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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Estados Unidos e América Latina: doutrinas, ideários, corolários e os enunciados.



Quais são as reais intenções dos Estados Unidos em relação ao Brasil. Imagem: Plano Brasil.

O historiador Voltaire Schilling nasceu em Porto Alegre, em 1944. Leciona História há mais de 30 anos em diversas instituições de ensino. Em seu livro Estados Unidos e América Latina: Da Doutrina Monroe á ALCA (Editora Leitura XXI, 2002, 144p) ele procura levar seus leitores há uma visão interpretativa das diferenças culturais entre os norte-americanos e seus vizinhos do sul. Fixando as idéias bases que nortearam as relações dos Estados Unidos com a América Latina. Relações estas que ataram o destino dos latinos americanos a um processo de subserviência neocolonial.

Voltaire Schilling aborda as relações entre Estados Unidos e América Latina de forma muito resumida nas idéias bases como: as doutrinas, os ideários, os corolários e os enunciados, não levando em consideração a complexidade envolvida em cada uma destas idéias que envolvem contextos temporais e regionais. Do mesmo modo que enfatiza a admiração dos latinos pelo sucesso dos Estados Unidos o autor nos mostrar o ressentimento com as constantes intromissões dos mesmos nos assuntos da América Latina, demonstrando uma plena lucidez sobre os fatos que envolvem os interesses dos Estados Unidos e suas intervenções.


Golpe no Mercosul: consequências para o Brasil

Em 1965, no ato de inauguração da então maior ponte em vão livre do mundo – a Ponte da Amizade, Alfredo Stroessner e Castelo Branco, respectivamente presidentes do Paraguai e do Brasil, caminharam em direção ao meio da ponte em um encontro simbólico, que marcaria para sempre as relações entre os dois países. O Brasil construíra sozinho um colosso da engenharia moderna e presenteava o Paraguai com uma ligação rodoviária ao seu território, além do acesso paraguaio ao oceano atlântico, pelo porto de Paranaguá. Era o início de uma relação de amizade que ampliaria a importância geopolítica do Paraguai, desenvolveria sua indústria e consolidaria o Brasil como seu principal parceiro.


ONU recomenda acabar com a Polícia Militar no Brasil

A ONU (Organização das Nações Unidas), órgão avançado do mamonismo internacional, da usurocracia apátrida e supraestatal, da Internacional Dourada de que são escravos, em maior ou menor grau, todos os povos da Terra, por meio de seu Conselho de Direitos Humanos, “recomendou” nada menos que o fim da Polícia Militar no Brasil.

Deixando claro que os “Direitos Humanos” da ideologia moderna promovida pela ONU nada têm que ver com os legítimos Direitos Naturais da Pessoa Humana do Jusnaturalismo Tradicional, ou Clássico, por nós professado, não encontrando sequer fundamento no Direito, como, aliás, bem o demonstrou o jusfilósofo francês Michel Villey na já clássica obra O direito e os direitos humanos [1],

Corrupção e relações ocultas nos bastidores da Democracia

Se uma das lições que o escândalo envolvendo o bicheiro Carlinhos Cachoeira e os mais diferentes políticos dos mais variados partidos pode nos dar é que a democracia brasileira - e as democracias em geral - são bastante vulneráveis a interesses particulares e a modos obscuros de fazer política. Deste modo - sobremaneira a democracia brasileira - em seu exterior (como numa “fachada”) há linhas gerais e regras que representam, como num teatro, o jogo político; mas que nos bastidores, essas linhas gerais e regras obedecem a outros princípios, a saber: o coleguismo, o poder econômico subordinante, amplas alianças que não obedecem a princípios ideológicos (ou “princípios” morais do partido), algo que, devemos dizer, se dá nas mais diferentes democracias ao redor do mundo, mas no Brasil, entretanto, vemos a radicalização dessa característica.

A Democracia, palavra que literalmente significa “governo do povo”, uma junção das palavras gregas Demo e Kratos, surgiu na Grécia, mas ainda naquela civilização, cujo modelo de democracia representara o gérmen das democracias do mundo ocidental, fizeram uma distinção importante ao qual pode iluminar os problemas brasileiros. Na Grécia Antiga, a distinção entre o público, que concerne ao agir político par excellence,sendo o lugar da decisão dos cidadãos gregos, o lugar da Práxis, i.e., do agir intransitivo em que se decidia aquilo de interesse ao povo grego dava-se na Ágora. No que diz respeito ao privado, pelo contrário, não cabia aos gregos decidir na Ágora, não era negócio público. De como um pai deveria educar seus filhos, por exemplo, era assunto privado.

Mas o que tem a ver a democracia brasileira com tudo isso? No Brasil os interesses privados dos políticos e de alguns grupos ditam todo o resto, ditam a partir dos bastidores, mas subordinados a outras esferas de poder. O caso Carlinhos Cachoeira, análogo ao filme Godfather (traduzido no Brasil como “O Poderoso Chefão”, uma tradução errônea, é verdade) evidencia por demais este aspecto. Os tentáculos do “chefão” são abertos e alcançam diferentes esferas estatais. Tudo que diz respeito ao Estado pode beneficiá-lo. Aqueles que de alguma maneira quiserem obter vantagens terão que ceder algo em troca. Deste modo é nos bastidores que o verdadeiro jogo político acontece, que se decidirá se irão construir uma ponte, um viaduto – se ambos, a empresa que constrói e o político, lucrarão verdadeiramente com isso; se haverá verba para a educação ou não; se o investigado por corrupção será avisado que está sendo investigado ou não.

Esta característica pode se estender até abranger conjuntos de países, se concentrando todo o poder nas mãos daqueles que possuem o poder econômico e que passam a ditar regras a seu bel-prazer. As mais diferentes esferas estatais, como no caso brasileiro, estão vulneráveis a minoria poderosa, podendo-se generalizar às metarrelações e até à afirmação de que a maioria dos países está nas mãos de alguns poucos que agem nos bastidores e ditam as regras, não sendo algo surpreendente dizermos que nos EUA é assim e de que destes se deriva todo o comando restante. A situação de explorados e dominados ainda prossegue fortemente de acordo com os interesses de poucos, esta é a regra oculta. Com efeito, o escândalo de Carlinhos Cachoeira apenas demonstra que as microrrelações são reflexo de macrorrelações muitas vezes ocultas e que estas macrorrelações por sua vez obedecem às metarrelações que conseguem fugir ao âmbito da verificação das pessoas comuns, uma vez que, estas relações, vão além da observação e mesmo da imaginação dos cidadãos comuns.

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"O Homem inventou a máquina. A máquina, agora, quer fabricar homens. E se um dia saírem homens do ventre das usinas, também os úteros das mulheres gerarão homens-máquinas, sem coração, sem afeto, meros aparelhos de produção..."

Plínio Salgado.