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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A Evolução do Homem: a supremacia do Homo sapiens sapiens.



Cro-Magnon: Representação artística à esquerda e esqueletos pertencentes  a dois sepultamentos distintos. Imagem: Arquivo Pessoal CHH.

Chegamos na terceira e última parte do estudo sobre A Evolução do Homem. Até agora vimos na primeira parte: A Evolução do Homem: os primatas (Leia aqui), a origem comum entre os Símios ou macacos antropomórficos muito próximos evolutivamente dos humanos e suas variedades dentro da Superfamília Hominoidea. Estudamos suas distintas classificações entre Símios e Pró-símios e os principais membros de cada família respectivamente. Já durante a segunda parte de nosso estudo: A Evolução do Homem: a aurora da humanidade (Leia aqui), nos localizamos no tempo e no espaço, para compreendermos a evolução dos Hominídeos, dentro dos períodos históricos. Entendendo-se dessa forma as três divisões da Pré-história no Paleolítico: o Paleolítico Inferior, Médio e Superior.  Estudamos o surgimento dos primeiros Australopitecinos e sua respectiva evolução para o Homo habilis, Homo erectus e consequentemente para o Homo sapiens neanderthalensis. Vemos suas respectivas indústrias líticas bem como sua formação biológica até o pensamento simbólico do Homo sapiens neanderthalensis. Daremos continuação ao nosso estudo que concluíra nossa reflexão sobre nossas origens com o surgimento do Homo sapiens sapiens na África e sua migração para todo o restante do mundo. Lembrando! Não deixem de ler os dois primeiros artigos, pois eles concluem o raciocínio para uma melhor compreensão dessa conclusão.

Paleolítico Superior

Iniciou por volta de 35 mil anos antes do presente (A.P) e estende-se até cerca de 10 mil A.P, quando ocorre a transição Neolítica. Do ponto de vista biológico, encontramos o Homo sapiens sapiens.  Com relação à tecnologia lítica encontramos uma grande diversidade de indústrias que marcam uma nova forma de produzir instrumentos [1].

Na história das civilizações europeias, o Paleolítico Superior aparece como um fenômeno brutal, rápido, profundo e definitivo. Após dois séculos de pesquisas, uma coincidência marcou esta ruptura; o aparecimento de uma nova forma anatômica humana e um novo comportamento. Está coincidência é indicativa de uma migração de populações vindas de fora. Tal fenômeno foi universal e ocorreu em toda a humanidade, depois que ela se originou mas, nesse caso [2]:

“(...) possuindo um aspecto particular devido à ausência de uma transição lenta.”

No Paleolítico Superior tratamos com um fenômeno de ordem histórica (deslocamento de um povo), biológica (modificações anatômicas secundárias) e antropológica: a adaptação de manifestações culturais a seus novos contextos geográficos (a arte rupestre por exemplo).

Cro-Magnon (Homo sapiens sapiens)

Tradicionalmente, associamos esse período ao Homem de Cro-Magnon (variável europeia do Homo sapiens sapiens advindo da África) que foi parcialmente contemporâneo do Homo sapiens neanderthalensis (Gênero humano distinto com um ancestral comum com o Homo sapiens sapiens, o Homo erectus). Antes do Cro-Magnon já haviam sido descobertos restos humanos modernos associados ao Paleolítico Superior, com a forma Homo sapiens neanderthalensis [2].

As características gerais do Cro-Magnon (Homo sapiens sapiens) são uma grande estatura, superior a 1,65 m e um crânio do tipo ‘evoluído’, uma fronte direta com face alta e plana, um queixo saliente e uma redução alveolar, além de uma caixa craniana alta, com uma capacidade de volume idêntica a atual, entre 1.500 cm³ e 1.750cm³ [3].

Com podemos ver as diferenças são, portanto, bastante claras em comparação com os neanderthalensis (ver A Evolução do Homo: a aurora da humanidade) e no entanto, ambos foram parcialmente contemporâneos. Podemos mostrar que houve uma evolução autônoma entre as populações humanas da África que migraram há mais ou menos 45 mil anos atrás para a Europa (Cro-Magnon) e os Neandertais que já habitavam a Europa desde 300 mil anos atrás. Dessa forma chegamos a conclusão que as formas modernas humanas são de origem africana. Houve um constante influxo de origem externa e a dissociação necessária, fora da Europa, entre as conquistas culturais e a forma anatômica neste momento crucial da história da humanidade.

Indústrias Líticas

Foi no Paleolítico Superior que o homem ocupa todos os continentes, chegando inclusive a América. A partir desse período, o lascamento atinge seu mais alto grau de desenvolvimento técnico, baseando-se fundamentalmente na retiradas de lascas através da preparação do núcleo e do plano de percussão [1].

Indústria Aurignacense: as datas mais antigas estão por volta de 44 a 40 mil anos A.P.

Indústria Gravettiense: estende-se a partir de 28 até cerca de 20 mil anos A.P.

Indústria Solutrense: estende-se a partir de 20 até cerca de 15 mil anos A.P.

Indústria Magdalenense: estende-se a partir de 15 até cerca de 10 mil A.P.

Dentre a grande gama de artefatos produzidos por estas industrias líticas citamos os raspadores, destinados ao trabalho com pele; os buris, utilizados para o trabalho com o material ósseo e os furadores para material duros, como sementes ou osso (as peles são perfuradas com a ajuda de furadores em osso). Temos também as lâminas, facas e pontas de projéteis, feitas de material ósseo [2].

O fogo foi intensamente utilizado nestas técnicas e completamente dominado. Encontrou-se uma espécie de ‘isqueiro’ feito de blocos de marcassita percutida, lamparinas (depressões com marcas de queima) na rocha, traços de resina queimada e modelagem em terra cozida.

Alimentação

O Cro-Magnon baseava sua alimentação principalmente na caça, a dieta alimentar no Paleolítico Superior foi progressivamente complementada com a pesca e posteriormente com a coleta intensiva de mariscos. A coleta de vegetais não poderia ser um aporte calórico substancial em razão do ambiente generalizadamente frio que reinara na Europa.

As armas mais frequentemente empregadas na caça, são o uso esporádico do arco, ao lado do uso sistemático da azagaia e do propulsor. Outra arma típica usada apartir da propulsão eram os arpões, que foram usados na pesca bem como na caça de pequenos mamíferos [1].

Modos de Vida

O habitat propriamente dito, consiste em uma estrutura de proteção (frio, vento, umidade) de natureza variada, segundo os recursos naturais locais. Os abrigos ou as entradas das cavernas foram intensamente utilizados. As cabanas para moradia são reconhecidas pelos traços que deixaram, em arcos e círculos vazios, junto aos vestígios observados sobre o solo. Estima-se que havia grupos nômades com habitats diversificados de caça com em torno de 50 a 100 pessoas. Os grandes grupos sociais, com estrutura mais complexa e flexível, organizam encontros periódicos para fins de intercâmbio ( de bens, esposas, informações) [3].

Religião

Presente desde o Paleolítico Médio, os traços de religiosidade são extremamente ricos e variados no Paleolítico Superior. A Arte Rupestre, suporte evidente dos ritos religiosos, opera sobre um mundo de preocupações espirituais coerentes, significativas, extremamente variadas de acordo com os grupos étnicos, mas toda elaborada e estruturada. As mitologias explicativas de mundo foram criadas, instituídas e difundidas pelos caçadores paleolíticos, se expressando sob a forma de imagens monumentais, que deveriam reger os comportamentos cotidianos e refletir nos valores, mentalidades e regras sociais [2].

Homo sapiens neanderthalensis versus Homo sapiens sapiens. O que houve?

Não há dúvidas que esses dois grupos humanos coexistiram por alguns milhares de anos, no espaço e no tempo. Os humanos modernos (Homo sapiens sapiens), só chegaram a Europa há 40 mil anos, mas os Neandertais já estavam na Europa desde 300 mil anos atrás.

Presume-se que os últimos Neandertais extinguiram-se há cerca de, 29 mil anos atrás na Península Ibérica afastando-se do Oriente Médio e do Centro da Europa aonde habitaram por muitos milhares de anos. Os Neandertais eram uma subespécie do Gênero Homo sapiens, ou seja da linhagem humana. Passando a ser uma segunda raça de humanos ao lado do Homo sapiens sapiens. Muitas dúvidas existem quanto à forma como decorreu a coexistência dos Homo sapiens sapiens com o Homo sapiens neanderthalensis.

A extinção dos Neandertais não está esclarecida, mas persistem várias hipóteses, todas elas baseando-se no pressuposto de que houve competição com o Homo sapiens sapiens, que se mostrou mais adaptado, tendo em vista a sobrevivência da espécie.

Teorias para extinção dos Neandertais [4]:

1-Não ter evoluído em torno de 200 mil em anos em cultura material, faz supor uma inteligência prática baixa.

2-População com pouca mobilidade devido às limitações físicas, causando uma inércia em relação à locomoção e ampliação de espaço vital.

3-Falta de variedade genética devido à consanguinidade, e um crescente isolamento social e comunitário.

4-Suas fêmeas possuíam uma gestação de 12 meses, o que explicaria uma maior dificuldade de se multiplicar em relação aos sapiens sapiens.

5-Reações de hostilidade por ambas às partes, entre Neandertais e os Homo sapiens modernos.

6-Como caçador puro os Neandertais haviam depredado todos os recursos de seu habitat e causado sua própria extinção. Já o Homo sapiens moderno foi capaz de gerir seus recursos muito melhor, além da caça, coleta e protoagricultura.

7-Um conjunto de todas as teorias citadas.

Conclusão

Até aqui conhecemos as mudanças biológicas que levaram nossa espécie, o Homo sapiens sapiens a todos os locais do mundo por meio de uma capacidade adaptativa até então não presente entre os hominídeos. Através do pensamento simbólico conseguimos ver além daquilo que os olhos podem nos mostrar. Começamos a nos perguntar o motivo de existirmos e o motivo da morte. Aprendemos e compartilhamos nosso aprendizado com nossos filhos de modo como nenhum hominídeo havia feito ainda. Construímos vastas redes de contato entre as tribos nômades de caçadores-coletores. Dominamos o fogo, aprendemos a cozinhar nossos alimentos e desse modo melhorarmos nossa dieta que em proporção melhorou nossas condições físicas. Chegamos onde nenhuma espécie jamais chegou. E durante esse longo processo de expansão global, vencemos os obstáculos que apareciam, mesmo a competição por espaço e recursos vitais com outro grupo humano os Neandertais. Seja como for, os estudos continuaram e muito material novo surge a cada dia nas explorações arqueológicas. Mas, o certo é que aqui estamos e aqui chegamos, através de um processo que perdurou por milhares de anos.

Espero que a analise que fizemos até aqui, desde nossos primeiros antepassados Símios antropomórficos, passando pelos primeiros australopitecíneos aos hominídeos habilis, erectus. Até nossos contemporâneos Neandertais, tenha sido apenas o inicio de uma longa jornada nos estudos dos eventos históricos para você. Sintam-se sempre bem vindos nesse espaço para esclarecer dúvidas, ou dar sua opinião, sugestão ou dicas para futuras postagens.

22/02/2013

Leandro Claudir é Acadêmico de História pela Universidade Luterana do Brasil, Técnico em Informática pela QI Escolas e Faculdades. Habilitado em Liderança de Círculos de Controle de Qualidade Empresarial pelo Sesi. Criador e Administrador do Projeto Construindo História Hoje.

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Você quer saber mais? 

[1] Instituto Anchietano de Pesquisas. http://www.anchietano.unisinos.br/arqueologia. Página visitada em 19 de novembro de 2005.


[2] OTTE, Marcel. Le Paléolithique Inférieur. In: La Préhistoire. Bruxelles: De Boeck Université, 1999. Tradução e síntese de Jairo Henrique Rogge.


[3] RENFREW, C.E. Bahn, P. Introduction. The Nature and Aims of Archaeology. In: Arhaeology. Theories, Methods and Practice. New York: Thames and Hudson, 1991. Tradução de Jairo H. Rogge.



[4] The Neandertal Genoma Project. http://www.eva.mpg.de/neandertal/. Página acessada em 22 de fevereiro de 2012.

































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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.