mais é que areminiscência das Verdades Eternas que o espírito possui a partir do momento em que ele é parte da essência de Deus. Um homem desses que se desliga dos interesses humanos e dirige seu espírito aos objetos superiores, alerta Platão, é considerado como louco pela multidão que não consegue notar que nesse mesmo homem habita a divindade.

Eis a revolução do espírito. Em um mundo materialista, a batalha eterna e corajosa do espírito rumo às verdades divinas é um ato revolucionário. O progresso do Espírito Humano, nas palavras do Perpétuo Chefe Nacional Plínio Salgado, realiza-se no ritmo das revoluções. Esta afirmativa, contudo, não exclui a concepção finalista da Sociedade e do Estado, mas toma as civilizações como fisionomias em perpétua mobilidade. A História é a crônica do desenvolvimento e da transformação do Espírito dos Povos numa aspiração de perfectibilidade. É necessário lembrar que o Integralismo, encarado como filosofia, contempla o universo de maneira totalitária, quer no tocante às suas representações formais, quer no referente ao sistema de movimentos. Entendemos que o universo não é definitivo, pois a ciência prova sucessivas transformações dos astros e as poeiras cósmicas demonstram o desaparecimento de suas partes, logo substituídas por outras, numa eterna mudança de movimentos e valores que, analogicamente, se reflete nas sociedades. Nada de estável existe e a não permanência é a lei dos mundos. O Integralismo aceita essa condição e entende a sociedade e os homens como eternamente revolucionários e dinâmicos, buscando sempre a perfeição através de suas mudanças.

É pelo espírito, pois, que devemos guiar a educação brasileira. A Quarta Humanidade Integralista propõe, antes de tudo, eliminar da sociedade o espírito da dúvida e da covardia, acendendo-lhe no coração as labaredas do novo ideal. Aquela iniqüidade dogmática será combatida energicamente, pois, na verdade, o Integralismo é o sinônimo de força moral, ação, combate às ambições, fé, denodo, coragem, renúncia e amor ao próximo. Acordando a nação para a esperança da Grande Pátria, será impreterível reconstruir os fundamentos espirituais da cultura, postergados em nome de doutrinas filosóficas unilaterais; reconstruir o elemento de superioridade do homem e colocar os imperativos do espírito frente à cegueira da matéria; reconstruir a ordem social dentro de uma realidade verdadeiramente universal; reconstruir a resignação moral fazendo com que os males, ao menos, minorem e, finalmente, reconstruir todos os critérios que repousem em verdades eternas, ferindo de morte o relativismo social.

A coluna primordial que sustentará esse projeto ousado são os valores tradicionais do passado da nossa gente. Como bem frisou Gustavo Barroso, nunca houve ninguém sem avós assim como nunca existiram nações sem passado. Nele está a estrutura do nosso caráter e o húmus que irá alimentar as raízes da nacionalidade. Não neguemos, nem caluniemos, nem desvirtuemos o nosso passado, mas incorporemos tal qual numa integralização consciente. Ele nos ensina tudo como se tem processado e nos indica como tudo se há de processar, pois nos apontam verdades eternas que, longe de serem passadistas, são a expressão mais límpida da atualidade. Só a síntese do passado pode dar a síntese do futuro e não considerar algo evidentemente claro é defender o autodidatismo em matéria de moral e aceitar suas consequências, a saber: a anarquia intelectual, as desordens de sentimentos e os entrechoques de paixões armadas de sofisma.

Alertemos, pois, os mestres do nosso Brasil da gravíssima responsabilidade que pesa sobre seus ombros! Eles encontrarão diante de si um terreno moço, virgem e adubado da juventude, permeado de entusiasmo juvenil no qual germinará facilmente o que plantarem, seja o bem seja o mal, a coragem da luta ou o medo da renúncia. As sementes que forem plantadas germinarão e, mesmo que a plântula seja arrancada, as raízes durarão por toda a vida, deixando profunda marca na existência de uma geração. Os nossos professores não podem dirigir-se desarmados de princípios que lhe sirvam de equilíbrio interior e que resultem em satisfatórias ações exteriores.

Fazendo minhas as palavras de Plínio Salgado, a educação é obra que devemos meter ombros, a ela dando tudo, porque se não a realizarmos, podemos dizer, com segurança, que tudo por nós foi perdido. Reerguer nossa Pátria pela educação do nosso povo: eis o que exige a tradição do nosso Passado e os deveres que nos ocorrem perante o Futuro. Formar a verdadeira consciência coletiva do Brasil encarando, com desassombro, as torturas que eventualmente os brutos de nossa época a nós infligirá: eis a nossa batalha!

O Integralismo, mais que um movimento cívico-político-cultural, é um modo de ser, um modo de viver, um modo de sentir, um modo de pensar, um modo completo de considerar os problemas do homem e da sociedade. Ainda que os Integralistas não vençam, que a idéia Integralista impere! Desde que a visão, o sentimento, o pensamento e as perspectivas da filosofia integral sejam os pilares do nosso povo, o Brasil estará a salvo!  

Autor: Lucas Antonio Feitosa de Jesus
Integralista, Graduando em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Sergipe 

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Plínio Salgado.