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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A Evolução do Homem: a aurora da humanidade.



Australopithecus afarensis. (Lucy). Imagem: Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México.

Na postagem anterior iniciamos um estudo sobre as origens do gênero humano com bases nas recentes descobertas sobre a evolução dos hominídeos. Nosso primeiro objetivo foi delinear o motivo da aceitação de uma origem comum entre símios antropomórficos e hominídeos (do gênero Homo). Neste texto veremos os eventos evolutivos e as espécies hominídeas presentes em cada momento do desenvolvimento do gênero Homo. Para uma introdução mais especifica sobre este texto sugiro a leitura do primeiro trabalho, A Evolução doHomem: os primatas. Na postagem anterior poderão ter uma visão mais especifica de como avançamos para este estudo e desse modo facilitar a compreensão dos temas abordados agora.

Nesse presente momento temos que nos localizar no tempo para podermos avançar em nossa jornada rumo as descobertas do fenômeno evolutivo dos hominídeos. Devemos entender que a Pré-história foi dividida em três períodos principais no Paleolítico: Paleolítico Inferior, Paleolítico Médio, Paleolítico Superior. O Paleolítico é o período da Pré-história que vai de mais ou menos 2,5 milhões de anos até 10 mil anos atrás.

Vejamos então uma breve descrição destes três períodos principais no Paleolítico:

1-Paleolítico Inferior: mais antiga subdivisão do Paleolítico e período mais antigo da Pré-história do gênero Homo, vai de 2,5 milhões de anos até cerca de 300 mil anos atrás.

2-Paleolítico Médio: é o espaço temporal mais restrito dentro do Paleolítico. Compreende um espaço temporal, cultural e geográfico que fica entre 300 mil e 30 mil anos atrás.

3-Paleolítico Superior: o seu início se dá por volta de 30 mil antes do presente e estende-se até cerca de 10 mil antes do presente, quando ocorre a transição neolítica. Do ponto de vista biológico encontramos o Homo sapiens sapiens [1].

Nesse momento analisaremos o Paleolítico Inferior aonde estão presentes os primeiros hominídeos que temos conhecimento, como o Homo habilis e alguns contemporâneos Australopitecineos até o Homo sapiens neanderthalensis. Não se tem ao certo um marco para o inicio do Paleolítico Inferior, as datas variam entre 2,5 milhões de anos atrás para o continente africano (Olduvai) e 1,6 milhões em Israel (sítio Obeida).

Australopithecus

Sua presença remonta aos 3,5 milhões de anos atrás (m.a.a), possuía cerca de 1 metro de altura, com postura ereta e membros superiores mais compridos em relação aos inferiores, cabeça pequena com projeção facial, seu palato era muito pouco profundo, caninos muito pequenos, o tamanho de seus cérebros era algo em torno de 550 e 600 cm³ (c.c), mãos capazes de uma preensão precisa. Sua presença está restrita unicamente ao continente africano [1] [4].

Conhecemos cinco espécies principais de Australopitecineos [4]:

1-Australopithecus afarensis.

2-Australopithecus africanus.

3-Australopithecus anamensis.

4- Australopithecus garhi.

5- Australopithecus sediba.

A questão mais controversa dentro dessa periodização é a inclusão de uma espécie de hominídeo contemporâneo, mas mais evoluído, aos últimos Australopitecinos, ao qual foi dado o nome de Homo habilis, inclusive classificando-o como um gênero biológico. Esta espécie foi responsável, aparentemente, pela produção da primeira cultura material, sendo esse um dos critérios fundamentais de sua inserção no gênero humano. [2]

Homo habilis

Os primeiros vestígios de sua presença têm a idade de cerca de 2,5 milhões de anos, e durante algum tempo foi contemporâneo aos Australopitecions. Sua descoberta deu-se em Olduvai, na Tanzânia, está forma antiga de hominídeo foi classificado como um novo gênero e espécie: Homo habilis (com sua variedade contemporânea o Homo rudolfenses). Suas principais características são o aumento da capacidade craniana para até 770 cm³ (c.c). Seu peso médio está me torno de 50 kg. 


Crânio de Homo habilis. Imagem: Smithsonian Institution.

Sua face se apresentava pouco projetada e arcada supraorbitária é reduzida, possuindo uma dieta adaptada a alimentação onívora. Seu andar era similar ao do homem moderno e sua dispersão é restrita ao continente africano. Apresenta juntamente com seus fósseis instrumentos feitos de pedra (o nome dado a esta industria é Olduvaiense) [1],[2]. Como podemos ver através da produção da industria lítica Olduvaianense, o Homo habilis foi o primeiro a produzir uma cultura sistemática.

Homo erectus

Surgido entre 2,1 e 1,9 milhões de anos atrás. Essa espécie apresentava uma estatura entre 1,5 e 1,70 m. Era maior e mais pesada que o Homo habilis e com uma capacidade craniana entre 1.000 e 1.300 cm³, um aumento da Carena Sagital e ressalto Supraorbitário. Sua alimentação é basicamente onívora.[1] O Homo erectus foi à espécie do Gênero Homo que deu inicio a migração da África para o restante do mundo. Apresentando grande dispersão territorial, são encontrados fósseis na África (2,1 m.a.a), Ásia (1,8 m.a.a) e Europa (1,6 m.a.a). O Gênero Homo erectus apresentava uma grande variabilidade morfológica.Durante um longo período que engloba o PLEÍSTOCENO INFERIOR E MÉDIO, o Homo erectus distribui-se por uma ampla área [3]. 


Homo erectus. Imagem: Museu Nacional do Quênia.

Novas técnicas de lascamento surgiram como a confecção do biface mais precisa dando origem ao “machado de mão”, está indústria é denominada Acheulense [2]. A própria tecnologia de produção de artefatos, sobretudo os líticos, é bastante homogênea. Na Europa há 1,6 milhões de anos encontramos uma variante morfológica de características mais modernas, onde o mais conhecido é chamado Homo heidelbergense [1], datando em 650.000 anos. As diversificações e evoluções regionais europeias são oriundas de migrações de grupos de Homo erectus vindas da Ásia (especialmente) e da África (secundariamente) e que irão convergir para o Homo sapiens neanderthalensis [4].

Até agora analisamos as diferentes espécies de hominídeos que viveram durante o Paleolítico Inferior. Lemos acima sobre os Australopitecineos e os primeiros membros do Gênero Homo; o Homo habilis e Homo erectus bem como suas variantes regionais como o Homo heidelbergense. Apartir de agora estudaremos o primeiro membro do Gênero Homo que pertence a Espécie sapiens; o Homo sapiens neanderthalensis.

Homo sapiens neanderthalensis

A presença do primeiro membro da espécie sapiens se dá em torno de 300 mil anos antes do Presente (a.P) e se estendeu até 30.000 durante o Paleolítico Médio. Esse período corresponde geologicamente a uma parte do último interglaciário e à primeira parte do glaciário de Wurm [2]. Algo que contribuiu com o surgimento do Homo sapiens neanderthalensis é um grande resfriamento, as temperaturas médias eram em torno de - 5 a 20 graus Celsius.


Esqueleto do Homo sapiens neanderthalensis. Imagem: Museu americano de história natural.

Com uma estatura em torno de 1,5 metros de altura e uma arcada supraorbital saliente com um Menton retraído (a chamada mordida atrasada), tinham uma capacidade craniana muito próxima do homem moderno (Homo sapiens sapiens), entre 1.500 e 1.600 cm³. Motricidade fina (capacidade para executar movimentos finos com controle e destreza) e ausência de palato o que segundo muitos antropólogos lhe impossibilitava a capacidade da fala [3]. Seus ossos são mais fortes, mas delgados e sua visão lateral já estava desenvolvida.

Possuía uma técnica bem avança para a elaboração instrumentos através de blocos de sílex bruto. Caracteriza-se como uma técnica de retirada de lascas no sentido do comprimento de um núcleo preparado. Está industria é denominada Levalloisiense e Musterienese. Utilizava além do sílex bruto, osso e madeira para criar utensílios como roupas de couro, agulhas, botões, amaras de couro.

Durante o Paleolítico Médio nos grupos de Homo sapiens neanderthalensis percebe-se o aparecimento de manifestações religiosas atestadas pela preocupação com a deposição dos mortos. Evidentemente, não se sabe o significado destas manifestações, entretanto, já demonstra que o Homo sapiens neanderthalensis já possuía um pensamento simbólico elaborado. São encontrados sepultamentos em assentamentos na Europa ocidental, oriental como no oriente próximo [3].

O Homo sapiens neanderthalensis tinham algumas sepulturas cercadas de crânios de erectus, o que caracteriza o grande número de erectus mortos por neandertais  Tornaram-se predadores do Homo erectus por espaço e comida. Em torno de 30 mil anos atrás o Homo sapiens neanderthalensis se tornaram um atravanque para si próprios, se dividem cada vez mais em grupos de dissidentes que fundavam novas tribos. Esses atritos entre o próprio grupo eram advindos da falta de espaço territorial e a escassez de alimentos. Os neandertais também eram mais sedentários por causa do frio. O sedentarismo por sua vez trazia doenças devido aos grandes grupos tribais (muitos indivíduos vivendo em um único lugar, com suas necessidades fisiológicas). Mas aqueles que dariam o “golpe final” final no domínio dos neandertais era seu parente descendente do mesmo gênero o Homo sapiens sapiens vindo da África para a Europa á 30 mil anos atrás.

No próximo texto veremos as consequências do contado entre Homo sapiens sapiens advindos da África com o Homo sapiens neanderthalensis na Europa.


20/02/2013

Leandro Claudir é Acadêmico de História pela Universidade Luterana do Brasil, Técnico em Informática pela QI Escolas e Faculdades. Habilitado em Liderança de Círculos de Controle de Qualidade Empresarial pelo Sesi. Criador e Administrador do Projeto Construindo História Hoje.

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Você quer saber mais? 

[1] OTTE, Marcel. Le Paléolithique Inférieur. In: La Préhistoire. Bruxelles: De Boeck Université, 1999. Tradução e síntese de Jairo Henrique Rogge.


[2] RENFREW, C.E. Bahn, P. Introduction. The Nature and Aims of Archaeology. In: Arhaeology. Theories, Methods and Practice. New York: Thames and Hudson, 1991. Tradução de Jairo H. Rogge.


[3] Instituto Anchietano de Pesquisas. http://www.anchietano.unisinos.br/arqueologia. Página visitada em 19 de novembro de 2005.


[4] MARTÍN, Fernando Diez. Breve Historia Del Homo sapiens. Madrid: Editora Nowtilus, 2009. http://www.nowtilus.com/descargas/BHHOMOSAPIENS_r.pdf



































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