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domingo, 5 de agosto de 2012

Coiotes em Uruguaiana: imigrantes ilegais são aliciados para atividades clandestinas.


Imagem: Zero Hora. (Clique na imagem para ampliar).

Coiotes em Uruguaiana: imigrantes ilegais são aliciados para atividades clandestinas entre Buenos Aires e SP. Máfias distintas estariam no comando: uma exploraria a prostituição, e, a outra, usaria africanos como mulas para o tráfico de drogas.

A mais importante ligação econômica do Mercosul, na fronteira oeste gaúcha, virou corredor do crime organizado sob o controle de quadrilhas internacionais de tráfico de pessoas. 

Saiba como os "coiotes" atuam na fronteira do Brasil com a Argentina. 

Indícios apontam que imigrantes ilegais vindos do outro lado do mundo para tentar a sorte no Brasil e na Argentina e que passam por Uruguaiana e Paso de los Libres estão sendo aliciados para atividades clandestinas em algum ponto entre Buenos Aires e São Paulo. Nas duas cidades estariam os comandos dessas quadrilhas.

Essa seria uma das razões para a surpreendente invasão de forasteiros nas duas cidades da fronteira, fazendo prosperar redes de coiotes, responsáveis pela travessia ilegal dos estrangeiros de um país a outro, sobre a ponte internacional ou pelas águas do Rio Uruguai.
Embora a maioria das respostas para esse fenômeno ainda seja desconhecida, suspeitas levam a acreditar que o movimento de estrangeiros ilegais na fronteira é coordenado por duas máfias distintas. Uma exploraria a prostituição de jovens asiáticas e outra usaria africanos como mulas para o tráfico de cocaína e para o contrabando. Parte deles se faz passar por vendedores de bijuterias. 

Desde março, quando o movimento migratório irregular se intensificou, em média 10 estrangeiros por mês são impedidos de ingressar ou mandados embora do Brasil pela Polícia Federal (PF) em Uruguaiana. Mas o número de imigrantes ilegais pode ser bem maior.

— A gente vê que são uns 10, 12 por dia, indo e voltando da Argentina — diz um taxista de Uruguaiana, que não se identificou.

Nos últimos cinco meses, em Paso de los Libres, a Gendarmeria (responsável pelo controle de fronteiras da Argentina) já flagrou 80 imigrantes ilegais vindo do Quênia, do Senegal, da Nigéria, de Burkina Faso, de Marrocos e da China. Há suspeitas de que fariam tráfico de pedras preciosas e diamantes introduzidos no corpo.

— Já escutamos isso, mas nada foi comprovado. É um dilema para nós. Alegam que vendem semijoias, mas isso não rende muito e andam com boas quantias de dinheiro — afirma o comissário-inspetor Ricardo Barboza, chefe regional da polícia na cidade.
No mês passado, um nigeriano teve roubados US$ 10 mil (cerca de RS 20.230). Na sexta-feira, dois senegaleses, com documentação em dia, foram vítimas de assaltante e perderam R$ 2,5 mil em pesos (cerca de R$ 1.250).

Cocaína lançada na Argentina é repassada depois ao Brasil

Outros dois homens vindos do Senegal e da Nigéria foram presos recentemente em Passo de los Libres carregando, cada um, cerca de três quilos de cocaína. Um outro africano abandonou uma mochila com documentos e quatro quilos de cocaína ao ser parado na ponte.
— Eles não têm trabalho, não têm profissão, não sabem ler e como têm dinheiro para contratar advogados? — espanta-se Maria Eugenia Esquivel, secretária da Justiça Federal na cidade.

Desde a entrada em vigor no Brasil da Lei do Abate, em 2004, que permite a derrubada a tiros de aviões que transportam drogas sobre o espaço aéreo brasileiro, fardos de cocaína costumam ser arremessados no lado argentino da fronteira para depois chegarem ao Brasil.
Entrevista: "Do nada, pessoas não caem em Uruguaiana"

O combate aos crimes envolvendo imigrantes ilegais na Fronteira Oeste levou para Uruguaiana a delegada Paula Dora. Atual chefe da Divisão de Cooperação Jurídica Internacional da corporação em Brasília, Paula está à frente da investigação para identificar e capturar grupos de coiotes e quem alicia imigrantes clandestinos para cometer crimes.

Zero Hora — O que está acontecendo em Uruguaiana?

Paula Dora — Uruguaiana vive um movimento migratório entre Brasil e Argentina que reflete a crise mundial. Estrangeiros procurando oportunidades de trabalho em outros países, que, às vezes, por questões imigratórias, não têm documentação regular, e acham mais fácil pagar um coiote. 

ZH — Em média são de 10 a 12 estrangeiros por dia cruzando a fronteira?

Paula — É possível. A Argentina está se fechando para certas nacionalidades que estão dando problemas, muitos apresentavam documentos falsos.

ZH — Os coiotes estão se aproveitando disso?

Paula — Claro. Quando a pessoa tem dificuldade de ingressar em um país, por causa de barreira imigratória, a primeira coisa que ela pensa é usar o coiote. São duas figuras diferentes: o que só atravessa a fronteira por meio de um pagamento de R$ 30 e tchau. E os que integram organizações criminosas que utilizam essa população flutuante, não documentada, para cometer delitos. 

ZH — Quantos grupos agem em Uruguaiana?

Paula — Ainda não sabemos. O assunto está chamando a atenção, recebendo muitas denúncias. No mês passado foram mais de 10, contra pessoas que estariam envolvidas em várias atividades. E a partir delas, estamos investigando para ver se chegamos a organizações dos dois tipos.

ZH— Quais tipos? 

Paula — Os coiotes e os que exploram o trabalho dos imigrantes.

Ofensiva na Fronteira: Rede de coiotes sofre novo golpe.



Imagem: Zero Hora.

Grupo que introduzia ilegalmente ou ocultava estrangeiros de diversas nacionalidades no país foi capturado em Uruguaiana.

Entre a noite de quinta-feira e o amanhecer de ontem, a Polícia Federal (PF) capturou, em Uruguaiana, cinco pessoas envolvidas com travessia de imigrantes ilegais na fronteira entre o Brasil e a Argentina. Estrangeiros estão chegando em massa à região sob o argumento de que são vendedores de bijuterias, pedras preciosas e roupas, mas há casos de envolvimento com o tráfico internacional de drogas e de exploração sexual.

Aregião vive uma inusitada movimentação de estrangeiros, em especial, africanos e asiáticos, sem visto para circular pelos dois países, o que tem fomentado a ação de coiotes. Na terça-feira, dois deles, um argentino e um brasileiro, já haviam sido capturados com um camaronês.

As capturas são frutos de uma ofensiva especial da PF para combater crimes ao longo da fronteira em todo o país, a Operação Sentinela, e, em Uruguaiana, em razão das movimentações clandestinas de estrangeiros, o trabalho ganhou um subgrupo, chamado de Operação Coiote.

A primeira das recentes prisões foi no final da noite de quinta-feira em uma pousada no centro de Uruguaiana, onde estavam chegando para se hospedar oito asiáticos. Por meio de uma informação anônima, a PF prendeu um chinês de 42 anos, morador de São Paulo, que segundo a PF, era o responsável pelo grupo – dois homens e cinco mulheres entre 21 e 30 anos.

Vestidas com elegância, maquiadas, de unhas pintas e com cabelos bem arrumados, as mulheres não conduziam bagagem, mas sim malas

Mais chineses presos na fronteira: é a terceira interceptação de migrantes ilegais feita pela PF em uma semana.



Foto: Polícia Federal / Divulgação

A Polícia Federal realizou na manhã de sábado a terceira onda de prisões de estrangeiros que ingressaram ilegalmente no Rio Grande do Sul, em uma semana. Desta vez foi preso um coiote (traficante de seres humanos) de origem chinesa, mas radicado em São Paulo. Ele estava hospedado no Hotel Paineiras, no centro de Uruguaiana, em companhia de quatro mulheres chinesas na faixa etária dos 18 aos 25 anos.

Bem arrumadas, maquiadas e com malas cheias de lingeries, as chinesas portavam passaportes, carteiras de identidade e carteiras de motoristas brasileiras falsificadas, conforme os policiais. Os agentes acreditam que a intenção do coiote era enviar as mulheres para áreas de prostituição na Argentina.

As mulheres terão três dias para deixar o país,

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Plínio Salgado.