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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

INTEGRALISMO HISTÓRICO E O INTEGRALISMO DO SÉCULO XXI


 A esquerda Plínio Salgado, Chefe Perpetuo do Integralismo. A direita Victor Emanuel Vilela Barbuy, Presidente da Frente Integralista Brasileira, o movimento que da continuidade ao Integralismo fundado por Plínio Salgado em outubro de 1932.

Marcelo Silveira*

Pronunciado no 1º Congresso do Movimento Integralista Brasileiro para o século XXI em 04/12/2004

Prezados companheiros,

É com grande satisfação que venho a me reunir convosco neste conclave, cujo objetivo principal, é o estabelecimento de um consenso no sentido da possível reorganização no Brasil de um movimento Integralista realmente participativo na sociedade.

Digo participativo porque, após o louvável esforço do Partido de Representação Popular, extinto há cerca quarenta anos, os círculos ligados ao Integralismo se sedimentaram praticamente como grupos culturais fechados, raramente com uma proposta mais séria de atuação política combativa como caracterizado pela proposta original dos principais idealizadores da Doutrina do Sigma.

Em que se pese o fato de que, analisando a situação com a visão de uma geração muito mais nova que o fenômeno histórico a que o Integralismo esteve subordinado, não podemos olvidar a série de impedimentos, conjunturais e ideológicos, que dificultaram imensamente uma rearticulação significativa e efetiva após a II Guerra Mundial.

Sendo impossível enumerar num mero ensaio como este escrito praticamente de improviso, todos esses impedimentos, creio importante, nesse momento, voltarmos um pouco nossas atenções, antes com uma breve retrospectiva, para depois analisarmos o momento mundial atual e suas principais implicativas conjunturais, assim como estas mesmas têm subordinado nossa nação.

Historicamente o Integralismo surgiu, decididamente impulsionado pelas ideias centrais de Plínio Salgado – ainda que se distanciando enormemente de um bloco monolítico – como uma alternativa nacional e localizada, em mesmo tempo que universalista e espiritualista, que respondia perfeitamente às problemáticas de seu tempo.

Nesse sentido, quando falamos de propostas formuladas para o país por intelectuais patrícios, há cerca de oito décadas, em torno de certas ideias, não podemos perder de vista o contexto e as peculiaridades da época. O Integralismo brasileiro, republicano e de inspiração tomista, surgiu em 1932, através do "Manifesto de Outubro", num momento extremamente propício ao que ele representava. Era uma época de indefinição política no mundo inteiro. E uma época em que os fascismos e autoritarismos estavam em voga sendo considerados caminhos políticos plenamente viáveis.

No Brasil, o pensamento de homens como Francisco Campos, Oliveira Vianna, Alberto Torres, Mário de Andrade, entre muitos outros, tinha uma forte influência no meio intelectual. No mundo inteiro, muitos movimentos procuravam no corporativismo e em modelos autárquicos, uma forma de resolver as contradições até então – e até hoje – existentes entre os conceitos de Estado e Nação.

Formada a partir de uma convergência de ideias e fatores, a Ação Integralista Brasileira meritoriamente soube catalisar as ansiedades gerais brasileiras em torno da real necessidade da nação amparar-se num Estado forte, propondo-se como um meio para instrumentá-lo efetivamente, buscando a solução dos seus graves problemas nacionais de natureza social, econômica, política e moral.

Previu os excessos do capitalismo e as mazelas do cosmopolitismo, num país que ainda vivia uma época que podia ser definida como pré-capitalista e prestes a entrar numa era industrial em maior plenitude. Inserida neste contexto, alertou para a consequência dos desmandos capitalistas e dos enormes riscos do avanço do marxismo em solo pátrio, defendendo uma economia planificada com um programa de libertação nacional anti-imperialista, contrário à exploração racional dos nossos recursos naturais e do argentarismo internacional a que somos vítimas desde o nascedouro. Propôs ainda, em consonância com experiências bem-sucedidas realizadas na Europa da primeira metade do século passado, a substituição do Estado liberal democrático e dos partidos políticos regionalistas de então, por estruturas corporativas nacionais. E, acima de tudo, fez o maior chamado da História do Brasil, através um clamor patriótico e exemplo de civismo, até hoje sem qualquer paralelo no país, para este povo emergir da sua secular condição de coadjuvante, finalmente assumindo seu devido papel colocando-nos entre as nações poderosas e predestinadas pelo Criador.

Obviamente, que em pleno século XXI, devemos fazer certas ressalvas e reconhecer, como inclusive escreveu o emérito nonagenário Dr. Miguel Reale ainda há poucos meses atrás, a existência de diversos aspectos transitórios e temporários que foram esboçados em linhas gerais de 1932 a 1937. E, portanto, não mais aplicáveis no contexto sócioeconômico em que o Brasil e a maioria das nações importantes hoje se encontram.

Não haveria sentido algum, por exemplo, em tentar reeditar as propostas da década da trinta do século passado, no sentido da organização jurídica, político e econômica da sociedade e do Estado, tal qual feitas àquela época. Da mesma maneira, após sete décadas, o fabuloso incremento da complexidade dos meios de produção, a evolução tecnológica e o crescimento populacional mundial, levaram a humanidade a uma situação visivelmente diferenciada, em inumeráveis aspectos, sendo que a busca de soluções para os problemas contemporâneos, requer outros enfoques e análises, assim como abordagens focalizadas em uma infinidade de novos aspectos. Esse é um grande desafio que nos depara de imediato.

De qualquer forma, espantosamente, e de toda maneira, no cerne e na origem dos nossos maiores problemas ainda podemos reconhecer que os impedimentos para uma verdadeira emancipação da nação permanecem residindo num conjunto de influências nocivas e em obstáculos que o Integralismo, já naquele tempo, se propunha a combater começando por uma revolução interior em cada brasileiro.

Hoje, mesmo em plano global, as mesmas antigas críticas pontuais podem ratificar idêntico raciocínio. Daquele período até o momento, não nos foi apresentado um cenário em que realmente tenha havido qualquer distinção dada no sentido de uma orientação filosófica geral, ao passo que, universalmente, os maiores questionamentos refletem cada vez mais as milenares e indeléveis angústias humanas. Ou talvez, em outras palavras, o eterno conflito imanente das "invariantes axiológicas" teorizadas pelo Dr. Reale na sua maior obra filosófica pós-integralismo.

Por sua vez, no campo prático, a realidade continua respondendo a algumas afirmativas que permanecem igualmente inalteradas em nosso cenário político com uma terrível continuidade histórica. Mais do que isso, influenciados por uma ética utilitarista que tem potencializado seus efeitos negativos na civilização ocidental através das décadas, viemos nós brasileiros, durante todo esse período, apenas assistindo sem nenhuma reação condigna os mesmos velhos impedimentos contra a nação metamorfoseando-se constantemente em roupagens diferenciadas, mais complexas e aprofundadas. Ou seja, diferenciando-se em sua forma e amplitude, mas não em sua natureza:

- Continuamos sendo vítimas passivas do imperialismo financeiro das nações hegemônicas forjado por uma determinada e muito bem conhecida oligarquia financeira;

- Vemos ainda, cerca de quatro décadas após a contrarrevolução de 1964, o socialismo internacional e materialista, agora fortemente inspirado por Gramsci, agindo de forma sub-reptícia na esfera cultural e nas universidades;

- Presenciamos a prevalência do nefasto coronelismo (sempre fisiologista e subserviente a interesses alienígenas) e do clientelismo em diversas regiões do solo pátrio;

- Notamos com clareza, a continuidade dos mesmos surrados esquemas políticos e a atuação de partidos que não passam de meras legendas de aluguel sem qualquer sentido social ou institucional;

- E, observamos hoje, mais do que nunca, a juventude e as pessoas em geral cada vez mais inebriadas por modismos fantásticos e escravizadas a uma visão hedonista de vida.

Não obstante, uma análise atenta dos resultados civilizatórios visíveis espelhados em nossa própria realidade, e ambivalente cotidiano cosmopolita, como advindos da práxis política dirigida pelos organizadores do mundo (movidos pela visão ideológica dos vencedores do último conflito mundial), nos faz constatar que permanecem mais atuais do que nunca os antigos ideais Integralistas, assim como cada vez mais sufocantes e evidentes, os males e ameaças para que ele advertiu.

Numa digressão que entendo necessária, nos remetamos à chamada "crise de modernidade" já há algum tempo muito discutida em meios acadêmicos. Foi a partir dela e, ironicamente, a partir do pós-estruturalismo surgido a partir de pensadores enquadrados dentro da chamada "esquerda" francesa como Focault, e em Analles, que passou a existir um forte questionamento sobre a questão da metodologia modernista na história e da própria noção da história cultural e universal, assim como de todos os postulados iluministas.

Esses intelectuais buscaram as antinomias - as contradições - que derivam do paradigma central de tudo aquilo enquadrado como racionalista e, por conseguinte, na natureza ontológica da discrepância que existe entre o passado e a história entendida como epistemologia.

Observando tal posicionamento, notamos a importância da ideologia e do relativismo cultural que são inerentes ao processo de pesquisa, sendo possível estabelecer que não existe, e nunca poderá existir, uma história; ou melhor, versões históricas definitivas. Sem dúvida, ter em mente essa visão desconstrutiva da história-devir como ciência é útil a qualquer historiador ou escritor que deseje buscar, através de uma versão diferenciada da conhecida história "oficial", abalar as estruturas do chamado "establishment", que é amplamente embasado em discursos "históricos" necessários para criar as prerrogativas que estão embutidas, sustentam e dão significado aos discursos dos arautos do expediente político-ideológico vigente.

"Não nos enganemos: a imagem que fazemos de outros povos, e de nós mesmos, está associada à História que nos ensinaram quando éramos crianças", escreveu Marc Ferro. Enquanto discursa sobre o papel das representações que nos marcam desde a mais tenra idade, para deixarem suas marcas até o final dos nossos dias, defende este pensador da esquerda que "hoje já está no tempo de se colocarem frente a frente todas essas representações porque, com a ampliação do mundo, sua unificação econômica e fragmentação política, o passado das sociedades é mais do que nunca um dos alvos do confronto entre Estados e Nações, entre culturas e etnias".

E, em suma, no mais feliz axioma de Orwell está a máxima que "quem controla o passado controla o futuro, quem controla o presente controla o passado". De fato, como repetiu Ferro, "controlar o passado ajuda o dominar o presente e a legitimar tanto dominações como rebeldias".

Está aqui posto, pois, o grande problema para aceitação da sociedade com relação ao Integralismo: a pecha de fascismo; ou, no entender dos poucos mais jovens que se aproximaram superficialmente do tema, uma mera espécie de imitação de fascismo na sua versão tupiniquim. Mais ainda: o denominado "fascista" se tornou, por tabela, o mesmo que "nazista”; que é hoje, para o homem comum, uma das mais graves ofensas.

Mas o que seria mesmo o fascismo?

Sobre uma palavra que, nos dias atuais, quase unanimemente desperta repúdio, paira ainda, porém, um certo ar de mistério. Fazem-se, portanto, mais do que pertinentes alguns comentários a respeito do chavão que acabou sendo cunhado para generalidade e, no pós-guerra, se tornou quase uma espécie de impropério. Ou ainda, uma maneira mais politizada de referir-se a manifestações de violência, opressão, imperialismo, racismo, chauvinismo, machismo, pobreza intelectual, imoralidade, estupidez e assim por diante.

Em verdade, o fascismo, surgido primeiramente na Itália de Mussolini, constituiu em seu tempo, como nos dizeres de Zeev Sterhell, "uma Ideologia de ruptura por excelência" – e a repulsa à cultura política associada à herança do século XVIII e da Revolução Francesa. Ou, ainda, ecoando as palavras do imortal "General da Milícia" Gustavo Barroso, como uma reação "ao materialismo e ao internacionalismo dissolvente", na forma de movimentos baseados em ideias que se inspiravam numa mística nacionalista. Uma síntese transnacional que se opunha ao espírito do século XIX, da Reforma, da Enciclopédia e da Revolução Francesa.

Contrário às abstrações individualistas de natureza materialista e, por conseguinte, de natureza marxista ou liberal, o fascismo pretendia lançar as bases de uma nova civilização que preconizava uma visão espiritualista e rejeitava de início qualquer sobreposição do indivíduo ao bem comum. Uma civilização comunitária e anti-individualista que valorizaria a abnegação pela coletividade como norma de conduta, e onde seriam perfeitamente integradas todas as camadas e todas as classes sociais emolduradas, harmônica e organicamente, pela nação.

Nesse sentido, todos os fascismos declararam uma guerra aberta ao iluminismo e a todos os sistemas diretamente dele derivados. Uma luta sem trégua ao espírito burguês. Uma contraposição ao postulado principal do marxismo e seu reducionismo que relaciona todas contradições humanas às questões econômicas. E valorizando, acima de tudo, o heroísmo e a coragem como sentimentos totalmente desconexos de qualquer objetivo material ou de lucro.

Obviamente, naquele tempo, não havia essa conotação depreciativa que existe hoje para a palavra fascismo. Afinal, em 1936, encontrávamos movimentos com traços comuns organizados e representativos em pelo menos 31 países: Afeganistão, África do Sul, Alemanha, Argélia, Argentina, Áustria, Bélgica, Brasil, Bulgária, Canadá, Checoslováquia, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Hungria, Inglaterra, Iraque, Irlanda, Itália, Iugoslávia, Japão, México, Peru, Polônia, Portugal, Romênia, Rússia - com heroicos movimentos clandestinos -, Suécia, Suíça, Turquia e Uruguai.

Fato é que o fascismo, entendido como fenômeno transacional, se tornou um assunto para intelectuais dos quatro cantos do orbe terrestre. Em suas fileiras estiveram gênios do porte de um Ezra Pound, Oswald Mosley, Hendrik de Man, T.S. Eliot, Primo de Rivera, Fernando Pessoa, Windham Louis e, obviamente, nosso Plínio Salgado.

Fortemente inspirado pela Doutrina Social da Igreja Católica, por Farias Brito e Jackson Figueiredo, Plínio Salgado foi um bravo combatente das teorias deletérias, e fez o Integralismo livre dos excessos do fascismo com relação à inversão dos papéis do Estado e da Nação. A qual, para ele, deveria emoldurar o primeiro, e não o contrário.

Afastando de suas concepções o finalismo imanente do culto ao Estado expresso na visão de Hegel e, portanto, repudiando a ideia do totalitarismo como forma de coerção e anulação completa do indivíduo, defendeu o Chefe Nacional que o homem não deve perder sua personalidade e o justo equilíbrio entre a Família, a Sociedade e o Estado.

Rejeitando os delírios de Nietzsche e a apologia à violência de Sorel, para irradiar o sentimento de cristandade, brindou-nos, Plínio Salgado, com a transmissão de sua enorme sabedoria aferroada numa exemplar resolução aos mais altos princípios.

Resgatar a justa memória é nossa obrigação!

Não podemos mais permitir, em nome também do resgate da própria identidade nacional brasileira, que esta – ainda chamada – "esquerda", órfã de um regime falido e frustrado pela realidade, de uma concepção errônea do homem, da natureza humana e da sua história, continue dando livremente as cartas e impingindo à população, nas universidades, na esfera artística e cultural, assim como na mídia de massa inimiga do povo, suas aberrações intelectuais sem ao menos uma tentativa de contrapartida.

Devemos dar um basta a esse pretenso "anti-fascismo" anacrônico que prima por distorções do início ao fim. Não queremos mais aceitar essa prepotente intimidação. Pois, juntos e coesos, somos um grupo que pode abalar muitas estruturas!

Até quando teremos que suportar calados, perante a sociedade, a associação esdrúxula que é feita do Integralismo com o nacional socialismo alemão? É imperativo, portanto, colocar as coisas como realmente foram e analisarmos a situação atual com crítica e apreensão.

Ainda sobre o fenômeno do fascismo, sob o qual o Integralismo sem dúvida esteve em certa medida identificado, logicamente que variações ocorreram de caso em caso, e muitas peculiaridades foram enxertadas ou retiradas, conforme a realidade de cada país. No entanto, é digno de nota que em todos esses fascismos existia, além dos pontos de contato referentes a exterioridades de certa similaridade; à hierarquia e disciplina; à supremacia do Estado; ao anti-liberalismo e ao anti-marxismo; uma bandeira irredutível: o combate sem tréguas à usurocracia internacional e sem pátria.

E aqui chego, finalmente, numa questão extremamente polêmica, mas que entendo deva ser abordada nesse momento. Os devaneios racistas do nazismo, colocados em prática no último conflito mundial levaram, sem dúvida, a uma das maiores tragédias da história da humanidade. Não no sentido da polarização total ou exponenciação de "mal absoluto" (entendendo que essa é apenas mais uma mera armadilha ideológica). Mas reconhecendo que o fracasso militar de Hitler serviu para potencializar e fazer avançar tudo o que ele mais temia.

Em contraste a ter sido certamente a mais poderosa expressão material de enquadrado fascismo que existiu em seu tempo, está o fato que o nazismo, com sua derrota militar, acabou levando ao calvário todos os regimes análogos que existiram e sobre os quais citei genericamente ainda há pouco. O chamado "holocausto" com suas alegadas câmaras de gás homicidas para suposto extermínio de milhões de seres humanos indefesos, foi a armadilha ideológica que a elite financeira internacional precisava, incutindo artificialmente na mente dos povos um complexo de culpa coletivo, para colocar em descrédito qualquer força política que primasse por princípios similares em relação ao fim da contínua acumulação de riqueza por uma pequena e poderosíssima elite financeira, amplamente, mas não exclusivamente, representada por indivíduos integrantes de um conluio imperialista anglo-sionista.

O fato é que, historicamente, os crimes do comunismo transcenderam em muito os crimes perpetrados em período de guerra pelas forças do Eixo. Mais do que isso: grande parte do lado mais sombrio e nefasto instrumentado pelo totalitarismo nazista teve herança direta em métodos empregados na antiga URSS contra seus inimigos, ou supostos inimigos políticos. Infelizmente, os crimes contra a humanidade cometidos do lado comunista sempre são relevados ou esquecidos.

Mas o mal maior hoje se afigura de outra maneira. Com o fim da "Guerra Fria", vivemos agora numa espécie de sociedade que tem como referência imposta uma simbiose de idéias socialistas adaptadas a um sistema capitalista. Ou até um "radicalismo de centro", como no entender Alain de Benoist.

Não há sentido em falar num movimento Integralista hoje, sem partir do pressuposto que ele jamais negligencie o combate ao andamento de um processo de neocolonialismo que, através da imposição da falsa noção de um caminho único a seguir, está, em passos largos, descaracterizando o ser humano ao mais bestial materialismo; enquanto ameaça decididamente a possibilidade para a autodeterminação dos povos e às suas culturas, assim como modos de vida diferenciados. Em suma, uma ditadura global, tirânica e inaudita.

A verdade é que, por trás desse ingênuo romantismo que se esconde por trás da chamada globalização, se esconde o mais ambicioso projeto de toda história da humanidade: através de ordens e organizações multicruzadas, norteadas pelo mais crasso materialismo, vislumbra-se, através da máxima concentração de poderes políticos e econômicos, a possibilidade do completo domínio da ciência e de todos os processos de produção pela via pacífica do convencimento do mercado, minando lentamente, em paralelo, os valores patrióticos (para que não surjam contestações ideológicas ou resistências armadas, civis ou militares) possibilitando uma reorganização consentida de toda humanidade em torno dos interesses de uma reduzida elite financeira.

A meta final é destruir os estados nacionais e seu poder de intervir na vida econômica dos seus países, abolindo suas fronteiras fixas e o conceito de soberania. Para isso, existem dois pontos inamovíveis: é necessário lentamente suprimir todas as Forças Armadas nacionais, substituindo-as por um contingente policial supranacional que tenha respaldo de uma "corte internacional" à qual ninguém tenha condições de oferecer a mínima resistência; e o gradual afastamento da civilização ocidental dos seus antigos valores morais, éticos e religiosos, substituindo-os por uma nova "ética" materialista, com base exclusiva na razão, no conhecimento científico e no direito positivo.

O movimento Integralista para o século XXI deve, dessa forma, atacar de frente as falácias liberais e marxistas expostas pelo fracasso generalizado das suas práticas no último século. É delas que tem decorrido a maior parte das aflições da humanidade. A promessa iluminista de felicidade por via da razão e do progresso não tem se cumprido.

É hora, portanto, de abandonar certos falsos pragmatismos e reconhecer a necessidade de buscar um caminho que tenha como premissa uma concepção espiritualista do Universo e do Homem.

* ∑. São Paulo (SP). Marcelo Silveira foi Fundador e 1º Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira.
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