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sábado, 15 de dezembro de 2012

PANTEÃO ASTECA



Panteão Asteca. Imagem: Seu History.

A religião asteca, assim como as de outras civilizações, representava uma síntese de diversas culturas e tradições milenares dos diferentes povos que dela faziam parte. Sua cosmogonia foi tão profunda quanto complexa, buscando resolver os eternos dilemas com relação à existência, criação do cosmos e da raça humana, explicação de fenômenos naturais e sua ligação aos astros. Os deuses estavam em constante comunicação com os homens e, como estes, tinham características tanto positivas quanto negativas. Aliás, tudo e todos os que habitavam o mundo possuíam esta dualidade, que afinal, estabelecia um equilíbrio dinâmico entre o micro e o macrocosmo, relação que era mantida através de cultos e oferendas.

QUETZALCOATL

Quetzalcoatl, filho de Ometeotl, é a principal divindade do panteão pré-hispânico. Seu nome é composto por duas palavras: "coatl", que quer dizer serpente e "quetzal", significando ave de rica plumagem. De acordo com a filosofia asteca, esta divindade possui também diferentes conotações, "dupla rica", "ave dos tempos", "gema dos séculos", "umbigo ou centro sagrado", "serpente aquática fecundadora", "o das barbas da serpente", "o grande aconselhador", "divina dualidade", "feminino e masculino", "pecado e perfeição", "movimento e tranquilidade". Em função da dualidade de sua natureza ela tanto cria, quanto destrói o mundo. Sua parte destruidora tem o nome de Tezcatlipoca, "o Senhor do Espelho Fumegante". Quetzalcoaltl também representa a dualidade inerente à condição humana: a serpente representa o corpo, com suas limitações; as penas representam os princípios espirituais. Os ensinamentos de Quetzalcoatl ficaram registrados em certos documentos conhecidos como "Huehuetlahtolli", "palavras antigas", transmitidos verbalmente através dos tempos e depois registrados pelos primeiros cronistas espanhóis. Uma das representações desta divindade é um homem branco e barbado, razão pela qual, durante a conquista, os indígenas acreditaram que Hernan Cortez era Quetzalcoatl. Segundo a lenda, entre suas conquistas e feitos, Quetzalcoatl chegou à região maia e foi reconhecido como um grande chefe e guerreiro. Fundou a Liga de Mayapan e conquistou a cidade de Chichen Itza.

 TEZCATLIPOCA


Filho de Ometeotl, Tezcatlipoca, "O Senhor do Espelho Fumegante", é o senhor do céu e terra. fonte de vida, amparo do homem, origem de todo o poder e da felicidade, dono das batalhas, onipresente, forte e invencível. Era representado como um jovem com arranjo na cabeça e no rosto e as pernas enfeitadas com listras. Trazia postas pulseiras de penas coloridas de quetzal e um escudo na mão, também feito de penas, além de uma bandeira de papel. Quetzalcoatl e Tezcatlipoca, sendo irmãos, representam a dualidade e a antagonia. Em uma das lendas, Tezcatlipoca e Quetzalcoatl criaram o mundo. No começo existiam apenas o oceano e a terra, onde vivia o monstro Cipactli. Tezcatlipoca ofereceu seu pé como isca e o monstro da terra apareceu e o devorou. Foi assim que ambos o dominaram e o estiraram para que fosse transformado em solo. Os espíritos dos mortos tinham que se apresentar diante de Tezcatlipoca para receber seu destino. Trazia no peito um espelho onde podia ver os atos e pensamentos da humanidade e de onde brotava uma fumaça que matava seus inimigos. Portava também uma faca, representando o vento negro e cortante, como as palavras que criam desarmonia. Era considerado o senhor do norte do Universo, região do descanso, destino dos mortos. Deus da noite e da tentação; provedor e juiz da riqueza. Protetor dos escravos. 


 XIUHTECUHTLI

Xiuhtecuhtli, também chamado Huehueteoltl, "deus velho", é deus do fogo e do calor. Era casado com a deusa Xiuteciuahtl. Era o avô dos homens, o dono do tempo. Vivia no centro do universo. Era representado por um velho enrugado, sem dentes e encurvado, com o rosto vermelho/amarelo, carregando um braseiro. Na mitologia, sua idade representava a experiência e a sabedoria. Um de seus símbolos era a cruz com as quatro direções do mundo, que partiam do centro de onde ele vivia. Também era conhecido como "cobra de luz' porque era o símbolo do amanhecer radiante e, diante de sua presença, os poderosos deuses da noite desapareciam. Era bastante relacionado ao sol. Originário da região vulcânica e representante da idade das montanhas, seu culto remonta ao começo da vida nahoa na América. Associado à purificação, transformação e regeneração. Foi encarregado das mudanças no mundo. Xiutecuhtli, assim como Ometeotl, estava relacionado ao conceito de principio porém, diferente da divindade suprema, a ele eram rendidos cultos específicos. Além disto, as cerimonias dedicadas em sua homenagem tinham como objetivo principal fortificá-lo, para que pudesse continuar exercendo seu poder regenerador sobre o mundo, garantindo sua continuidade. Outro significado de Xiuhtecuhtli era "Senhor da Turquesa", cor que os antigos associavam ao céu diurno.

HUITZILOPOCHTLI

Huitzilopochtli, o "Beija Flor Azul" ou "Beija Flor do Sul" é a principal divindade dos mexicas. Deus do sol e da guerra, foi batizado pelos conquistadores como Huichilobos. É representado por um homem azul armado, com penas de beija flor na cabeça. Sua mãe, Coatlicue, o gerou depois que uma bola de penas caiu do céu sobre sua cabeça. Os irmãos e irmãs, pensando que a mãe os havia desonrado com esta gravidez misteriosa, decidiram eliminar a mãe grávida, porém Huitzilopochtli nasceu e matou a maioria. Huitzilopochtli agarrou a cabeça da irmã e atirou para o céu, transformando-a na Lua. Ele próprio simboliza o Sol. Conduziu os astecas durante sua longo migração de Aztlan, sua terra natal, até o vale do México. Seguiram com destino ao sul até que Huitzilopotchi lhes indicou onde deveriam estabelecer sua nova capital, México-Tenochtitlan em Anahuac, no meio do Lago Texcoco, uma cidade repleta de canais. Como deus sol, Huitzilopochtli renascia todas as manhãs do ventre da mãe, Coatlicue. Acreditava-se também que ele precisava do sangue e coração dos humanos para alimentar-se. As vítimas dos sacrifícios oferecidos a ele incluíam prisioneiros de guerra e guerreiros mortos em batalha. Huitzilopochtli era o deus mais poderoso, mais temido e odiado pelos inimigos dos astecas.

CHALCHIUHTLICUE

Chalchiuhtlicue, a "da saia de jade", era a deusa da fertilidade. Considerada a Grande Mãe, era também a deusa dos lagos, das águas da terra, além de senhora dos mantimentos, nutrindo o homem para que pudesse viver e multiplicar-se. Sua vestimenta é composta por uma saia de linhas ondulantes, uma alusão à água que flui, e utiliza uma mascara de serpente. Às vezes é representada pela corrente de água fluindo da divindade e, nesta corrente podem ser vistas crianças recém-nascidas. Suas funções se referiam ao aspecto aquático, forma utilizada pela divindade para ajudar na fecundação, fonte de vida, por excelência. Era também bastante importante como fator de pureza, e era invocada em rituais onde o corpo era lavado com água. Patrona dos nascimentos, desempenhava um papel importante nos batismos astecas. Chalchiuhtlicu era considerada também como a protetora mais importante da navegação do litoral no México antigo. De acordo com o mito dos cinco sóis, ela chegou ao mundo no primeiro sol: dominava um quarto do mundo. Durante seu reinado o céu era feito de água, que caiu na terra na forma de um grande dilúvio por influencia da deusa. Os seres humanos se transformaram em peixes. Parceira ou parte de Tlaloc, com ele foi mãe de Tecciztecatl e governou Tlalocan. Dizem também que foi mulher de Xiuhtecuhtli. As vezes é confundida com a deusa da chuva, Matlalcueitl.


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