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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O SIGMA


O Sigma como símbolo da eterna presença de Cristo como Salvador da humanidade. Imagem: Leandro Claudir. 

Sérgio de Vasconcellos

Como pôde o Integralismo, um Movimento político de tão intenso nacionalismo, de tão arraigado nativismo, adotar como seu símbolo uma letra estrangeira, o Sigma, que é grego?(1)

Contam-nos o Chefe Nacional Plínio Salgado (2) e Olbiano de Mello, que a sugestão do Sigma partiu do escritor Dr. Arthur Mota. Deixemos falar Olbiano de Mello:

Uma tarde o Chefe avisa-nos que no Clube Português a AIB realizaria uma nova reunião.

Se não nos enganamos, a segunda franqueada ao público depois de sua instalação. Marcada a noite, Paranhos toma-nos na residência do Dr. Arnaldo Amado Ferreira, ali pelas imediações da Avenida Paulista, onde nos achávamos hospedados. Ao entrar para o automóvel, nele se achava um outro passageiro. Tratava-se do Dr. Arthur Motta, historiador residente na Capital. Ia também, a convite de Paranhos, assistir a reunião.

No Clube, depois que fizemos a leitura de um trabalho nosso – Paranhos saúda, na pessoa de Arthur Motta, o sociólogo e o matemático. E este, agradecendo, num improviso feliz, afirma:

 “que, ele matematicamente, bem compreendeu que somente seria num sigma político, formado por todos os valores diferenciais da Nação, que o Brasil acharia salvamento.”

Também o signo do Muyrakitã, representado por um pequeno círculo envolto por um outro maior, como símbolo do sol e da lua, Guaracy e Yacy, ou seja, os aspectos eternos, reunidos no símbolo de, Tupan (o raio, relâmpago e trovão) , o Poder Criador. Imagem: Leandro Claudir.

Terminada a sessão, espalhamo-nos, aos grupos, pelas redondezas da sede daquele Clube. E mais tarde, quase à uma hora da manhã com Leães num café da rua Líbero Badaró – depararam-se-nos Casali, Reale e Igáyara de lápis em punho, a desempenhar, numa folha de papel a atual letra simbólica do Integralismo.

“Discricionariamente já haviam abandonado o modelo de distintivo que estávamos estudando em nossas reuniões na Rua Brigadeiro Luiz Antonio e, inspirados na frase de Arthur Motta, fixaram esta letra grega como a expressão integral de nosso pensamento doutrinário. Nasceu assim, noite alta, modesta e simplesmente numa mesa e no meio barulhento de um café paulistano – o Sigma Brasileiro”.(3)

Seu uso, no Distintivo e Bandeira, foi estabelecido nos três Estatutos da antiga e gloriosa Acção Integralista Brasileira.(4) Mas, é nos “Protocollos e Rituaes da A.I.B” –Capítulo III – Dos Symbolos – O Sigma -, que achamos uma exposição mais minuciosa:

Art. 12º - O sigma é o sinal simbólico do Movimento Integralista (Veja-se desenho com dimensões proporcionais  no “Monitor” nº9).

– É uma letra grega que corresponde ao nosso “S” e indica soma;

– Leibnitz escolheu-a para indicar a soma dos infinitamente pequenos;

– É a letra com a qual os primeiros cristão da Grécia indicaram a palavra “Deus”;

– É o nome da Estrela Polar do hemisfério sul.

– Ela lembra que o nosso Movimento é no sentido de integrar todas as Forças Sociais do País na suprema expressão da Nacionalidade.

“O Sigma maiúsculo foi preferido ao minúsculo por uma questão estética”.(5)

Gustavo Barroso nos diz quase o mesmo:

O Sigma. É a letra grega escolhida por Leibnitz para indicar a soma dos finitamente pequenos.

É também a letra com que os primeiros Cristãos na Grécia indicavam Deus e servia de sinal de reconhecimento, porque a palavra Sóteros o Salvador, começa por um Sigma e termina por um Sigma.

Letra grega SIGMA. Imagem: Leandro Claudir.

É, enfim, a letra que designa a Estrela Polar no hemisfério sul, onde fica situado o nosso País.

“Assim, o Sigma, símbolo da nossa Ideia Integral está na ciência, está na tradição religiosa de nossa civilização cristã – e esta nas próprias estrelas do nosso firmamento”.(6)

Contudo, contradizendo a opinião geral, afirmamos que o Sigma não é de origem grega, mas puramente brasileiro. Mesmo que Wenceslau Júnior, Olbiano de Mello, Gustavo Barroso e outros teóricos do Movimento tenham acreditado que fosse uma letra grega, desconhecendo sua verdadeira procedência, isto não altera o fato do Sigma ser um símbolo genuinamente nacional.

Letra hebraica, SHIN. Imagem: Leandro Claudir

Já se foi o tempo em que era inquestionável a opinião de que as nossas populações indígenas teriam emigrado de outras terras – Europa, Ásia, África e Oceania -, das quais seriam originários, e povoado o continente americano.

“O Brasil foi o primeiro continente a emergir do oceano primevo que cobria todo o planeta. Aqui foi criado o Homem e surgiram as mais antigas Civilizações. Nossos índios não são seres primitivos, no início da evolução, como querem alguns, mas descendentes de vetustas civilizações, que após magnífico apogeu, entraram em irremediável decadência. Os vestígios e as provas da existência destas civilizações são inúmeros e, creio, irrespondíveis.”

Logicamente, a escrita também teve aqui o seu surgimento. Não iremos discorrer sobre as várias etapas da evolução – mnemônica, figurada ou pictográfica, ideográfica, silábica e alfabética – porque passou esta Escrita-Mãe.

Alguns dos símbolos presentes na arte dos índios Marajós e Tapajós. Imagem: Arquivo pessoal CHH.

Na verdade, o Sigma é o desenvolvimento de um antiquíssimo símbolo, usado por nossos ancestrais desde tempos remotíssimos, como o atestam milhares de inscrições rupestres (itacoatiáras) existentes no Brasil, onde aparece, e daqui levado por nossos antepassados, quando foram conquistar e povoar os outros continentes.

Também não trataremos das fases evolutivas do Sigma. Ressaltamos que na origem desta evolução encontramos o signo representativo do relâmpago, do raio, do trovão e, por extensão, de senhorio, força, poder; e o signo da cobra, símbolo do poder criador, da criação, da força, do domínio, do poderio, da grandeza, e, ainda de chefe, rei.

         Como e quando se fundiram os símbolos do Trovão (Tupan) e da Cobra (Mbóia)? Na noite dos tempos, nossos maiores observaram a analogia entre o caminho percorrido no céu pelo relâmpago e os coleios da cobra em terra, fundindo os dois mitos.

   É conhecida a importância e a sacralidade do Trovão e da Cobra, como símbolos mágicos e religiosos, em todo o mundo. O estilizado Sigma, reunindo-os, superou-os em significado místico.


Cobra grande pintada sobre maloca no Alto Rio Negro.Muitas Tribos da Amazônia possuem mitos relacionados a Cobras e Serpentes em um deles a Avó do Mundo cria de seu filho 3 bisnetos e os envia criar o mundo. O Terceiro era um Trovão e se transformou em uma cobra. Imagem: Arquivo Pessoal CHH. 


Assim, além daquele correto e evidente sentido assinalado por Barroso e pelos “Protocolos”, o Sigma, no simbolismo dos Tupis, representa a Divindade Suprema, a Criação, a Transformação, o Poder, a Realeza, a Força Universal e, surpreendentemente, o próprio Brasil.

Curioso que, no Esoterismo Judaico, a letra Shin guarda quase o mesmo significado do nosso Sigma, do qual é derivado, apesar dos milênios que separam a Cabala de sua Matriz, o Esoterismo Tupi.

É provável que os primeiros Integralistas ignorassem o significado profundo do Sigma, mas as forças ocultas da Raça, que jazem no nosso inconsciente, o impuseram. Este sagrado símbolo nos acompanha desde o início de nossa marcha revolucionária e estará presente na hora de nossa vitória que, conhecendo as poderosas forças cósmicas e psíquicas que estão em jogo e são representadas pelo Sigma, está mais próxima do que imaginamos.

            Anauê!

NOTAS:

1)Publicado originalmente em “Renovação Nacional” – Rio de Janeiro - Ano XXI – Nº 72 – Out./Dez. de 1988 – pág. 6.

2) Plínio Salgado – “Um Homem Sincero” (artigo).

3) Olbiano de Mello – “Razões do Integralismo” – 1ª ed. – Schimidt, Editor – Rio de Janeiro – 1935 – págs. 79 e 80.

4) “Estatutos da Acção Integralista Brasileira” (1933) – Título III – Do Patrimônio, do Distinctivo e da Imprensa – art. 18º;

“Estructuração do Movimento Integralista – Estatutos da Acção Integralista Brasileira”(1934) – Capítulo XI – Da Bandeira e do Distinctivo – arts. 53, 54 e 55; e, “Estatutos da Acção Integralista Brasileira” (1935) – Capítulo XI – Da Bandeira e do Distinctivo – arts. 53, 54 e 55.

5) “Protocollos e Rituaes da A.I.B.” – Art.12º, em Monitor Integralista – Nº 18, de 10-4-1937, pág. 3.

6) Gustavo Barroso – “O que o Integralista deve saber” – Civilização Brasileira – Rio de Janeiro – 1935 – pág. 147.

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