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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Saiba tudo sobre os fenícios e sua importância para o comércio



Globalização antiga. Imagem: Revista Aventuras da História.

A partir do Líbano, os fenícios dominaram o comércio do Mediterrâneo por séculos. Em Cartago, descobriram a guerra. Fundaram um império, mas acabaram erradicados da História.

Por mais de mil anos, os fenícios foram o shopping center ambulante da Antiguidade. Se algo pudesse ser vendido, eles vendiam: vinho, azeite, móveis, joias, ferramentas, armas, tecidos, peles, escravos e, por uma taxa especial, seus serviços como os melhores marinheiros do mundo. Entre 1200 a 730 a.C., sua rede conectava povos da Inglaterra até a Grécia e com ela também viajou sua grande invenção: o alfabeto, que deu origem ao grego, latim, hebraico e árabe.

Os fenícios originais não eram muito de guerra – preferiam fundar colônias com a permissão dos habitantes locais, sem avançar para o interior. Mas uma colônia fenícia mudou tudo: Cartago se tornou um verdadeiro império, e por pouco não pôs abaixo o futuro Império Romano. Como a criatura superou o criador e como ambos foram varridos da História é o que veremos a seguir.

Fenício? Que fenício?


Originários do que é atualmente o Líbano, a própria geografia empurrou os fenícios para o mar. A cadeia de montanhas que forma o monte Líbano limita a habitação humana à costa. Ao sul e ao norte, impérios bloqueavam o caminho. Partindo das cidadesestado de Tiro, Sidon e Biblos, as primeiras colônias foram em ilhas próximas, como Chipre e Malta. 

Aliás, não existia isso de “fenício” para os próprios fenícios. “A Fenícia não existiu como entidade política unificada até os romanos fazerem uma província com esse nome, milhares de anos depois”, afirma o historiador Richard Miles, da Universidade de Sidney, na Austrália. O nome vem do grego e era um apelido: a palavra phoinix quer dizer algo como “os roxos”, por causa de um dos seus principais produtos, os tecidos tingidos de roxo. “Eles provavelmente chamavam a si próprios de cananeus. Foram os gregos que os agruparam como fenícios”, diz Miles.

Canaã designava mais que apenas as terras dos ditos fenícios, era toda a região entre o sul da Síria e a Palestina, habitada também por outros povos, como os hebreus e os filisteus – cuja história, de fato, se confunde com a deles. “Até 1200 a.C., não havia diferença entre a história das cidades do litoral e do interior. Ou seja, nós temos uma civilização sírio-palestina, não fenícia. É só com a independência das cidades-estado (que já existiam) que começa a história fenícia propriamente dita”, afirmou o historiador italiano Sabatino Moscati (1922-1997) em The Phoenicians (sem tradução).

O que fez surgir o comércio fenício foi o chamado colapso da Idade do Bronze, que ocorreu por volta de 1200 a 1100 a.C.. Por motivos não muito claros, grandes civilizações como egípcios, gregos micênicos e hititas entraram em rápida decadência. O vácuo de impérios permitiu às cidadesestado uma independência inédita, que propiciou o surgimento de sua rede comercial. No começo, os fenícios ofereciam os produtos de sua própria região para os vizinhos: madeira de cedro-do-líbano, o mesmo material do qual seus barcos eram feitos, e tecidos pintados com extrato dos caramujos do gênero Murex, de um púrpura belo e intenso.

Conforme novos povos entravam em sua rede comercial, os fenícios os apresentavam a produtos de outros povos que conheciam. Assim eles passaram a vender vinho grego aos egípcios, e papiro egípcio aos gregos – a palavra “byblos” passou a significar “papiro” em grego por que eram os comerciantes de Biblos que os supriam com o material. Com o tempo, “biblos” passou a querer dizer também o conteúdo do papiro, isto é, o livro – daí as palavras biblioteca e Bíblia.

Dependendo de remos quando o vento não ajudava, os navios fenícios não tinham muita autonomia e faziam rotas próximas à costa, com paradas constantes. Assim, eles estabeleceram mais de 300 colônias, normalmente meras vilas costeiras de menos de mil habitantes. Essas vilas não eram possessões coloniais no sentido moderno – eram estabelecidas com o consentimento dos moradores da região e não tinham zona rural, dependendo dos locais para suprir-lhes alimentos. Era mais um free shop que colônia, num modelo que os portugueses repetiram 2 mil anos depois com suas feitorias asiáticas.
A grande exceção ao modelo fenício era Cartago, que tinha territórios no interior, e passou a ser o entreposto principal. Localizada na atual Tunísia, ficava no meio do caminho para as rotas que vinham da Espanha, e próxima da Sardenha e Sicília.

O preço da paz

A independência e prosperidade vinham a um custo – em espécie. O método fenício de sobrevivência era basicamente pagar pela paz. Sem um grande exército e sem qualquer aliança durável entre as cidades-estado, eles sobreviviam por causa de sua conveniência para os impérios vizinhos. Com a imensa fortuna de sua rede de comércio, aplacavam a ira dos conquistadores com tributos. Assim eles sobreviveram ao novo reino do Egito (1550-1069 a.C.) e o reino de Israel (1030-930 a.C.), que os tornaram vassalos – “protegidos” mediante pagamento.


INTEGRALISMO HISTÓRICO E O INTEGRALISMO DO SÉCULO XXI


 A esquerda Plínio Salgado, Chefe Perpetuo do Integralismo. A direita Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente da Frente Integralista Brasileira, o movimento que da continuidade ao Integralismo fundado por Plínio Salgado em outubro de 1932.

Marcelo Silveira*

Pronunciado no 1º Congresso do Movimento Integralista Brasileiro para o século XXI em 04/12/2004

Prezados companheiros,

É com grande satisfação que venho a me reunir convosco neste conclave, cujo objetivo principal, é o estabelecimento de um consenso no sentido da possível reorganização no Brasil de um movimento Integralista realmente participativo na sociedade.

Digo participativo porque, após o louvável esforço do Partido de Representação Popular, extinto há cerca quarenta anos, os círculos ligados ao Integralismo se sedimentaram praticamente como grupos culturais fechados, raramente com uma proposta mais séria de atuação política combativa como caracterizado pela proposta original dos principais idealizadores da Doutrina do Sigma.

Em que se pese o fato de que, analisando a situação com a visão de uma geração muito mais nova que o fenômeno histórico a que o Integralismo esteve subordinado, não podemos olvidar a série de impedimentos, conjunturais e ideológicos, que dificultaram imensamente uma rearticulação significativa e efetiva após a II Guerra Mundial.

Sendo impossível enumerar num mero ensaio como este escrito praticamente de improviso, todos esses impedimentos, creio importante, nesse momento, voltarmos um pouco nossas atenções, antes com uma breve retrospectiva, para depois analisarmos o momento mundial atual e suas principais implicativas conjunturais, assim como estas mesmas têm subordinado nossa nação.

Historicamente o Integralismo surgiu, decididamente impulsionado pelas ideias centrais de Plínio Salgado – ainda que se distanciando enormemente de um bloco monolítico – como uma alternativa nacional e localizada, em mesmo tempo que universalista e espiritualista, que respondia perfeitamente às problemáticas de seu tempo.

Nesse sentido, quando falamos de propostas formuladas para o país por intelectuais patrícios, há cerca de oito décadas, em torno de certas ideias, não podemos perder de vista o contexto e as peculiaridades da época. O Integralismo brasileiro, republicano e de inspiração tomista, surgiu em 1932, através do "Manifesto de Outubro", num momento extremamente propício ao que ele representava. Era uma época de indefinição política no mundo inteiro. E uma época em que os fascismos e autoritarismos estavam em voga sendo considerados caminhos políticos plenamente viáveis.

No Brasil, o pensamento de homens como Francisco Campos, Oliveira Vianna, Alberto Torres, Mário de Andrade, entre muitos outros, tinha uma forte influência no meio intelectual. No mundo inteiro, muitos movimentos procuravam no corporativismo e em modelos autárquicos, uma forma de resolver as contradições até então – e até hoje – existentes entre os conceitos de Estado e Nação.

Formada a partir de uma convergência de ideias e fatores, a Ação Integralista Brasileira meritoriamente soube catalisar as ansiedades gerais brasileiras em torno da real necessidade da nação amparar-se num Estado forte, propondo-se como um meio para instrumentá-lo efetivamente, buscando a solução dos seus graves problemas nacionais de natureza social, econômica, política e moral.

Previu os excessos do capitalismo e as mazelas do cosmopolitismo, num país que ainda vivia uma época que podia ser definida como pré-capitalista e prestes a entrar numa era industrial em maior plenitude. Inserida neste contexto, alertou para a consequência dos desmandos capitalistas e dos enormes riscos do avanço do marxismo em solo pátrio, defendendo uma economia planificada com um programa de libertação nacional anti-imperialista, contrário à exploração racional dos nossos recursos naturais e do argentarismo internacional a que somos vítimas desde o nascedouro. Propôs ainda, em consonância com experiências bem-sucedidas realizadas na Europa da primeira metade do século passado, a substituição do Estado liberal democrático e dos partidos políticos regionalistas de então, por estruturas corporativas nacionais. E, acima de tudo, fez o maior chamado da História do Brasil, através um clamor patriótico e exemplo de civismo, até hoje sem qualquer paralelo no país, para este povo emergir da sua secular condição de coadjuvante, finalmente assumindo seu devido papel colocando-nos entre as nações poderosas e predestinadas pelo Criador.

Obviamente, que em pleno século XXI, devemos fazer certas ressalvas e reconhecer, como inclusive escreveu o emérito nonagenário Dr. Miguel Reale ainda há poucos meses atrás, a existência de diversos aspectos transitórios e temporários que foram esboçados em linhas gerais de 1932 a 1937. E, portanto, não mais aplicáveis no contexto sócioeconômico em que o Brasil e a maioria das nações importantes hoje se encontram.

Não haveria sentido algum, por exemplo, em tentar reeditar as propostas da década da trinta do século passado, no sentido da organização jurídica, político e econômica da sociedade e do Estado, tal qual feitas àquela época. Da mesma maneira, após sete décadas, o fabuloso incremento da complexidade dos meios de produção, a evolução tecnológica e o crescimento populacional mundial, levaram a humanidade a uma situação visivelmente diferenciada, em inumeráveis aspectos, sendo que a busca de soluções para os problemas contemporâneos, requer outros enfoques e análises, assim como abordagens focalizadas em uma infinidade de novos aspectos. Esse é um grande desafio que nos depara de imediato.

De qualquer forma, espantosamente, e de toda maneira, no cerne e na origem dos nossos maiores problemas ainda podemos reconhecer que os impedimentos para uma verdadeira emancipação da nação permanecem residindo num conjunto de influências nocivas e em obstáculos que o Integralismo, já naquele tempo, se propunha a combater começando por uma revolução interior em cada brasileiro.

Hoje, mesmo em plano global, as mesmas antigas críticas pontuais podem ratificar idêntico raciocínio. Daquele período até o momento, não nos foi apresentado um cenário em que realmente tenha havido qualquer distinção dada no sentido de uma orientação filosófica geral, ao passo que, universalmente, os maiores questionamentos refletem cada vez mais as milenares e indeléveis angústias humanas. Ou talvez, em outras palavras, o eterno conflito imanente das "invariantes axiológicas" teorizadas pelo Dr. Reale na sua maior obra filosófica pós-integralismo.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.